Passagens sobre Resistência

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Frases sobre resist√™ncia, poemas sobre resist√™ncia e outras passagens sobre resist√™ncia para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Será que alguém pensa genuinamente que se não conseguiu algo foi por não ter tido o talento, a força, a resistência e a determinação nesse sentido?

XCVIII

Destes penhascos fez a natureza
O berço, em que nasci! oh quem cuidara,
Que entre penhas t√£o duras se criara
Uma alma terna, um peito sem dureza!

Amor, que vence os tigre por empresa
Tomou logo render-me; ele declara
Contra o meu coração guerra tão rara,
Que n√£o me foi bastante a fortaleza.

Por mais que eu mesmo conhecesse o dano,
A que dava ocasi√£o minha brandura,
Nunca pude fugir ao cego engano:

Vós, que ostentais a condição mais dura,
Temei, penhas, temei; que Amor tirano,
Onde há mais resistência, mais se apura.

A Promiscuidade Tira a Vontade

O que √© a experi√™ncia? Nada. √Č o n√ļmero dos donos que se teve. Cada amante √© uma coronhada. S√£o mais mil no conta-quil√≥metros. A experi√™ncia √© uma coisa que amarga e atrapalha. N√£o √© um motivo de orgulho. √Č uma coisa que se desculpa. A experi√™ncia √© um erro repetido e re-repetido at√© √† exaust√£o. Se √© dif√≠cil amar um enganador, mais dif√≠cil ainda √© amar um enganado.
Desengane-se de vez a rapaziada. Nenhuma mulher gosta de um homem ¬ęexperiente¬Ľ. O n√ļmero de amantes anteriores √© uma coisa que faz um bocadinho de nojo e um bocadinho de ci√ļme. O pudor que se exige √†s mulheres n√£o √© um conceito ultrapassado ‚ÄĒ √© uma excelente ideia. S√≥ que tamb√©m se devia aplicar aos homens. O pudor valoriza. 0 sexo √© uma coisa trivial. √Č por isso que temos de torn√°-lo especial. Ir para a cama com toda a gente √© pouco higi√©nico e dispersa as energias. Os seres castos, que se reprimem e se guardam, tornam-se tigres quando se libertam. E s√≥ se libertam quando vale a pena. A castidade √© que √© ¬ęsexy¬Ľ. Nos homens como nas mulheres. A promiscuidade tira a vontade.
Uma mulher gosta de conquistar n√£o o homem que j√° todas conquistaram,

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Vive Plenamente

Vê se consegues apanhar-te a lamentar-te, quer por palavras quer por pensamentos, por causa de determinada situação em que te encontres, do que as outras pessoas fazem ou dizem, do teu meio envolvente, da situação da tua vida, ou até mesmo por causa do tempo. Uma lamentação é sempre uma não aceitação daquilo que é. E traz invariavelmente consigo uma carga negativa inconsciente. Quando te lamentas, tu próprio te fazes de vítima. Quando elevas a voz, estás no teu poder. Por isso muda a situação tomando providências, levantando a voz se for necessário ou possível; deixa a situação ou aceita-a. Tudo o mais é loucura.

De certa forma, a inconsci√™ncia ordin√°ria est√° sempre ligada √† recusa do Agora. O Agora, evidentemente, tamb√©m significa o aqui. Est√°s a resistir ao teu aqui e agora? H√° pessoas que s√≥ est√£o bem onde n√£o est√£o. O seu “aqui” nunca √© suficientemente bom. Atrav√©s da auto-observa√ß√£o, v√™ se √© esse o teu caso. Estejas onde estiveres, est√° l√° plenamente. Se achares que o teu aqui e agora √© intoler√°vel e te deixa infeliz, tens tr√™s op√ß√Ķes √† escolha: ou te retiras da situa√ß√£o, ou a mudas, ou a aceitas totalmente. Se quiseres tomar a responsabilidade pela tua vida,

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Todos Nós Hoje Nos Desabituamos do Trabalho de Verificar

Todos n√≥s hoje nos desabituamos, ou antes nos desembara√ßamos alegremente, do penoso trabalho de verificar. √Č com impress√Ķes flu√≠das que formamos as nossas maci√ßas conclus√Ķes. Para julgar em Pol√≠tica o facto mais complexo, largamente nos contentamos com um boato, mal escutado a uma esquina, numa manh√£ de vento. Para apreciar em Literatura o livro mais profundo, atulhado de ideias novas, que o amor de extensos anos fortemente encadeou‚ÄĒapenas nos basta folhear aqui e al√©m uma p√°gina, atrav√©s do fumo escurecedor do charuto. Principalmente para condenar, a nossa ligeireza √© fulminante. Com que soberana facilidade declaramos‚ÄĒ¬ęEste √© uma besta! Aquele √© um maroto!¬Ľ Para proclamar‚ÄĒ¬ę√Č um g√©nio!¬Ľ ou ¬ę√Č um santo!¬Ľ of erecemos uma resist√™ncia mais considerada. Mas ainda assim, quando uma boa digest√£o ou a macia luz dum c√©u de Maio nos inclinam √† benevol√™ncia, tamb√©m concedemos bizarramente, e s√≥ com lan√ßar um olhar distra√≠do sobre o eleito, a coroa ou a aur√©ola, e a√≠ empurramos para a popularidade um magan√£o enfeitado de louros ou nimbado de raios. Assim passamos o nosso bendito dia a estampar r√≥tulos definitivos no dorso dos homens e das coisas. N√£o h√° ac√ß√£o individual ou colectiva, personalidade ou obra humana, sobre que n√£o estejamos prontos a promulgar rotundamente uma opini√£o bojuda E a opini√£o tem sempre,

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Ama e Ama-te

Sempre que nos dedicamos com a melhor das inten√ß√Ķes, e incondicionalmente, a algo ou algu√©m fazemo-lo e dizemo-lo com amor. Esta palavra, assim como outras bem semelhantes como ¬ęamo-me¬Ľ ou ¬ęamo-te¬Ľ, deviam andar nas bocas de todo o mundo. Mas n√£o, muitos consideram-na demasiado valiosa, pesada e pr√≥pria para poucas ocasi√Ķes e, ent√£o, raramente a dizem e, creio eu, um dia deixar√£o de diz√™-la. 0 amor √© o tesouro mais importante do mundo, √© a mais alta dimens√£o do homem e a maior equa√ß√£o entre alma, o corpo e a mente, no entanto, √© t√£o simples encontra-lo como ver sair √°gua cristalina de uma torneira aberta. √Č de todos e para todos, como tal, n√£o se compreende tamanha resist√™ncia √† sua utiliza√ß√£o. Tudo o que amamos e todos os que amamos, onde devemos estar inclu√≠dos, devem estar ao corrente do nosso amor, n√£o uma, n√£o duas nem tr√™s vezes, mas sempre que o sentirmos. Quanto mais verbalizarmos o amor, mais espa√ßo encontramos em n√≥s para amar. Ama e ama-te. D√° voz ao que sentes.

A Facilidade é Aborrecida em Tudo

O estimarem-se as coisas que n√£o t√™m valor, √© o mesmo que faz√™-las estim√°veis: o que se busca com √Ęnsia, n√£o √© o que se d√°, mas o que se nega; o que se permite aborrece, o que se recusa, atrai: o amor n√£o tem seta mais aguda, que aquela que se armou de proibi√ß√£o; no tomar, parece que h√° mais gentileza, que no aceitar; a dificuldade incita: muitas coisas n√£o t√™m outro merecimento, que o serem dificultosas; a resist√™ncia √© o que move a vontade; tudo o que se concede, √© sem sabor; a impugna√ß√£o faz a coisa consider√°vel, porque lhe d√° um ar de empresa, e de vit√≥ria: os mais altos montes s√£o os que se admiram, s√≥ porque custam a subir; a facilidade √© aborrecida em tudo; o lustre do argumento vem da contradi√ß√£o.

Mediocridade de Espírito

O nosso m√°ximo esfor√ßo de independ√™ncia consiste em opor, por vezes, um pouco de resist√™ncia √†s sugest√Ķes quotidianas. A grande massa humana nenhuma resist√™ncia op√Ķe e segue as cren√ßas, as opini√Ķes e os preconceitos do seu grupo. Ela obedece-lhe sem ter mais consci√™ncia do que a folha seca arrastada pelo vento.
S√≥ numa elite muito restrita se observa a faculdade de possuir, algumas vezes, opini√Ķes pessoais. Todos os progressos da civiliza√ß√£o procedem, evidentemente, desses esp√≠ritos superiores, mas n√£o se pode desejar a sua multiplica√ß√£o sucessiva. Inapta a adaptar-se imediatamente a progressos r√°pidos e profundos em demasia, uma sociedade tornar-se-ia logo an√°rquica. A estabilidade necess√°ria √† sua exist√™ncia √© precisamente estabelecida gra√ßas ao grupo compacto dos esp√≠ritos lentos e med√≠ocres, governados por influ√™ncias de tradi√ß√Ķes e de meio.
√Č, portanto, √ļtil para uma sociedade que ela se componha de uma maioria de homens m√©dios, desejosos de agir como toda a gente, que t√™m por guias as opini√Ķes e as cren√ßas gerais. √Č muito √ļtil tamb√©m que as opini√Ķes gerais sejam pouco tolerantes, pois o medo do ju√≠zo alheio constitui uma das bases mais seguras da nossa moral.
A mediocridade de espírito pode, pois, ser benéfica para um povo,

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Briga

Brigar é simples.
Chame-se covarde ao contendor.
Ele olhe nos olhos e:
‚ÄĒ Repete.
Repita-se: ‚ÄĒ Covarde.
Ent√£o ele recite, resoluto:
‚ÄĒ Puta que pariu.
‚ÄĒ A sua, fio da puta.

Cessem as palavras. Bofet√£o.
Articulem-se os dois no braço a braço.
Soco de l√° soco de c√°
pontapé calço rasteira
unha, dente, sérios, aplicados
na honra de lutar:
um corpo só de dois que se embolaram.

Dure o tempo que durar
a resistência de um.
N√£o desdoura apanhar, mas que se cumpra
a lei da briga, simples.

Ordena Amor que Morra, e Pene Juntamente

Como fizeste, ó Porcia, tal ferida?
Foi voluntária, ou foi por inocência?
√Č que Amor fazer s√≥ quis experi√™ncia
Se podia eu sofrer, tirar-me a vida?

E com teu próprio sangue te convida
A que faças à morte resistência?
√Č que costume fa√ßo da paci√™ncia,
Porque o temor morrer me n√£o impida.

Pois porque est√°s comendo com fogo ardente,
Se a ferro te costumas? √Č que ordena
Amor que morra, e pene juntamente.

E tens a dor do ferro por pequena?
Si, que a dor costumada n√£o se sente,
E n√£o quero eu a morte sem a pena.

Vírgula

Eu menino às onze horas e trinta minutos
a procurar o dia em que n√£o te fale
feito de resist√™ncias e amea√ßas ‚ÄĒ Este mundo
compreende tanto no meio em que vive
tanto no que devemos pensar.

A experiência o contrário da raiz originária aliás
demasiado formal para que se possa acreditar
no mais rigoroso sentido da palavra.

Tanta metafísica eu e tu
que j√° n√£o acreditamos como antes
diferentes daquilo que entendem os filósofos
‚ÄĒ constitui uma realidade
que não consegue dominar (nem ele próprio)
as forças primitivas
quando já se tem pretendido ordens à vida humana
em conflito com outras surge agora
a necessidade dos O√°sis Perdidos.

E vistas assim as coisas fragmentariamente é certo
e a custo na imensid√£o da desordem
a que ter√£o de ser constantemente arrancadas
‚ÄĒ s√£o da m√°xima import√Ęncia as Velhas Concep√ß√Ķes pois
a cada momento corremos grandes riscos
desconcertantes e de sinistra estranheza.

Resulta isto dum olhar r√°pido sobre a cidade desconhecida.
E abstraindo dos versos que neste poema se referem ao mundo humano
vemos que ninguém até hoje se apossou do homem
como o frágil véu que nos separa vedados e proibidos.

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A Força da Vontade

Tudo vence uma vontade obstinada, todos os obst√°culos abate o homem que integrou na sua vida o fim a atingir e que est√° disposto a todos os sacrif√≠cios para cumprir a miss√£o que a si pr√≥prio se imp√īs. Atento ao mundo exterior, para que n√£o falte nenhuma oportunidade de p√īr em pr√°tica o pensamento que o anima, n√£o deixa que ele o distraia da tens√£o interna que lhe h√°-de dar a vit√≥ria; tem os dotes do pol√≠tico e os dotes do artista, quer modelar o mundo segundo o esquema que ideou. N√£o se trata, claro, de um triunfo pessoal; em hist√≥ria da cultura n√£o h√° triunfos pessoais; ou a vontade √© pura e generosa, nitidamente orientada ao bem geral, ou mais cedo, mais tarde, se h√°-de quebrar contra vontades de progresso mais fortes que ela. Que o querer tenha sua origem e seu apoio em cora√ß√£o aberto √† nobreza, √† beleza e √† justi√ßa; de outro modo √© apenas gume fino e duro de faca; por isso mesmo fr√°gil, na sua aparente penetra√ß√£o e resist√™ncia. Vontade inteligente, e n√£o manhosa, altru√≠sta, e n√£o virada ao sujeito, pedag√≥gica, e n√£o sedenta de dom√≠nio; a esta pertencem os s√©culos por vir: √© a voz a que surgem;

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Epígrafe

De palavras n√£o sei. Apenas tento
desvendar o seu lento movimento
quando passam ao longo do que invento
como pre-feitos blocos de cimento.

De palavras n√£o sei. Apenas quero
retomar-lhes o peso a consistência
e com elas erguer a fogo e ferro
um palácio de força e resistência.

De palavras n√£o sei. Por isso canto
em cada uma apenas outro tanto
do que sinto por dentro quando as digo.

Palavra que me lavra. Alfaia escrava.
De mim próprio matéria bruta e brava
– express√£o da multid√£o que est√° comigo.

√Č mais dif√≠cil deixar-se olhar por Deus que olhar Deus.

√Č mais dif√≠cil deixar-se encontrar por Deus que encontr√°-Lo, porque h√° sempre uma resist√™ncia em n√≥s.

E ele espera-nos, Ele olha-nos, Ele procura-nos sempre.

A luta contra o mal √© dura e longa, requer paci√™ncia e resist√™ncia. √Č assim: √© uma luta a levar por diante todos os dias, mas Deus √© o nosso aliado, a f√© n’Ele √© a nossa for√ßa e a ora√ß√£o √© a express√£o desta f√©.

Lucidez sem Ignor√Ęncia nem Sobranceria

Possivelmente n√£o √© sem raz√£o que atribu√≠mos √† ingenuidade e ignor√Ęncia a facilidade de crer e de se deixar persuadir: pois parece-me haver aprendido outrora que a cren√ßa era como uma impress√£o que se fazia na nossa alma; e, na medida em que esta se encontrava mais mole e com menor resist√™ncia, era mais f√°cil imprimir-lhe algo. Assim como, necessariamente, os pesos que nele colocamos fazem pender o prato da balan√ßa, assim a evid√™ncia arrasta a mente (C√≠cero). Quanto mais vazia e sem contrapeso est√° a alma, mais facilmente ela cede sob a carga da primeira persuas√£o. Eis porque as crian√ßas, o vulgo, (…) e os doentes est√£o mais sujeitos a ser conduzidos pelas orelhas (ou seja, pelo que ouvem). Mas tamb√©m, por outro lado, √© uma tola presun√ß√£o ir desdenhando e condenando como falso o que n√£o nos parece veross√≠mil; esse √© um v√≠cio habitual nos que pensam ter algum discernimento al√©m do comum. Outrora eu agia assim, e, se ouvia falar de esp√≠ritos que retornam, ou do progn√≥stico das coisas futuras, de encantamentos, de feiti√ßarias, ou contarem alguma outra hist√≥ria que eu n√£o conseguisse compreender, vinha-me compaix√£o pelo pobre povo logrado por essas loucuras. Mas actualmente acho que eu pr√≥prio era no m√≠nimo igualmente digno de pena;

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Seleccionei para Ti

Seleccionei para ti
esta manh√£ de setembro
à margem dela
trabalho
para que
em canto e glória
sejas o centro unit√°rio
no corpo dessa elegia
relacionei coisas mi√ļdas
que possam complementar
o equilíbrio das formas
que te transitam eleita
na exaltação de meu sonho
e dentro desse equilíbrio
um n√ļcleo de resist√™ncia
feito uma flor
uma fonte
que se iluminam feridas
de uma incidência de luz
o pouso breve de um p√°ssaro
que em vigil√Ęncia
nos olhos
preserva o voo completo
a m√ļsica radical
do teu contexto moreno
a fala que n√£o se escuta
na fundação dos abraços
evocação do momento
que defrontou
por acaso
a minha
e a tua vida
erguido o painel de espaço
és madrugada no dia
e retomada no tempo
és unidade centrada
compondo a mesma harmonia
assim usei tua ausência
num pressuposto de esquema
buscando tua presença
sobre alicerces de um poema