Passagens sobre Paix√£o

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Se não se passou pela obrigação absoluta de obedecer ao desejo do corpo, isto é, se não se passou pela paixão, nada se pode fazer na vida.

Nenhuma Morte Apagar√° os Beijos

Nenhuma morte apagar√° os beijos
e por dentro das casas onde nos am√°mos ou pelas ruas
[clandestinas da grande cidade livre
estar√£o para sempre vivos os sinais de um grande amor,
esses densos sinais do amor e da morte
com que se vive a vida.

Aí estarão de novo as nossas mãos.
E nenhuma dor será possível onde nos beijámos.
Eternamente apaixonados, meu amor. Eternamente livres.
Prolongaremos em todos os dedos os nossos gestos e,
profundamente, no peito dos amantes, a nossa alma líquida
[e atormentada

desvender√° em cada minuto o seu segredo
para que este amor se prolongue e noutras bocas
ardam violentos de paix√£o os nossos beijos
e os corpos se abracem mais e se confundam
mutuamente violando-se, violentando a noite
para que outro dia, afinal, seja possível.

O amor √© de todas as paix√Ķes a mais forte, pois ataca simultaneamente a cabe√ßa, o cora√ß√£o e os sentidos.

Uma torcida não vale a pena pela sua expressão numérica. Ela vive e influi no destino das batalhas pela força do sentimento. E a torcida tricolor leva um imperecível estandarte de paixão.

Teorias Precipitadas

√Č vulgar uma teoria ser resultado da precipita√ß√£o de um entendimento impaciente que, desejoso de se ver livre dos fen√≥menos, os substitui por imagens, conceitos, ou com frequ√™ncia por meras palavras. Pressente-se, e por vezes v√™-se at√© com clareza, que se trata apenas de expedientes. Mas n√£o √© sabido que a paix√£o e o partidarismo se deixam atrair pelos expedientes? E com toda a raz√£o, porque tanta falta lhes fazem.
(…) Avan√ßar precipitadamente para o fim a alcan√ßar, sem reflectir sobre os meios. Como se, para poder ajudar t√£o cedo quanto poss√≠vel uma ciran√ßa de ber√ßo, lhe quis√©ssemos matar o pai.
Se atentarmos em certos problemas de Arist√≥teles ficamos supreendidos com o dom de observa√ß√£o e com a imensidade de coisas que n√£o escapavam ao olhar dos gregos. E contudo cometiam o erro da precipita√ß√£o, j√° que saltavam imediatamente dos fen√≥menos para a explica√ß√£o, de onde resultaram formula√ß√Ķes teor√©ticas totalmente inadequadas. Trata-se todavia de um erro geral que ainda hoje continua a ser cometido.

Tese e Antítese

I

Já não sei o que vale a nova idéia,
Quando a vejo nas ruas desgrenhada,
Torva no aspecto, à luz da barricada,
Como bacchante ap√≥s l√ļbrica ceia…

Sanguinolento o olhar se lhe incendeia;
Respira fumo e fogo embriagada:
A deusa de alma vasta e sossegada
Ei-la presa das f√ļrias de Medeia!

Um século irritado e truculento
Chama à epilepsia pensamento,
Verbo ao estampido de pelouro e obuz…

Mas a idea √© n’um mundo inalter√°vel,
N’um cristalino c√©u, que vive est√°vel…
Tu, pensamento, não és fogo, és luz!

II

N’um c√©u intemerato e cristalino
Pode habitar talvez um Deus distante,
Vendo passar em sonho cambiante
O Ser, como espect√°culo divino.

Mas o homem, na terra onde o destino
O lançou, vive e agita-se incessante:
Enche o ar da terra o seu pulm√£o possante…
C√° da terra blasfema ou ergue um hino…

A idéia encarna em peitos que palpitam:
O seu pulsar s√£o chamas que crepitam,
Paix√Ķes ardentes como vivos s√≥is!

Combatei pois na terra √°rida e bruta,

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Espera…

Não me digas adeus, ó sombra amiga,
Abranda mais o ritmo dos teus passos;
Sente o perfume da paix√£o antiga,
Dos nossos bons e c√Ęndidos abra√ßos!

Sou a dona dos místicos cansaços,
A fant√°stica e estranha rapariga
Que um dia ficou presa nos teus bra√ßos…
Não vás ainda embora, ó sombra amiga!

Teu amor fez de mim um lago triste:
Quantas ondas a rir que n√£o lhe ouviste,
Quanta canção de ondinas lá no fundo!

Espera… espera… √≥ minha sombra amada…
Vê que pra além de mim já não há nada
E nunca mais me encontras neste mundo!…

O Sentimento dum Ocidental

I

Avé-Maria

Nas nossas ruas, ao anoitecer,
H√° tal soturnidade, h√° tal melancolia,
Que as sombras, o bulício, o Tejo, a maresia
Despertam-me um desejo absurdo de sofrer.

O céu parece baixo e de neblina,
O g√°s extravasado enjoa-me, perturba;
E os edifícios, com as chaminés, e a turba
Toldam-se duma cor monótona e londrina.

Batem carros de aluguer, ao fundo,
Levando à via-férrea os que se vão. Felizes!
Ocorrem-me em revista, exposi√ß√Ķes, pa√≠ses:
Madrid, Paris, Berlim, S. Petersburgo, o mundo!

Semelham-se a gaiolas, com viveiros,
As edifica√ß√Ķes somente emadeiradas:
Como morcegos, ao cair das badaladas,
Saltam de viga em viga os mestres carpinteiros.

Voltam os calafates, aos magotes,
De jaquet√£o ao ombro, enfarruscados, secos;
Embrenho-me, a cismar, por boqueir√Ķes, por becos,
Ou erro pelos cais a que se atracam botes.

E evoco, então, as crónicas navais:
Mouros, baixéis, heróis, tudo ressuscitado!
Luta Cam√Ķes no Sul, salvando um livro a nado!
Singram soberbas naus que eu n√£o verei jamais!

E o fim da tarde inspira-me; e incomoda!

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A Indiferença ou a Paixão pelos Outros

O que √© mais proveitoso ‚ÄĒ perguntava eu ‚ÄĒ representar o mundo como pequeno ou como grande? Vejamos como eu resolvia o assunto: os homens eminentes, os capit√£es famosos, os estadistas competentes, em suma, todos os conquistadores e todos os chefes que se elevam pela viol√™ncia acima dos outros homens, devem ser feitos de tal maneira que o Mundo lhes deve parecer como um tabuleiro de damas. Se assim n√£o fosse, eles n√£o teriam a rudeza e a impassibilidade necess√°rias para subordinarem audaciosamente aos seus imprevis√≠veis planos a felicidade e os sofrimentos dos indiv√≠duos isolados, sem se importarem nada com isso. Em contrapartida, uma t√£o limitada concep√ß√£o pode levar os homens a n√£o realizarem coisa alguma, porque todo aquele que considera a humanidade como uma coisa sem import√Ęncia acabar√° por a achar insignificante e por so√ßobrar na indiferen√ßa e na passividade. Desdenhoso de tudo, preferir√° a in√©rcia √† ac√ß√£o sobre os esp√≠ritos, sem contar que a sua insensibilidade, a sua aus√™ncia de simpatia e a sua letargia chocar√£o toda a gente, ofendendo constantemente um mundo imbu√≠do do seu pr√≥prio valor. Assim se lhe fechar√£o todas as vias de um sucesso imprevisto. Ser√° mais razo√°vel ‚ÄĒ perguntava eu, ent√£o ‚ÄĒ ver na humanidade qualquer coisa de grande,

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Paciência, um Sofrimento Voluntário

Tu és, ó Paciência, um sofrimento
Volunt√°rio, fiel, bem ordenado,
Da conhecida sem raz√£o tirado,
De um constante var√£o nobre ornamento.

Tu, recolhendo n’alma o pensamento,
Suportas com valor o Tempo irado.
Tu sustentas, com √Ęnimo esfor√ßado,
Todo o peso do mal, no bem atento.

Magn√Ęnima tu √©s, tu √©s Const√Ęncia,
Cedro que n√£o derruba a tempestade,
Rocha, onde a f√ļria quebra o mar com √Ęnsia.

Tu triunfas da mesma Adversidade.
Subjugando as paix√Ķes co’a Toler√Ęncia,
Tu vences os ardis da vil Maldade.

A Cada Virtude Corresponde um Vício

Habituo-me a s√≥ pensar bem dos meus amigos, a confiar-lhe os meus segredos e o meu dinheiro; n√£o tarda que me traiam. Se me revolto contra uma perf√≠dia sou eu, sempre, a sofrer o castigo. Esfor√ßo-me por amar os homens em geral; fa√ßo-me cego aos seus erros e deixo, indulgente ao m√°ximo, passar inf√Ęmias e cal√ļnias: uma bela manh√£ acordo c√ļmplice. Se me afasto de uma sociedade que considero m√°, bem depressa sou atacado pelos dem√≥nios da solid√£o; e procurando amigos melhores, acho os piores.
Mesmo depois de vencer as paix√Ķes m√°s e chegar, pela abstin√™ncia, a uma certa tranquilidade de esp√≠rito, sinto uma auto-satisfa√ß√£o que me eleva acima do pr√≥ximo; e temos √† vista o pecado mortal, a vaidade imediatamente castigada.

Sinto

Sinto
que em minhas veias arde
sangue,
chama vermelha que vai cozendo
minhas paix√Ķes no cora√ß√£o.

Mulheres, por favor,
derramai √°gua:
quando tudo se queima,
só as fagulhas voam
ao vento.

Tradução de Oscar Mendes

A extrema avareza engana-se quase sempre: n√£o h√° paix√£o que se afaste mais frequentemente do seu objectivo, nem sobre o qual o presente tenha tanto poder em detrimento do futuro.

Incoerência ?

Achas-me indiferente… e at√© cr√™s que h√° desd√©m
quando falo de amor em palavras singelas…
– pensas que as juras todas que j√° ouviste, aquelas
juras, a outras mulheres vou fazer tamb√©m…

Dizes que n√£o te quero… E eu te pergunto: – a quem
devo tudo o que fiz, as poesias mais belas?
– outras dir√£o talvez que as fiz pensando nelas,
mas todas te pertencem mais do que a ninguém!

N√£o v√™s que o que te cerca √© a mentira da vida…
– nem sabes descobrir essa paix√£o imensa
que o meu orgulho torna ego√≠sta e dolorida…

Não vês que o meu viver é falso, Рe se resume
em te amar como um louco em minha indiferença,
e fingir que amo as outras para teu ci√ļme!

O amor √© um sentimento tir√Ęnico e zeloso, que somente se satisfaz quando a pessoa amada lhe sacrifica todos os seus gostos e todas as suas paix√Ķes. Nada se faz, se n√£o se faz tudo.

Felicidade Interiorizada

¬ęPergunta-me onde, neste mundo, se pode encontrar a felicidade?¬Ľ Depois de numerosas experi√™ncias, convenci-me que ela reside apenas na satisfa√ß√£o em rela√ß√£o a n√≥s pr√≥prios. As paix√Ķes n√£o nos conseguem comunicar esse contentamento; desejamos sempre o imposs√≠vel – o que obtemos nunca nos satisfaz. Penso que as pessoas dotadas de uma s√≥lida virtude devem possuir uma grande por√ß√£o dessa satisfa√ß√£o, que me parece imprescind√≠vel para a felicidade; eu, no entanto, como n√£o me sinto suficientemente seguro para me satisfazer comigo pr√≥prio, dessa forma, procuro apoiar-me na verdadeira satisfa√ß√£o que comunica o trabalho.
Este, comunica-nos um bem real e aumenta a nossa indiferen√ßa em rela√ß√£o aos prazeres que s√£o s√≥ de nome e com os quais as pessoas de sociedade se t√™m de contentar. Eis, minha querida amiga, a minha modesta filosofia – a qual, sobretudo quando me encontro bem de sa√ļde, √© de efeito seguro. Isto, contudo, n√£o nos deve afastar das pequenas distrac√ß√Ķes que nos podem ocupar de vez em quando: um pequeno caso sentimental, de circunst√Ęncia, a visita a um belo pa√≠s ou as viagens, de modo geral, podem deixar na nossa mem√≥ria encantadores tra√ßos. Recordamo-nos mais tarde de todas estas emo√ß√Ķes, quando nos encontramos longe ou n√£o conseguimos encontrar outras,

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