Passagens sobre Filosofia

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Frases sobre filosofia, poemas sobre filosofia e outras passagens sobre filosofia para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

O Perigo nas Rela√ß√Ķes Humanas

Nas rela√ß√Ķes humanas o perigo √© coisa de todos os dias. Deves precaver-te bem contra este perigo, deves estar sempre de olhos bem abertos: n√£o h√° nenhum outro t√£o frequente, t√£o constante, t√£o enganador! A tempestade amea√ßa antes de rebentar, os edif√≠cios estalam antes de cair por terra, o fumo anuncia o inc√™ndio pr√≥ximo: o mal causado pelo homem √© s√ļbito e disfar√ßa-se com tanto mais cuidado quanto mais pr√≥ximo est√°. Fazes mal em confiar na apar√™ncia das pessoas que se te dirigem: t√™m rosto humano, mas instintos de feras. S√≥ que nestas apenas o ataque directo √© perigoso; se nos passam adiante n√£o voltam atr√°s √† nossa procura. Ali√°s, somente a necessidade as instiga a fazer mal; a fome ou o medo √© que as for√ßam a lutar. O homem, esse, destr√≥i o seu semelhante por prazer. Tu, contudo, pensando embora nos perigos que te podem vir do homem, pensa tamb√©m nos teus deveres enquanto homem. Evita, por um lado, que te fa√ßam mal, evita, por outro, que fa√ßas tu mal a algu√©m. Alegra-te com a satisfa√ß√£o dos outros, comove-te com os seus dissabores, nunca te esque√ßas dos servi√ßos que deves prestar, nem dos perigos a evitar. Que ganhar√°s tu vivendo segundo esta norma?

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A Felício Dos Santos

Felício amigo, se eu disser que os anos
Passam correndo ou passam vagarosos,
Segundo s√£o alegres ou penosos,
Tecidos de afei√ß√Ķes ou desenganos,

“Filosofia √© esta de ran√ßosos!”
Dir√°s. Mas n√£o h√° outra entre os humanos.
N√£o se contam sorrisos pelos danos,
Nem das tristezas desabrocham gozos.

Banal, confesso. O precioso e o raro
√Č, seja o c√©u nublado ou seja claro,
Tragam os tempos amargura ou gosto,

N√£o desdizer do mesmo velho amigo,
Ser com os teus o que eles s√£o contigo,
Ter um só coração, ter um só rosto.

A Verdade é Amor

A verdade √© amor ‚ÄĒ escrevi um dia. Porque toda a rela√ß√£o com o mundo se funda na sensibilidade, como se aprendeu na inf√Ęncia e n√£o mais se p√īde esquecer. √Č esse equil√≠brio interno que diz ao pintor que tal azul ou vermelho est√£o certos na composi√ß√£o de um quadro. √Č o mesmo equil√≠brio indiz√≠vel que ao fil√≥sofo imp√Ķe a verdade para a sua filosofia. Porque a filosofia √© um excesso da arte. Ela acrescenta em raz√Ķes ou explica√ß√Ķes o que lhe imp√īs esse equil√≠brio, resolvido noutros num poema, num quadro ou noutra forma de se ser artista. Assim o que exprime o nosso equil√≠brio interior, gerado no impens√°vel ou impensado de n√≥s, √© um sentimento est√©tico, um modo de sermos em sensibilidade, antes de o sermos em. raz√£o ou mesmo em intelig√™ncia. Porque s√≥ se entende o que se entende connosco, ou seja, como no amor, quando se est√° ¬ęfeito um para o outro¬Ľ. S√≥ entra em harmonia connosco o que o nosso equil√≠brio consente. E s√≥ o consente, se o amar. Porque mesmo a verdade dos outros ‚ÄĒ a pol√≠tica, por exemplo ‚ÄĒ se temos improvavelmente de a reconhecer, reconhecemo-la talvez no √≥dio, que √© a outra face do amor e se organiza ainda na sensibilidade.

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O mais alto objetivo da Arte é o que é comum à Religião e à Filosofia. Tal como estas, é um modo de expressão do divino, das necessidades e exigências mais elevadas do espírito.

Sabedoria de Vida é Usufruir o Presente

N√£o permitir a manifesta√ß√£o de grande j√ļbilo ou grande lamento em rela√ß√£o a qualquer acontecimento, uma vez que a mutabilidade de todas as coisas pode transform√°-lo completamente de um instante para o outro; em vez disso, usufruir sempre o presente da maneira mais serena poss√≠vel: isso √© sabedoria de vida. Em geral, por√©m, fazemos o contr√°rio: planos e preocupa√ß√Ķes com o futuro ou tamb√©m a saudade do passado ocupam-nos de modo t√£o cont√≠nuo e duradouro, que o presente quase sempre perde a sua import√Ęncia e √© negligenciado; no entanto, somento o presente √© seguro, enquanto o futuro e mesmo o passado quase sempre s√£o diferentes daquilo que pensamos. Sendo assim, iludimo-nos uma vida inteira.
Ora, para o eudemonismo, tudo isso √© bastante positivo, mas uma filosofia mais s√©ria faz com que justamente a busca do passado seja sempre in√ļtil, e a preocupa√ß√£o com o futuro o seja com frequ√™ncia, de modo que somente o presente constitui o cen√°rio da nossa felicidade, mesmo se a qualquer momento se vier a transformar-se em passado e, ent√£o, tornar-se t√£o indiferente como se nunca tivesse existido.

Um gr√£o de filosofia disp√Ķe ao ate√≠smo; muita filosofia reconduz √† religi√£o.

A Guerra que Aflige com seus Esquadr√Ķes

A guerra, que aflige com os seus esquadr√Ķes o Mundo,
√Č o tipo perfeito do erro da filosofia.

A guerra, como tudo humano, quer alterar.
Mas a guerra, mais do que tudo, quer alterar e alterar muito
E alterar depressa.

Mas a guerra inflige a morte.
E a morte é o desprezo do Universo por nós.
Tendo por consequência a morte, a guerra prova que é falsa.
Sendo falsa, prova que é falso todo o querer-alterar.

Deixemos o universo exterior e os outros homens onde a Natureza os p√īs.

Tudo é orgulho e inconsciência.
Tudo é querer mexer-se, fazer coisas, deixar rasto.
Para o cora√ß√£o e o comandante dos esquadr√Ķes
Regressa aos bocados o universo exterior.

A química directa da Natureza
N√£o deixa lugar vago para o pensamento.

A humanidade é uma revolta de escravos.
A humanidade é um governo usurpado pelo povo.
Existe porque usurpou, mas erra porque usurpar é não ter direito.

Deixai existir o mundo exterior e a humanidade natural!
Paz a todas as coisas pré-humanas, mesmo no homem,
Paz à essência inteiramente exterior do Universo!

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A amizade é desnecessária, como a filosofia, como a arte… Ela não tem valor de sobrevivência, mas sim, é uma daquelas coisas que dão valor à sobrevivência.

Toda a arte e toda a filosofia podem ser consideradas como remédios da vida, ajudantes do seu crescimento ou bálsamo dos combates: postulam sempre sofrimento e sofredores.

√Č not√°vel que toda a obra de f√īlego, pelo qual um indiv√≠duo se institui mestre na sua categoria, √©, ao mesmo tempo, obra de emo√ß√£o e de pensamento, cont√©m tanto uma forma de arte como uma f√≥rmula de filosofia.

Felicidade e Prazer

Devemos estudar os meios de alcan√ßar a felicidade, pois, quando a temos, possu√≠mos tudo e, quando n√£o a temos, fazemos tudo por alcan√ß√°-la. Respeita, portanto, e aplica os princ√≠pios que continuadamente te inculquei, convencendo-te de que eles s√£o os elementos necess√°rios para bem viver. Pensa primeiro que o deus √© um ser imortal e feliz, como o indica a no√ß√£o comum de divindade, e n√£o lhe atribuas jamais car√°cter algum oposto √† sua imortalidade e √† sua beatitude. Habitua-te, em segundo lugar, a pensar que a morte nada √©, pois o bem e o mal s√≥ existem na sensa√ß√£o. De onde se segue que um conhecimento exacto do facto de a morte nada ser nos permite fruir esta vida mortal, poupando-nos o acr√©scimo de uma ideia de dura√ß√£o eterna e a pena da imortalidade. Porque n√£o teme a vida quem compreende que n√£o h√° nada de tem√≠vel no facto de se n√£o viver mais. √Č, portanto, tolo quem declara ter medo da morte, n√£o porque seja tem√≠vel quando chega, mas porque √© tem√≠vel esperar por ela.
√Č tolice afligirmo-nos com a espera da morte, visto ser ela uma coisa que n√£o faz mal, uma vez chegada. Por conseguinte, o mais pavoroso de todos os males,

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Esta vida √© um perp√©tuo combate e a filosofia o √ļnico emplastro que podemos p√īr nas feridas que recebemos de todos os lados.

A teoria da nega√ß√£o, que considera ef√™mero o mundo fenom√™nico, quando n√£o se fundamenta na certeza da exist√™ncia do Eu divino (Imagem Verdadeira), degenera em pessimismo e niilismo. A mesma teoria da nega√ß√£o, quando se alicer√ßa na certeza da exist√™ncia do Eu divino (Imagem Verdadeira), torna-se a maior das filosofias otimistas. Esta √ļltima √© a Seicho-No-Ie.

Até que a filosofia que mantém uma raça superior, e outra inferior, esteja finalmente e permanentemente desacreditada e abandonada, em todo lugar haverá guerra.

A amizade é supérflua, como a filosofia, a arte. Não tem valor de sobrevivência, mas é daquelas coisas que dão valor à sobrevivência.