Passagens sobre Exterior

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O Homem de Ideias

N√£o √© l√≠cito dizer que tem ideias aquele que as foi buscar a outro, que envergou um sistema j√° pronto, que n√£o o construiu ele mesmo a pouco e pouco, √† medida que se ia alargando e aprofundando a sua vis√£o do mundo; para ¬ęter ideias¬Ľ √© necess√°rio um trabalho de autoforma√ß√£o, de modela√ß√£o cont√≠nua da alma, uma assimila√ß√£o que n√£o cessa de tudo o que uma determinada personalidade encontra de assimil√°vel no que a cerca, ou passado ou presente; a ideia surge da vida pr√≥pria e n√£o da vida dos outros; o homem que tem individualidade (√© muito dif√≠cil ser indiv√≠duo), ou a busca, pode inserir no seu pensamento fragmentos de pensamento alheio, mas apenas insere aqueles que, como algarismos num n√ļmero, mudam de valor conforme a posi√ß√£o; inventa uma coluna vertebral que s√≥ a ele pertence e caracteriza, depois procura o que se lhe pode adaptar sem desarmonia nem contradi√ß√£o.
Faz como o caracol que se não instala na concha de outro caracol; fabrica-a e aumenta-a ao mesmo ritmo que se fabrica e aumenta o corpo que a enche; os Eremitas são bichos traiçoeiros. Aprender ideias não tem valor senão quando nos serve para formar ideias; se apenas as queremos usar não merecemos nem a confiança nem a consideração de ninguém;

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O Saber Ajuda em Todas as Actividades

O mero fil√≥sofo √© geralmente uma personalidade pouco admis¬≠s√≠vel no mundo, pois sup√Ķe-se que ele em nada contribui para o be¬≠nef√≠cio ou para o prazer da sociedade, porquanto vive distante de toda comunica√ß√£o com os homens e envolto em princ√≠pios e no√ß√Ķes igualmente distantes de sua compreens√£o. Por outro lado, o mero ig¬≠norante √© ainda mais desprezado, pois n√£o h√° sinal mais seguro de um esp√≠rito grosseiro, numa √©poca e uma na√ß√£o em que as ci√™ncias florescem, do que permanecer inteiramente destitu√≠do de toda esp√©cie de gosto por estes nobres entretenimentos. Sup√Ķe-se que o car√°cter mais perfeito se encontra entre estes dois extremos: conserva igual capacidade e gosto para os livros, para a sociedade e para os neg√≥cios; mant√©m na conversa√ß√£o discernimento e delicadeza que nascem da cultura liter√°ria; nos neg√≥cios, a probidade e a exatid√£o que resultam naturalmente de uma filosofia conveniente. Para difundir e cultivar um car√°cter t√£o aperfei√ßoado, nada pode ser mais √ļtil do que as com¬≠posi√ß√Ķes de estilo e modalidade f√°ceis, que n√£o se afastam em demasia da vida, que n√£o requerem, para ser compreendidas, profunda apli¬≠ca√ß√£o ou retraimento e que devolvem o estudante para o meio de homens plenos de nobres sentimentos e de s√°bios preceitos,

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O Caminho para o Sucesso é Incompreendido pelos Outros

Se desejas ser bem sucedido, resigna-te, caro, face √†s coisas exteriores, por passar por insensato ou mesmo por tolo. Mesmo que saibas, n√£o mostres qualquer saber; e se alguns te consideram algu√©m, desafia-te a ti pr√≥prio e desconfia de ti. Que saibas sempre, na verdade, que n√£o √© f√°cil de preservar a vontade em conformidade com a natureza, pois que, simultaneamente, sempre nos inquietamos com as solicita√ß√Ķes do exterior.
Ora que fazer? S√≥ uma regra necess√°ria se imp√Ķe: quando nos ocupamos da vontade tendo a natureza por fundo (e nossa √≠ntima inten√ß√£o) s√≥ a uma coisa nos podemos obrigar – evitar qualquer desvio daquele nosso primeiro prop√≥sito.

Uma Vida Exterior Simples e Modesta Só Pode Fazer Bem

Uma vida exterior simples e modesta s√≥ pode fazer bem, tanto ao corpo como ao esp√≠rito. N√£o creio de modo algum na liberdade do ser humano, no sentido filos√≥fico. Cada um age n√£o s√≥ sob press√£o exterior como tamb√©m de acordo com a sua necessidade interior. O pensamento de Schopenhauer: ¬ęO homem pode, na verdade, fazer o que quiser, mas n√£o pode querer o que quer¬Ľ, impressionou-me vivamente desde a juventude e tem sido para mim um consolo constante e uma fonte inesgot√°vel de toler√Ęncia. Esse conhecimento suaviza ben√©ficamente o sentimento de responsabilidade levemente inibit√≥rio e faz com que n√£o tomemos demasiado a s√©rio, para n√≥s e para os outros, uma concep√ß√£o de vida que justifica de modo especial a exist√™ncia do humor.
Do ponto de vista objectivo, pareceu-me sempre desprovido de senso querer-se indagar sobre o sentido ou a finalidade da própria existência ou da existência da criação. E, no entanto, cada homem tem certos ideais, que o orientam nos seus esforços e juízos. Neste sentido o bem-estar e a felicidade nunca me pareceram um fim em si (chamo a esta base ética o ideal da vara de porcos). Os ideais que me iluminavam e me encheram incessantemente de alegre coragem de viver foram sempre a bondade,

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Como a Aparência se Torna Ser

O actor acaba por n√£o deixar de pensar na impress√£o causada pela sua pessoa e no efeito c√©nico total, at√© por ocasi√£o da mais profunda m√°goa, por exemplo, mesmo no enterro do seu filho; chorar√° ante o seu pr√≥prio desgosto e respectivas exterioriza√ß√Ķes como sendo o seu pr√≥prio espectador. O hip√≥crita, que desempenha sempre um mesmo papel, acaba por deixar de ser hip√≥crita; por exemplo, sacerdotes, que, enquanto homens novos, s√£o habitualmente, de modo consciente ou inconsciente, hip√≥critas, por fim tornam-se naturais e s√£o, ent√£o, realmente, sem qualquer simula√ß√£o, mesmo sacerdotes; ou se o pai n√£o consegue l√° chegar, ent√£o, talvez, o filho, que se serve do avan√ßo do pai e herda a sua habitua√ß√£o. Se uma pessoa quiser, durante muito tempo e persistentemente, parecer alguma coisa, consegue-o pois acaba por se lhe tornar dif√≠cil ser qualquer outra coisa. A profiss√£o de quase toda a gente, at√© do artista, come√ßa com hipocrisia, com uma imita√ß√£o a partir do exterior, com um copiar de aquilo que √© eficaz. Aquele, que traz sempre a m√°scara das express√Ķes fision√≥micas amistosas, tem de acabar por adquirir poder sobre as disposi√ß√Ķes an√≠micas ben√©volas, sem as quais n√£o √© poss√≠vel for√ßar a express√£o da afabilidade –

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O Tipo de Homem que Eu Sou

Agora é necessário que eu deva dizer que tipo de homem sou. O meu nome não importa, nem qualquer outro pormenor exterior particular acerca de mim. Do meu carácter alguma coisa deve ser dita.

Toda a constitui√ß√£o do meu esp√≠rito √© de hesita√ß√£o e d√ļvida. Nada √© ou pode ser positivo para mim, todas as coisas oscilam em torno de mim, e eu com elas, uma incerteza para mim pr√≥prio. Tudo para mim √© incoer√™ncia e mudan√ßa. Tudo √© mist√©rio e tudo √© significado. Todas as coisas s√£o ¬ędesconhecidos¬Ľ simb√≥licos do Desconhecido. Consequentemente horror, mist√©rio, medo supra-inteligente.

Pelas minhas próprias tendências naturais, pelo enquadramento da minha juventude, pela influência dos estudos realizados sob o impulso delas (dessas mesmas tendências), por tudo isso eu sou das espécies internas de caráter, auto-centrado, mudo, não auto-suficiente mas auto-perdido. Toda a minha vida tem sido de passividade e sonho. Todo o meu carácter consiste no ódio, no horror de, na incapacidade que permeia tudo o que me é, fisicamente e mentalmente, por actos decisivos, por pensamentos definidos. Eu nunca tive uma resolução nascida de uma auto-determinação, nunca uma traição externa de uma vontade consciente. Nenhum dos meus escritos foi terminado;

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Nunca se sabe aquilo que basta. Talvez baste um poema, uma coisa m√≠nima, viva, nossa, uma coisa sub-rept√≠cia para empunhar diante do implac√°vel acordo das formas exteriores. Tamb√©m pode ser que nada baste. E nesse caso tanto faz escrever um romance ou cem poemas ou apenas um poema, ou ler ou emendar o c√©u astron√≥mico ou manter-se parado no meio de um jardim h√ļmido e silencioso, √† noite. At√© pode suceder que a morte n√£o seja bastante.

Compreendendo que o mundo exterior é uma projeção do mundo interior, não há mais necessidade de consultar profetas que falam sobre o mundo exterior.

A Força da Vontade

Tudo vence uma vontade obstinada, todos os obst√°culos abate o homem que integrou na sua vida o fim a atingir e que est√° disposto a todos os sacrif√≠cios para cumprir a miss√£o que a si pr√≥prio se imp√īs. Atento ao mundo exterior, para que n√£o falte nenhuma oportunidade de p√īr em pr√°tica o pensamento que o anima, n√£o deixa que ele o distraia da tens√£o interna que lhe h√°-de dar a vit√≥ria; tem os dotes do pol√≠tico e os dotes do artista, quer modelar o mundo segundo o esquema que ideou. N√£o se trata, claro, de um triunfo pessoal; em hist√≥ria da cultura n√£o h√° triunfos pessoais; ou a vontade √© pura e generosa, nitidamente orientada ao bem geral, ou mais cedo, mais tarde, se h√°-de quebrar contra vontades de progresso mais fortes que ela. Que o querer tenha sua origem e seu apoio em cora√ß√£o aberto √† nobreza, √† beleza e √† justi√ßa; de outro modo √© apenas gume fino e duro de faca; por isso mesmo fr√°gil, na sua aparente penetra√ß√£o e resist√™ncia. Vontade inteligente, e n√£o manhosa, altru√≠sta, e n√£o virada ao sujeito, pedag√≥gica, e n√£o sedenta de dom√≠nio; a esta pertencem os s√©culos por vir: √© a voz a que surgem;

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Do mesmo modo que o papel-moeda circula no lugar da prata, tamb√©m no mundo, no lugar da estima verdadeira e da amizade aut√™ntica, circulam as suas demonstra√ß√Ķes exteriores e os seus gestos imitados do modo mais natural poss√≠vel.

Viver no Escuro ou na Sombra

O objecto que amamos parece-nos mais belo do que √©, por isso vemos com frequ√™ncia mulheres feias e mal-feitas serem adoradas e desfrutarem de grandes honras (Lucr√©cio), e mais feio aquele pelo qual temos avers√£o. Para um homem contrariado e aflito a claridade do dia parece escurecida e tenebrosa. Os nossos sentidos s√£o n√£o apenas alterados mas ami√ļde totalmente embrutecidos pelas paix√Ķes da alma. Quantas coisas vemos, que n√£o perceberemos se tivermos o nosso esp√≠rito ocupado alhures? Mesmo com coisas bem vis√≠veis, reconhecer√°s que, se n√£o lhes aplicares o esp√≠rito, √© como se desde sempre elas estivessem ausentes ou muito distantes (Lucr√©cio). Parece que a alma traz para o interior e transvia os poderes dos sentidos. Dessa maneira, tanto o interior como o exterior do homem s√£o cheios de fraqueza e de mentira.
Os que compararam a nossa vida com um sonho tiveram razão, talvez, mais do que pensavam. Quando sonhamos, a nossa alma vive, age, exerce todas as suas faculdades, nem mais nem menos do que quando está em vigília; porém de modo mais frouxo e obscuro, decerto não tanto que a diferença seja como da noite para uma viva claridade, mas sim como da noite para a sombra: lá ela dorme,

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Um Mundo Melhor

Tal como existem muitas formas de vida, tamb√©m existem in√ļmeras formas de viver. A minha predileta e aquela onde, por incr√≠vel que pare√ßa, assento a minha paz, cont√©m o ingrediente que mais potencia as emo√ß√Ķes, o risco. O risco √© a gra√ßa da vida, √© aventura, √© o desconhecido, √© a busca e a mais valiosa oportunidade para cresceres e te desenvolveres como ser consciente.

Quando foi a √ļltima vez que arriscaste?
O que é que sentiste?
Percebeste que, correndo bem ou mal, o risco é a viagem e nunca o resultado?
Continuaste a arriscar nessa ou noutras √°reas da tua vida?
O risco est√° associado √† a√ß√£o, √† coragem, ao prazer, √† paix√£o pela vida, √† entrega no ¬ęAgora¬Ľ e implica o abandono do sof√°, da rotina doentia em que escolheste movimentar-te e dos padr√Ķes em que cresceste.

Chamam-me louco, eu respondo-lhes que vivem pouco. Sou um homem feliz, ainda que, como qualquer ser humano, viva com alguns preconceitos espont√Ęneos, medos s√ļbitos e frustra√ß√Ķes pontuais. Sou, tamb√©m, algu√©m com experi√™ncia em ajudar pessoas… humm, ajudar, n√£o! Dirigir soa melhor e √©, igualmente, mais real. Promovo-lhes, atrav√©s da minha experi√™ncia em coaching,

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O Orgulho e a Vaidade

O orgulho √© a consci√™ncia (certa ou errada) do nosso pr√≥prio m√©rito, a vaidade, a consci√™ncia (certa ou errada) da evid√™ncia do nosso pr√≥prio m√©rito para os outros. Um homem pode ser orgulhoso sem ser vaidoso, pode ser ambas as coisas, vaidoso e orgulhoso, pode ser ‚ÄĒ pois tal √© a natureza humana ‚ÄĒ vaidoso sem ser orgulhoso. √Č dif√≠cil √† primeira vista compreender como podemos ter consci√™ncia da evid√™ncia do nosso m√©rito para os outros, sem a consci√™ncia do nosso pr√≥prio m√©rito. Se a natureza humana fosse racional, n√£o haveria explica√ß√£o alguma. Contudo, o homem vive a princ√≠pio uma vida exterior, e mais tarde uma interior; a no√ß√£o de efeito precede, na evolu√ß√£o da mente, a no√ß√£o de causa interior desse mesmo efeito. O homem prefere ser exaltado por aquilo que n√£o √©, a ser tido em menor conta por aquilo que √©. √Č a vaidade em ac√ß√£o.

Mestre

Mestre, meu mestre querido,
Coração do meu corpo intelectual e inteiro!
Vida da origem da minha inspiração!
Mestre, que é feito de ti nesta forma de vida?

N√£o cuidaste se morrerias, se viverias, nem de ti nem de nada,
Alma abstracta e visual até aos ossos.
Aten√ß√£o maravilhosa ao mundo exterior sempre m√ļltiplo,
Ref√ļgio das saudades de todos os deuses antigos,
Espírito humano da terra materna,
Flor acima do dil√ļvio da intelig√™ncia subjectiva…

Mestre, meu mestre!
Na ang√ļstia sensacionalista de todos os dias sentidos,
Na m√°goa quotidiana das matem√°ticas de ser,
Eu, escrevo de tudo como um pó de todos os ventos,
Ergo as m√£os para ti, que est√°s longe, t√£o longe de mim!

Meu mestre e meu guia!
A quem nenhuma coisa feriu, nem doeu, nem perturbou,
Seguro como um sol fazendo o seu dia involuntariamente,
Natural como um dia mostrando tudo,
Meu mestre, meu coração não aprendeu a tua serenidade.
Meu coração não aprendeu nada.
Meu coração não é nada,
Meu coração está perdido.

Mestre, só seria como tu se tivesse sido tu.

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Prazer com Virtude

Que dizer do facto de tanto os homens bons como os maus terem prazer, e de os homens infames terem tanto gosto em cometer actos vergonhosos como os homens honestos t√™m nas suas ac√ß√Ķes excelentes? √Č por isso que os antigos prescreveram que se procurasse a vida melhor, n√£o a mais agrad√°vel, de forma a que o prazer fosse, n√£o o guia, mas um companheiro da vontade recta e boa. Na verdade, a natureza deve ser o nosso guia: a raz√£o observa-a e consulta-a. Por isso, viver feliz √© o mesmo que viver de acordo com a natureza. Passo a explicar o que quer isto dizer: se conservarmos os nossos dons corporais e as nossas aptid√Ķes naturais com dilig√™ncia, mas tamb√©m com impavidez, tomando-os como bens ef√©meros e fugazes; se n√£o nos tornarmos servos deles, nem nos submetermos a coisas exteriores; se as coisas que s√£o circunstanciais e agrad√°veis ao corpo forem para n√≥s como auxiliares e tropas ligeiras num castro (que obedecem, n√£o comandam); nesta medida, todas estas coisas ser√£o √ļteis √† mente.
N√£o se deixe o homem corromper pelas coisas externas e inalcan√ß√°veis, e admire-se apenas a si pr√≥prio, confiando no seu √Ęnimo e mantendo-se preparado para tudo,

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Em todas as profiss√Ķes se afecta uma apar√™ncia e um exterior que pare√ßa o que queremos que os outros nos julguem. Assim, se pode dizer que o mundo se comp√Ķe apenas de apar√™ncias.

Nem Excelente Nem Absoluto

Todo o Excelente merece o ostracismo. √Č um bem, se ele a si pr√≥prio se condenar. Todo o Absoluto deve ser banido do mundo. No Mundo tem de se viver com o Mundo. E s√≥ se vive, se for no sentido dos Homens com os quais se vive. Todo o bem que h√° no Mundo prov√©m do interior (e portanto vem-lhe a ele do exterior), mas √© apenas uma fa√≠sca que, veloz, o percorre. Todo o Excelente faz avan√ßar o Mundo, mas deve desaparecer quanto antes.