Passagens sobre Emprego

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Frases sobre emprego, poemas sobre emprego e outras passagens sobre emprego para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Poeminha sobre o Trabalho

Chego sempre à hora certa,
contam comigo, n√£o falho,
pois adoro o meu emprego:
o que detesto é o trabalho.

M√£ezinha

A terra de meu pai era pequena
e os transportes difíceis.
N√£o havia comboios, nem autom√≥veis, nem avi√Ķes, nem m√≠sseis.
Corria branda a noite e a vida era serena.

Segundo informação, concreta e exacta,
dos boletins oficiais,
viviam l√° na terra, a essa data,
3023 mulheres, das quais
43 por cento eram de tenra idade,
chamando tenra idade
à que vai desde o berço até à puberdade.
28 por cento das restantes
eram senhoras, daquelas senhoras que só havia dantes.
Umas, vi√ļvas, que nunca mais (Oh nunca mais!) tinham sequer sorrido
desde o dia da morte do extremoso marido;
outras, senhoras casadas, m√£es de filhos…
(De resto, as senhoras casadas,
pelas suas pr√≥prias condi√ß√Ķes,
não têm que ser consideradas
nestas considera√ß√Ķes.)

Das outras, 10 por cento,
eram meninas casadoiras, seriíssimas, discretas,
mas que, por temperamento,
ou por outras raz√Ķes mais ou menos secretas,
n√£o se inclinavam para o casamento.

Além destas meninas
havia, salvo erro, 32,
que à meiga luz das horas vespertinas
se punham a bordar por detr√°s das cortinas
espreitando,

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LXXVI

Enfim te hei de deixar, doce corrente
Do claro, do suavíssimo Mondego;
Hei de deixar-te enfim; e um novo pego
Formará de meu pranto a cópia ardente.

De ti me apartarei; mas bem que ausente,
Desta lira ser√°s eterno emprego;
E quanto influxo hoje a dever-te chego,
Pagar√° de meu peito a voz cadente.

Das ninfas, que na fresca, amena est√Ęncia
Das tuas margens √ļmidas ouvia,
Eu terei sempre n’alma a conson√Ęncia;

Desde o prazo funesto deste dia
Ser√£o fiscais eternos da minha √Ęnsia
As memórias da tua companhia.

O jogo √© uma analogia para a vida: n√£o existem cadeiras suficientes ou bons tempos para andar por a√≠, nem comida suficiente, nem divertimento suficiente, nem camas nem empregos nem risos nem amigos nem sorrisos nem dinheiro nem ar limpo para respirar… e no entanto a m√ļsica continua.

O Verdadeiro Emprego da Nossa Raz√£o

De resto, o verdadeiro emprego da nossa raz√£o para a conduta da vida n√£o consiste sen√£o em examinar e considerar sem paix√£o o valor de todas as perfei√ß√Ķes, tanto do corpo quanto do esp√≠rito, que podem ser adquiridas atrav√©s da nossa conduta, a fim de que, sendo normalmente obrigados a privar-nos de algumas para ter as outras, sempre escolhamos as melhores.

A uma Dama

Por fazer lisonja às flores
De flores touca o cabelo
Nise, a gala do donaire,
Nise, a glória dos desejos.
Invejosas as estrelas
Murmuraram tanto emprego,
Se as n√£o contentara Nise
Com tê-las nos olhos negros.
De garbo, postura e talhe
Vai luzida em tanto extremo,
Que nas vidas que cativa
Tem muita parte o asseio.
Quanto pisa e quanto fala,
Vai brotando e florescendo
Uma rosa em cada passo,
Um jasmim em cada alento.
Caçadora ufana e dextra,
Quem viu caçadora Vénus?
Pede as armas emprestadas
Dizem que a um menino cego.
Galharda o arco exercita,
E, com movimento dextro,
De quantas setas lhe fia,
Nenhuma lhe leva o vento.
Guarde-se todo o alvedrio,
Que n√£o d√£o as frechas erro,
Pois para acertar as vidas
Tomam nos olhos preceitos.
Despejada comunica
Ao monte seus raios belos,
Que nem sempre o majestoso
H√°-de afectar o encoberto.
E, com deixar-se admirar,
Nada lhe perde o respeito;
Mas tais amas traz consigo…
Pastores, diga-o Fileno.

Trabalho e empregado são coisas distintas. Trabalho existe sempre, em toda parte, mas emprego pode escassear. O trabalho remunerado por Deus com a evolução espiritual existe sempre, em toda parte, mas o emprego remunerado pelos homens pode faltar.

O Empregado Modelo

Um excelente trabalhador pode ser um grande poltr√£o? Alvaro √© a prova evidente que sim. Matas-te a trabalhar por pura burrice, por comodidade ou abulia, para n√£o teres de procurar um emprego mais instrutivo, mais estimulante, com mais perspetivas de carreira e at√© melhor sal√°rio. Eram os chamados trabalhadores fi√©is de antigamente, os empregados modelo; quando se reformavam, davam-lhes uma medalha de ouro alem√£o: cinquenta anos na mesma empresa, fita ao pesco√ßo e medalha ao peito. Grande m√©rito, n√£o haja d√ļvida. Um pobre tolo que passou cinco dec√©nios de cu sentado na mesma cadeira e cotovelos apoiados na mesma mesa. Hoje em dia, pelo contr√°rio, premeia-se a mobilidade. A fidelidade √© entendida como apatia e falta de ambi√ß√£o; √©s encorajado a atrai√ßoar os teus sucessivos chefes, e espera-se que cada uma dessas trai√ß√Ķes te granjeie vantagens econ√≥micas e promo√ß√Ķes.

O Que Verdadeiramente Mata Portugal

O que verdadeiramente nos mata, o que torna esta conjuntura inquietadora, cheia de ang√ļstia, estrelada de luzes negras, quase lutuosa, √© a desconfian√ßa. O povo, simples e bom, n√£o confia nos homens que hoje t√£o espectaculosamente est√£o meneando a p√ļrpura de ministros; os ministros n√£o confiam no parlamento, apesar de o trazerem amaciado, acalentado com todas as doces cantigas de empregos, rendosas conezias, pingues sinecuras; os eleitores n√£o confiam nos seus mandat√°rios, porque lhes bradam em v√£o: ¬ęSede honrados¬Ľ, e v√™em-nos apesar disso adormecidos no seio ministerial; os homens da oposi√ß√£o n√£o confiam uns nos outros e v√£o para o ataque, deitando uns aos outros, combatentes amigos, um turvo olhar de amea√ßa. Esta desconfian√ßa perp√©tua leva √† confus√£o e √† indiferen√ßa. O estado de expectativa e de demora cansa os esp√≠ritos. N√£o se pressentem solu√ß√Ķes nem resultados definitivos: grandes torneios de palavras, discuss√Ķes aparatosas e sonoras; o pa√≠s, vendo os mesmos homens pisarem o solo pol√≠tico, os mesmos amea√ßos de fisco, a mesma gradativa decad√™ncia. A pol√≠tica, sem actos, sem factos, sem resultados, √© est√©ril e adormecedora.

Quando numa crise se protraem as discuss√Ķes, as an√°lises reflectidas, as lentas cogita√ß√Ķes, o povo n√£o tem garantias de melhoramento nem o pa√≠s esperan√ßas de salva√ß√£o.

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As Três Espécies de Portugueses

Há três espécies de Portugal, dentro do mesmo Portugal; ou, se se preferir, há três espécies de português. Um começou com a nacionalidade: é o português típico, que forma o fundo da nação e o da sua expansão numérica, trabalhando obscura e modestamente em Portugal e por toda a parte de todas as partes do Mundo. Este português encontra-se, desde 1578, divorciado de todos os governos e abandonado por todos. Existe porque existe, e é por isso que a nação existe também.

Outro √© o portugu√™s que o n√£o √©. Come√ßou com a invas√£o mental estrangeira, que data, com verdade poss√≠vel, do tempo do Marqu√™s de Pombal. Esta invas√£o agravou-se com o Constitucionalismo, e tornou-se completa com a Rep√ļblica. Este portugu√™s (que √© o que forma grande parte das classes m√©dias superiores, certa parte do povo, e quase toda a gente das classes dirigentes) √© o que governa o pa√≠s. Est√° completamente divorciado do pa√≠s que governa. √Č, por sua vontade, parisiense e moderno. Contra sua vontade, √© est√ļpido.

Há um terceiro português, que começou a existir quando Portugal, por alturas de El-Rei D. Dinis, começou, de Nação, a esboçar-se Império. Esse português fez as Descobertas,

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Quem quer constituir família procura casa e emprego e não os encontra. Os que trabalharam toda uma vida veem-se, no fim dela, condenados a morrer à míngua.

Todo indiv√≠duo est√° continuamente esfor√ßando-se para achar o emprego mais vantajoso para o capital que possa comandar. √Č sua pr√≥pria vantagem, de fato, e n√£o a da sociedade, que ele tem em vista. Mas o estudo de sua pr√≥pria vantagem, naturalmente, ou melhor, necessariamente, leva-o a preferir aquele emprego que √© mais vantajoso para a sociedade.

O Elogio do Trabalho

H√° no trabalho, segundo a natureza da obra e a capacidade do trabalhador, todas as grada√ß√Ķes, desde o simples al√≠vio do t√©dio √†s satisfa√ß√Ķes mais profundas. Na maior parte dos casos, o trabalho que as pessoas t√™m de executar n√£o √© interessante, mas ainda em tais circunst√Ęncias oferece grandes vantagens. Em primeiro lugar, preenche uma boa parte do dia sem haver necessidade de decidir sobre o que se h√°-de fazer. A maioria das pessoas, quando est√£o em condi√ß√Ķes de escolher livremente o emprego do seu tempo, t√™m dificuldade em encontrar o que quer que seja suficientemente agrad√°vel para as ocupar. E tudo o que decidam deixa-as atormentadas pela ideia de que qualquer outra coisa seria mais agrad√°vel.
Ser capaz de utilizar inteligentemente os momentos de lazer √© o √ļltimo degrau da civiliza√ß√£o, mas presentemente muito poucas pessoas o atingiram. Al√©m disso, a ac√ß√£o de escolher √© fatigante. Excepto para os indiv√≠duos dotados de extraordin√°rio esp√≠rito de iniciativa, √© muito c√≥modo ser-se informado do que se tem a fazer em cada hora do dia, desde que tais ordens n√£o sejam desagrad√°veis em demasia.

A maior parte dos ricos occiosos sofrem de um inexprimível aborrecimento em paga de se terem libertado dum trabalho penoso.

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Saudoso j√° deste Ver√£o que Veio

Saudoso j√° deste ver√£o que veio,
L√°grimas para as flores dele emprego
Na lembrança invertida
De quando hei de perdê-las.
Transpostos os portais irrepar√°veis
De cada ano, me antecipo a sombra
Em que hei de errar, sem flores,
No abismo rumoroso.
E colho a rosa porque a sorte manda.
Marcenda, guardo-a; murche-se comigo
Antes que com a curva
Diurna da ampla terra.