Cita√ß√Ķes de Alexis Carrel

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Frases, pensamentos e outras cita√ß√Ķes de Alexis Carrel para ler e compartilhar. Os melhores escritores est√£o em Poetris.

A Inteligência e o Sentido Moral

A intelig√™ncia √© quase in√ļtil para aqueles que s√≥ a possuem a ela. O intelectual puro √© um ser incompleto, infeliz, pois √© incapaz de atingir aquilo que compreende. A capacidade de apreender as rela√ß√Ķes das coisas s√≥ √© fecunda quando associada a outras actividades, como o sentido moral, o sentido afectivo, a vontade, o racioc√≠nio, a imagina√ß√£o e uma certa for√ßa org√Ęnica. S√≥ √© utiliz√°vel √† custa de esfor√ßo.
Os detentores da ciência preparam-se longamente realizando um duro trabalho. Submetem-se a uma espécie de ascetismo. Sem o exercício da vontade, a inteligência mantém-se dispersa e estéril. Uma vez disciplinada, torna-se capaz de perseguir a verdade. Mas só a atinge plenamente se for ajudada pelo sentido moral. Os grandes cientistas têm sempre uma profunda honestidade intelectual. Seguem a realidade para onde quer que ela os conduza. Nunca procuram substituí-la pelos seus próprios desejos, nem ocultá-la quando se torna opressiva. O homem que quiser contemplar a verdade deve manter a calma dentro de si mesmo. O seu espírito deve ser como a água serena de um lago. As actividades afectivas, contudo, são indispensáveis ao progresso da inteligência. Mas devem reduzir-se a essa paixão que Pasteur chamava deus inteiror, o entusiasmo.

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O Homem não está à Altura da sua Obra

Dir-se-ia que a civiliza√ß√£o moderna √© incapaz de produzir uma elite dotada simultaneamente de imagina√ß√£o, de intelig√™ncia e de coragem. Em quase todos os pa√≠ses se verifica uma diminui√ß√£o do calibre intelectual e moral naqueles a quem cabe a responsabiliza√ß√£o da direc√ß√£o dos assuntos pol√≠ticos, econ√≥micos e sociais. As organiza√ß√Ķes financeiras, industriais e comerciais atingiram dimens√Ķes gigantescas. S√£o influenciadas n√£o s√≥ pelas condi√ß√Ķes do pa√≠s em que nasceram, mas tamb√©m pelo estado dos pa√≠ses vizinhos e de todo o mundo. Em todas as na√ß√Ķes produzem-se modifica√ß√Ķes sociais com grande rapidez. Em quase toda a parte se p√Ķe em causa o valor do regime pol√≠tico. As grandes democracias enfrentam problemas tem√≠veis que dizem respeito √† sua pr√≥pria exist√™ncia e cuja solu√ß√£o √© urgente. E apercebemo-nos de que, apesar das grandes esperan√ßas que a humanidade depositou na civiliza√ß√£o moderna, esta civiliza√ß√£o n√£o foi capaz de desenvolver homens suficientemente inteligentes e audaciosos para a dirigirem na via perigosa por que a enveredou. Os seres humanos n√£o cresceram tanto como as institui√ß√Ķes criadas pelo seu c√©rebro. S√£o sobretudo a fraqueza intelectual e moral dos chefes e a sua ignor√Ęncia que p√Ķem em perigo a nossa civiliza√ß√£o.

Só o amor é capaz de criar nas sociedades humanas a ordem que o instinto estabeleceu há milhares de anos no mundo das formigas e das abelhas.

A √ļnica maneira de aumentar a intelig√™ncia dos s√°bios seria diminuir o seu n√ļmero.

O Homem Deveria ser a Medida de Tudo

O homem deveria ser a medida de tudo. De facto, ele √© um estranho no mundo que criou. N√£o soube organizar este mundo para ele, porque n√£o possu√≠a um conhecimento positivo da sua pr√≥pria natureza. O enorme avan√ßo das ci√™ncias das coisas inanimadas em rela√ß√£o √†s dos seres vivos √©, portanto, um dos acontecimentos mais tr√°gicos da hist√≥ria da humanidade. O meio constru√≠do pela nossa intelig√™ncia e pelas nossas inten√ß√Ķes n√£o se ajusta √†s nossas dimens√Ķes nem √† nossa forma. N√£o nos serve. Sentimo-nos infelizes. Degeneramos moralmente e mentalmente.
S√£o precisamente os grupos e as na√ß√Ķes em que a civiliza√ß√£o industrial atingiu o apogeu que mais enfraquecem. Neles, o retorno √† barb√°rie √© mais r√°pido. Permanecem sem defesa perante o meio adverso que a ci√™ncia lhes forneceu. Na verdade, a nossa civiliza√ß√£o, tal como as que a antecederam, criou condi√ß√Ķes em que, por raz√Ķes que n√£o conhecemos exactamente, a pr√≥pria vida se torna imposs√≠vel. A inquieta√ß√£o e a infelicidade dos habitantes da nova cidade t√™m origem nas institui√ß√Ķes pol√≠ticas, econ√≥micas e sociais, mas sobretudo na sua pr√≥pria degrada√ß√£o. S√£o v√≠timas do atraso das ci√™ncias da vida em rela√ß√£o √†s da mat√©ria.

Consumismo Cego

A nossa vida √© influenciada em grande medida pelos jornais. A publicidade √© feita unicamente no interesse dos produtores e nunca dos consumidores. Por exemplo, convenceu-se o p√ļblico de que o p√£o branco √© superior ao p√£o escuro. A farinha, cada vez mais finamente peneirada, foi privada dos seus princ√≠pios mais √ļteis. Mas conserva-se melhor e o p√£o faz-se mais facilmente. Os moleiros e os padeiros ganham mais dinheiro. Os consumidores comem, sem o saber, um produto inferior. E em todos os pa√≠ses em que o p√£o √© a parte principal da alimenta√ß√£o, as popula√ß√Ķes degeneram. Gastam-se enormes quantias na publicidade comercial. Assim, imensos produtos alimentares e farmac√™uticos in√ļteis, e muitas vezes prejudiciais, tornaram-se uma necessidade para os homens civilizados. Deste modo, a avidez dos indiv√≠duos suficientemente h√°beis para orientar o gosto das massas populares para os produtos √† venda desempenha um papel capital na nossa civiliza√ß√£o.

Civilização Construída ao Acaso

A civiliza√ß√£o moderna encontra-se em m√° posi√ß√£o porque n√£o nos conv√©m. Foi constru√≠da sem conhecimento da nossa verdadeira natureza. Deve-se ao capricho das descobertas cient√≠ficas, do apetite dos homens, das suas ilus√Ķes, das suas teorias e dos seus desejos. Apesar de ter sido edificada por n√≥s, n√£o foi feita √† nossa medida.
Na verdade, √© evidente que a ci√™ncia n√£o seguiu nenhum plano. Desenvolveu-se ao acaso, com o nascimento de alguns homens de g√©nio, a forma do seu esp√≠rito e o caminho que tomou a sua curiosidade. N√£o se inspirou de modo nenhum no desejo de melhorar o estado dos seres humanos. As descobertas produziram-se ao sabor da intui√ß√£o dos cientistas e das circunst√Ęncias mais ou menos fortuitas das suas carreiras.
Se Galileu, Newton ou Lavoisier tivessem aplicado os poderes do seu espírito ao estudo do corpo e da consciência, talvez o nosso mundo fosse diferente do que é hoje. Os cientistas ignoram para onde vão. São guiados pelo acaso, por raciocínios subtis, por uma espécie de clarividência. Cada um deles é um mundo à parte, governado pelas suas próprias leis. De tempos a tempos, certas coisas, obscuras para os outros, tornam-se claras para eles. Em geral, as descobertas são feitas sem nenhuma revisão das consequências.

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Todos os grandes homens s√£o dotados de intui√ß√£o: um verdadeiro chefe n√£o necessita de testes psicol√≥gicos nem de informa√ß√Ķes para escolher os seus colaboradores.

A Base e o Progresso da Civilização

Os homens mais felizes e mais √ļteis s√£o feitos de um conjunto harmonioso de actividades intelectuais e morais. E √© a qualidade destas actividades e a igualdade do seu desenvolvimento que que conferem a este tipo a sua superioridade sobre os outros. Mas a sua intensidade determina o n√≠vel social de um dado indiv√≠duo e faz dele um comerciante ou um director de banco, um pequeno m√©dico ou um professor c√©lebre, um presidente de uma junta de freguesia ou um presidente dos Estados Unidos. O desenvolvimento de seres humanos completos dever ser o objectivo dos nossos esfor√ßos. S√≥ neles pode assentar uma civiliza√ß√£o s√≥lida.
Existe ainda uma classe de homens que, apesar de tão desarmónicos como os criminosos e os loucos, são indispensáveis à sociedade moderna. São os génios. Estes indivíduos caracterizam-se pelo crescimento monstruoso de uma das actividades psicológicas. Um grande artista, um grande cientista, um grande filósofo é geralmente um homem comum em que uma função se hipertrofiou. Pode também ser comparado a um tumor que se tivesse desenvolvido num organismo normal. Estes seres não equilibrados são, em geral, infelizes. Mas produzem grandes obras, das quais toda a sociedade beneficia. A sua desarmonia gera o progresso da civilização.

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Para cumprirmos nosso destino, n√£o √© suficiente simplesmente guardarmo-nos prudentemente contra os acidentes do percurso. Devemos tamb√©m cobrir, antes do cair da noite, a dist√Ęncia designada para cada um de n√≥s.