Passagens sobre Sentimentos

833 resultados
Frases sobre sentimentos, poemas sobre sentimentos e outras passagens sobre sentimentos para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

O Valor da Obra de Arte

A fonte imediata da obra de arte √© a capacidade humana de pensar, da mesma forma que a ¬ępropens√£o para a troca e o com√©rcio¬Ľ √© a fonte dos objectos de uso. Tratam-se de capacidades do homem, e n√£o de meros atributos do animal humano, como sentimentos, desejos e necessidades, aos quais est√£o ligados e que muitas vezes constituem o seu conte√ļdo.
Estes atributos humanos s√£o t√£o alheios ao mundo que o homem cria como seu lugar na terra, como os atributos correspondentes de outras esp√©cies animais; se tivessem de constituir um ambiente fabricado pelo homem para o animal humano, esse ambiente seria um n√£o mundo, resultado de emana√ß√£o e n√£o de cria√ß√£o. A capacidade de pensar relaciona-se com o sentimento, transformando a sua dor muda e inarticulada, do mesmo modo que a troca transforma a gan√Ęncia crua do desejo e o uso transforma o anseio desesperado da necessidade – at√© que todos se tornem dignos de entrar no mundo transformados em coisas, reificados. Em cada caso, uma capacidade humana que, por sua pr√≥pria natureza, √© comunicativa e voltada para o mundo, transcende e transfere para o mundo algo muito intenso e veemente que estava aprisionado no ser.

Eu Vivia De L√°grimas Isento

Eu vivia de l√°grimas isento,
num engano t√£o doce e deleitoso
que em que outro amante fosse mais ditoso,
não valiam mil glórias um tormento.

Vendo-me possuir tal pensamento,
de nenh√ľa riqueza era envejoso;
vivia bem, de nada receoso,
com doce amor e doce sentimento.

Cobiçosa, a Fortuna me tirou
deste meu t√£o contente e alegre estado,
e passou-me este bem, que nunca fora:

em troco do qual bem só me deixou
lembranças, que me matam cada hora,
trazendo-me à memória o bem passado.

Era um desses sentimentos puros que não embaraçam a marcha da vida, que se conservam porque são raros, cuja perda ocasionaria dor maior que o regozijo da posse.

A Luz do Teu Amor

Oh! Sim que és linda! a inocência
Em tua fronte serena
Com tal do√ßura reluz!…
Tanta e tanta… que a a√ßucena
Tão esplêndida a existência
Não lha doura assim à luz!
Oh! que √©s linda, e mais… e mais
Quando um traço melancólico
Te diviso no semblante
Nos teus olhos virginais!
Que doçura não existe
Ai! ó virgem, nesse instante
Na poética beleza
Desse traço de tristeza
Que te vem tornar mais bela
Mal em teu rosto pousou!
E eu te quero assim, ó estrela,
Que se inspira em mim a crença
Triste… triste, que √©s mais linda,
Mas dessa beleza infinda
Das fic√ß√Ķes da renascen√ßa
Que a poesia perfumou!

Fita agora os olhos l√Ęnguidos
Na estrela que te ilumina,
Eu n√£o sei que luz divina
De amor nos fala em teu rosto!
Eu n√£o sei, nem tu… ningu√©m!…
Que a vaga luz do sol posto,
Que a palidez da cecém,
Que a meiguice dos amores,
E que o perfume das flores
N√£o respiram a harmonia
Desse toque leve…

Continue lendo…

Lírio Lutuoso

Essência das essências delicadas,
Meu perfumoso e tenebroso lírio,
Oh! dá-me a glória de celeste Empíreo
Da tu’alma nas sombras encantadas.

Subindo lento escadas por escadas,
Nas espirais nervosas do Martírio,
Das √ānsias, da Vertigem, do Del√≠rio,
Vou em busca de m√°gicas estradas.

Acompanha-me sempre o teu perfume,
Lírio da Dor que o Mal e o Bem resumem,
Estrela negra, tenebroso fruto.

Oh! dá-me a glória do teu ser nevoento
para que eu possa haurir o sentimento
Das l√°grimas acerbas do teu luto!.

Clamor Supremo

Vem comigo por estas cordilheiras!
P√Ķe teu manto e bord√£o e vem comigo,
Atravessa as montanhas sobranceiras
E nada temas do mortal Perigo!

Sigamos para as guerras condoreiras!
Vem, resoluto, que eu irei contigo
Dentre as √Āguias e as chamas feiticeiras,
Só tendo a Natureza por abrigo.

Rasga florestas, bebe o sangue todo
Da Terra e transfigura em astros lodo,
O próprio lodo torna mais fecundo.

Basta trazer um coração perfeito,
Alma de eleito, Sentimento eleito
Para abalar de lado a lado o mundo!

A Ligação das Ideias

√Č a liga√ß√£o das ideias que sustenta todo o edif√≠cio do entendimento humano. Sem ela, o prazer e a dor seriam sentimentos isolados, sem efeito, t√£o cedo esquecidos quanto sentidos. Os homens sem ideias gerais e princ√≠pios universais, isto √©, os homens ignorantes e embrutecidos, n√£o agem sen√£o segundo as ideias mais vizinhas e mais imediatamente unidas. Negligenciam as rela√ß√Ķes distantes, e essas ideias complicadas, que s√≥ se apresentam ao homem fortemente apaixonado por um objecto, ou aos esp√≠ritos esclarecidos. A luz da aten√ß√£o dissipa no homem apaixonado as trevas que cercam o vulgar. O homem instru√≠do, acostumado a percorrer e a comparar rapidamente um grande n√ļmero de ideias e de sentimentos opostos, tira do contraste um resultado que constitui a base da sua conduta, desde ent√£o menos incerta e menos perigosa.

Cabra-Cega

À volta de incerto fogo
Brincaram as minhas m√£os.
… E foi a vida o seu jogo!

Julguei possuir estrelas
Só por vê-las.
Ai! Como estrelas andaram
Misteriosas e distantes
As almas que me encantaram
Por instantes!

Em ritmo discreto, brando,
Fui brincando, fui brincando
Com o amor, com a vaidade…

‚ÄĒ E a que sentimentos v√£os
Fiquei devendo talvez
A minha felicidade!

Podemos educar as nossas emo√ß√Ķes, mas n√£o suprimi-las completamente, e os sentimentos interiores que vamos tendo s√£o a melhor testemunha do nosso insucesso.

A Mulher que Passa

Meu Deus, eu quero a mulher que passa.
Seu dorso frio é um campo de lírios
Tem sete cores nos seus cabelos
Sete esperanças na boca fresca!

Oh! Como és linda, mulher que passas
que me sacias e suplicias
Dentro das noites, dentro dos dias!

Teus sentimentos s√£o poesia
Teus sofrimentos, melancolia.
Teus pêlos leves são relva boa
Fresca e macia.
Teus belos braços são cisnes mansos
Longe das vozes da ventania.

Meu Deus, eu quero a mulher que passa!

Como te adoro, mulher que passas
Que vens e passas, que me sacias
Dentro das noites, dentro dos dias!

Porque me faltas, se te procuro?
Por que me odeias quando te juro
Que te perdia se me encontravas
E me encontrava se te perdias?

Por que n√£o voltas, mulher que passa?
Por que n√£o enches a minha vida?
Por que n√£o voltas, mulher querida
Sempre perdida, nunca encontrada?
Por que não voltas à minha vida
Para o que sofro não ser desgraça?

Meu Deus, eu quero a mulher que passa!

Continue lendo…

As fórmulas dos valores são bandeiras erguidas onde quer que seja inventada uma nova felicidade ou um sentimento novo.

Jogava punhados de terra nos bolsos e os comia aos grãozinhos, sem ser vista, com um confuso sentimento de felicidade e raiva, enquanto adestrava suas amigas nos pontos mais difíceis e conversava sobre outros homens que não mereciam o sacrifício de que se comesse por eles a cal das paredes.

O Sentimento Religioso Profundo da Ciência

Falando do esp√≠rito que anima as investiga√ß√Ķes cient√≠ficas modernas, sou da opini√£o de que todas as brilhantes especula√ß√Ķes no reino da ci√™ncia nascem de um sentimento religioso profundo e de que sem esse sentimento elas n√£o seriam frutuosas. Tamb√©m acredito que este tipo de religiosidade que hoje em dia se faz sentir na investiga√ß√£o cient√≠fica √© a √ļnica actividade religiosa criativa do nosso tempo. A arte contempor√Ęnea dificilmente pode ser encarada como um meio de express√£o dos nossos instintos religiosos (…) Mas o conte√ļdo da pr√≥pria teoria cient√≠fica n√£o oferece qualquer fundamento moral no que respeita √† conduta pessoal.

Tortura Eterna

Impotência cruel, ó vã tortura!
√ď For√ßa in√ļtil, ansiedade humana!
√ď c√≠rculos dantescos da loucura!
√ď luta, √ď luta secular, insana!

Que tu n√£o possas, Alma soberana,
Perpetuamente refulgir na Altura,
Na Aleluia da Luz, na clara Hosana
Do Sol, cantar, imortalmente pura.

Que tu n√£o posses, Sentimento ardente,
Viver, vibrar nos brilhos do ar fremente,
Por entre as chamas, os clar√Ķes supernos.

√ď Sons intraduz√≠veis, Formas, Cores!…
Ah! que eu n√£o possa eternizar as cores
Nos bronzes e nos m√°rmores eternos!

O artista como artista sente menos do que os outros homens porque produz ao mesmo tempo que sente, e nesse caso há uma dualidade de espírito incompatível com o estar entregue a um sentimento.

√Č poss√≠vel impor sil√™ncio ao sentimento; n√£o √©, por√©m, poss√≠vel marcar-lhe limites.

Vivo perturbado todos os dias, e sempre que abro um jornal, com a total injustiça social. Cada vez que me acontece alguma coisa boa materialmente Рganhar mais dinheiro -, há sempre em mim um sentimento de vergonha. Penso nas pessoas que naquele momento não sabem se têm dinheiro para almoçar e para dar almoço aos filhos.

Oh, estes homens terríveis e inflexíveis, que vivem com o olho fixo no espectro da honra, insensíveis a qualquer outro sentimento.

Qualquer criança me desperta dois sentimentos: ternura pelo que ela é e respeito pelo que poderá vir a ser.