Citações de Imre Kertész

19 resultados
Frases, pensamentos e outras citações de Imre Kertész para ler e compartilhar. Os melhores escritores estão em Poetris.

Mas não vamos exagerar, já que é este o problema: eu estou aqui e sei muito bem que aceito todos os argumentos, pelo preço de poder viver.

Kurti acreditou na política, e os políticos desiludiram-no, da mesma forma que os políticos desiludem toda a gente.

O mundo não corresponde à nossa imaginação mas sim ao nosso pesadelo, cheio de surpresas inconcebíveis.

O Ocidente, em geral, deveria olhar mais pelos seus próprios valores. Nem sempre vale a pena comprometê-los.

Claro, viver é outra forma de nos matarmos a nós próprios: a desvantagem é que é um processo horrivelmente longo.

O homem, quando é reduzido a nada, ou, por outras palavras, é um sobrevivente, não é trágico mas sim cómico, porque ele não tem destino.

O Bem pode ser feito numa vida em que o Mal é a sua regra, mas apenas pelo custo de quem pratica o bem sacrificando a sua vida.

Eu existo. É isso uma vida? Não, é vegetar. Parece que é a única filosofia que pode suceder à filosofia do existencialismo: o não-existencialismo, a filosofia da existência não existente.

Os escritores por vezes lançam-se a eles próprios nas maiores profundezas do desespero, a fim de o dominarem e seguirem em frente.

As Etapas da Nossa Vida

Consoante percorremos cada etapa na nossa vida, reconhecendo-a como mais uma que ficou para trás de nós, a próxima etapa depara-se logo à nossa frente. Quando tivermos aprendido tudo, lentamente vamos percebendo as coisas. E enquanto vamos percebendo tudo gradualmente, não ficamos parados, já estamos a atender às necessidades das próximas etapas: vivemos, agimos, movemo-nos, vamos preenchendo os requisitos para cumprir as exigências da próxima etapa do nosso desenvolvimento. Se, por outro lado, não houve um plano, nenhum encantamento gradual, se todo o conhecimento cai em cima de uma pessoa de uma vez só, é possível que nem o seu cérebro nem o seu coração o possa suportar.

As quantidades de livros que dormem em mim, bons e maus, de qualquer tipo. Frases, palavras, parágrafos, versos, que, à semelhança de inquilinos inquietos, voltam bruscamente à vida, errando solitariamente ou entoando na minha cabeça conversas brutais que eu sou incapaz de silenciar.

A leitura é como que uma droga que confere um adormecimento agradável aos contornos da crueldade da vida.

Se alguém toma o caminho do sucesso, então terá que ser bem sucedido ou mal sucedido, não existe uma terceira alternativa.

Falar não é suficiente, as palavras não esclarecem nada. Eu terei que bater nalguma coisa, mas no quê?

Se uma pessoa resolve lutar, convém saber a razão pela qual está a lutar. Caso contrário não faz sentido. A pessoa geralmente luta contra um poder, a fim de conquistar o poder para ele próprio. Ou porque o poder em questão está a ameaçar a sua vida.

«Auschwitz não pode ser explicado». E, ainda assim, não é preciso um Wittgenstein para reparar que esta frase é defeituosa mesmo do ponto de vista da pura lógica linguística.