Textos sobre Querer

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Textos de querer escritos por poetas consagrados, filósofos e outros autores famosos. Conheça estes e outros temas em Poetris.

A Hipocrisia do Amor-Próprio

A natureza do amor-pr√≥prio e deste eu humano √© de s√≥ se amar a si e de s√≥ se considerar a si. Mas que h√°-de fazer? N√£o saberia impedir que este objecto que ama esteja cheio de defeitos e de mis√©rias: quer ser grande e v√™-se pequeno; quer ser feliz e v√™-se miser√°vel; quer ser perfeito – v√™-se cheio de imperfei√ß√Ķes; quer ser objecto do amor e da estima dos homens e v√™ que os seus defeitos s√≥ merecem a sua avers√£o e o seu desprezo. Este embara√ßo em que se encontra produz nele a mais injusta e a mais criminosa paix√£o que √© poss√≠vel imaginar; porque concebe um √≥dio mortal contra esta verdade que o repreende, e que o convence dos seus defeitos. Ele desejaria aniquil√°-la, e n√£o a podendo destruir em si mesma, destr√≥i-a, tanto quanto pode, no seu conhecimento e no dos outros, isto √©, p√Ķe todos os cuidados em encobrir os seus defeitos, aos outros e a si mesmo, e n√£o suporta que lhos fa√ßam ver, nem que lhos vejam.
√Č sem d√ļvida um mal estar cheio de defeitos; mas √© ainda um mal muito maior estar cheio e n√£o os querer reconhecer, visto que √© acrescentar-lhe ainda o de uma ilus√£o volunt√°ria.

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O Vento que Decidirmos Ser

Uma das mais importantes escolhas que cada um de nós deve fazer é a de escolhermos qual o foco prin-cipal da nossa atenção e cuidado. Se o mundo à nossa volta, a fim de o mudar, ou se o interior de nós mesmos.

Quase todos os bens e males da nossa existência partem do nosso interior, pelo que será aí que importa aperfeiçoar, de forma profunda, tudo o que existe no nosso íntimo.

Um dos trabalhos mais importantes de cada um de nós será o de saber bem o que queremos. O segredo da felicidade pode estar aí: alterar em nós o que nos possa estar a causar desnecessárias ansiedades. Quantas vezes desejamos algo que está fora da nosso controlo?
Existem três tipos de coisas: as que dependem apenas de nós; as que escapam por completo à nossa decisão; e, aquelas sobre as quais temos algum controlo, mas não total.

Se fizermos a nossa alegria depender de algo que não está na nossa mão, então será fácil que nos sinta-mos roubados de algo que, na verdade, nunca foi nosso. Mesmo nos casos em que o conseguimos obter, a ansiedade associada à posse, até pela iminência de o perder da mesma forma que o ganhámos,

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Todos nós Somos Crentes

Todos os homens da terra est√£o conscientes do infinito e da eternidade. A √ļnica diferen√ßa que existe entre eles √© saber at√© que ponto essa consci√™ncia abala cada indiv√≠duo considerado isoladamente. Um acredita num deus pessoal acima das coisas e dos homens, o outro acredita no seu pr√≥prio querer como no seu deus, uns s√£o humildes, outros revoltam-se, e todos, seja qual for o comportamento individual de cada um – todos s√£o crentes.

Conhecimento sem Paixão seria Castrar a Inteligência

Como investigadores do conhecimento, n√£o sejamos ingratos com os que mudaram por completo os pontos de vista do esp√≠rito humano; na apar√™ncia foi uma revolu√ß√£o in√ļtil, sacr√≠lega; mas j√° de si o querer ver de modo diverso dos outros, n√£o √© pouca disciplina e prepara√ß√£o do entendimento para a sua futura ¬ęobjectividade¬Ľ, entendendo por esta palavra n√£o a ¬ęcontempla√ß√£o desinteressada¬Ľ, que √© um absurdo, sen√£o a faculdade de dominar o pr√≥ e o contra, servindo-se de um e de outro para a interpreta√ß√£o dos fen√≥menos e das paix√Ķes. Acautelemo-nos pois, oh senhores fil√≥sofos!
Desta confabula√ß√£o das ideias antigas acerca de um ¬ęassunto do conheciemnto puro, sem vontade, sem dor, sem tempo¬Ľ, defendamo-nos das mo√ß√Ķes contradit√≥rias ¬ęraz√£o pura¬Ľ, ¬ęespiritualidade absoluta¬Ľ, ¬ęconhecimento subsistente¬Ľ que seria um ver subsistente em si pr√≥prio e sem √≥rg√£o visual, ou um olho sem direc√ß√£o, sem faculdades activas e interpretativas? Pois o mesmo sucede com o conhecimento: uma vista, e se √© dirigida pela vontade, veremos melhor, teremos mais olhos, ser√° mais completa a nossa ¬ęobjectividade¬Ľ. Mas eliminar a vontade, suprimir inteiramente as paix√Ķes – supondo que isso fosse poss√≠vel – seria castrar a intelig√™ncia.

O Sensacionismo

Sentir é criar.
Sentir é pensar sem ideias, e por isso sentir é compreender, visto que o Universo não tem ideias.
РMas o que é sentir?
Ter opini√Ķes √© n√£o sentir.
Todas as nossas opini√Ķes s√£o dos outros.
Pensar é querer transmitir aos outros aquilo que se julga que se sente.
Só o que se pensa é que se pode comunicar aos outros. O que se sente não se pode comunicar. Só se pode comunicar o valor do que se sente. Só se pode fazer sentir o que se sente. Não que o leitor sinta a pena comum [?].
Basta que sinta da mesma maneira.
O sentimento abre as portas da pris√£o com que o pensamento fecha a alma.
A lucidez s√≥ deve chegar ao limiar da alma. Nas pr√≥prias antec√Ęmaras √© proibido ser expl√≠cito.
Sentir é compreender. Pensar é errar. Compreender o que outra pessoa pensa é discordar dela. Compreender o que outra pessoa sente é ser ela. Ser outra pessoa é de uma grande utilidade metafísica. Deus é toda a gente.
Ver, ouvir, cheirar, gostar, palpar – s√£o os √ļnicos mandamentos da lei de Deus. Os sentidos s√£o divinos porque s√£o a nossa rela√ß√£o com o Universo,

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A Tua Import√Ęncia na Tua Vida

√Č fundamental reconheceres a tua import√Ęncia na tua vida. Por algum motivo nasceste, aprendeste a respirar e tiveste direito a um nome, nome esse que, em conjunto com as tuas caracter√≠sticas, te identificar√° eternamente como um ser individual, √ļnico e livre. Haver√° algo mais especial e precioso que isso? Estou em crer que n√£o; ainda assim, encontro muitas pessoas a quererem ser outras e outras ainda a querer acabar com elas pr√≥prias na esperan√ßa de, imediatamente, poderem vir a ser outro algu√©m. √Č o teu caso? Se for deve ser uma chatice, mas, tamb√©m, se n√£o te d√°s qualquer import√Ęncia, que import√Ęncia te darei eu? J√° calculaste o perigo em que incorres por pensar desta maneira? Em menos de nada, estar√°s sozinho ou rodeado de gente como tu, ausente e que meteu f√©rias no inferno para sempre. Bom, mas alegrem-se os cora√ß√Ķes porque acredito que n√£o lerias estas linhas iniciais se nada estivesse a borbulhar a√≠ dentro, se n√£o existisse, pelo menos, uma fugaz esperan√ßa e uma enorme vontade de mudar. Est√° atento, o passado s√≥ influencia o presente se mantiveres o mesmo comportamento, por isso liberta-te dessa dor por uns instantes e l√™ em voz alta a pr√≥xima frase tantas vezes quantas achares necess√°rio.

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O Paradoxo da Representação da Realidade

Farei, por√©m, um esfor√ßo para vos dar aquela realidade que voc√™s julgam ter, ou seja, esfor√ßar-me-ei por vos querer em mim como voc√™s se querem. J√° sabemos que n√£o √© poss√≠vel, dado que, por mais esfor√ßos que eu fa√ßa para vos representar √† vossa maneira, ser√° sempre ¬ę√† vossa maneira¬Ľ apenas para mim, n√£o ¬ę√† vossa maneira¬Ľ para voc√™s e para os outros.
Mas desculpem: se para voc√™s eu n√£o tenho outra realidade fora daquela que voc√™s me d√£o, e estou pronto a reconhecer e a admitir que essa n√£o √© menos verdadeira que a que eu poderei dar a mim mesmo, que essa, para voc√™s, √© a √ļnica verdadeira (e sabe Deus a realidade que voc√™s me d√£o!), v√£o lamentar-se agora da realidade que eu lhes darei, esfor√ßando-me, com toda a boa vontade, por vos representar √† vossa maneira tanto quanto me seja poss√≠vel?
N√£o presumo que voc√™s sejam como eu vos represento. J√° disse que voc√™s tamb√©m n√£o s√£o aquele um tal como o representam para voc√™s pr√≥prios, mas muitos ao mesmo tempo, segundo todas as vossas possibilidades de ser e os acasos, as rela√ß√Ķes e as circunst√Ęncias. Ent√£o, que mal √© que eu vos fiz?

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Trazer a Paix√£o de Volta

Se te encontras numa rela√ß√£o, e parto do princ√≠pio que se l√° est√°s √© porque ainda a queres, a √ļnica via para trazeres a paix√£o de volta ao seio do vosso quotidiano passa por romp√™-lo. Sim, acabar com os h√°bitos, com as rotinas doentias e enfadonhas e com tudo aquilo que est√°, deem conta ou n√£o, a acabar convosco e a consumir-vos lentamente. Daqui a pouco, se √© que j√° n√£o se encontram nesse estado, j√° nem podem olhar um para o outro, ouvir-se, cheirar-se e muito menos tocar-se e, por incr√≠vel que pare√ßa, nada disto significa que o amor tenha desaparecido. O que se escafedeu foi mesmo a paix√£o, a ponte que passa por cima de todas as diferen√ßas, conflitos e afins. Uma noite de sexo ou uma conchinha ao dormir, por exemplo, conseguem salvar a turbul√™ncia de uma semana inteira. √Č a magia dos sentidos.

Portanto, e retomando a nossa conversa, se queres despertar novamente o fogo entre ti e a pessoa com quem estás, não esperes mais pelo trágico e anunciado fim nem por uma eventual iniciativa que o outro possa tomar, agarra tu nas rédeas da tua vida e convida a pessoa para um jantar ou um outro programa qualquer num lugar diferente,

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N√£o se Render a um Humor Vulgar

Grande homem √© o que nunca se submete a impress√Ķes passageiras. √Č li√ß√£o de advert√™ncia a reflex√£o sobre si; conhecer a sua real disposi√ß√£o e preveni-la, e ainda ponderar sobre o outro extremo para achar, entre o natural e o artificial, o fiel da sind√©rese. O princ√≠pio de corrigir-se √© o conhecer-se, pois h√° monstros de impertin√™ncia: sempre est√£o de algum humor, variando com eles os seus afectos; e, arrastados eternamente por essa destemperan√ßa civil, empenham-se de modos contradit√≥rios; e n√£o s√≥ esse excesso arru√≠na a vontade como tamb√©m afronta o ju√≠zo, alterando o querer e o entender.

Lucidez Orgulhosa

Os te√≥logos h√° muito o notaram: a esperan√ßa √© o fruto da paci√™ncia. Dever√≠amos acrescentar: e da mod√©stia. O orgulhoso n√£o tem tempo de esperar… Sem querer nem poder estar √† espera, for√ßa os acontecimentos, como for√ßa a sua natureza; amargo, corrompido, quando esgota as suas revoltas, abdica: para ele, n√£o h√° qualquer forma interm√©dia. √Č ineg√°vel que √© l√ļcido; mas n√£o esque√ßamos que a lucidez √© pr√≥pria daqueles que, por incapacidade de amar, se dessolidarizam tanto dos outros como de si pr√≥prios.

Uma Boa Ideia

Não há nada mais prático do que uma boa ideia. Uma boa ideia não é apenas algo de interessante que nos vem à cabeça, mas é, sobretudo, um propósito que nos leva a fazer o bem e a querer ser bons. Há pessoas que ficam a discutir ideias até se desgastarem. E há outras que procuram confrontar as suas ideias na acção para mudar o mundo.

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Os Amigos S√£o Pessoas que se Preferem

Se h√° um lugar onde a integridade pr√≥pria n√£o √© amea√ßada pela falta de verdade e pela aus√™ncia de liberdade, ele √©, sem d√ļvida, a amizade. Os amigos s√£o pessoas que se preferem. Cada amigo √©, por isso, uma rejei√ß√£o de muitas outras. Querer ser ¬ęamigo de toda a gente¬Ľ, usar indeliberadamente as palavras amigo e amiga para descrever todos os conhecimentos indistintivamente, prezar a amizade como valor abstracto sem investir energicamente numa pr√°tica particular – tudo isto √© um ego√≠smo guloso, escondendo a frieza e o interesse em reifica√ß√Ķes abstrusas de conceitos demasiado gerais, inevitavelmente presos a vis√Ķes fraudulentas da ¬ęhumanidade¬Ľ.

Recear a cria√ß√£o de inimigos √© querer impedir, logo √† partida, a cria√ß√£o de uma amizade. Uma das trag√©dias da nossa idade √© a invas√£o do dom√≠nio pessoal por valores que pertencem apenas ao dom√≠nio social. Assim, a liberdade, por exemplo, passou a ser um verdadeiro constrangimento do amor, da amizade. Certas no√ß√Ķes de autonomia acabam por destruir a base profunda de uma rela√ß√£o humana s√©ria e sentida: a lealdade. N√£o se pode querer amar e ser amado sem prescindir daquilo que se preza ser a ¬ęliberdade¬Ľ. A lealdade √© um constrangimento que se aceita e que se cumpre em nome de algo (de algu√©m) que se julga (porque se ama) mais precioso que a liberdade.

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Do Contraditório como Terapêutica de Libertação

Recentemente, entre a poeira de algumas campanhas pol√≠ticas, tomou de novo relevo aquele grosseiro h√°bito de polemista que consiste em levar a mal a uma criatura que ela mude de partido, uma ou mais vezes, ou que se contradiga, frequentemente. A gente inferior que usa opini√Ķes continua a empregar esse argumento como se ele fosse depreciativo. Talvez n√£o seja tarde para estabelecer, sobre t√£o delicado assunto do trato intelectual, a verdadeira atitude cient√≠fica.
Se há facto estranho e inexplicável é que uma criatura de inteligência e sensibilidade se mantenha sempre sentado sobre a mesma opinião, sempre coerente consigo próprio. A contínua transformação de tudo dá-se também no nosso corpo, e dá-se no nosso cérebro consequentemente. Como então, senão por doença, cair e reincidir na anormalidade de querer pensar hoje a mesma coisa que se pensou ontem, quando não só o cérebro de hoje já não é o de ontem, mas nem sequer o dia de hoje é o de ontem? Ser coerente é uma doença, um atavismo, talvez; data de antepassados animais em cujo estádio de evolução tal desgraça seria natural.
A coer√™ncia, a convic√ß√£o, a certeza s√£o al√©m disso, demonstra√ß√Ķes evidentes ‚ÄĒ quantas vezes escusadas ‚ÄĒ de falta de educa√ß√£o.

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O Sonho é a Pior das Cocaínas

O sonho √© a pior das coca√≠nas, porque √© a mais natural de todas. Assim se insinua nos h√°bitos com a facilidade que uma das outras n√£o tem, se prova sem se querer, como um veneno dado. N√£o d√≥i, n√£o descora, n√£o abate ‚Äď mas a alma que dele usa fica incur√°vel, porque n√£o h√° maneira de se separar do seu veneno, que √© ela mesma.

O Domínio da Ira

Querer extinguir inteiramente a cólera é pretensão louca dos estóicos. A cólera deve ser limitada e confinada, tanto na extensão como no tempo. Diremos em primeiro lugar como a inclinação natural e o hábito adquirido para se encolerizar podem ser temperados e acalmados. Diremos, em segundo lugar, como os movimentos particulares da cólera podem ser reprimidos, ou pelo menos refreados, para que não façam mal. Diremos, em terceiro lugar, como suscitar ou apaziguar a cólera nas outras pessoas.
Quanto ao primeiro ponto. N√£o h√° outro caminho sen√£o o de meditar e ruminar muito bem os efeitos da c√≥lera, de ver quanto ela perturba a vida humana. E a melhor ocasi√£o de fazer isso, ser√° depois de o acesso ter passado, reflectindo sobre as desvantagens da c√≥lera. S√©neca disse muito bem que ¬ęa c√≥lera √© como uma ru√≠na que se quebra contra o que derruba¬Ľ. (…) Deve o homem cuidar de temperar a c√≥lera mais pelo desd√©m do que pelo temor, para que assim possa estar acima da inj√ļria e n√£o abaixo dela: o que ser√° coisa f√°cil, para quem quiser obedecer a esta lei.
Quanto ao segundo ponto. Há três causas e motivos principais da cólera. Primeiro, ser demasiado sensível ao toque,

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O Triunfo dos Imbecis

N√£o nos deve surpreender que, a maior parte das vezes, os imbecis triunfem mais no mundo do que os grandes talentos. Enquanto estes t√™m por vezes de lutar contra si pr√≥prios e, como se isso n√£o bastasse, contra todos os med√≠ocres que detestam toda e qualquer forma de superioridade, o imbecil, onde quer que v√°, encontra-se entre os seus pares, entre companheiros e irm√£os e √©, por esp√≠rito de corpo instintivo, ajudado e protegido. O est√ļpido s√≥ profere pensamentos vulgares de forma comum, pelo que √© imediatamente entendido e aprovado por todos, ao passo que o g√©nio tem o v√≠cio ter√≠vel de se contrapor √†s opini√Ķes dominantes e querer subverter, juntamente com o pensamento, a vida da maioria dos outros.
Isto explica por que as obras escritas e realizadas pelos imbecis s√£o t√£o abundante e solicitamente louvadas – os ju√≠zes s√£o, quase na totalidade, do mesmo n√≠vel e dos mesmos gostos, pelo que aprovam com entusiasmo as ideias e paix√Ķes med√≠ocres, expressas por algu√©m um pouco menos med√≠ocre do que eles.
Este favor quase universal que acolhe os frutos da imbecilidade instruída e temerária aumenta a sua já copiosa felicidade. A obra do grande, ao invés, só pode ser entendida e admirada pelos seus pares,

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Aprender com Todos

Não temos todos de sentir o mesmo uns pelos outros, não temos todos de nos identificar uns com os outros nem temos todos de estar juntos todos os dias. Nada disso. O que temos, e devemos, é querer bem a todos, disponibilizarmos o nosso tempo para estar perto quando for preciso, apoiar, colocarmo-nos ao serviço uns dos outros desde que tal não infrinja quem somos, e doar incondicionalmente sem esperar receber nada em troca.
Se, enquanto almas, fomos colocados no mesmo caminho, é porque todos temos algo a aprender com todos.

(…) Ningu√©m pode ou tem o direito de obrigar algu√©m a fazer seja o que for. Apesar de renascermos juntos, cada um tem o seu processo, o seu n√≠vel de consci√™ncia e o livre arb√≠trio para agir como entender.

Dialogar em Vez de Discutir

Est√° o casal aos gritos, est√£o os pol√≠ticos aos berros… E comenta-se a prop√≥sito: “√Č preciso discutir para chegar a algum lado, da discuss√£o nasce a luz”. Bem, a verdade √© que n√£o se v√™ nada. S√≥ quando sou capaz de ouvir, quando sinceramente admito que o outro pode ter raz√£o ou parte dela, √© que posso come√ßar a ver. √Č isso que acontece? Deus queira… Discutir √© querer ganhar. Dialogar √© procurar a verdade com o que h√° de bom em cada um.

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O Paradoxo da Liberdade

√Č porque eu sou a minha voz, √© porque ela existe minha no instante em que a estou erguendo, que me escapa a sua intelec√ß√£o. E todo o equ√≠voco do problema da liberdade est√° a√≠. Porque a liberdade experimenta-se e nada a pode demonstrar. Demonstr√°-la exigiria que estiv√©ssemos fora de n√≥s, porque na pr√≥pria demonstra√ß√£o estamos sendo o homem livre cuja liberdade desej√°vamos provar. Assim essa tentativa, como disse, √© t√£o absurda como pretender a intelec√ß√£o de uma l√≠ngua fora de uma qualquer l√≠ngua. Porque enquanto entendo uma l√≠ngua, estou sendo aquela l√≠ngua dentro da qual estou entendendo a outra. Quanto estou tentando entender a minha liberdade estou sendo quem sou na intelec√ß√£o disso que sou. Eis-nos pois remetidos para o limiar de n√≥s pr√≥prios, para o absoluto da escolha antes da escolha, para a identidade incompreens√≠vel entre o ser que √© o nosso e a escolha desse ser.
Que tem que fazer aqui a razão? Somos livres, como sabemos na consciente vivência do acto de ser consciente. Somos livres, como o sabemos da possibilidade de se ser e de se saber que se é, da infinita e infinitesimal diferença entre mim e mim, entre ser-se o que se é e o saber-se que se é esse ser,

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N√£o Queira Ser Especial

Se uma pessoa se aceitar tal como √© e usar as suas capacidades para desenvolver a criatividade – e todas as pessoas nascem com certas capacidades, determinados talentos e alguma criatividade ser√° imensamente feliz apesar de n√£o ser ningu√©m. Um indiv√≠duo n√£o tem de ser for√ßosamente feliz s√≥ porque se converteu no homem mais rico ou no homem mais poderoso do mundo. Estas s√£o as no√ß√Ķes infantis do homem primitivo, um fardo que temos carregado at√© aos dias de hoje.
Eu gostava de lhe pedir: abandone as palavras ¬ęaceita√ß√£o total¬Ľ. Substitua-as por palavras simples e sinta-se alegre interiormente. No momento em que se alegrar em si mesmo, toda a exist√™ncia se alegra em si. Ter√°, ent√£o, alcan√ßado a sintonia com a dan√ßa harmoniosa que acontece ao seu redor.
Só o homem se desfez em pedaços, e o motivo por que se desfez tem que ver com o facto de querer ser especial. Se quiser ser especial, terá de aceitar algum tipo de loucura.