Passagens sobre Sol

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Frases sobre sol, poemas sobre sol e outras passagens sobre sol para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

O Significado do Amor

Eu pensava que conhecia o significado do amor. O amor é o sangue do sol dentro do sol. A inocência repetida mil vezes na vontade sincera de desejar que o céu compreenda. Levantam-se tempestades frágeis e delicadas na respiração vegetal do amor. Como uma planta a crescer da terra. O amor é a luz do sol a beber a voz doce dessa planta. Algo dentro de qualquer coisa profunda.

O amor √© o sentido de todas as palavras imposs√≠veis. Atravessar o interior de uma montanha. Correr pelas horas originais do mundo. O amor √© a paz fresca e a combust√£o de um inc√™ndio dentro, dentro, dentro, dentro, dentro dos dias. Em cada instante de manh√£, o c√©u a deslizar como um rio. A tarde, o sol como uma certeza. O amor √© feito de claridade e da seiva das rochas. O amor √© feito de mar, de ondas na dist√Ęncia do oceano e de areia eterna. O amor √© feito de tantas coisas opostas e verdadeiras. Nascem lugares para o amor e, nesses jardins et√©reos, a salva√ß√£o √© uma brisa que cai sobre o rosto suavemente.

Eu acreditava mesmo que o amor é o sangue do sol dentro do sol.

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Todas as Noites me Sinto

Todas as noites me sinto
igual aos desconhecidos.
Sou a criança que sou,
só quando o tempo pára.

Fico em mim,
fora dos m√ļsculos.

Por que se movem os deuses
quando o sol cresta as formigas?
Lendas da luz da noite
secam todo o movimento.

Seguro a vida
por desespero.

O que Poder√° Ver quem j√° da Vista Cegou?

Ante Sintra, a mui prezada,
e serra de Ribatejo
que Arrábeda é chamada,
perto donde o rio Tejo
se mete n’√°gua salgada,
houve um pastor e pastora,
que com tanto amor se amaram
como males lhe causaram
este bem, que nunca fora,
pois foi o que n√£o cuidarom.

A ela chamavam Maria
e ao pastor Crisfal,
ao qual, de dia em dia,
o bem se tornou em mal,
que ele t√£o mal merecia.
Sendo de pouca idade,
n√£o se ver tanto sentiam
que o dia que n√£o se viam,
se via na saudade
o que ambos se queriam.

Algumas horas falavam,
andando o gado pascendo;
e ent√£o se apascentavam
os olhos, que, em se vendo,
mais famintos lhe ficavam.
E com quanto era Maria
pequena e, tinha cuidado
de guardar melhor o gado
o que lhe Crisfal dizia;
mas, em fim, foi mal guardado;

Que, depois de assim viver
nesta vida e neste amor,
depois de alcançado ter
maior bem pera mor dor,
em fim se houve de saber
por Joana,

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A Luz do Teu Amor

Oh! Sim que és linda! a inocência
Em tua fronte serena
Com tal do√ßura reluz!…
Tanta e tanta… que a a√ßucena
Tão esplêndida a existência
Não lha doura assim à luz!
Oh! que √©s linda, e mais… e mais
Quando um traço melancólico
Te diviso no semblante
Nos teus olhos virginais!
Que doçura não existe
Ai! ó virgem, nesse instante
Na poética beleza
Desse traço de tristeza
Que te vem tornar mais bela
Mal em teu rosto pousou!
E eu te quero assim, ó estrela,
Que se inspira em mim a crença
Triste… triste, que √©s mais linda,
Mas dessa beleza infinda
Das fic√ß√Ķes da renascen√ßa
Que a poesia perfumou!

Fita agora os olhos l√Ęnguidos
Na estrela que te ilumina,
Eu n√£o sei que luz divina
De amor nos fala em teu rosto!
Eu n√£o sei, nem tu… ningu√©m!…
Que a vaga luz do sol posto,
Que a palidez da cecém,
Que a meiguice dos amores,
E que o perfume das flores
N√£o respiram a harmonia
Desse toque leve…

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Uma Gargalhada de Raparigas

Uma gargalhada de raparigas soa do ar da estrada.
Riu do que disse quem n√£o vejo.
Lembro-me j√° que ouvi.
Mas se me falarem agora de uma gargalhada de rapariga da estrada,
Direi: n√£o, os montes, as terras ao sol, o Sol, a casa aqui,
E eu que só oiço o ruído calado do sangue que há na minha vida dos dois lados da cabeça.

Manh√£

Alta alvorada. — Os √ļltimos nevoeiros
A luz que nasce levemente espalha;
Move-se o bosque, a selva que farfalha
Cheia da vida dos clar√Ķes primeiros.

Da passarada os v√īos condoreiros,
Os cantos e o ar que as √°rvores ramalha
Lembram combate, estrídula batalha
De elementos contr√°rios e altaneiros.

Vozes, trinados, vibra√ß√Ķes, rumores
Crescem, v√£o se fundindo aos esplendores
Da luz que jorra de invisível taça.

E como um rei num gale√£o do Oriente
O sol p√Ķe-se a tocar bizarramente
Fanfarras marciais, trompas de caça.

Meto-me para Dentro

Meto-me para dentro, e fecho a janela.
Trazem o candeeiro e d√£o as boas noites,
E a minha voz contente d√° as boas noites.
Oxal√° a minha vida seja sempre isto:
O dia cheio de sol, ou suave de chuva,
Ou tempestuoso como se acabasse o Mundo,
A tarde suave e os ranchos que passam
Fitados com interesse da janela,
O √ļltimo olhar amigo dado ao sossego das √°rvores,
E depois, fechada a janela, o candeeiro aceso,
Sem ler nada, nem pensar em nada, nem dormir,
Sentir a vida correr por mim como um rio por seu leito.
E lá fora um grande silêncio como um deus que dorme.

A Escola Portuguesa

Eis as crianças vermelhas
Na sua hedionda pris√£o:
Doirado enxame de abelhas!
O mestre-escola é o zangão.

Em duros bancos de pinho
Senta-se a turba sonora
Dos corpos feitos de arminho,
Das almas feitas d’aurora.

Soletram versos e prosas
Horríveis; contudo, ao lê-las
Daquelas bocas de rosas
Saem murm√ļrios de estrela.

Contemplam de quando em quando,
E com inveja, Senhor!
As andorinhas passando
Do azul no livre esplendor.

Oh, que existência doirada
Lá cima, no azul, na glória,
Sem cartilhas, sem tabuada,
Sem mestre e sem palmatória!

E como os dias s√£o longos
Nestas pris√Ķes sepulcrais!
Abrem a boca os ditongos,
E as cifras tristes d√£o ais!

Desgraçadas toutinegras,
Que insuportáveis martírios!
Jo√£o F√©lix co’as unhas negras,
Mostrando as vogais aos lírios!

Como querem que despontem
Os frutos na escola alde√£,
Se o nome do mestre √© ‚ÄĒ Ontem
E o do disc√≠p’lo ‚ÄĒ Amanh√£!

Como é que há-de na campina
Surgir o trigal maduro,
Se é o Passado quem ensina
O b a ba ao Futuro!

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As M√£os

Brandamente escrevem dos espasmos do sol.
Envelhecem do pulso ao cérebro, ao calor baço
de um revérbero no eixo dos ventos, usura
das m√°scaras que, sucessivamente, as transformam

de consciência em cal ou metal obscuro.
E já não é por si que a presença existe ou
subsiste o que separa. Destroem as sementes,
apodrecem como um sopro e n√£o s√£o remanso

na areia ou domadoras de chamas. Igualam-se
à água, para serem raiz do que se cala
e insinuam-se, para sempre, no pó da noite.

Um castelo de pele tomba. Deixam de ser
nomeadas ou nome. Escrevem, brandamente,
do termo da m√ļsica o luto do sil√™ncio.

Tormanto do Ideal

Conheci a Beleza que n√£o morre
E fiquei triste. Como quem da serra
Mais alta que haja, olhando aos pés a terra
E o mar, vê tudo, a maior nau ou torre,

Minguar, fundir-se, sob a luz que jorre:
Assim eu vi o mundo e o que ele encerra
Perder a c√īr, bem como a nuvem que erra
Ao p√īr do sol e sobre o mar discorre.

Pedindo à fórma, em vão, a idea pura,
Tropéço, em sombras, na materia dura.
E encontro a imperfeição de quanto existe.

Recebi o baptismo dos poetas,
E assentado entre as fórmas incompletas
Para sempre fiquei palido e triste.

Peço a Paz

Peço a paz
e o silêncio

A paz dos frutos
e a m√ļsica
de suas sementes
abertas ao vento

Peço a paz
e meus pulsos traçam na chuva
um rosto e um p√£o

Peço a paz
silenciosamente
a paz a madrugada em cada ovo aberto
aos passos leves da morte

A paz peço
a paz apenas
o repouso da luta no barro das m√£os
uma língua sensível ao sabor do vinho
a paz clara
a paz quotidiana
dos actos que nos cobrem
de lama e sol

Peço a paz e o
silêncio

Um P√°ssaro a Morrer

Não é vida nem morte, é uma passagem,
nem antes nem depois: somente agora,
um minuto nos tantos duma hora.
Uma pausa. Um intervalo. Uma viragem.

Prisioneira de mim, onde a coragem
de quebrar as algemas, ir-me embora,
se tudo o que em mim ria agora chora,
se j√° n√£o me seduz outra viagem?

E nada disto é céu nem é inferno.
Tristeza, só tristeza. Sol de Inverno,
sem uma flor a abrir na minha m√£o,

sem um b√ļzio a cantar ao meu ouvido.
Só tristeza, um silêncio desmedido
e um pássaro a morrer: meu coração.

O Que Alguém Disse

“Refugia-te na Arte” diz-me Algu√©m
“Eleva-te num v√īo espiritual,
Esquece o teu amor, ri do teu mal,
Olhando-te a ti própria com desdém.

Só é grande e perfeito o que nos vem
Do que em nós é Divino e imortal!
Cega de luz e tonta de ideal
Busca em ti a Verdade e em mais ningu√©m!”

No poente doirado como a chama
Estas palavras morrem… E n’Aquele
Que √© triste, como eu, fico a pensar…

O poente tem alma: sente e ama!
E, porque o sol √© cor dos olhos d’Ele,
Eu fico olhando o sol, a solu√ßar…

Em Louvor da Miniblusa

Hoje vai a antiga musa
celebrar a nova blusa
que de Norte a Sul se usa
como graça de verão.
Graça que mostra o que esconde
a blusa comum, mas onde
um velho da era do bonde
encontrar√° mais mensagem
do que na bossa estival
da rola que ao natural
mostra seu colo fatal,
ou quase, pois tanto faz,
se a anatomia me ensina
a tocar a concertina
em busca ao mapa da mina
que ora muda de lugar?
J√° nem sei mais o que digo
ao divisar certo umbigo:
penso em flor, cereja, figo,
penso em deixar de pensar,
e em louvar o costureiro
ou costureira ‚ÄĒ joalheiro
que exp√Ķe a qualquer soleiro
esse profundo diamante
exclusivo antes das praias
(Copas, Leblons, Marambaias
e suas areias gaias).
Salve, moda, salve, sol
de sal, de alegre inventiva,
que traz à matéria viva
a prova figurativa!
Pode a ind√ļstria de fia√ß√£o
carpir-se do pouco pano
que o figurino magano
reduz a zero, cada ano.
Que importa?

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Tortura Eterna

Impotência cruel, ó vã tortura!
√ď For√ßa in√ļtil, ansiedade humana!
√ď c√≠rculos dantescos da loucura!
√ď luta, √ď luta secular, insana!

Que tu n√£o possas, Alma soberana,
Perpetuamente refulgir na Altura,
Na Aleluia da Luz, na clara Hosana
Do Sol, cantar, imortalmente pura.

Que tu n√£o posses, Sentimento ardente,
Viver, vibrar nos brilhos do ar fremente,
Por entre as chamas, os clar√Ķes supernos.

√ď Sons intraduz√≠veis, Formas, Cores!…
Ah! que eu n√£o possa eternizar as cores
Nos bronzes e nos m√°rmores eternos!

Sereno Aguarda o Fim que Pouco Tarda

Sereno aguarda o fim que pouco tarda.
Que é qualquer vida? Breves sóis e sono.
Quanto pensas emprega
Em n√£o muito pensares.

Ao nauta o mar obscuro é a rota clara.
Tu, na confusa solid√£o da vida,
A ti mesmo te elege
(N√£o sabes de outro) o porto.

Em uma Tarde de Outono

Outono. Em frente ao mar. Escancaro as janelas
Sobre o jardim calado, e as √°guas miro, absorto.
Outono… Rodopiando, as folhas amarelas
Rolam, caem. Viuvez, velhice, desconforto…

Por que, belo navio, ao clar√£o das estrelas,
Visitaste este mar inabitado e morto,
Se logo, ao vir do vento, abriste ao vento as velas,
Se logo, ao vir da luz, abandonaste o porto?

A √°gua cantou. Rodeava, aos beijos, os teus flancos
A espuma, desmanchada em riso e flocos brancos…
Mas chegaste com a noite, e fugiste com o sol!

E eu olho o céu deserto, e vejo o oceano triste,
E contemplo o lugar por onde te sumiste,
Banhado no clar√£o nascente do arrebol…

A Realidade é um Bocado de Sol Simples

√Č preciso criar abismos, para a humanidade que os n√£o sabe saltar se engolfar neles para sempre.
Criar todos os prazeres, os mais artificiais poss√≠vel, os mais est√ļpidos poss√≠vel, para que a chama atraia e queime.
O problema da sobrepovoa√ß√£o, o problema da sobreprodu√ß√£o eliminam-se criando-se focos de elimina√ß√£o humana (por meio de todos os v√≠cios), criando focos de in√©rcia humana (por meio de todas as sedu√ß√Ķes). Fazer suicidas, eis a grande solu√ß√£o sociol√≥gica.
√Č facil ouvir de qualquer megera limpa que ¬ęn√£o cr√™ na Lei de Cristo¬Ľ, √© anim√°-la em seguir a n√£o-lei de Cristo. Em tr√™s anos est√° gasta e finda, e ent√£o descobre que o pior de n√£o seguir a lei de Cristo √© que os outros a n√£o seguem tamb√©m. E o caixote do lixo recebe-a como √†s teorias dos mestres a quem ela ensinou.
√Č nosso dever de soci√≥logos untar o ch√£o, ainda que seja com l√°grimas, para que escorreguem nele os que dan√ßam.
E comunistas, batonnières dos beiços, humanitários, cultos do internacionalismo Рtudo isso colabora ardentemente na eliminação deles mesmos que se precisa. Depois, dos recantos das províncias, onde tomam chá com a família, ou lavram as terras sem teorias nem desejos,

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