Passagens sobre Sentimentos

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Frases sobre sentimentos, poemas sobre sentimentos e outras passagens sobre sentimentos para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A Verdadeira Afeição

РComo posso testemunhar a minha afeição?
– Como um homem de car√°cter, como um homem afortunado; pois a raz√£o nunca exige que nos abaixemos, que nos lamentemos, que nos coloquemos sob a depend√™ncia de outrem, que nunca acusemos Deus nem um homem. √Č assim que quero ver-te testemunhar a afei√ß√£o: na qualidade de um homem que quer observar essas prescri√ß√Ķes. Mas se devido a essa afei√ß√£o – qualquer que seja o sentimento a que chamas afei√ß√£o – deves ser escravo e infeliz, n√£o te √© proveitoso mostrar-te afei√ßoado.

Um fato √© como um saco: vazio, n√£o fica de p√©. Para que fique de p√©, √© preciso p√īr-lhe dentro a raz√£o e o sentimento que o determinaram.

Liberdade

Antes que a ideia de Deus esmagasse os homens, antes dos autos de f√©, das persegui√ß√Ķes religiosas da Inquisi√ß√£o e do fundamentalismo isl√Ęmico, o Mediterr√Ęneo inventou a arte de viver. Os homens viviam livres dos castigos de Deus e das amea√ßas dos Profetas: na barca da morte at√© √† outra vida, como acreditavam os eg√≠pcios. E os deuses eram, em vida dos homens, apenas a celebra√ß√£o de cada coisa: a ca√ßa, a pesca, o vinho, a agricultura, o amor. Os deuses encarnavam a festa e a alegria da vida e n√£o o terror da morte.

Antes da queda de Granada, antes das fogueiras da Inquisi√ß√£o, antes dos massacres da Arg√©lia, o Mediterr√Ęneo ergueu uma civiliza√ß√£o fundada na celebra√ß√£o da vida, na beleza de todas as coisas e na toler√Ęncia dos que sabem que, seja qual for o Deus que reclame a nossa vida morta, o resto √© nosso e pertence-nos ‚Äď por uma √ļnica, breve e intensa passagem. √Č a isso que chamamos liberdade ‚Äď a grande heran√ßa do mundo do Mediterr√Ęneo.

(…) Sabes, quem n√£o acredita em Deus, acredita nestas coisas, que tem como evidentes. Acredita na eternidade das pedras e n√£o na dos sentimentos;

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Triunfar significa ter e ter mais, abandonando algo que foi importante, aquilo a que chamamos ser mais conscientes, mais solid√°rios, mais unidos aos sentimentos.

√Č bastante f√°cil fazer surgir sentimentos na alma das multid√Ķes, mas √© dific√≠limo refre√°-los. Desenvolvendo-se, convertem-se em for√ßas que n√£o √© poss√≠vel dominar.

Somos inocentes em pensar, que sentimentos são coisas passíveis de serem controladas. Eles simplesmente vêm e vão, não batem na porta, não pedem licença. Invadem, machucam, alegram.

Espírito Imortal

Espírito imortal que me fecundas
Com a chama dos viris entusiasmos,
Que transformas em gl√°dios os sarcasmos
Para punir as multid√Ķes profundas!

√ď alma que transbordas, que me inundas
De brilhos, de ecos, de emo√ß√Ķes, de pasmos
E fazes acordar de atros marasmos
Minh’alma, em t√©dios por charnecas fundas.

Força genial e sacrossanta e augusta,
Divino Alerta para o Esquecimento,
Voz companheira, carinhosa e justa.

Tens minha M√£o, num doce movimento,
Sobre essa Mão angélica e robusta,
Espírito imortal do Sentimento!

Poeminha Compensatório

Amigas, venham todas
Tragam o sal, o sol, o som, a vida,
O riso, a onda.
Eu sou o Cavalheiro da Triste Figura
Mas tenho uma bela T√°vola Redonda

Saio sempre do cinema
Com o sentimento desagrad√°vel
De que, se n√£o houvesse lido a
Crítica, teria sido formidável!

Ode Triunfal

√Ä dolorosa luz das grandes l√Ęmpadas el√©ctricas da f√°brica
Tenho febre e escrevo.
Escrevo rangendo os dentes, fera para a beleza disto,
Para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos.

√ď rodas, √≥ engrenagens, r-r-r-r-r-r-r eterno!
Forte espasmo retido dos maquinismos em f√ļria!
Em f√ļria fora e dentro de mim,
Por todos os meus nervos dissecados fora,
Por todas as papilas fora de tudo com que eu sinto!
Tenho os lábios secos, ó grandes ruídos modernos,
De vos ouvir demasiadamente de perto,
E arde-me a cabeça de vos querer cantar com um excesso
De express√£o de todas as minhas sensa√ß√Ķes,
Com um excesso contempor√Ęneo de v√≥s, √≥ m√°quinas!

Em febre e olhando os motores como a uma Natureza tropical –
Grandes tr√≥picos humanos de ferro e fogo e for√ßa –
Canto, e canto o presente, e também o passado e o futuro,
Porque o presente é todo o passado e todo o futuro
E há Platão e Virgílio dentro das máquinas e das luzes eléctricas
Só porque houve outrora e foram humanos Virgílio e Platão,
E pedaços do Alexandre Magno do século talvez cinquenta,

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Sonhos sem Ilus√Ķes

Saber n√£o ter ilus√Ķes √© absolutamente necess√°rio para se poder ter sonhos. Atingir√°s assim o ponto supremo da absten√ß√£o sonhadora, onde os sentimentos se mesclam, os sentimentos se extravasam, as ideias se interpenetram. Assim como as cores e os sons sabem uns a outros, os √≥dios sabem a amores, e as coisas concretas a abstractas, e as abstractas a concretas. Quebram-se os la√ßos que, ao mesmo tempo que ligavam tudo, separavam tudo, isolando cada elemento. Tudo se funde e confunde.

O privilégio de se ser uma vítima do nosso sentimento de superioridade, é difícil de suportar. Assusta muita gente, parece uma heresia em tempos como os nossos. E, no entanto, é fundamental, para que uma obra seja feita.

O Sentimento Religioso é o Mais Inconfessável de Todos

A religi√£o, ou o sentimento religioso, √© o mais inconfess√°vel de todos: n√£o por irracional, mas porque √© da sua mais √≠ntima natureza o sil√™ncio da vida f√≠sica do universo, que s√≥ faz barulho por acaso e n√£o para a gente ouvir. Que mais n√£o fosse, acharia rid√≠cula, e acho, a atitude dos ¬ęlibertos¬Ľ, nascidas da cabe√ßa de J√ļpiter, desirmanados de tudo quanto encarnou as dores e as esperan√ßas de uma humanidade dolorosamente em busca do seu pr√≥prio corpo. Mais que rid√≠cula, criminosa, estulta, digna dos raios divinos, se os houvesse. Neste sentido, me √© respeit√°vel a religi√£o considerada na sua ac√ß√£o interior e na sua simb√≥lica aparente; e, como poeta, n√£o posso deixar de ser sens√≠vel ao paganismo que a Igreja Cat√≥lica n√£o sonha – ou sonha at√© – a que ponto herdou. Quando a religi√£o pretende fixar-se, lutar ligada a interesses materiais que geraram muitas das formas que ela tomou, evidentemente que sou contr√°rio a ela, a aquela, porque sei que n√£o h√° eternidade das formas e das conven√ß√Ķes, mas sim da org√Ęnica simb√≥lica que assume uma ou outra forma, segundo o estado social em que se desenvolve.

Jorge de Sena, carta a sua noiva Mécia Lopes,

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Agora j√° n√£o acredito que os segredos das pessoas sejam definidos e comunic√°veis, ou os seus sentimentos plenamente amadurecidos e f√°ceis de reconhecer.

Passa-se a Vida Temendo ou Desejando a Morte

A morte pode dar ensejo a dois sentimentos opostos: ou fazer pensar que morrer é tornar-se o mais vulnerável dos seres, sem defesa contra o desconhecido; ou que é tornar-se invulnerável e afastado de todos os males possíveis. Em quase todos, esses dois sentimentos existem e alternam-se. Passa-se a vida temendo ou desejando a morte.

Um Bom Pai

Um bom pai não é aquele que nunca perde a paciência, mas é aquele que dialoga muito com os seus filhos, que tem prazer em entrar no mundo deles, que não os deixa do lado de fora da sua história. Ninguém tem filhos sabendo o que é ser pai. Ser pai exige um constante treino, em que os erros corrigem as rotas e as lágrimas acertam os caminhos. Educar filhos é uma tarefa complexa. Costumo brincar e dizer que os melhores filhos para serem educados são os dos outros e não os nossos. E fácil educar os filhos dos outros, pois não temos vínculos nem dificuldades com eles. Sem vínculo, o amor não cresce, mas onde há vínculos há sempre problemas e atritos. Não acredite em manuais mágicos de educação. Acredite na sua sensibilidade.

A melhor educa√ß√£o que os pais podem dar aos seus filhos √© dividir a sua hist√≥ria com eles. O melhor treino da emo√ß√£o √© falar das suas frustra√ß√Ķes, dos seus momentos de hesita√ß√£o, das suas conquistas, dos seus sonhos, dos seus erros. Nunca houve tantos div√≥rcios, mas o ser humano n√£o deixa de se unir. Porqu√™? Porque viver em fam√≠lia √© uma das experi√™ncias mais prazerosas da exist√™ncia.

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Os Dias Conto, e cada Hora, e Momento

Os dias conto, e cada hora, e momento
qu’ alongando-me vou dos meus amores.
Nas √°rvores, nas pedras, ervas, flores,
parece que acho m√°goa, e sentimento.

As aves que no ar voam, o sol, e o vento,
montes, rios, e gados, e pastores,
as estradas, e os campos, mostram as dores
da minha saudade, e apartamento.

E quanto m’era l√° doce, e suave,
mais triste, e duro Amor c√° mo apresenta,
a que entreguei da minha vida a chave.

Em l√°grimas for√ßa √© qu’ as faces lave,
ou que n√£o sinta a dor que na tormenta
memória da bonança faz mais grave.

A Segunda Juventude

Nos anos da juventude venera-se ou despreza-se ainda sem aquela arte da nuance que √© o melhor partido da vida e paga-se, com justi√ßa, muito caro o ter assaltado deste modo as coisas e as pessoas com sim e n√£o. Tudo se predisp√Ķe de modo que o pior de todos os gostos, o gosto do absoluto, seja cruelmente achicalhado e abusado, at√© que o homem aprenda a p√īr um pouco de arte nos seus sentimentos e prefira ousar fazer uma tentativa com o artificial: tal como o fazem os verdadeiros artistas da vida. A tend√™ncia para a c√≥lera e o instinto da venera√ß√£o, pr√≥prios da juventude, parecem n√£o descansar enquanto n√£o tiverem falseado homens e coisas para os poder dominar: – a juventude, j√° de si, √© algo que engana e falseia.

Mais tarde, quando a alma jovem, martirizada por mil desilus√Ķes, se volta por fim, desconfiada, contra si mesma, ardente e selvagem ainda, mesmo nas suas suspeitas e remorsos: como se encoleriza consigo mesmo, como se dilacera com impaci√™ncia, como se vinga da sua longa cegueira, como se ela tivesse sido volunt√°ria! Neste per√≠odo de transi√ß√£o autocastiga-se pela desconfian√ßa para com os seus pr√≥prios sentimentos; martiriza-se o entusiasmo pela d√ļvida;

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