Cita√ß√Ķes sobre Vez

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Frases sobre vez, poemas sobre vez e outras cita√ß√Ķes sobre vez para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Juízes Imparciais

Se quisermos ser ju√≠zes imparciais em qualquer circunst√Ęncia, devemos, antes de mais, ter em conta que ningu√©m est√° livre de culpa; o que est√° na origem da nossa indigna√ß√£o √© a ideia de que: ¬ęEu n√£o errei¬Ľ e ¬ęEu n√£o fiz nada¬Ľ. Pelo contr√°rio, tu recusas admitir os teus erros! Indignamo-nos quando somos castigados ou repreendidos, cometendo, simultaneamente, o erro de acrescentar aos crimes cometidos, a arrog√Ęncia e a obstina√ß√£o. Quem poder√° dizer que nunca infringiu a lei? E, se assim for, √© bem estreita inoc√™ncia ser bom perante a lei! Qu√£o mais vasta √© a regra do dever do que a regra do direito! Quantas obriga√ß√Ķes imp√Ķem a piedade, a humanidade, a bondade, a justi√ßa e a lealdade, que n√£o est√£o escritas em nenhuma t√°bua de leis!
Mas n√≥s n√£o podemos satisfazer-nos com aquela no√ß√£o de inoc√™ncia t√£o limitada: h√° erros que cometemos, outros que pensamos cometer, outros que desejamos cometer, outros que favorecemos; por vezes, somos inocentes por n√£o termos conseguido comet√™-los. Se tivermos isto em conta, somos mais justos para com os delinquentes, e mais persuasivos nas admoesta√ß√Ķes; em todo o caso, n√£o nos iremos contra os homens bons (de facto, contra quem n√£o nos sentiremos irados,

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E poder-se-ia num longo discurso mostrar como são melhores os frutos da pobreza que os da riqueza e como uma tem trazido honra às cidades, às províncias e aos partidos, enquanto a outra os tem arruinado, se este assunto já não tivesse sido tratado muitas vezes por outras pessoas.

Um Soneto

A vez primeira que eu te vi, em meio
Das harmonias de uma valsa, elado
O lábio trêmulo, esplêndido, rosado,
Num riso, um riso de alvoradas cheio.

Cheio de febres, em febril anseio
O meu olhar fervente, desvairado
Como um condor de flamas emplumado
Vingou-se a esp√°dua e devorou-te o seio.

Depois, delírio atroz, loucura imensa!
A alma, o bem, a consciência, a crença
Lancei no inc√™ndio dos olhares teus…

Hoje estou pronto à lívida jornada
Da descren√ßa sem luz, da dor do nada…
Já disse ontem à noite, adeus, a Deus!

Uma vez tomada a decis√£o de n√£o dar ouvidos mesmo aos melhores contra-argumentos: sinal do car√°cter forte. Tamb√©m uma ocasional vontade de se ser est√ļpido.

O Mundo n√£o se Fez para Pensarmos Nele

O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de, vez em quando olhando para tr√°s…
E o que vejo a cada momento
√Č aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem…

Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras…
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo…

Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas n√£o penso nele
Porque pensar √© n√£o compreender …

O Mundo n√£o se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo…

Eu n√£o tenho filosofia: tenho sentidos…
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que √© amar …
Amar é a eterna inocência,

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Cessa de Correr !

Se não cessas de correr, marulhando no ar tépido com as tuas mãos como natatórios, olhando furtivamente tudo diante de que passas no meio-sono apressado, acontecer-te-á também um dia deixar passar diante de ti o carro. Se te mantiveres firme, pelo contrário, com o poder do teu olhar fazendo crescer as raízes em profundidade e em comprimento Рnada então te poderá eliminar Рem virtude não das raízes mas da força do teu olhar que escruta Рserá então que verás o longínquo imutavelmente obscuro de onde nada pode surgir a não ser precisamente uma vez este carro que rola para ti, que se aproxima, cada vez maior e que, no próprio instante em que entras em tua casa, enche o mundo enquanto mergulhas nele como uma criança no banco acolchoado de uma diligência que corre através da tempestade e da noite.

Prazer com Virtude

Que dizer do facto de tanto os homens bons como os maus terem prazer, e de os homens infames terem tanto gosto em cometer actos vergonhosos como os homens honestos t√™m nas suas ac√ß√Ķes excelentes? √Č por isso que os antigos prescreveram que se procurasse a vida melhor, n√£o a mais agrad√°vel, de forma a que o prazer fosse, n√£o o guia, mas um companheiro da vontade recta e boa. Na verdade, a natureza deve ser o nosso guia: a raz√£o observa-a e consulta-a. Por isso, viver feliz √© o mesmo que viver de acordo com a natureza. Passo a explicar o que quer isto dizer: se conservarmos os nossos dons corporais e as nossas aptid√Ķes naturais com dilig√™ncia, mas tamb√©m com impavidez, tomando-os como bens ef√©meros e fugazes; se n√£o nos tornarmos servos deles, nem nos submetermos a coisas exteriores; se as coisas que s√£o circunstanciais e agrad√°veis ao corpo forem para n√≥s como auxiliares e tropas ligeiras num castro (que obedecem, n√£o comandam); nesta medida, todas estas coisas ser√£o √ļteis √† mente.
N√£o se deixe o homem corromper pelas coisas externas e inalcan√ß√°veis, e admire-se apenas a si pr√≥prio, confiando no seu √Ęnimo e mantendo-se preparado para tudo,

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Estamos no apogeu da ind√ļstria do lazer, mas nunca houve uma gera√ß√£o t√£o triste e depressiva como a nossa. Estamos na era do conhecimento, da democratiza√ß√£o da informa√ß√£o, mas nunca produzimos tantos repetidores de informa√ß√Ķes, em vez de pensadores.

O que me d√° paz em alguns lugares √© eu ter a sensa√ß√£o (e muitas vezes a certeza) de que por eles nunca passou a ferradura de nenhum √Ātila; de que tudo permanece virginal como o deixaram os glaciares, e sou eu o primeiro pecador a quebrar-lhe o encanto.

O que censuro aos jornais é fazer-nos prestar atenção todos os dias a coisas insignificantes, ao passo que nós lemos três ou quatro vezes na vida os livros em que há coisas essenciais.

O Desejo e a Posse

Um homem n√£o se sente totalmente privado dos bens aos quais nunca sonhou aspirar, mas fica muito satisfeito mesmo sem eles, enquanto outro que possua cem vezes mais do que o primeiro sente-se infeliz quando lhe falta uma √ļnica coisa que tenha desejado. A esse respeito, cada um tem tamb√©m um horizonte pr√≥prio daquilo que lhe √© poss√≠vel atingir, e as suas pretens√Ķes t√™m uma extens√£o semelhante a esse horizonte. Quando determinado objecto, situado dentro desses limites, se lhe apresenta de modo que o fa√ßa acreditar na possibilidade de alcan√ß√°-lo, o homem sente-se feliz; em contrapartida, sentir-se-√† infleliz quando eventuais dificuldades lhe tirarem tal possibilidade. Tudo o que estiver situado externamente a esse campo visual n√£o agir√° de forma alguma sobre ele. Por esse motivo, as grandes propriedades dos ricos n√£o perturbam o pobre, e, por outro lado, para o rico cujos prop√≥sitos tenham fracassado, serve de consolo as muitas coisas que j√° possui. (A riqueza assemelha-se √† √°gua do mar; quanto mais dela se bebe, mais sede se tem. O mesmo vale para a gl√≥ria).

O facto de que o nosso humor habitual não resulte muito diferente do anterior após a perda de uma riqueza ou do bem-estar,

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Dá Tempo à Tua Vocação

Nunca d√™s ouvidos √†queles que, no desejo de te servir, te aconselham a renunciar a uma das tuas aspira√ß√Ķes. Tu bem sabes qual √© a tua voca√ß√£o, pois a sentes exercer press√£o sobre ti. E, se a atrai√ßoas, √© a ti que desfiguras. Mas fica sabendo que a tua verdade se far√° lentamente, pois ela √© nascimento de √°rvore e n√£o descoberta de uma f√≥rmula. O tempo √© que desempenha o papel mais importante, porque se trata de te tornares outro e de subires uma montanha dif√≠cil. Porque o ser novo, que √© unidade libertada no meio da confus√£o das coisas, n√£o se te imp√Ķe como a solu√ß√£o de um enigma, mas como um apaziguamento dos lit√≠gios e uma cura dos ferimentos. E s√≥ vir√°s a conhecer o seu poder, uma vez que ele se tiver realizado. Nada me pareceu t√£o √ļtil ao homem como o sil√™ncio e a lentid√£o. Por isso os tenho honrado sempe como deuses por demais esquecidos.

A Import√Ęncia de uma Resolu√ß√£o Forte

Uma resolução forte muda no mesmo instante a maior infelicidade num estado suportável. À tarde, depois de uma batalha perdida, um homem foge a toda a velocidade, num cavalo meio-morto; ouve distintamente o galope do grupo de cavaleiros, volta a carregar a carabina e as pistolas, e toma a resolução de se defender. No mesmo instante, em vez de ver a morte, vê a cruz da legião de Honra.

Continua a Tempestade

Aqui, sobre estas aguas cor de azeite,
Scismo em meu lar, na paz que l√° havia:
Carlota, √° noite, ia ver se eu dormia
E vinha, de manh√£, trazer-me o leite…

Aqui, n√£o tenho um unico deleite!
Talvez… baixando, em breve, √° Agoa fria,
Sem um beijo, sem uma Ave-Maria,
Sem uma flor, sem o menor enfeite…

Ah! podesse eu voltar √° minha infancia!
Lar adorado, em fumos, a distancia,
Ao p√© de minha Irm√£, vendo-a bordar…

Minha velha aia! conta-me essa historia
Que principiava, tenho-a na memoria,
¬ęEra uma vez…¬Ľ
Ah deixem-me chorar!

O Existencialista

Dostoievski escreveu: ¬ęSe Deus n√£o existisse, tudo seria permitido¬Ľ. A√≠ se situa o ponto de partida do existencialismo. Com efeito, tudo √© permitido se Deus n√£o existe , fica o homem, por conseguinte , abandonado, j√° que n√£o encontra em si, nem fora de si, uma possibilidade a que se apegue. Antes de mais nada, n√£o h√° desculpas para ele. Se, com efeito, a exist√™ncia precede a ess√™ncia, n√£o ser√° nunca poss√≠vel referir uma explica√ß√£o a uma natureza humana dada e imut√°vel; por outras palavras, n√£o h√° determinismo, o homem √© livre, o homem √© liberdade. Se, por outro lado, Deus n√£o existe, n√£o encontramos diante de n√≥s valores ou imposi√ß√Ķes que nos legitimem o comportamento. Assim, n√£o temos nem atr√°s de n√≥s, nem diante de n√≥s, no dom√≠nio luminoso dos valores, justifica√ß√Ķes ou desculpas. Estamos s√≥s e sem desculpas. √Č o que traduzirei dizendo que o homem est√° condenado a ser livre. Condenado, porque n√£o se criou a si pr√≥prio; e no entanto livre, porque uma vez lan√ßado ao mundo, √© respons√°vel por tudo quanto fizer. O existencialista n√£o cr√™ na for√ßa da paix√£o. N√£o pensar√° nunca que uma bela paix√£o √© uma torrente devastadora que conduz fatalmente o homem a certos actos e que por conseguinte,

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Proibir Demasiado Prejudica a Lei

Penso que um excesso de decretos e de interditos prejudica a autoridade da lei. Podemos observ√°-lo: onde existem poucas proibi√ß√Ķes, estas s√£o obedecidas; onde a cada passo se trope√ßa em coisas proibidas, sente-se rapidamente a tenta√ß√£o de as infringir. Al√©m disso, n√£o √© preciso ser-se anarquista para se ver que as leis e os decretos, do ponto de vista da sua origem, n√£o gozam de qualquer car√°cter sagrado ou invulner√°vel. Por vezes s√£o pobres de conte√ļdo, insuficientes, ofensivas do nosso sentido de justi√ßa, ou nisso se tornam com o tempo, e ent√£o, dada a in√©rcia geral dos dirigentes, n√£o resta outro meio de corrigir essas leis caducas sen√£o infringi-las de boa vontade! Para mais, √© prudente, quando se pretende manter o respeito por leis e decretos, n√£o promulgar sen√£o aqueles cuja observa√ß√£o ou infrac√ß√£o possam ser facilmente controladas.