Passagens sobre Lugares

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Frases sobre lugares, poemas sobre lugares e outras passagens sobre lugares para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Conhecer-se a Si Próprio

Conhece-te a ti pr√≥prio – eis o que √© dif√≠cil. Ainda posso conhecer os outros, mas a mim mesmo n√£o consigo conhecer-me. Um fio – instintos e um fantasma… Dos outros fa√ßo ideia mais ou menos aproximada, de mim n√£o fa√ßo ideia nenhuma.
H√° uma disparidade entre mim e mim. H√° em mim o homem correcto, o homem igual a todos os homens – e o homem que l√° dentro sonha, grita e √© capaz, por insignific√Ęncias, de imaginar um terramoto ou de desejar uma cat√°strofe. O que eu me tenho desfeito dos meus inimigos – o que √© razo√°vel – mas dos meus amigos que me fazem sombra!…
O meu verdadeiro ser n√£o √© aquele que compus, recalcando l√° para o fundo os instintos e as paix√Ķes; o meu verdadeiro ser √© uma √°rvore desgrenhada – √© o fantasma que nos momentos de exalta√ß√£o me leva a rasto para actos que reprovo. S√≥ a custo o contenho. Parece que est√° morto, e est√° mais vivo que o histri√£o que represento. Asseguro este simulcaro at√© √† cova com os h√°bitos de compress√£o que adquiri. N√£o sei se a maior parte dos homens √© assim – eu sou assim: sou um fantasma desesperado.

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Sonho

Numa casa de vidro te sonhei.
Numa casa de vidro me esperavas.
Num poço ou num cristal me debrucei.
Só no teu rosto a morte me alcançava.

De quem a morte, por terror de mim?
De quem o infinito que faltava?
Numa casa de vidro vi meu fim.
Numa casa de vidro me esperavas.

Numa casa de vidro as persianas
desciam lentamente e em seu lugar
a noite abria o escuro das entranhas
e o teu rosto morria devagar.

Numa casa de vidro te sonhei.
Numa casa de vidro me esperavas.
Fiz do teu corpo sonho e n√£o olhei
nas palavras a morte que guardavas.

Descemos devagar as persianas,
deix√°mos que o amor nos corroesse
o íntimo da casa e as estranhas
cerimónias do dia que adoece.

Numa casa de vidro. Num espelho.
Na memória, por vezes amargura,
por vezes riso falso de t√£o velho,
cantar da sombra sobre a selva escura.

Numa casa de vidro te sonhei.
No vazio dessa casa me esperavas.

O Homem de Car√°cter

Os homens de car√°cter s√£o a consci√™ncia da sociedade a que pertencem. A medida natural dessa for√ßa √© a resist√™ncia √†s circunst√Ęncias. Os homens impuros julgam a vida pela vers√£o reflectida nas opini√Ķes, nos acontecimentos e nas pessoas. N√£o s√£o capazes de prever a ac√ß√£o at√© que ela se concretize. Todavia, o elemento moral da ac√ß√£o preexistia no autor e a sua qualidade, boa ou m√°, era de f√°cil predi√ß√£o. Tudo na natureza √© bipolar, ou tem um p√≥lo positivo e um p√≥lo negativo. H√° um macho e uma f√™mea, um esp√≠rito e um facto, um norte e um sul. O esp√≠rito √© o positivo, o facto √© o negativo. A vontade √© o norte, a ac√ß√£o √© o p√≥lo sul. O car√°cter pode ser classificado como tendo o seu lugar natural no norte. Distribui as correntes magn√©ticas do sistema. Os esp√≠ritos fracos s√£o atra√≠dos para o p√≥lo sul, ou p√≥lo negativo. S√≥ v√™em na ac√ß√£o o lucro, ou o preju√≠zo que podem encerrar.

Não podem vislumbrar um princípio, a não ser que este se abrigue noutra pessoa. Não desejam ser amáveis mas amados. Os de carácter gostam de ouvir falar dos seus defeitos; aos outros aborrecem as faltas;

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Em qualquer lugar, em qualquer circunst√Ęncia, do jeito que estivermos, por fora e por dentro de n√≥s mesmos, Jesus nos aceitar√° na condi√ß√£o de seus cooperadores na obra do Evangelho.

Se nós dermos a nossa maior riqueza a um ser que amamos com todo o nosso coração, se conseguirmos fazer isso sem esperar nada de volta, então o mundo iria tornar-se um lugar maravilhoso.

O Livre Arbítrio

Um homem é dotado de livre arbítrio e de três maneiras: em primeiro lugar, era livre quando quis esta vida; agora não pode evidentemente rescindi-la, pois ele não é o que a queria outrora, excepto na medida em que completa a sua vontade de outrora, vivendo.
Em segundo lugar, é livre pelo facto de poder escolher o caminho desta vida e a maneira de o percorrer.
Em terceiro lugar, √© livre pelo facto de na qualidade daquele que vier a ser de novo um dia, ter a vontade de se deixar ir custe o que custar atrav√©s da vida e de chegar assim a ele pr√≥prio e isso por um caminho que pode sem d√ļvida escolher, mas que, em todo o caso, forma um labirinto t√£o complicado que toca nos menores recantos desta vida.
São esses os tês aspectos do livre arbítrio que, por se oferecerem todos ao mesmo tempo formam apenas um e de tal modo que não há lugar para um arbítrio, quer seja livre ou servo.

Amo-te no Intenso Tr√°fego

Amo-te no intenso tr√°fego
Com toda a poluição no sangue.
Exponho-te a vontade
O lugar que só respira na tua boca
√ď verbo que amo como a pron√ļncia
Da m√£e, do amigo, do poema
Em pensamento.
Com todas as ideias da minha cabeça ponho-me no silêncio
Dos teus l√°bios.
Molda-me a partir do céu da tua boca
Porque pressinto que posso ouvir-te
No firmamento.

O Egoísmo do Homem das Cidades

A mis√©ria parece uma secre√ß√£o do progresso, da civiliza√ß√£o. N√£o √© nos campos (at√© em plena crise), onde a vida √© simples e sem ambi√ß√Ķes, que a mis√©ria se torna aflitiva, dram√°tica. A sua trag√©dia sem rem√©dio desenvolve-se antes nas cidades, nas grandes capitais, tanto mais insens√≠veis e duras quanto mais civilizadas. A mecaniza√ß√£o, o automatismo do progresso que transforma os homens em m√°quinas, isolam-no brutalmente substituindo os seus gestos e impulsos afectivos por complicadas e frias engrenagens. O homem das cidades, modelado, esculpido na pr√≥pria luta com os outros que lhe disputam o seu lugar ao sol, √© talvez, sem reparar, a encarna√ß√£o do pr√≥prio ego√≠smo.

Pensamos de Mais e Sentimos de Menos

Queremos todos ajudar-nos uns aos outros. Os seres humanos são assim. Queremos viver a felicidade dos outros e não a sua infelicidade. Não queremos odiar nem desprezar ninguém. Neste mundo há lugar para toda a gente. E a boa terra é rica e pode prover às necessidades de todos.
O caminho da vida pode ser livre e belo, mas desvi√°mo-nos do caminho. A cupidez envenenou a alma humana, ergueu no mundo barreiras de √≥dio, fez-nos marchar a passo de ganso para a desgra√ßa e a carnificina. Descobrimos a velocidade, mas prendemo-nos demasiado a ela. A m√°quina que produz a abund√Ęncia empobreceu-nos. A nossa ci√™ncia tornou-nos c√≠nicos; a nossa intelig√™ncia, cru√©is e impiedosos. Pensamos de mais e sentimos de menos. Precisamos mais de humanidade que de m√°quinas. Se temos necessidade de intelig√™ncia, temos ainda mais necessidade de bondade e do√ßura. Sem estas qualidades, a vida ser√° violenta e tudo estar√° perdido.
O avi√£o e a r√°dio aproximaram-nos. A pr√≥pria natureza destes inventos √© um apelo √† fraternidade universal, √† uni√£o de todos. Neste momento, a minha voz alcan√ßa milh√Ķes de pessoas atrav√©s do mundo, milh√Ķes de homens sem esperan√ßa, de mulheres, de crian√ßas, v√≠timas dum sistema que leva os homens a torturar e a prender pessoas inocentes.

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A Profundidade do Ser

E de vez em quando descer √† gravidade de mim, √† profundidade do meu ser. E verificar ent√£o que tudo se transfigura. Que √© que significa este garatujar quase gratuito, este riso superficial, todo este modo de ser menor? A melancolia profunda, t√£o de dentro que ela se iguala √† alegria sem medida. Espa√ßo rarefeito de n√≥s, √© o lugar da grandeza do homem, do que √© nele fundamental, o lugar do aparecimento de Deus. Mas Deus n√£o me aparece – aparece apenas a inunda√ß√£o que me vem da infinita beatitude, da grandeza e do assombro. N√≥s vivemos habitualmente √† superf√≠cie de n√≥s, ligados ao que √© da vida imediata, enredados nas mil futilidades com que se nos enchem os dias. Mas de vez em quando, o abismo da natureza, um livro ou uma m√ļsica que dos abismos vem, abre-nos aos p√©s um precip√≠cio hiante e tudo se dilui num sentir que est√° antes e abaixo e mais longe que esse tudo. H√° uma harmonia que em n√≥s espera por um som, um acorde, uma palavra, para imediatamente se organizar e envolver-nos. E a√≠ somos verdade para a infinidade dos s√©culos.

Não se drogue por não ser capaz de suportar sua própria dor. Eu estive em todos os lugares e só me encontrei em mim mesmo.

A Minha Saudade Tem o Mar Aprisionado

A minha saudade tem o mar aprisionado
na sua teia de datas e lugares.
√Č uma mat√©ria vibr√°til e nost√°lgica
que n√£o consigo tocar sem receio,
porque queima os dedos,
porque fere os l√°bios,
porque dilacera os olhos.
E não me venham dizer que é inocente,
passiva e benigna porque n√£o posso acreditar.
A minha saudade tem mulheres
agarradas ao pescoço dos que partem,
crianças a brincarem nos passeios,
amantes ocultando-se nas sebes,
soldados execrando guerras.
Pode ser uma casa ou uma rede
das que n√£o prendem p√°ssaros nem peixes,
das que têm malhas largas
para deixar passar o vento e a pressa
das ondas no corpo da areia.
Seria hipócrita se dissesse
que esta saudade não me vem à boca
com o sabor a fogo das coisas incumpridas.
Imagino-a distante e extinta, e contudo
cresce em mim como um dist√ļrbio da paix√£o.