Passagens sobre Ação

780 resultados
Frases sobre a√ß√£o, poemas sobre a√ß√£o e outras passagens sobre a√ß√£o para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Um Grande Carácter não é Comparável

Quando vemos um grande homem, imaginamos uma semelhança com alguma personalidade histórica e profetizamos a sequência do seu carácter e do seu destino, dedução que necessariamente falhará. Ninguém jamais resolverá o problema do seu carácter, de acordo com os nossos prognósticos, mas de acordo com a própria orientação, personalíssima e sem precedente.
O car√°cter aspira √† largueza; n√£o se deve misturar com as pessoas, nem ser julgado por epis√≥dios colhidos na velocidade da vida quotidiana ou em poucas ocasi√Ķes. Como um grande edif√≠cio, necessita de perspectiva. N√£o pode formar, e provavelmente n√£o forma, rela√ß√Ķes rapidamente; e n√£o devemos desejar explica√ß√Ķes precipitadas, seja na √©tica popular ou na nossa pr√≥pria, da sua ac√ß√£o.

Saber Avaliar as Situa√ß√Ķes

O que perturba os homens não são as coisas, mas os juízos que os homens formulam sobre as coisas. A morte, por exemplo, nada é de temível Рe Sócrates, quando dele a morte se foi aproximando, de maneira nenhuma se apresentou a morte como algo de tremendamente terrível. Mas no juízo que fazemos da morte, considerando-a temível, é que reside o aspecto terrível da morte. Quando somos hostilizados, contrariados, perturbados, atormentados e magoados, não devemos sacar as culpas a outrem, mas a nós próprios, isto é, aos nossos juízos pessoais e mais íntimos. Acusar os outros das suas infelicidades é mera acção de um ignorante; responsabilizar-se a si próprio por todas as contrariedades é coisa de um homem que começa a instruir-se; e não culpabilizar ninguém nem tão pouco a si próprio, então, sim, então é já feito de um homem perfeitamente instruído.

O Amor Social

√Č necess√°rio voltar a sentir que precisamos uns dos outros, que temos uma responsabilidade para com os outros e o mundo, que vale a pena sermos bons e honestos. Vivemos j√° muito tempo na degrada√ß√£o moral, baldando-nos √† √©tica, √† bondade, √† f√©, √† honestidade; chegou o momento de reconhecer que esta alegre superficialidade de pouco nos serviu. Uma tal destrui√ß√£o de todo o fundamento da vida social acaba por nos colocar uns contra os outros, na defesa dos pr√≥prios interesses, provoca o despertar de novas formas de viol√™ncia e crueldade e impede o desenvolvimento de uma verdadeira cultura do cuidado do meio ambiente.

O exemplo de Santa Teresa de Lisieux convida-nos a p√īr em pr√°tica o pequeno caminho do amor, a n√£o perder a oportunidade de uma palavra gentil, de um sorriso, de qualquer pequeno gesto que semeie paz e amizade. Uma ecologia integral √© feita tamb√©m de simples gestos quotidianos, pelos quais quebramos a l√≥gica da viol√™ncia, da explora√ß√£o, do ego√≠smo. Pelo contr√°rio, o mundo do consumo exacerbado √©, simultaneamente, o mundo que maltrata a vida em todas as suas formas.

O amor, cheio de pequenos gestos de cuidado m√ļtuo, √© tamb√©m civil e pol√≠tico,

Continue lendo…

O Elogio do Trabalho

H√° no trabalho, segundo a natureza da obra e a capacidade do trabalhador, todas as grada√ß√Ķes, desde o simples al√≠vio do t√©dio √†s satisfa√ß√Ķes mais profundas. Na maior parte dos casos, o trabalho que as pessoas t√™m de executar n√£o √© interessante, mas ainda em tais circunst√Ęncias oferece grandes vantagens. Em primeiro lugar, preenche uma boa parte do dia sem haver necessidade de decidir sobre o que se h√°-de fazer. A maioria das pessoas, quando est√£o em condi√ß√Ķes de escolher livremente o emprego do seu tempo, t√™m dificuldade em encontrar o que quer que seja suficientemente agrad√°vel para as ocupar. E tudo o que decidam deixa-as atormentadas pela ideia de que qualquer outra coisa seria mais agrad√°vel.
Ser capaz de utilizar inteligentemente os momentos de lazer √© o √ļltimo degrau da civiliza√ß√£o, mas presentemente muito poucas pessoas o atingiram. Al√©m disso, a ac√ß√£o de escolher √© fatigante. Excepto para os indiv√≠duos dotados de extraordin√°rio esp√≠rito de iniciativa, √© muito c√≥modo ser-se informado do que se tem a fazer em cada hora do dia, desde que tais ordens n√£o sejam desagrad√°veis em demasia.

A maior parte dos ricos occiosos sofrem de um inexprimível aborrecimento em paga de se terem libertado dum trabalho penoso.

Continue lendo…

N√£o √© pelos resultados que se pratica uma a√ß√£o; √© para que a Vida se exercite e fortale√ßa; √© para que a pessoa se enrique√ßa espiritualmente atrav√©s da experi√™ncia, torne-se capaz de compreender a situa√ß√£o dos outros, concretize o amor e realize sua vida no verdadeiro sentido. Os que n√£o viverem v√°rias experi√™ncias s√£o incapazes de amar realmente o pr√≥ximo, porque n√£o compreendem as pessoas em suas respectivas situa√ß√Ķes.

Mas soada a hora de a√ß√£o, o mineiro se agita, n√£o teme surpresas e as suas arrancadas conservam a impetuosidade dos fen√īmenos s√≠smicos e ele desafia as intemp√©ries, enfrenta o pat√≠bulo, planta institui√ß√Ķes, rasga os c√©us, inova a ci√™ncia, aprimora a arte, planta cidades, prega e faz revolu√ß√Ķes.

Somente seres humanos excepcionais e irrepreens√≠veis suscitam ideias generosas e ac√ß√Ķes elevadas.

A Acção Vai Bem sem a Paixão

Fazemos coisas iguais com for√ßas diversas e diferente esfor√ßo de vontade. A ac√ß√£o vai bem sem a paix√£o. Pois quantas pessoas se arriscam diariamente em guerras que n√£o lhes importam, e se sujeitam aos perigos de batalhas cuja perda n√£o lhes perturbar√° o pr√≥ximo sono? Um homem na sua casa, longe desse perigo que n√£o teria ousado encarar, est√° mais interessado no desfecho dessa guerra e tem a alma mais inquieta do que o soldado que p√Ķe nela o seu sangue e a sua vida. Essa impetuosidade e viol√™ncia de desejo mais atrapalha do que auxilia a condu√ß√£o do que empreendemos, enche-nos de acrim√≥nia e suspei√ß√£o contra aqueles com quem tratamos. Nunca conduzimos bem a coisa pela qual somos possu√≠dos e conduzidos.
Quem emprega nisso apenas o seu discernimento e a sua habilidade procede com mais vivacidade: amolda, dobra, difere tudo √† vontade, de acordo com as exig√™ncias das circunst√Ęncias; erra o alvo sem tormento e sem afli√ß√£o, pronto e intacto para uma nova iniciativa; avan√ßa sempre com as r√©deas na m√£o. Naquele que est√° embriagado por essa intensidade violenta e tir√Ęnica vemos necessariamente muita imprud√™ncia e injusti√ßa; a impetuosidade do seu desejo arrebata-o: s√£o movimentos temer√°rios e, se a fortuna n√£o ajudar muito,

Continue lendo…

O Mundo é de Quem não Sente

O mundo é de quem não sente. A condição essencial para se ser um homem prático é a ausência de sensibilidade. A qualidade principal na prática da vida é aquela qualidade que conduz à acção, isto é, a vontade. Ora há duas coisas que estorvam a acção Рa sensibilidade e o pensamento analítico, que não é, afinal, mais que o pensamento com sensibilidade. Toda a acção é, por sua natureza, a projecção da personalidade sobre o mundo externo, e como o mundo externo é em grande e principal parte composto por entes humanos, segue que essa projecção da personalidade é essencialmente o atravessarmo-nos no caminho alhieo, o estorvar, ferir e esmagar os outros, conforme o nosso modo de agir.
Para agir √©, pois, preciso que nos n√£o figuremos com facilidade as personalidades alheias, as suas dores e alegrias. Quem simpatiza p√°ra. O homem de ac√ß√£o considera o mundo externo como composto exclusivamente de mat√©ria inerte – ou inerte em si mesma, como uma pedra sobre que passa ou que afasta do caminho; ou inerte como um ente humano que, porque n√£o lhe p√īde resistir, tanto faz que fosse homem como pedra, pois, como √† pedra, ou se afastou ou se passou por cima.

Continue lendo…

Os Interesses na Actividade Política

Os jornais feitos com os pol√≠ticos criam nos seus meios restritos um estado de sobreexcita√ß√£o doentia que cada qual julga partilhado por todos os outros, e da√≠ vem que dum canto da capital, por defini√ß√£o a cabe√ßa do pa√≠s, o mais reduzido grupo partid√°rio convictamente julga falar em nome da Na√ß√£o. Mas h√° interesses mais directos e palp√°veis em jogo na actividade pol√≠tica, e o que √© pior √© que √† medida que o poder se corrompe e que o interesse colectivo √© sacrificado a interesses individuais, ao mundo pol√≠tico que espera e provoca as muta√ß√Ķes governativas, junta-se o outro mundo √°vido dos neg√≥cios. Na alta finan√ßa, nos bancos, no com√©rcio de especula√ß√£o nos grandes empreiteiros, entre os grandes fornecedores, mesmo no campo da produ√ß√£o propriamente dita, em ramos cuja vida depende em grande parte de actos governativos, existem j√° numerosos indiv√≠duos a interessar-se activamente pela pol√≠tica dos partidos. A influ√™ncia corrosiva da sua ac√ß√£o traz mais duma dificuldade grave √† governa√ß√£o p√ļblica.

O merecimento sempre foi mal visto dos invejosos; s√£o os olhos da inveja os que d√£o quebranto √†s ac√ß√Ķes generosas, que, como de cristal, estalam ao lume dos mesmos olhos que as v√™em.

Eu diria que a democracia, hoje, está mais normalizada. A democracia representativa só é democracia crescente quando procura implicar cada vez mais os cidadãos na acção política. E sabemos que a participação dos portugueses é muito pequena.

O Sofrimento do Hipócrita

Ter mentido √© ter sofrido. O hip√≥crita √© um paciente na dupla acep√ß√£o da palavra; calcula um triunfo e sofre um supl√≠cio. A premedita√ß√£o indefinida de uma a√ß√£o ruim, acompanhada por doses de austeridade, a inf√Ęmia interior temperada de excelente reputa√ß√£o, enganar continuadamente, n√£o ser jamais quem √©, fazer ilus√£o, √© uma fadiga. Compor a candura com todos os elementos negros que trabalham no c√©rebro, querer devorar os que o veneram, acariciar, reter-se, reprimir-se, estar sempre alerta, espiar constantemente, compor o rosto do crime latente, fazer da disformidade uma beleza, fabricar uma perfei√ß√£o com a perversidade, fazer c√≥cegas com o punhal, por a√ß√ļcar no veneno, velar na franqueza do gesto e na m√ļsica da voz, n√£o ter o pr√≥prio olhar, nada mais dif√≠cil, nada mais doloroso. O odioso da hipocrisia come√ßa obscuramente no hip√≥crita. Causa n√°useas beber perp√©tuamente a impostura. A meiguice com que a ast√ļcia disfar√ßa a malvadez repugna ao malvado, continuamente obrigado a trazer essa mistura na boca, e h√° momentos de enj√īo em que o hip√≥crita vomita quase o seu pensamento. Engolir essa saliva √© coisa horr√≠vel. Ajuntai a isto o profundo orgulho. Existem horas estranhas em que o hip√≥crita se estima. H√° um eu desmedido no impostor.

Continue lendo…

A Esterilidade do √ďdio

O √≥dio √© um sentimento negativo que nada cria e tudo esteriliza: – e, quem a ele se abandona, bem depressa v√™ consumidas na in√©rcia as for√ßas e as faculdades que a Natureza lhe dera para a ac√ß√£o. O √≥dio, quando impotente, n√£o tendo outro objecto directo e nem outra esperan√ßa sen√£o o seu pr√≥prio desenvolvimento – √© uma forma da ociosidade. √Č uma ociosidade sinistra, l√≠vida, que se encolhe a um canto, na treva. (…) Mas que esse sentimento seja secund√°rio na vasta obra que temos diante de n√≥s, agora que acordamos – e n√£o essencial, ou supremo e t√£o absorvente que s√≥ ele ocupe a nossa vida, e se substitua √† pr√≥pria obra.

Psalmo

Esperemos em Deus! Ele h√° tomado
Em suas m√£os a massa inerte e fria
Da mat√©ria impotente e, n’um s√≥ dia,
Luz, movimento, acção, tudo lhe há dado.

Ele, ao mais pobre de alma, h√° tributado
Desvelo e amor: ele conduz à via
Segura quem lhe foge e se extravia,
Quem pela noite andava desgarrado.

E a mim, que aspiro a ele, a mim, que o amo,
Que anseio por mais vida e maior brilho.
Ha-de negar-me o termo d’este anseio?

Buscou quem o n√£o quiz; e a mim, que o chamo,
Ha-de fugir-me, como a ingrato filho?
√ď Deus, meu pai e abrigo! espero!… eu creio!