Cita√ß√Ķes sobre Sol

1156 resultados
Frases sobre sol, poemas sobre sol e outras cita√ß√Ķes sobre sol para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Mensagem РMar Português

MAR PORTUGUÊS

Possessio Maris

I. O Infante

Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, j√° n√£o separasse.
Sagrou-te, e foste desvendando a espuma,

E a orla branca foi de ilha em continente,
Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.

Quem te sagrou criou-te português.
Do mar e nós em ti nos deu sinal.
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!

II. Horizonte

√ď mar anterior a n√≥s, teus medos
Tinham coral e praias e arvoredos.
Desvendadas a noite e a cerração,
As tormentas passadas e o mistério,
Abria em flor o Longe, e o Sul sidério
’Splendia sobre as naus da iniciação.

Linha severa da long√≠nqua costa ‚ÄĒ
Quando a nau se aproxima ergue-se a encosta
Em √°rvores onde o Longe nada tinha;
Mais perto, abre-se a terra em sons e cores:
E, no desembarcar, h√° aves,

Continue lendo…

Por esta Solid√£o, que n√£o Consente

Por esta solid√£o, que n√£o consente
Nem do sol, nem da lua a claridade,
Ralado o peito pela saudade
Dou mil gemidos a Marília ausente:

De seus crimes a mancha inda recente
Lava Amor, e triunfa da verdade;
A beleza, apesar da falsidade,
Me ocupa o coração, me ocupa a mente:

Lembram-me aqueles olhos tentadores,
Aquelas m√£os, aquele riso, aquela
Boca suave, que respira amores…

Ah! Trazei-me, ilus√Ķes, a ingrata, a bela!
Pintai-me vós, oh sonhos, entre as flores
Suspirando outra vez nos braços dela!

Mestre

Mestre, meu mestre querido,
Coração do meu corpo intelectual e inteiro!
Vida da origem da minha inspiração!
Mestre, que é feito de ti nesta forma de vida?

N√£o cuidaste se morrerias, se viverias, nem de ti nem de nada,
Alma abstracta e visual até aos ossos.
Aten√ß√£o maravilhosa ao mundo exterior sempre m√ļltiplo,
Ref√ļgio das saudades de todos os deuses antigos,
Espírito humano da terra materna,
Flor acima do dil√ļvio da intelig√™ncia subjectiva…

Mestre, meu mestre!
Na ang√ļstia sensacionalista de todos os dias sentidos,
Na m√°goa quotidiana das matem√°ticas de ser,
Eu, escrevo de tudo como um pó de todos os ventos,
Ergo as m√£os para ti, que est√°s longe, t√£o longe de mim!

Meu mestre e meu guia!
A quem nenhuma coisa feriu, nem doeu, nem perturbou,
Seguro como um sol fazendo o seu dia involuntariamente,
Natural como um dia mostrando tudo,
Meu mestre, meu coração não aprendeu a tua serenidade.
Meu coração não aprendeu nada.
Meu coração não é nada,
Meu coração está perdido.

Mestre, só seria como tu se tivesse sido tu.

Continue lendo…

Anjo

Quando a fitar-te ainda o sol declina
E a cor dos teus cabelos no Ar flutua,
A tua alma na minha se insinua,
Teu vulto é prece alando-se, divina!

A nossa voz, esparsa em luz, fascina;
A nossa voz… perdoa, Amor, a tua!
Ergues o olhar: crece em silêncio a lua,
Como uma flor, na tarde peregrina!

E a tua graça, etéreo Abril jucundo,
Bênção de Deus que tudo beija e alcança,
Sorri em flor na escurid√£o do Mundo…

A luz do Céu é o teu olhar sem fim;
E, no silêncio feito de esperança,
ouço o teu coração bater por mim!

As Cathedraes

Como vos amo ver ó cathedraes sosinhas,
A recortar o azul das noutes constelladas!
Erguidos corucheus, mysticas andorinhas,
– √ď grandes cathedraes do sol ensanguentadas!

Como vos amo ver, pombas alvoroçadas!
Ogivas ideaes, anjos de puras linhas,
E ó criptas sem luz, aonde embalsamadas
Dormem de m√£os em cruz as santas e as rainhas!

Em v√£o olhaes o Ceu sagradas epopeias!
Flores de renda e luz, d’incenso e aromas cheias,
Aves celestiaes banhadas da manh√£!

Em vão santos e reis, ó monges dos desertos!
Em v√£o, em v√£o resais, sobre os livros abertos,
РO Ceu por que chorais é uma ficção christã!

Que Importa?…

Eu era a desdenhosa, a indif’rente.
Nunca sentira em mim o coração
Bater em violências de paixão
Como bate no peito à outra gente.

Agora, olhas-me tu altivamente,
Sem sombra de Desejo ou de emoção,
Enquanto a asa loira da ilus√£o
Dentro em mim se desdobra a um sol nascente.

Minh’alma, a pedra, transformou-se em fonte;
Como nascida em carinhoso monte
Toda ela é riso, e é frescura, e graça!

Nela refresca a boca um s√≥ instante…
Que importa?… Se o cansado viandante
Bebe em todas as fontes… quando passa?…

A Partida

Partimos muito cedo — A madrugada
Clara, serena, vaporosa e fresca,
Tinha as nuances de mulher tudesca
De fina carne esplêndida e rosada.

Seguimos sempre afora pela estrada
Franca, poeirenta, alegre e pitoresca,
Dentre o frescor e a luz madrigalesca
Da natureza aos poucos acordada.

Depois, no fim, l√° de algum tempo — quando
Chegamos nós ao termo da viagem,
Ambos joviais, a rir, cantarolando,

Da mesma parte do levante, de onde
Saímos, pois, faiscava na paisagem
O sol, radioso e altivo como um conde.

A Voz

√Č t√£o suave ess’hora,
Em que nos foge o dia,
E em que suscita a Lua
Das ondas a ardentia,

Se em alcantis marinhos,
Nas rochas assentado,
O trovador medita
Em sonhos enleado!

O mar azul se encrespa
Coa vespertina brisa,
E no casal da serra
A luz j√° se divisa.

E tudo em roda cala
Na praia sinuosa,
Salvo o som do remanso
Quebrando em furna algosa.

Ali folga o poeta
Nos desvarios seus,
E nessa paz que o cerca
Bendiz a m√£o de Deus.

Mas despregou seu grito
A alcíone gemente,
E nuvem pequenina
Ergueu-se no ocidente:

E sobe, e cresce, e imensa
Nos céus negra flutua,
E o vento das procelas
J√° varre a fraga nua.

Turba-se o vasto oceano,
Com hórrido clamor;
Dos vagalh√Ķes nas ribas
Expira o v√£o furor,

E do poeta a fronte
Cobriu véu de tristeza;
Calou, à luz do raio,
Seu hino à natureza.

Pela alma lhe vagava
Um negro pensamento,

Continue lendo…

Amor

Nas largas muta√ß√Ķes perp√©tuas do universo
O amor √© sempre o vinho en√©rgico, irritante…
Um lago de luar nervoso e palpitante…
Um sol dentro de tudo altivamente imerso.

N√£o h√° para o amor rid√≠culos pre√Ęmbulos,
Nem mesmo as conven√ß√Ķes as mais superiores;
E vamos pela vida assim como os noct√Ęmbulos
√† fresca exala√ß√£o sal√ļbrica das flores…

E somos uns completos, célebres artistas
Na obra racional do amor — na heroicidade,
Com essa intrepidez dos s√°bios transformistas.

Cumprimos uma lei que a seiva nos dirige
E amamos com vigor e com vitalidade,
A cor, os tons, a luz que a natureza exige!…

Mendiga

Na vida nada tenho e nada sou;
Eu ando a mendigar pelas estradas…
No silêncio das noites estreladas
Caminho, sem saber para onde vou!

Tinha o manto do sol… quem mo roubou?!
Quem pisou minhas rosas desfolhadas?!
Quem foi que sobre as ondas revoltadas
A minha taça de oiro espedaçou?!

Agora vou andando e mendigando,
Sem que um olhar dos mundos infinitos
Veja passar o verme, rastejando…

Ah, quem me dera ser como os chacais
Uivando os brados, rouquejando os gritos
Na solid√£o dos ermos matagais!…

Penetr√°lia

Falei tanto de amor!… de galanteio,
Vaidade e brinco, passatempo e graça,
Ou desejo fugaz, que brilha e passa
No rel√Ęmpago breve com que veio…

O verdadeiro amor, honra e desgraça,
Gozo ou suplício, no íntimo fechei-o:
Nunca o entreguei ao p√ļblico recreio,
Nunca o expus indiscreto ao sol da praça.

N√£o proclamei os nomes, que baixinho,
Rezava… E ainda hoje, t√≠mido, mergulho
Em funda sombra o meu melhor carinho.

Quando amo, amo e deliro sem barulho;
E quando sofro, calo-me, e definho
Na ventura infeliz do meu orgulho.

Sol do Meu Dia

Se eu fosse nuvem tinha imensa m√°goa
N√£o te servindo de asas maternais
Que te pudessem abrigar da √°gua
Que chovesse das mais!

E sendo eu onda, tinha m√°goa suma
N√£o te podendo a ti, mulher, levar
De praia em praia sobre a alva espuma,
Sem nunca te molhar!

E sendo aragem eu, que pela face
Te roçasse de rijo alguma vez
Que o Senhor com mais for√ßa respirasse…
Que m√°goa imensa… V√™s?

E a luz do teu olhar que me n√£o luza
Um r√°pido momento a mim sequer,
Como a √°guia no ar, que passa e cruza
A terra sem na ver!

Mas que me importa a mim! Se me esmagasses
Um dia aos pés o coração a mim,
As vozes que lhe ouviras, se escutasses,
Era o teu nome… sim;

O teu nome gemido docemente,
Com toda a fé de um mártir em Jesus.
Se acaso j√° em Cristo p√īs um crente
A fé que eu em ti pus!

A fé, mais o amor! Porque ele expira
Sem que a ninguém lhe estale o coração;

Continue lendo…

Uma Cidade

Uma cidade pode ser
apenas um rio, uma torre, uma rua
com varandas de sal e ger√Ęnios
de espuma. Pode
ser um cacho
de uvas numa garrafa, uma bandeira
azul e branca, um cavalo
de crinas de algod√£o, esporas
de √°gua e flancos
de granito.
Uma cidade
pode ser o nome
dum país, dum cais, um porto, um barco
de andorinhas e gaivotas
ancoradas
na areia. E pode
ser
um arco-íris à janela, um manjerico
de sol, um beijo
de magnólias
ao crep√ļsculo, um bal√£o
aceso

numa noite
de junho.

Uma cidade pode ser
um coração,
um punho.

Prosema I

Com a devida vénia me reparto junto do tampo de mármore meu secretário tão certo. Desde quando deixara eu de ouvir esta palavra? Logrei substituí-la numa manhã óptima mas não esta em que a mola salta reprimida sabe-se lá donde, algures na hipófise.
Na confraria dos reclusos outras quimeras se aventam como Sol, M√£e, Amada, at√© que o tempo nosso inimigo se distancie e nos abandone por instantes. Na laje j√° sobre a qual o papel branco me obedece sem que o habitem outros sinais, pequeninos veios avolumam-se em √°reas mais densas, configurando p√°ssaros de porcelana chinesa. Afundo-me neste fundo para descobrir-lhes um sentido, branco, amarelo, de novo branco, cada cent√≠metro um fuso de seres min√ļsculos, buscando reorganizar-se, perder-se, reagrupar-se.
De anacoreta nada tenho, s√≥ de multid√Ķes entre Cacilhas, Piedade e o Barreiro. E Campo de Ourique, que digo! A minha m√£o move-se, o pensamento p√°ra, descubro as uvas pendentes como se fora Ver√£o e o Sol ferisse como se o olhara de frente. Nem o ru√≠do dos p√°ssaros habituais junto √† janela nos veio dar os bons dias, o funcion√°rio impreter√≠vel vir√° √† hora impreter√≠vel. Muito longe fora de portas um galo ou a sua aus√™ncia. Tenho uma toalha,

Continue lendo…

Queria que os Portugueses

Queria que os portugueses
tivessem senso de humor
e não vissem como génio
todo aquele que é doutor

sobretudo se é o próprio
que se afirma como tal
só porque sabendo ler
o que lê entende mal

todos os que s√£o formados
deviam ter que fazer
exame de analfabeto
para provar que sem ler

teriam sido capazes
de constituir cultura
por tudo que a vida ensina
e mais do que livro dura

e tem certeza de sol
mesmo que a noite se instale
visto que ser-se o que se é
muito mais que saber vale

até para aproveitar-se
das d√ļvidas da raz√£o
que a si própria se devia
olhar pura opini√£o

que hoje é uma manhã outra
e talvez depois terceira
sendo que o mundo sucede
sempre de nova maneira

alfabetizar cuidado
n√£o me ponham tudo em culto
dos que não citar francês
consideram puro insulto

se a nação analfabeta
derrubou filosofia
e no jeito aristotélico
o que certo parecia

deixem-na ser o que seja
em todo o tempo futuro
talvez encontre sozinha
o mais além que procuro.

Continue lendo…

Um Dia Guttemberg

Um dia Guttemberg c’o a alma aos c√©us suspensa,
Pegou do escopro ingente e p√īs-se a trabalhar!
E fez do velho mundo um r√ļtilo alcan√ßar
Ao mágico clangor de sua idéia imensa!

Rolou por todo o globo a luz da sacra imprensa!
Ruiu o despotismo no p√≥, a esbravejar…
Uniram-se n’um lago, o c√©u, a terra, o mar…
Rasgou-se o manto atroz da horr√≠vel treva densa!…

Ergueram-se mil povos ao som das melopéias,
Das grandes cavatinas olímpicas da arte!
Raiou o novo sol das f√ļlgidas id√©ias!…

Porém, quem lance luz maior por toda a parte
√Čs tu, sublime atriz, √≥ misto de epop√©ias
Que sabes no tablado subir, endeusar-te!…

A Felicidade é tão Cansativa como a Infelicidade

Toda a gente tem o seu m√©todo de interpretar a seu favor o balan√ßo das suas impress√Ķes, para que da√≠ resulte de algum modo aquele m√≠nimo de prazer necess√°rio √†s suas exist√™ncias quotidianas, o suficiente em tempos de normalidade. O prazer da vida de cada um pode ser tamb√©m constitu√≠do por desprazer, essas diferen√ßas de ordem material n√£o t√™m import√Ęncia; sabemos que existem tantos melanc√≥licos felizes como marchas f√ļnebres, que pairam t√£o suavemente no elemento que lhes √© pr√≥prio como uma dan√ßa no seu. Talvez tamb√©m se possa afirmar, ao contr√°rio, que muitas pessoas alegres de modo nenhum s√£o mais felizes do que as tristes, porque a felicidade √© t√£o cansativa como a infelicidade; mais ou menos como voar, segundo o princ√≠pio do mais leve ou mais pesado do que o ar. Mas haveria ainda uma outra objec√ß√£o: n√£o ter√° raz√£o aquela velha sabedoria dos ricos segundo a qual os pobres n√£o t√™m nada a invejar-lhes, j√° que √© pura fantasia a ideia de que o seu dinheiro os torna mais felizes? Isso s√≥ lhes imporia a obriga√ß√£o de encontrar um sistema de vida diferente do seu, cujo or√ßamento, em termos de prazer, fecharia apenas com um m√≠nimo excedente de felicidade,

Continue lendo…