Textos sobre Insensatos

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Textos de insensatos escritos por poetas consagrados, filósofos e outros autores famosos. Conheça estes e outros temas em Poetris.

A atitude do insensato, como processo mórbido, é uma forma de hipertrofia da razão

A atitude do insensato, como processo mórbido, é uma forma de hipertrofia da razão.

O Bom Senso como Suporte da Humanidade

Se n√£o tivesse havido em todos os tempos uma maioria de homens para fazer depender o seu orgulho, o seu dever, a sua virtude da disciplina do seu esp√≠rito, da sua ¬ęraz√£o¬Ľ, dos amigos do ¬ębom senso¬Ľ, para se sentirem feridos e humilhados pela menor fantasia, o menor excesso da imagina√ß√£o, a humanidade j√° teria naufragado h√° muito tempo.
A loucura, o seu pior perigo, n√£o deixou nunca, com efeito, de planar por cima dela, a loucura prestes a estalar… quer dizer a irrup√ß√£o da lei do bom prazer em mat√©ria de sentimento de sensa√ß√Ķes visuais ou auditivas, o direito de gozar com o jorro do esp√≠rito e de considerar como um prazer a irris√£o humana. N√£o s√£o a verdade, a certeza que est√£o nos ant√≠podas do mundo dos insensatos; √© a cren√ßa obrigat√≥ria e geral, √© a exclus√£o do bom prazer no ajuizar. O maior trabalho dos homens foi at√© agora concordar sobre uma quantidade de coisas, e fazer uma lei desse acordo,… quer essas coisas fossem verdadeiras ou falsas. Foi a disciplina do esp√≠rito que preservou a humanidade,… mas os instintos que a combatem s√£o ainda t√£o poderosos que em suma s√≥ se pode falar com pouca confian√ßa no futuro da humanidade.

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O insensato não gosta da inteligência, mas de publicar o que pensa

O insensato não gosta da inteligência, mas de publicar o que pensa.

Glória Efémera ou Eterna

Via de regra, a glória será tanto mais tardia quanto mais for durável, pois tudo aquilo que é excelente amadurece de maneira lenta. A glória que se tornará póstera assemelha-se a um carvalho que cresce bem lentamente a partir da sua semente; a glória fácil, efémera, assemelha-se às plantas anuais, que crescem rapidamente, e a glória falsa parece-se com erva daninha, que nasce num piscar de olhos e que nos apressamos em arrancar. Esse desenrolar das coisas relaciona-se com o facto de que, quanto mais alguém pertence à posteridade, ou seja, à humanidade geral e inteira, tanto mais estranho será à sua época, pois o que ele produz não é especialmente dedicado a ela como tal, mas só na medida em que a mesma é uma parte da humanidade; logo, as suas obras não são tingidas com a cor local do seu tempo; todavia, em consequência disso, pode acontecer que tal indivíduo passe facilmente como um estranho pela sua época.
Esta prefere apreciar aqueles que tratam os assuntos do seu dia-a-dia ou que servem ao humor do momento, portanto, os factos que pertencem integralmente a ela, que com ela vivem e com ela morrem. Por isso, a hist√≥ria da arte e da literatura ensina geralmente que as mais elevadas realiza√ß√Ķes do esp√≠rito humano,

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A Doutrina do Objectivo da Vida

Quer considere os homens com bondade ou malevol√™ncia, encontro-os sempre, a todos e a cada um em particular, empenhados na mesma tarefa: tornar-se √ļteis √† conserva√ß√£o da esp√©cie. E isto n√£o por amor a essa esp√©cie, mas simplesmente porque n√£o h√° neles nada mais antigo, mais poderoso, mais impiedoso e mais invenc√≠vel do que esse instinto… porque esse instinto √© propriamente a ess√™ncia da nossa esp√©cie, do nosso rebanho.

Se bem que se chegue assaz rapidamente, com a miopia ordin√°ria, a separar a cinco passos os nossos semelhantes em √ļteis e em prejudiciais, em seres bons e maus, quando fazemos o nosso balan√ßo final e reflectimos sobre o conjunto acabamos por desconfiar destas depura√ß√Ķes, destas distin√ß√Ķes, e acabamos por renunciar a elas.

Talvez o homem mais prejudicial seja ainda, no fim de contas, o mais √ļtil √† conserva√ß√£o da esp√©cie; porque sustenta em si mesmo, ou nos outros, com a sua ac√ß√£o, instintos sem os quais a humanidade estaria h√° muito tempo mole e corrompida. O √≥dio, o prazer de prejudicar, a sede de tomar e de dominar, e, de uma maneira geral, tudo aquilo a que se d√° o nome de mal, n√£o passam no fundo de um dos elementos da espantosa economia da conserva√ß√£o da esp√©cie;

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Esquecimento Esvaziante

A variedade das nossas emo√ß√Ķes torna claro que cada homem guarda dentro de si os celeiros do contentamento e do descontentamento: os jarros das coisas boas e m√°s n√£o est√£o depositados ¬ęna soleira de Zeus¬Ľ, mas na alma. O n√©scio negligencia e desdenha as coisas boas que l√° est√£o porque a sua imagina√ß√£o acha-se sempre voltada para o futuro; o sensato, por√©m, torna os factos pregressos vividamente presentes com record√°-los. O presente oferece-se ao toque da nossa m√£o apenas por um instante e logo nos ilude os sentidos; os tolos julgam que ele n√£o √© mais nosso, que n√£o mais nos pertence.
Há a pintura de um cordoeiro no inferno, com um asno a engolir toda a corda feita por ele, à medida que ele a entretece; assim é a multidão acometida e dominada pelo esquecimento insensato e ingrato, que apaga cada acto, cada sucesso, cada experiência aprazível de bem-estar, de camaradagem e de deleite.
O esquecimento n√£o consente √† vida desenvolver-se unitariamente, o passado entretecido com o presente, mas separa o ontem do hoje, como se fossem de diferente subst√Ęncia, e o hoje do amanh√£, como se n√£o fossem o mesmo; transforma toda a ocorr√™ncia em n√£o-ocorr√™ncia.

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Nos Extremos é que Está a Sabedoria

Pode-se dizer que, muito plausivelmente, h√° uma ignor√Ęncia abeced√°ria que precede o saber e uma outra, doutoral, que se lhe segue, ignor√Ęncia esta que o saber produz e engendra da mesma maneira que desfaz e destr√≥i aqueloutra. Dos esp√≠ritos simples, menos curiosos e menos instru√≠dos, fazem-se bons crist√£os, que, por rever√™ncia e obedi√™ncia, com simplicidade, cr√™em e mant√™m-se submissos √†s leis. √Č nos esp√≠ritos de vigor e capacidade m√©dios que se engendram as opini√Ķes err√≥neas, pois eles seguem a apar√™ncia das suas primeiras impress√Ķes e t√™m pretextos para interpretar como simpleza e estult√≠cia o nosso apego aos antigos usos, considerando que n√≥s a√≠ n√£o cheg√°mos por via do estudo dessas mat√©rias.
Os grandes esp√≠ritos, mais avisados e clarividentes, constituem um outro g√©nero de bons crentes: por meio de uma aturada e escrupulosa investiga√ß√£o, penetram nas Escrituras at√© atingir uma luz mais profunda e abstrusa, e entendem o misterioso e divino segredo da nossa pol√≠tica eclesi√°stica. Vemos, por√©m, alguns, com maravilhoso proveito e com consolida√ß√£o da sua f√©, chegarem, atrav√©s do segundo, a este √ļltimo n√≠vel, como o extremo limite da intelig√™ncia crist√£, e rejubilar na sua vit√≥ria com refrig√©rio, ac√ß√Ķes de gra√ßas, reformas dos costumes e grande mod√©stia. N√£o entendo nesta categoria situar aqueloutros que,

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Hábito e Inércia

Ao princípio, somos carne animada pela alma; a meio caminho, meias máquinas; perto do fim, autómatos rígidos e gelados como cadáveres. Quando a morte chega, encontramo-nos em tudo semelhantes aos mortos. Esta petrificação progressiva é obra do hábito.
O hábito torna-nos cegos às maravilhas do mundo Рindiferentes e inconscientes perante os milagres quotidianos -, embota a força dos sentidos e dos sentimentos Рtorna-nos escravos dos costumes, mesmo tristes e culpados: suprime a vista, espanto, fogo e liberdade. Escravos, frígidos, insensatos, cegos: tudo propriedade dos cadáveres. A subjugação aos hábitos é uma subjugação da morte; um suicídio gradual do espírito.
O h√°bito suprime as cores, incrusta, esconde: partes da nossa vida afundam-se gradualmente na inconsci√™ncia e deixam de ser vida para se tornarem pe√ßas de um mecanismo imprevisto. O c√≠rculo do espont√Ęneo reduz-se; a liberdade e novidade decaem na monotonia do vulgar.
√Č como se o sangue se tornasse, a pouco e pouco, s√≥lido como os ossos e a alma um sistema de correias e rodas. A mat√©ria n√£o passa de esp√≠rito petrificado pelos h√°bitos. Nasce-se esp√≠rito e mat√©ria e termina-se apenas como mat√©ria. A casca converteu em madeira a pr√≥pria linfa.
A casca é necessária para proteger o albume,

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Os insensatos, que acreditam serem s√°bios, s√£o inimigos de si mesmos; fazem m√°s ac√ß√Ķes, das quais, por fim, s√≥ colhem frutos amargos.

Não é para Alarde que Devemos Desempenhar o Nosso Papel

Quem só é homem de bem porque os outros o ficarão a saber e porque o estimarão mais depois de o ficarem a saber, quem só quer agir bem na condição da sua virtude chegar ao conhecimento dos homens não é homem de quem possamos obter grandes serviços.
(…) N√£o √© para alarde que a nossa alma deve desempenhar o seu papel; √© dentro de n√≥s, no √≠ntimo, aonde outros olhos n√£o chegam excepto os nossos: ali ela nos protege do temor da morte, das dores e mesmo da desonra; tranquiliza-nos contra a perda dos nossos filhos, dos nossos amigos e das nossas fortunas, e, quando a ocasi√£o se apresenta, tamb√©m nos conduz para os acasos da guerra. N√£o por algum proveito, mas pela honra da pr√≥pria virtude (C√≠cero). Esse proveito √© muito maior e muito mais digno de ser desejado e esperado do que as honras e a gl√≥ria, que s√£o apenas um julgamento favor√°vel que fazem de n√≥s.
√Č preciso seleccionar de uma na√ß√£o inteira uma d√ļzia de homens para julgar sobre uma jeira de terra; e entregamos o julgamento das nossas inclina√ß√Ķes e das nossas ac√ß√Ķes – a mat√©ria mais dif√≠cil e mais importante que existe –

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O Presente Suport√°vel

Todos n√≥s nascemos na Arc√°dia, todos viemos ao mundo cheios de pretens√Ķes de felicidade e prazer, e conservamos a insensata esperan√ßa de faz√™-las valer, at√© ao momento em que o destino nos aferra bruscamente e nos mostra que nada √© nosso, mas tudo √© dele, uma vez que ele det√©m um direito incontest√°vel n√£o apenas sobre as nossas posses e os nossos ganhos, mas tamb√©m sobre os nossos bra√ßos e as nossas pernas, os nossos olhos e os nossos ouvidos, e at√© mesmo sobre o nosso nariz no centro do rosto.
A experi√™ncia vem em seguida e ensina-nos que a felicidade e o prazer n√£o passam de uma quimera, mostrada √† dist√Ęncia por uma ilus√£o, enquanto que o sofrimento e a dor s√£o reais e manifestam-se directamente por si s√≥, sem a necessidade da ilus√£o e da espera. Se o seu ensinamento se mostra frut√≠fero, deixamos de procurar a felicidade e o prazer e passamos a preocupar-nos apenas em fugir ao m√°ximo do sofrimento e da dor.

Reconhecemos que o melhor que o mundo nos pode oferecer é um presente suportável, tranquilo e sem dor; se isso nos é dado, sabemos apreciá-lo e cuidamos bem para não o estragar ansiando sem trégua alegrias imaginárias ou preocupando-nos temerosos com um futuro sempre incerto que,

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Escolher Para Desfrutar

A ang√ļstia invade quer o inquieto, exclusivamente deslumbrado por aquilo que arde com uma luz vaga, quer o poeta cheio de amor pelos poemas que nunca escreveu o seu, quer a mulher apaixonada pelo amor, mas incapaz de devir por n√£o saber escolher. Eles bem sabem que eu os curaria da ang√ļstia se lhes permitisse esse dom que exige sacrif√≠cios e escolha e esquecimento do universo. Porque determinada flor √©, em primeiro lugar, uma ren√ļncia a todas as outras flores. E, no entanto, s√≥ com esta condi√ß√£o √© bela. √Č o que acontece com o objecto da troca. E o insensato, que vem censurar a esta velha o seu bordado, sob o pretexto de que ela poderia ter tecido outra coisa, demonstra com isso que prefere o nada √† cria√ß√£o.

Conduta Apropriada

A maior parte das pessoas deixa-se irritar e exasperar pelos actos de neglig√™ncia, n√£o apenas de parentes e amigos como, inclusive, dos inimigos. Os ralhos, a irascibilidade, a inveja, a malevol√™ncia e o ci√ļme maligno s√£o pr√≥prios, t√£o-somente, das pessoas infectadas por tais pestil√™ncias, que afligem e oprimem gente insensata; brigas de vizinhos, apatia de amigos, mau procedimento de funcion√°rios no desempenho das suas obriga√ß√Ķes, s√£o inst√Ęncias disso. Coloca-te em lugar de destaque na lista das pessoas que abominam semelhante conduta; como os doutores em S√≥focles, que ¬ębile amarga com rem√©dio amargo purgam¬Ľ, exibes indigna√ß√£o e exaspera√ß√£o para fazer parelha com as suas paix√Ķes e destemperos. Isto √© il√≥gico. O neg√≥cio confiado √† tua administra√ß√£o √© realizado, em boa parte, n√£o por pessoas de car√°cter recto e direito, como instrumentos apropriados √† execu√ß√£o de um trabalho, mas por ferramentas tortas e defraudadas. N√£o imagines que seja de tua responsabilidade corrigi-las, ou que tal seja f√°cil de fazer. Mas se as usares de conformidade com o que s√£o, do mesmo modo por que os m√©dicos usam botic√Ķes ou pin√ßas cir√ļrgicas, revestindo-te da calma e da modera√ß√£o exigidas pela situa√ß√£o, o prazer que experimentar√°s com a tua s√°bia conduta ser√° maior do que o teu vexame pela crueza e deprava√ß√£o dos outros.

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A Tua Vida é Agora

Toda a negatividade √© provocada por uma acumula√ß√£o de tempo psicol√≥gico e de recusa do presente. Mal-estar, ansiedade, tens√£o, stress, preocupa√ß√Ķes – todas as formas de medo – s√£o causados por futuro em demasia e insuficiente presen√ßa. Sentimentos de culpa, arrependimento, ressentimento, injusti√ßas, tristeza, amargura e todas as formas de falta de indulg√™ncia s√£o provocados por passado em demasia e insuficiente presen√ßa.
A maioria das pessoas tem dificuldade em acreditar que seja poss√≠vel um estado de consci√™ncia totalmente livre de negatividade. E no entanto √© esse o estado de liberta√ß√£o para o qual todos os ensinamentos espirituais apontam. √Č a promessa de salva√ß√£o, n√£o num futuro ilus√≥rio, mas j√° aqui e agora.

Poder√°s ter dificuldade em admitir que o tempo seja a causa do teu sofrimento ou dos teus problemas. Acreditas que s√£o provocados por situa√ß√Ķes espec√≠ficas na tua vida e, visto de um ponto de vista convencional, isso √© verdade. Mas at√© teres lidado com a disfun√ß√£o b√°sica da mente “que-faz-os-problemas” – o seu apego ao passado e ao futuro e a nega√ß√£o do Agora – os problemas s√£o na verdade permut√°veis. Se todos os teus problemas ou as consideradas causas do sofrimento ou da infelicidade te fossem milagrosamente retirados hoje,

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A Culpa dos Males que nos Acontecem

Em todos os males que nos acontecem, olhamos mais para a intenção do que para o efeito. Uma telha que cai de um telhado pode ferir-nos mais, mas não nos desola tanto como uma pedra atirada de propósito por uma mão maldosa. O golpe, por vezes, falha mas a intenção nunca erra o alvo. A dor física é a que menos se sente nos ataques da sorte e, quando os infortunados não sabem a quem culpar pelas suas infelicidades, culpam o destino, que personificam e ao qual atribuem olhos e uma inteligência disposta a atormentá-los intencionalmente.
√Č o caso de um jogador que, irritado com as suas perdas, se enfurece sem saber contra quem. Imagina que a sorte se encarni√ßa intencionalmente para o atormentar e, encontrando alimento para a sua c√≥lera, excita-se e enfurece-se contra um inimigo que ele pr√≥prio criou. O homem s√°bio, que em todas as infelicidades que lhe acontecem s√≥ v√™ golpes da fatalidade cega, n√£o tem essas agita√ß√Ķes insensatas; grita na sua dor, mas sem exalta√ß√£o, sem c√≥lera; do mal que o atinge s√≥ sente os ataques materiais, e os golpes que recebe podem ferir a sua pessoa, mas nenhum atinge o seu cora√ß√£o.

Uma Boa Conversa

H√° homens que, nas suas conversas, mais desejam dominar pela habilidade de sustentar todos os argumentos do que pelo ju√≠zo, discernindo o que √© verdadeiro do que o n√£o √©; como se houvesse m√©rito em saber o que pode ser dito e n√£o o que deveria ser pensado. Alguns t√™m certos lugares comuns e temas particulares em que brilham, mas falta-lhes variedade; esp√©cie de pobreza que √© geralmente aborrecida e, quando descoberta, rid√≠cula. A parte mais honrosa da conversa consiste em propor novo assunto, e, a seguir, consiste em moder√°-lo para que se transite para outro, como quem dirige o baile. √Č bom no decurso ou nas altera√ß√Ķes da conversa, variar e mesclar com t√≥picos gerais o assunto principal; com discuss√Ķes e narrativas; com refer√™ncia a opini√Ķes as respostas e perguntas; com o jocoso e o s√©rio; porque √© insensato cansar, ou, como agora se diz, esgotar o assunto na conversa.