Textos sobre Plano

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Textos de plano escritos por poetas consagrados, filósofos e outros autores famosos. Conheça estes e outros temas em Poetris.

O Despotismo do Homem Vulgar

A hist√≥ria europ√©ia parece, pela primeira vez, entregue √† decis√£o do homem vulgar como tal. Ou dito em voz activa: o homem vulgar, antes dirigido, resolveu governar o mundo. Esta resolu√ß√£o de avan√ßar para o primeiro plano social produziu-se nele, automaticamente, mal chegou a amadurecer o novo tipo de homem que ele representa. Se, atendendo aos defeitos da vida p√ļblica, estuda-se a estrutura psicol√≥gica deste novo tipo de homem-massa, encontra-se o seguinte: 1¬ļ, uma impress√£o nativa e radical de que a vida √© f√°cil, abastada, sem limita√ß√Ķes tr√°gicas; portanto, cada indiv√≠duo m√©dio encontra em si mesmo uma sensa√ß√£o de dom√≠nio e triunfo que, 2¬ļ, convida-o a afirmar-se a si mesmo tal qual √©, a considerar bom e completo o seu haver moral e intelectual. Este contentamento consigo mesmo leva-o a fechar-se em si mesmo para toda a inst√Ęncia exterior, a n√£o ouvir, a n√£o p√īr em tela de ju√≠zo as suas opini√Ķes e a n√£o contar com os demais. A sua sensa√ß√£o √≠ntima de dom√≠nio incita-o constantemente a exercer predom√≠nio. Actuar√°, pois, como se somente ele e os seus cong√©neres existissem no mundo; portanto, 3¬ļ, intervir√° em tudo impondo a sua vulgar opini√£o, sem considera√ß√Ķes, contempla√ß√Ķes, tr√Ęmites nem reservas; quer dizer,

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A Imaginação é a Base do Homem

De tal modo a imagina√ß√£o √© a base do homem ‚ÄĒ Joana de novo ‚ÄĒ que todo o mundo que ele tem constru√≠do encontra sua justificativa na beleza da cria√ß√£o e n√£o na sua utilidade, n√£o em ser o resultado de um plano de fins adequados √†s necessidades. Por isso √© que vemos multiplicarem-se os rem√©dios destinados a unir o homem √†s ideias e institui√ß√Ķes existentes ‚ÄĒ a educa√ß√£o, por exemplo, t√£o dif√≠cil ‚ÄĒ e vemo-lo continuar sempre fora do mundo que ele construiu. O homem levanta casas para olhar e n√£o para nelas morar. Porque tudo segue o caminho da inspira√ß√£o. O determinismo n√£o √© um determinismo de fins, mas um estreito determinismo de causas. Brincar, inventar, seguir a formiga at√© seu formigueiro, misturar √°gua com cal para ver o resultado, eis o que se faz quando se √© pequeno e quando se √© grande. √Č erro considerar que chegamos a um alto grau de pragmatismo e materialismo. Na verdade o pragmatismo ‚ÄĒ o plano orientado para um dado fim real ‚ÄĒ seria a compreens√£o, a estabilidade, a felicidade, a maior vit√≥ria de adapta√ß√£o que o homem conseguisse. No entanto fazer as coisas ¬ępara qu√™¬Ľ parece-me, perante a realidade,

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Civilização de Especialistas

A verdade √© que hoje vivemos numa civiliza√ß√£o de especialistas e que √© v√£o todo o empenho de que seja de outro modo. Sob pena de n√£o ser eficiente, o homem das artes, das ci√™ncias e das t√©cnicas tem de se especializar, para que domine aqueles segredos de bibliografia ou de pr√°tica, e para que obtenha os jeitos e a forte concentra√ß√£o de pensamento que se tornam necess√°rios para que se possa n√£o s√≥ manejar o que se herdou mas acrescentar patrim√≥nio para as gera√ß√Ķes futuras. E, se √© certo que por um lado o especialismo favorece aquela pregui√ßa de ser homem que tanto encontramos no mundo, permite ele, por outro lado, aproveitar em tarefas √ļteis indiv√≠duos que pouco brilhantes seriam no tratamento de conjuntos. O pre√ßo, por√©m, se tem naturalmente de pagar; paga-o o colectivo quando se queixa, e muito justamente, da falta de bons l√≠deres, de homens com uma larga vis√£o de conjunto, que saibam do trabalho de cada um o suficiente para o poderem dirigir e se tenham eles tornado especialistas na dif√≠cil arte de n√£o ter especialidade pr√≥pria sen√£o essa mesma do plano, da previs√£o e do animar na batalha as tropas que, na maior parte das vezes,

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Somos Cidadãos Sem Laços de Cidadania

√Č escusado. Em nenhuma √°rea do comportamento social conseguimos encontrar um denominador comum que nos torne a conviv√™ncia harmoniosa. Procedemos em todos os planos da vida colectiva como figadais advers√°rios. Guerreamo-nos na pol√≠tica, na literatura, no com√©rcio e na ind√ļstria. Onde est√£o dois portugueses est√£o dois concorrentes hostis √† Presid√™ncia da Rep√ļblica, √† chefia dum partido, √† ger√™ncia dum banco, ao comando de uma corpora√ß√£o de bombeiros. N√£o somos capazes de reconhecer no vizinho o talento que nos falta, as virtudes de que carecemos. Diante de cada sucesso alheio ficamos transtornados. E vingamo-nos na s√°tira, na mordacidade, na maledic√™ncia. Nas cidades ou nas aldeias, por f√°s e por nefas, n√£o h√° ningu√©m sem alcunha, a todos √© colado um rabo-leva pejorativo. Quem quiser conhecer a natureza do nosso relacionamento, leia as pol√©micas que trav√°mos ao longo dos tempos. S√£o reveladoras. A celebrada carta de E√ßa a Camilo ou a tamb√©m conhecida deste ao conselheiro Forjaz de Sampaio d√£o a medida exacta da verrina em que nos comprazemos no trato di√°rio. Gregariamente, somos um somat√≥rio de cidad√£os sem la√ßos de cidadania.

Regras Gerais da Arte da Guerra

Estou consciente de vos ter falado de muitas coisas que por vós mesmos haveis podido aprender e ponderar. Não obstante, fi-lo, como ainda hoje vos disse, para melhor vos poder mostrar, através delas, os aspectos formais desta matéria,e, ainda, para satisfazer aqueles Рse fosse esse o caso Рque não tivessem tido, como vós, a oportunidade de sobre elas tomar conhecimento. Parece-me que, agora, já só me resta falar-vos de algumas regras gerais, com as quais deveis estar perfeitamente identificados. São as seguintes:
– Tudo o que √© √ļtil ao inimigo √© prejudicial para ti, e, tudo o que te √© √ļtil prejudica o inimigo.
– Aquele que, na guerra, for mais vigilante a observar as inten√ß√Ķes do inimigo e mais empenho puser na prepara√ß√£o do seu ex√©rcito, menos perigos correr√° e mais poder√° aspirar √† vit√≥ria.
– Nunca leves os teus soldados para o campo de batalha sem, previamente, estares seguro do seu √Ęnimo e sem teres a certeza de que n√£o t√™m medo e est√£o disciplinados e convictos de que v√£o vencer.
– √Č prefer√≠vel vencer o inimigo pela fome do que pelas armas. A vit√≥ria pelas armas depende muito mais da fortuna do que da virtude.

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O Bem Supremo

Muito discutiu a antiguidade em torno do supremo bem. O que √© o supremo bem? Seria o mesmo que perguntar o que √© o supremo azul, o supremo acepipe, o supremo andar, o ler supremo, etc. Cada um p√Ķe a felicidade onde pode, e quanto pode ao seu gosto. (…) Sumo bem √© o bem que vos deleita a ponto de nos polarizar toda a sensibilidade, assim como mal supremo √© aquele que vos torna completamente insens√≠vel. Eis os dois p√≥los da natureza humana. Esses dois momentos s√£o curtos. N√£o existem deleites extremos nem extremos tormentos capazes de durar a vida inteira. Supremo bem e supremo mal s√£o quimeras.Conhecemos a bela f√°bula de Cr√Ęntor, que fez comparecer aos jogos ol√≠mpicos a Fortuna, a Vol√ļpia, a Sa√ļde e a Virtude.
Fortuna: РO sumo bem sou eu, pois comigo tudo se obtém.
Vol√ļpia: – Meu √© o pomo, porquanto n√£o se aspira √† riqueza sen√£o para ter-me a mim.
Sa√ļde: – Sem mim n√£o h√° vol√ļpia e a riqueza seria in√ļtil.
Virtude: – Acima da riqueza, da vol√ļpia e da sa√ļde estou eu, que embora com ouro, prazeres e sa√ļde pode haver infelicidade, se n√£o h√° virtude.

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As Nossas Possibilidades de Felicidade

√Č simplesmente o princ√≠pio do prazer que tra√ßa o programa do objectivo da vida. Este princ√≠pio domina a opera√ß√£o do aparelho mental desde o princ√≠pio; n√£o pode haver d√ļvida quanto √† sua efici√™ncia, e no entanto o seu programa est√° em conflito com o mundo inteiro, tanto com o macrocosmo como com o microcosmo. N√£o pode simplesmente ser executado porque toda a constitui√ß√£o das coisas est√° contra ele; poder√≠amos dizer que a inten√ß√£o de que o homem fosse feliz n√£o estava inclu√≠da no esquema da Cria√ß√£o. Aquilo a que se chama felicidade no seu sentido mais restrito vem da satisfa√ß√£o ‚ÄĒ frequentemente instant√Ęnea ‚ÄĒ de necessidades reprimidas que atingiram uma grande intensidade, e que pela sua natureza s√≥ podem ser uma experi√™ncia transit√≥ria. Quando uma condi√ß√£o desejada pelo princ√≠pio do prazer √© protelada, tem como resultado uma sensa√ß√£o de consolo moderado; somos constitu√≠dos de tal forma que conseguirmos ter prazer intenso em contrastes, e muito menos nos pr√≥prios estados intensos. As nossas possibilidades de felicidade s√£o assim limitadas desde o princ√≠pio pela nossa forma√ß√£o. √Č muito mais f√°cil ser infeliz.
O sofrimento tem três procedências: o nosso corpo, que está destinado à decadência e dissolução e nem sequer pode passar sem a ansiedade e a dor como sinais de perigo;

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Toda a Comunidade nos Torna Vulgares

Viver com uma imensa e orgulhosa calma; sempre para al√©m. – Ter e n√£o ter, arbitrariamente, os seus afectos, o seu pr√≥ e contra, condescender com eles por umas horas; montar sobre eles como em cavalos, frequentemente como em burros; – √© que se deve saber aproveitar a sua estupidez tal como a sua fogosidade. Conservar os seus trezentos primeiros planos; tamb√©m os √≥culos escuros; pois h√° casos em que ningu√©m nos deve olhar nos olhos e muito menos ainda nas nossas ¬ęraz√Ķes¬Ľ. E escolher, para companhia, aquele v√≠cio matreiro e sereno, a cortesia. E ficar senhor das suas quatro virtudes, a coragem, a perspic√°cia, a simpatia, a solid√£o. Pois a solid√£o √© entre n√≥s uma virtude, como tend√™ncia e impulso sublimes do asseio que adivinha como, no contacto de homem para homem – ¬ęem sociedade¬Ľ – tudo √©, inevitavelmente, sujo, Toda a comunidade nos torna de qualquer modo, em qualquer parte, em qualquer altura – ¬ęvulgares¬Ľ.

O Amor n√£o Rende Juros

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√Č verdade ¬ęque um baixo amor os fortes enfraquece¬Ľ
mas também o grande amor torna ridículos os grandes,
pois o amor √©, em energia material sobre o mundo, um roubo ‚ÄĒ apesar de, em sensa√ß√Ķes, ser magn√≠fico. 0 amor ser√° √ļtil internamente,
mas externamente n√£o carrega um tijolo.
Disso nunca tive d√ļvidas.

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A vida, √© certo, n√£o ser√° um s√≠tio excepcional para as paix√Ķes.
Nos países humanos, o amor mistura-se muito
com palavras equívocas.
0 fogo que existe numa lareira, por exemplo,
é um fogo servil, cultural, educado.
Uma coisa vermelha, mas mansa,
que nos obedece.
Só é natureza, o fogo na lareira,
quando, vingando-se, provoca um incêndio.
E o amor assim funciona. Mas é preferível o contrário.

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√Č desarranjo de estrat√©gias e planos,
surpresa ritmada, uma ilegalidade exaltante que n√£o prejudica
os vizinhos.
Mas atenção, de novo: o amor não faz bem aos países,
n√£o desenvolve as suas ind√ļstrias, nem a economia.
Disso nunca tive d√ļvidas. E por isso √© prefer√≠vel n√£o.

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No entanto, qual é o país que pode impedir que o amor
entre?

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A Vida é uma Montanha Russa

A vida n√£o √© uma linha reta em que algu√©m conquistado ou algo adquirido √© uma seguran√ßa para todo o sempre; a vida √© uma montanha russa e, de vez em quando, sim, √© preciso ficares de pernas para o ar. Tudo passa, tu ficas. Sou t√£o assertivo relativamente a este tema porque sei que √© a depend√™ncia que gera o apego, ou seja, se as pessoas forem independentes √© imposs√≠vel serem apegadas. √Č o ego que as vincula √† ideia de que n√£o s√£o suficientemente boas para dependerem de si mesmas e √© contra esta terr√≠vel armadilha que √© preciso lutar.

Uma m√£e que dependa do bem–estar do filho e que viva para ele √© uma mulher que n√£o encontrar√° for√ßas para lhe esticar o bra√ßo quando ele cair e precisar de uma verdadeira m√£e, pois ser√£o sempre dois a sofrer da mesma epidemia, da mesma dor, da mesma frustra√ß√£o ou desilus√£o; um homem que use e abuse da estabilidade profissional e financeira que conquistou e que dependa disso para, pensa ele, ser o que √©, √© algu√©m que mais tarde ou mais cedo, e num daqueles loopings da vida em que o que era j√° n√£o √©,

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Espíritos Dirigentes e seus Instrumentos

Vemos grandes estadistas e, em geral, todos aqueles, que devem servir-se de muitas pessoas para a execu√ß√£o dos seus planos, comportarem-se ora de uma maneira, ora de outra: ou seleccionam muito apurada e cuidadosamente as pessoas que conv√™m aos seus projectos e lhes deixam, depois, uma liberdade relativamente grande, porque sabem que a natureza desses indiv√≠duos escolhidos os impele precisamente para onde eles pr√≥prios querem que eles v√£o; ou, ent√£o, escolhem mal, pegam mesmo no que t√™m √† m√£o, mas formam a partir desse barro algo que serve para os seus fins. Este √ļltimo g√©nero √© o mais violento, tamb√©m o que procura instrumentos mais submissos; o seu conhecimento dos homens √©, habitualmente, muito mais escasso, o seu desprezo pelos homens √© maior do que no caso dos esp√≠ritos mencionados em primeiro lugar, mas a m√°quina, que eles constroem, trabalha melhor, de maneira geral, que a m√°quina sa√≠da da oficina daqueles.

A Necessidade do Desarmamento

A realiza√ß√£o do plano de desarmamento tem sido prejudicada principalmente por ningu√©m se dar verdadeiramente conta da enorme dificuldade do problema em geral. A maior parte dos objectivos s√≥ s√£o atingidos a passos lentos. Basta pensar na substitui√ß√£o da Monarquia absoluta pela Democracia! √Č um objectivo que conv√©m atingir depressa.
Com efeito, enquanto n√£o for exclu√≠da a possibilidade de guerra, as na√ß√Ķes n√£o prescindir√£o de se prepararem militarmente o melhor poss√≠vel, para poderem enfrentar vitoriosamente a pr√≥xima guerra. Nem t√£o-pouco se prescindir√° de educar a juventude nas tradi√ß√Ķes guerreiras, de alimentar a comezinha vaidade nacional aliada √† glorifica√ß√£o do esp√≠rito guerreiro, enquanto for preciso contar com a possibilidade de vir a fazer uso desse esp√≠rito dos cidad√£os na resolu√ß√£o dos conflitos pelas armas. Armar-se significa precisamente afirmar e preparar a guerra e n√£o a paz! Portanto, n√£o interessa proceder ao desarmamento gradual mas radicalmente, de uma s√≥ vez, ou nunca.
A realiza√ß√£o de t√£o profunda modifica√ß√£o na vida dos povos tem como condi√ß√£o um enorme esfor√ßo moral e o abandono de tradi√ß√Ķes profundamente enraizadas. Quem n√£o estiver preparado para, em caso de conflito, fazer depender o destino da sua p√°tria incondicionalmente das decis√Ķes dum tribunal internacional de arbitragem,

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Um Clímax Duplo

Meu Amor,

Hoje vou buscar as minhas p√©rolas! Vou j√° √† loja de fotografias e terei os instant√Ęneos para ti amanh√£ √† noite. Estou livre amanh√£ √† noite. Onde queres que te encontre?

A mulher do Allendy teve uma atitude desesperada, e ele deu um pulo at√© √† Bretanha por uns tempos. Tivemos uma cena linda que te relatarei… Profundamente interessante… Aqui mesmo em Louveciennes, h√° uma hora. Ent√£o vou trabalhar noutras coisas. O teu livro incha dentro de mim como o meu pr√≥prio ‚ÄĒ mais jovialmente ainda do que o meu, porque o teu livro √© para mim uma fecunda√ß√£o, ao passo que o meu √© um acto de narcisismo. Eu digo: deixem uma mulher escrever livros, mas deixem-na acima de tudo permanecer fecund√°vel por outros livros!

Entendes-me? Regozijo nos teus planos imensos, nas tuas ideias… Essas nossas conversas, Henry, como ressaltam, s√£o t√£o firmes… Henry, nunca haver√° momentos mortos, porque em n√≥s ambos existe sempre movimento, renova√ß√£o, surpresas. Nunca conheci a estagna√ß√£o. Nem mesmo a introspec√ß√£o tem sido uma experi√™ncia est√°tica… Mesmo em nada leio maravilhas, e no mero acto de esburacar a terra, em vez de minas de ouro, consigo gerar entusiasmo.

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A Individualidade N√£o Se Deixa Representar

Conselho ao intelectual: N√£o deixes que te representem. A fungibilidade das obras e das pessoas e a cren√ßa da√≠ derivada de que todos t√™m de poder fazer tudo revelam-se no seio do estado vigente como grilh√Ķes. O ideal igualit√°rio da representatividade √© uma fraude, se n√£o for sustentado pelo princ√≠pio da revogabilidade e da responsabilidade do rank and file. O mais poderoso √© justamente o que menos faz, o que mais se pode encarregar daquele a que se dedica e sua vantagem arrecada. Parece colectivismo e fica-se apenas pela demasiado boa opini√£o de si mesmo, pela exclus√£o do trabalho, gra√ßas √† disposi√ß√£o do trabalho alheio.
Na produ√ß√£o material est√° solidamente implantada a substituibilidade. A quantifica√ß√£o dos processos laborais diminui tendencialmente a diferen√ßa entre o encargo do director geral e o do empregado de uma esta√ß√£o de servi√ßo. √Č uma ideologia miser√°vel pensar que, nas actuais condi√ß√Ķes, para a admininstra√ß√£o de um trust se requer mais intelig√™ncia, experi√™ncia e prepara√ß√£o do que para ler um man√≥metro. Mas enquanto na produ√ß√£o material h√° um apego tenaz a esta ideologia, o esp√≠rito da que lhe √© contr√°ria cai na submiss√£o. Tal √© a cada vez mais ruinosa doutrina da universitas litterarum, da igualdade de todos na rep√ļblica das ci√™ncias,

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Pensamento e Acção

O movimento não é progresso, assim como a actividade não é realização. O esquilo na sua gaiola rotativa faz movimento e mostra actividade sem chegar a parte alguma. Quem se deixa ir ao sabor das ondas pode ter grande actividade mas mover-se para trás. A sua energia pode dissipar-se, como o vapor de água no espaço vazio, se falar demais sobre os seus planos. Seja um executor, não um falador.
¬ęPense¬Ľ, sim, mas n√£o divague at√© outra pessoa pensar, resolver e agir. O homem que tem de ser convencido a agir antes de entrar em actividade n√£o √© um homem de ac√ß√£o… tem de agir conforme respira. Proceda como se fosse imposs√≠vel falhar. S√≥ as suas ac√ß√Ķes determinam e mostram o seu valor. Se ficar recostado e quieto a ver o mundo passar – o mundo passa mesmo. N√£o h√° nenhuma for√ßa do destino a planear a vida dos homens. O que nos sucede, de bom ou de mau, √© quase sempre o resultado da nossa ac√ß√£o ou da falta dela. A ac√ß√£o √© a base de qualquer realiza√ß√£o.

A Inutilidade de qualquer Esforço Desinteressado

Desde que me convenci da inutilidade de qualquer esfor√ßo desinteressado, nunca mais pensei em escrever um livro; limito-me a apontamentos. In√ļtil por in√ļtil, diminua ao menos a ma√ßada. Estes apontamentos s√£o a respeito da pol√≠tica do futuro. Cont√™m um plano pol√≠tico. N√£o ser√£o adoptados na pr√°tica, porque a pr√°tica n√£o adopta, mas cria. Escrevo-os como se escrevesse um poema – e √© esta a √ļnica atitude razo√°vel que recomenda o pr√≥prio teorista: considere-se poeta, ou, se n√£o, cale-se.

√Ālvaro de

Só Hoje

1. S√≥ hoje, vou ser feliz. Isto pressup√Ķe que o que Abraham Lincoln disse √© verdadeiro: ¬ęA maioria das pessoas √© feliz na medida em que resolve s√™-lo.¬Ľ A felicidade est√° dentro de n√≥s, n√£o √© uma quest√£o exterior.

2. Só hoje, vou tentar adaptar-me às coisas como elas são e não tentar adaptar tudo aos meus próprios desejos. Vou aceitar a minha família, o meu trabalho e a minha sorte tal como são e adaptar-me a eles.

3. Só hoje, vou cuidar do meu corpo. Vou exercitá-lo, cuidar dele, nutri-lo, não abusar dele nem negligenciá-lo, para que seja uma máquina perfeita ao meu dispor.

4. S√≥ hoje, vou tentar fortalecer a minha mente. Vou aprender alguma coisa √ļtil. N√£o vou ser um pregui√ßoso mental. Vou ler alguma coisa que exija esfor√ßo, racioc√≠nio e concentra√ß√£o.

5. Só hoje, vou exercitar a minha mente de três maneiras: vou fazer bem a alguém sem essa pessoa descobrir. Vou fazer pelo menos duas coisas que não quero fazer, como sugere William James, só para me exercitar.

6. Só hoje, vou ser agradável. Vou apresentar-me o melhor que puder, vestir-me o mais correctamente possível,

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