Passagens sobre Momentos

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Frases sobre momentos, poemas sobre momentos e outras passagens sobre momentos para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Magro, de Olhos azuis, Car√£o Moreno

Magro, de olhos azuis, car√£o moreno,
Bem servido de pés, meão na altura,
Triste de facha, o mesmo de figura,
Nariz alto no meio, e n√£o pequeno;

Incapaz de assistir num só terreno,
Mais propenso ao furor do que à ternura,
Bebendo em níveas mãos por taça escura
De zelos infernais letal veneno;

Devoto incensador de mil deidades
(Digo, de moças mil) num só momento,
E somente no altar amando os frades;

Eis Bocage, em quem luz algum talento;
Saíram dele mesmo estas verdades
Num dia em que se achou mais pachorrento.

Chega um momento em sua vida, que você sabe: Quem é imprescindível para você, quem nunca foi, quem não é mais, quem será sempre!

Nossas vidas s√£o definidas por momentos. Principalmente aqueles que nos pegam de surpresa.

O Eterno é a Própria Vida

Segundo a express√£o de Lavelle, a morte d√° ¬ęa todos os acontecimentos que a precederam esta marca do absoluto que nunca possuiriam se n√£o viessem a interromper-se¬Ľ. O absoluto habita em cada uma das nossas empresas, na medida em que cada uma se realiza de uma vez para sempre e n√£o ser√° nunca recome√ßada. Entra na nossa vida atrav√©s da sua pr√≥pria temporalidade. Assim o eterno torna-se fluido e reflui do fim ao cora√ß√£o da vida. A morte j√° n√£o √© a verdade da vida, a vida j√° n√£o √© a espera do momento em que a nossa ess√™ncia ser√° alterada. O que h√° sempre de incoactivo, de incompleto e de constrangedor no presente n√£o √© j√° um sinal de menor realidade.
Mas ent√£o a verdade de um ser j√° n√£o √© aquilo em que se tornou no fim ou a sua ess√™ncia, mas o seu devir activo ou a sua exist√™ncia. E se, como Lavelle dizia em tempos, nos julgamos mais perto dos mortos que am√°mos do que dos vivos, √© porque j√° nos n√£o p√Ķem em d√ļvida e daqui para o futuro podemos sonh√°-los a nosso gosto. Esta piedade √© quase √≠mpia. A √ļnica recorda√ß√£o que lhes diz respeito √© a que se refere ao uso que faziam de si pr√≥prios e do seu mundo,

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Eu Não Lastimo O Próximo Perigo

Eu não lastimo o próximo perigo,
Uma escura pris√£o, estreita e forte;
Lastimo os caros filhos, a consorte,
A perda irrepar√°vel de um amigo.

A pris√£o n√£o lastimo, outra vez digo,
nem o ver iminente o duro corte,
que é ventura também achar a morte
quando a vida só serve de castigo.

Ah, qu√£o depressa ent√£o acabar vira
este enredo, este sonho, esta quimera,
que passa por verdade e é mentira!

Se filhos, se consorte n√£o tivera
e do amigo as virtudes possuíra,
um momento de vida eu n√£o quisera.

Em rela√ß√£o a todos os atos de iniciativa e de cria√ß√£o, existe uma verdade fundamental cujo desconhecimento mata in√ļmeras ideias e planos espl√™ndidos: √© que no momento em que nos comprometemos definitivamente a Provid√™ncia move-se tamb√©m.

Eu n√£o sou de ningu√©m!… Quem me quiser h√°-de ser luz do Sol em tardes quentes… H√°-de ser Outro e outro num momento! For√ßa viva, brutal, em movimento, astro arrastando catadupas de astros!

Simplicidade e Perseverança

O que pensas que foi a vida dos homens que se conseguiram erguer acima do comum? Um combate cont√≠nuo. Se se tratar de um escritor, para escrever, uma luta contra a pregui√ßa (que ele sente tanto como o homem comum): e isto porque o seu g√©nio quer manifestar-se – e ele n√£o obedece apenas ao desejo v√£o de se tornar c√©lebre, mas ao apelo da sua consci√™ncia. Calem-se portanto os que trabalham com frieza: poder-se-√° imaginar o que √© trabalhar sob a influ√™ncia da inspira√ß√£o? Que medo, que hesita√ß√£o sentimos em despertar esse le√£o adormecido, cujos rugidos fazem estremecer todo o nosso ser! Mas, voltando atr√°s: ser firme, simples e verdadeiro – eis o √ļtil ensinamento de todos os momentos.

Qui√ß√° tenho inimigos de minhas opini√Ķes, mas eu mesmo, se espero um momento, posso ser tamb√©m inimigo de minhas opini√Ķes.

Debaixo Minha Vontade

(Sextina)

Ontem p√īs-se o sol, e a noute
cobriu de sombra esta terra.
Agora é já outro dia,
tudo torna, torna o sol;
só foi a minha vontade
para n√£o tornar co tempo!

Todalas cousas, per tempo,
passam como dia e noute.
Uma só, minha vontade,
n√£o, que a dor comigo a aterra;
nela cuido enquanto h√° sol,
nela em quanto n√£o h√° dia.

Mal quero per um só dia
a todo o outro dia e tempo,
que a mim p√īs-se-me o sol
onde eu só temia a noute;
tenho a mim sobre a terra,
debaixo minha vontade.

Dentro da minha vontade
n√£o h√° momento do dia
que n√£o seja tudo terra;
ora ponho a culpa ao tempo,
ora a torno a p√īr √† noute.
No melhor p√īs-se-me o sol!

Primeiro n√£o haver√° sol
que eu descanse na vontade.
P√īs-se-me uma escura noute
sobre a lembrança de um dia,
inda mal, porque houve tempo
e porque tudo foi terra.

Haver de ser tudo terra
quanto h√° debaixo do sol,

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Pensamos de Mais e Sentimos de Menos

Queremos todos ajudar-nos uns aos outros. Os seres humanos são assim. Queremos viver a felicidade dos outros e não a sua infelicidade. Não queremos odiar nem desprezar ninguém. Neste mundo há lugar para toda a gente. E a boa terra é rica e pode prover às necessidades de todos.
O caminho da vida pode ser livre e belo, mas desvi√°mo-nos do caminho. A cupidez envenenou a alma humana, ergueu no mundo barreiras de √≥dio, fez-nos marchar a passo de ganso para a desgra√ßa e a carnificina. Descobrimos a velocidade, mas prendemo-nos demasiado a ela. A m√°quina que produz a abund√Ęncia empobreceu-nos. A nossa ci√™ncia tornou-nos c√≠nicos; a nossa intelig√™ncia, cru√©is e impiedosos. Pensamos de mais e sentimos de menos. Precisamos mais de humanidade que de m√°quinas. Se temos necessidade de intelig√™ncia, temos ainda mais necessidade de bondade e do√ßura. Sem estas qualidades, a vida ser√° violenta e tudo estar√° perdido.
O avi√£o e a r√°dio aproximaram-nos. A pr√≥pria natureza destes inventos √© um apelo √† fraternidade universal, √† uni√£o de todos. Neste momento, a minha voz alcan√ßa milh√Ķes de pessoas atrav√©s do mundo, milh√Ķes de homens sem esperan√ßa, de mulheres, de crian√ßas, v√≠timas dum sistema que leva os homens a torturar e a prender pessoas inocentes.

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Ode Triunfal

√Ä dolorosa luz das grandes l√Ęmpadas el√©ctricas da f√°brica
Tenho febre e escrevo.
Escrevo rangendo os dentes, fera para a beleza disto,
Para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos.

√ď rodas, √≥ engrenagens, r-r-r-r-r-r-r eterno!
Forte espasmo retido dos maquinismos em f√ļria!
Em f√ļria fora e dentro de mim,
Por todos os meus nervos dissecados fora,
Por todas as papilas fora de tudo com que eu sinto!
Tenho os lábios secos, ó grandes ruídos modernos,
De vos ouvir demasiadamente de perto,
E arde-me a cabeça de vos querer cantar com um excesso
De express√£o de todas as minhas sensa√ß√Ķes,
Com um excesso contempor√Ęneo de v√≥s, √≥ m√°quinas!

Em febre e olhando os motores como a uma Natureza tropical –
Grandes tr√≥picos humanos de ferro e fogo e for√ßa –
Canto, e canto o presente, e também o passado e o futuro,
Porque o presente é todo o passado e todo o futuro
E há Platão e Virgílio dentro das máquinas e das luzes eléctricas
Só porque houve outrora e foram humanos Virgílio e Platão,
E pedaços do Alexandre Magno do século talvez cinquenta,

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Quando você entra em uma situação tensa, e tudo vem contra você até parecer que você não conseguiria aguentar nem mais um minuto sequer, não desista, pois esta é justamente a situação e momento em que a maré irá virar.

Não existe desespero tão absoluto quanto aquele que surge nos primeiros momentos de nosso primeiro grande sofrimento, quando não conhecemos ainda o que é ter sofrido e ser curado, ter se desesperado e recuperado a esperança.

Digo Que Esqueço

Creio que te esqueci… de agora em diante
já não há nada entre nós dois, não há,
– achaste-me orgulhoso e intolerante
e eu te achei menos f√ļtil do que m√°…

Foi um momento s√≥… foi um instante
essa nossa ilus√£o, e hoje, onde est√°
aquele amor inquieto e delirante ?
РBem que pensava: Рé falso! morrerá!

Sinto apenas que tenha te adorado,
e que hoje sofra em v√£o, inutilmente
procurando apagar todo o passado…

Digo que esque√ßo… que n√£o penso em ti!
РMas não te esqueço nunca, e justamente
porque fico a pensar que te esqueci.

Nada é Certo

Ningu√©m avan√ßa pela vida em linha recta. Muitas vezes, n√£o paramos nas esta√ß√Ķes indicadas no hor√°rio. Por vezes, sa√≠mos dos trilhos. Por vezes, perdemo-nos, ou levantamos voo e desaparecemos como p√≥. As viagens mais incr√≠veis fazem-se √†s vezes sem se sair do mesmo lugar. No espa√ßo de alguns minutos, certos indiv√≠duos vivem aquilo que um mortal comum levaria toda a sua vida a viver. Alguns gastam um sem n√ļmero de vidas no decurso da sua estadia c√° em baixo. Alguns crescem como cogumelos, enquanto outros ficam inelut√°velmente para tr√°s, atolados no caminho. Aquilo que, momento a momento, se passa na vida de um homem √© para sempre insond√°vel. √Č absolutamente imposs√≠vel que algu√©m conte a hist√≥ria toda, por muito limitado que seja o fragmento da nossa vida que decidamos tratar.

Excesso de Vol√ļpia

A vol√ļpia carnal √© uma experi√™ncia dos sentidos, an√°loga ao simples olhar ou √† simples sensa√ß√£o com que um belo fruto enche a l√≠ngua. √Č uma grande experi√™ncia sem fim que nos √© dada; um conhecimento do mundo, a plenitude e o esplendor de todo o saber. O mal n√£o √© que n√≥s a aceitemos; o mal consiste em quase todos abusarem dessa experi√™ncia, malbaratando-a, fazendo dela um mero est√≠mulo para os momentos cansados da sua exist√™ncia.

Lembre-se não só de dizer a coisa certa no lugar certo, mas ainda muito mais difícil, de não dizer a coisa errada no momento de tentação.