Passagens sobre Chefes

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Frases sobre chefes, poemas sobre chefes e outras passagens sobre chefes para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Títulos e Diplomas

Parece que a humanidade s√≥ se esfor√ßa enquanto tem a esperar diplomas idiotas, que pode exibir em p√ļblico para obter proveitos, mas, quando j√° tem na m√£o tais diplomas idiotas em n√ļmero suficiente, deixa-se levar. Ela vive em grande parte s√≥ para obter diplomas e t√≠tulos, n√£o por qualquer outra raz√£o, e, depois de ter obtido o n√ļmero de diplomas e t√≠tulos que, na sua opini√£o, √© suficiente, deixa-se cair na cama macia desses diplomas e t√≠tulos. Ela n√£o parece ter qualquer outro objectivo para a vida. N√£o tem, segundo parece, qualquer interesse numa vida pr√≥pria, independente, numa exist√™ncia pr√≥pria, independente, mas apenas nesses diplomas e t√≠tulos, sob os quais a humanidade h√° j√° s√©culos amea√ßa sufocar.
As pessoas não procuram independência e autonomia, não procuram a sua própria evolução natural, mas apenas esses diplomas e títulos e estariam, a todo o momento, prontas a morrer por esses diplomas e títulos, se lhos entregassem e dessem sem qualquer condição, esta é que é a verdade desmascaradora e deprimente. Tão pouco estimam elas a vida em si que só vêem os diplomas e títulos e nada mais. Elas penduram nas paredes das suas casas os diplomas e títulos, nas casas dos mestres talhantes e dos filósofos,

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Ser companheiro vale mais do que ser chefe. √Č preciso que os homens √† sua volta nunca tenham nenhuma ang√ļstia, n√£o sofram nunca por o sentirem a voc√™ superior a eles; a sua superioridade, se existir, deve ser um b√°lsamo nas feridas, deve consol√°-los, aliviar-lhes as dores. A sua grandeza, querido Amigo, deve servir para os tornar grandes, no que lhes √© poss√≠vel, n√£o para os humilhar, para os lan√ßar no desespero, no rancor, na inveja.

Ditador é o chefe de uma nação que prefere a peste do despotismo à praga da anarquia.

Ao trabalhar fielmente oito horas por dia, você pode eventualmente chegar a ser chefe e trabalhar doze horas por dia.

O Papel do Sonho na Vida

Por vezes, o homem √© mais sincero e rico na desordem dos sonhos que na consci√™ncia unit√°ria do raciocinador acordado, mas n√≥s vivemos enquanto negamos o sonho e o tornamos in√ļtil. O g√©nio √© a extradi√ß√£o do sonho, porque enriquece a consci√™ncia com as reservas e as pessoas do inconsciente. Expulsa o selvagem e o delinquente, destila a sagacidade do louco, adopta a crian√ßa e escuta o poeta. N√£o √© autocrata surdo, como o homem vulgar, mas pai de iguais. A conc√≥rdia de se terem almas subterr√Ęneas faz a grandeza do g√©nio, e a sua obra √© a sublima√ß√£o do sonho, desenrolado na vida verdadeira, liberdade concedida aos pensamentos inocentes dos reclusos.
Escolher é próprio do homem, mas escolhe-se com a rejeição e mais com o acolhimento. Vencer não significa apenas destruir, mas incorporar. A razão será tanto mais razoável quanto maior a loucura que assumir em si; o herói será mais forte se transferir para si a energia do pecador, e a fantasia do poeta tornará mais profundos os cálculos do político.
Quando o chefe da alma é o poeta, verdadeiramente poeta, não encarcera a razão, mas condu-la consigo para cima, ao céu em que até o silogismo se torna fogo.

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Neruda e García Lorca em Homenagem a Rubén Dario

Eis o texto do discurso:

Neruda: Senhoras…

Lorca: …e senhores. Existe na lide dos touros uma sorte chamada ¬ętoreio dei alim√≥n¬Ľ, em que dois toureiros furtam o corpo ao touro protegidos pela mesma capa.

Neruda: Federico e eu, ligados por um fio eléctrico, vamos emparelhar e responder a esta recepção tão significativa.

Lorca: √Č costume nestas reuni√Ķes que os poetas mostrem a sua palavra viva, prata ou madeira, e sa√ļdem com a sua voz pr√≥pria os companheiros e amigos.

Neruda: Mas n√≥s vamos colocar entre v√≥s um morto, um comensal vi√ļvo, escuro nas trevas de uma morte maior que as outras mortes, vi√ļvo da vida, da qual foi na sua hora um marido deslumbrante. Vamos esconder-nos sob a sua sombra ardente, vamos repetir-lhe o nome at√© que a sua grande for√ßa salte do esquecimento.

Lorca: N√≥s, depois de enviarmos o nosso abra√ßo com ternura de pinguim ao delicado poeta Amado Villar, vamos lan√ßar um grande nome sobre a toalha, na certeza de que v√£o estalar as ta√ßas, saltar os garfos, buscando o olhar que todos anseiam, e que um golpe de mar h√°-de manchar as toalhas. N√≥s vamos evocar o poeta da Am√©rica e da Espanha: Rub√©n…

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Todo o Génio é um Degenerado

Sendo certo que todo o g√©nio √© um degenerado (nem superior, nem inferior, porque h√° s√≥ degenerados de uma esp√©cie, mau grado a absurda escapat√≥ria dos psiquiatras modern style), cert√≠ssimo √©, sem d√ļvida, que entre os g√©nios, os da intelig√™ncia assumem um relevo m√°ximo de degenera√ß√£o. Um chefe pol√≠tico, um grande general, s√£o, no que g√©nios, degenerados, porque s√£o desvios do tipo normal e originais na sua ac√ß√£o e na sua individualidade. Mas s√£o normais porque s√£o homens de ac√ß√£o, porque vivem no meio da vida, e n√£o se pode fazer isso sem uma certa adapta√ß√£o a ela. O mais revolucion√°rio dos g√©nios pol√≠ticos tem de se adpatar ao que quer destruir para o poder destruir. Tem de mergulhar na vida que quer substituir para poder agir sobre ela.
Não assim na esfera da inteligência e da emoção intelectualizada Рna da filosofia e na da arte, digo. Sobre ser original, o artista, o pensador é um inadaptado às formas normais da vida, por isso que nem age no sentido da actividade normal (porque é original), nem age no que age, age vulgarmente (porque, em lugar de ter uma acção vulgar, orienta a sua vida sobretudo para a sensação e para a inteligência e não para a acção,

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Ninho Abandonado

À distinta família Simas, pela morte de seu chefe,
o Ilmo. Sr. Jo√£o da Silva Simas.

O vosso lar harm√īnico e tranq√ľilo
Era um ninho de luz e de esperanças
Que como abelhas iriadas, mansas,
Nos vossos cora√ß√Ķes tinham asilo.

Havia lá por dentro tanta crença
E tanto amor puríssimo, cantando,
Que parecia um largo sol faiscando
Por majestosa catedral imensa.

Agora o ninho est√° desamparado!
Sumiu-se dele o p√°ssaro adorado,
O mais ideal dos p√°ssaros do ninho.

N√£o se ouve mais a m√ļsica sonora
Da sua voz — dentro do ninho, agora,
Paira a saudade como um bom carinho.

O Homem não está à Altura da sua Obra

Dir-se-ia que a civiliza√ß√£o moderna √© incapaz de produzir uma elite dotada simultaneamente de imagina√ß√£o, de intelig√™ncia e de coragem. Em quase todos os pa√≠ses se verifica uma diminui√ß√£o do calibre intelectual e moral naqueles a quem cabe a responsabiliza√ß√£o da direc√ß√£o dos assuntos pol√≠ticos, econ√≥micos e sociais. As organiza√ß√Ķes financeiras, industriais e comerciais atingiram dimens√Ķes gigantescas. S√£o influenciadas n√£o s√≥ pelas condi√ß√Ķes do pa√≠s em que nasceram, mas tamb√©m pelo estado dos pa√≠ses vizinhos e de todo o mundo. Em todas as na√ß√Ķes produzem-se modifica√ß√Ķes sociais com grande rapidez. Em quase toda a parte se p√Ķe em causa o valor do regime pol√≠tico. As grandes democracias enfrentam problemas tem√≠veis que dizem respeito √† sua pr√≥pria exist√™ncia e cuja solu√ß√£o √© urgente. E apercebemo-nos de que, apesar das grandes esperan√ßas que a humanidade depositou na civiliza√ß√£o moderna, esta civiliza√ß√£o n√£o foi capaz de desenvolver homens suficientemente inteligentes e audaciosos para a dirigirem na via perigosa por que a enveredou. Os seres humanos n√£o cresceram tanto como as institui√ß√Ķes criadas pelo seu c√©rebro. S√£o sobretudo a fraqueza intelectual e moral dos chefes e a sua ignor√Ęncia que p√Ķem em perigo a nossa civiliza√ß√£o.

Alguns [chefes] são considerados grandes porque lhes mediram também o pedestal.

Um chefe que é capaz deve fingir ser incapaz; se está pronto, deve fingir-se despreparado; se estiver perto do inimigo deve parecer estar longe.

A educa√ß√£o √© o grande motor do desenvolvimento pessoal. √Č atrav√©s dela que a filha de um campon√™s se torna m√©dica, que o filho de um mineiro pode chegar a chefe de mina, que um filho de trabalhadores rurais pode chegar a presidente de uma grande na√ß√£o.