Passagens sobre Aparência

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Frases sobre apar√™ncia, poemas sobre apar√™ncia e outras passagens sobre apar√™ncia para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Para a forma√ß√£o da consci√™ncia p√ļblica, para a cria√ß√£o de determinado ambiente, dada a aus√™ncia de esp√≠rito cr√≠tico ou a dificuldade de averigua√ß√£o individual, a apar√™ncia vale a realidade, ou seja: a apar√™ncia √© uma realidade pol√≠tica.

A Armadilha da Identidade

A mais perigosa armadilha é aquela que possui a aparência de uma ferramenta de emancipação. Uma dessas ciladas é a ideia de que nós, seres humanos, possuímos uma identidade essencial: somos o que somos porque estamos geneticamente programados. Ser-se mulher, homem, branco, negro, velho ou criança, ser-se doente ou infeliz, tudo isso surge como condição inscrita no ADN. Essas categorias parecem provir apenas da Natureza. A nossa existência resultaria, assim, apenas de uma leitura de um código de bases e nucleótidos.

Esta biologização da identidade é uma capciosa armadilha. Simone de Beauvoir disse: a verdadeira natureza humana é não ter natureza nenhuma. Com isso ela combatia a ideia estereotipada da identidade. Aquilo que somos não é o simples cumprir de um destino programado nos cromossomas, mas a realização de um ser que se constrói em trocas com os outros e com a realidade envolvente.

A imensa felicidade que a escrita me deu foi a de poder viajar por entre categorias existenciais. Na realidade, de pouco vale a leitura se ela n√£o nos fizer transitar de vidas. De pouco vale escrever ou ler se n√£o nos deixarmos dissolver por outras identidades e n√£o reacordarmos em outros corpos,

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Que um Homem Tenha a Força de ser Sincero

A maior parte das pessoas, seduzidas pelas aparências, deixam-se tomar pelos engodos enganadores de uma baixa e servil complacência; tomam-na por um sinal de uma verdadeira amizade; e confundem, como dizia Pitágoras, o canto das sereias com o das musas. Crêem, digo eu, que produz a amizade, como as pessoas simples pensam que a terra fez os Deuses; em lugar de dizerem que foi a sinceridade que a fez nascer como os Deuses criaram os sinais e as potências celestes.
Sim! √Č de uma for√ßa t√£o bruta que a amizade deve provir, e √© de uma bela origem a que tira de uma virtude que d√° origem a tantas outras. As grandes virtudes, que nascem, se ouso diz√™-lo, na parte da alma mais subida e mais divina, parecem estar encadeadas umas nas outras. Que um homem tenha a for√ßa de ser sincero, e vereis uma certa coragem difundida em todo o seu car√°cter, uma independ√™ncia geral, um imp√©rio sobre si mesmo igual ao exercido sobre os outros, uma alma isenta das nuvens do temor e do terror, um amor pela virtude, um √≥dio pelo v√≠cio, um desprezo pelos que se lhe abandonam. De um tronco t√£o nobre e t√£o belo,

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Um Ser Revoltante e Falso

Quanta felicidade d√° a grata suavidade das coisas! Como a vida √© cintilante e de bela apar√™ncia! S√£o as grandes falsifica√ß√Ķes, as grandes interpreta√ß√Ķes que sempre nos t√™m elevado acima da satisfa√ß√£o animal, at√© chegarmos ao humano. Inversamente: que nos trouxe a chiadeira do mecanismo l√≥gico, a rumina√ß√£o do esp√≠rito que se contempla ao espelho, a disseca√ß√£o dos instintos?
Suponde v√≥s que tudo era reduzido a f√≥rmulas e que a vossa cren√ßa era confinada √† aprecia√ß√£o de graus de verosimilhan√ßa, e que vos era insuport√°vel viver com tais premissas… que faz√≠eis v√≥s?

A paciência é a mais heróica das virtudes, justamente por não ter nenhuma aparência heróica.

A Exist√™ncia Baseada Em Justifica√ß√Ķes

Ningu√©m aqui gera mais do que a sua possibilidade espiritual de viver; pouco importa que d√™ a apar√™ncia de trabalhar para se alimentar, para se vestir, etc.; com cada bocada vis√≠vel uma invis√≠vel lhe √© estendida, com cada vestimenta vis√≠vel uma invis√≠vel vestimenta. Est√° nisso a justifica√ß√£o de cada homem. Parece fundamentar a sua exist√™ncia com justifica√ß√Ķes ulteriores, mas essa √© apenas a imagem invertida que oferece o espelho da psicologia, de facto erege a sua vida sobre as suas justifica√ß√Ķes. √Č verdade que cada homem deve poder justificar a sua vida (ou a sua morte, o que vem dar no mesmo), n√£o pode furtar-se a essa tarefa.

A Dissimulação da Identidade

Não nos contentamos com a vida que temos em nós e no nosso próprio ser: queremos viver na ideia dos outros uma vida imaginária e para isso esforçamo-nos por manter as aparências. Trabalhamos incessantemente para embelezar e conservar o nosso ser imaginário, e descuramos o verdadeiro. E se temos ou a tranquilidade, ou a generosidade, ou a felicidade, apressamo-nos a apregoá-lo, a fim de atribuir estas virtudes ao nosso outro ser, e se fosse preciso estararíamos prontos a despojar-nos delas para as juntar ao outro; de bom grado seríamos cobardes para adquirirmos a reputação de valentes.
Grande sinal do nada que somos, n√£o nos contentarmos de uma coisa sem a outra, e trocarmos muitas vezes uma pela outra! Pois quem n√£o morresse para conservar a sua honra seria infame.

Oran, na aparência, é uma cidade que não pensa, isto é, uma cidade perfeitamente moderna.

Povos Sem Sorte

As pessoas podem sentir pena de um homem que est√° a passar por tempos dif√≠ceis, mas quando um pa√≠s inteiro √© pobre, o resto do mundo assume que todos os seus cidad√£os s√£o desmiolados, pregui√ßosos, sujos, tolos e desajeitados. Em vez de pena, provocam o riso. √Č tudo uma anedota: a sua cultura, os seus costumes, as suas pr√°ticas. Com o tempo o resto do mundo pode, parte dele, come√ßar a ficar envergonhado por ter pensado dessa maneira, e quando olham em volta e v√™em os imigrantes desse pobre pa√≠s a esfregar o ch√£o e a fazerem os trabalhos pior pagos, eles naturalmente preocupam-se sobre o que poderia acontecer se um dia estes trabalhadores se insurgissem contra eles. Assim, para manter as apar√™ncias agrad√°veis, come√ßam a interessar-se pela cultura dos imigrantes e √†s vezes at√© fingem que pensam neles como se fossem seus iguais.

Não Temos um Projecto de País

Mas a realidade é esta: não temos um projecto de país. Vivemos ao deus-dará, conforme o lado de que o vento sopra. As pessoas já não pensam só no dia-a-dia, pensam no minuto a minuto. Estamos endividados até às orelhas e fazemos uma falsa vida de prosperidade. Aparência, aparência, aparência Рe nada por trás. Onde estão as ideias? Onde está uma ideia de futuro para Portugal? Como vamos viver quando se acabarem os dinheiros da Europa? Os governos todos navegam à vista da costa e parece que ninguém quer pensar nisto, ninguém ousa ir mais além.

N√£o diferimos uns dos outros sen√£o pelos acess√≥rios – pelo vestu√°rio, pelas maneiras, tom de voz, opini√Ķes religiosas, apar√™ncia pessoal, alguns h√°bitos e outras coisas do mesmo g√©nero.

Há os cristãos só de aparência: pessoas que se disfarçam de cristãos e nos momentos da verdade só têm maquilhagem. E nós sabemos o que acontece a uma mulher quando vai na rua e vem a chuva e não tem sombrinha: cai tudo e as aparências acabam por terra.

O Paradoxo da Leitura

O sábio lê livros, mas lê também a vida. O universo é um grande livro e a vida é uma grande escola.
(…) Quanto mais leio mais ignorante fico. A escolha que hoje se depara a qualquer homem educado √© entre a inoc√™ncia que n√£o l√™ e a ignor√Ęncia que l√™ muito.
(…) √Č poss√≠vel sustentar com alguma apar√™ncia de exactid√£o que a imprensa de hoje mata a leitura e a leitura mata o pensamento.

As coisas não são observadas pelo que são, mas pelo que parecem. São raros os que olham por dentro e muitos os que se contentam com as aparências. Não basta ter razão se a ação tem má aparência.

O Saber Ajuda em Todas as Actividades

O mero fil√≥sofo √© geralmente uma personalidade pouco admis¬≠s√≠vel no mundo, pois sup√Ķe-se que ele em nada contribui para o be¬≠nef√≠cio ou para o prazer da sociedade, porquanto vive distante de toda comunica√ß√£o com os homens e envolto em princ√≠pios e no√ß√Ķes igualmente distantes de sua compreens√£o. Por outro lado, o mero ig¬≠norante √© ainda mais desprezado, pois n√£o h√° sinal mais seguro de um esp√≠rito grosseiro, numa √©poca e uma na√ß√£o em que as ci√™ncias florescem, do que permanecer inteiramente destitu√≠do de toda esp√©cie de gosto por estes nobres entretenimentos. Sup√Ķe-se que o car√°cter mais perfeito se encontra entre estes dois extremos: conserva igual capacidade e gosto para os livros, para a sociedade e para os neg√≥cios; mant√©m na conversa√ß√£o discernimento e delicadeza que nascem da cultura liter√°ria; nos neg√≥cios, a probidade e a exatid√£o que resultam naturalmente de uma filosofia conveniente. Para difundir e cultivar um car√°cter t√£o aperfei√ßoado, nada pode ser mais √ļtil do que as com¬≠posi√ß√Ķes de estilo e modalidade f√°ceis, que n√£o se afastam em demasia da vida, que n√£o requerem, para ser compreendidas, profunda apli¬≠ca√ß√£o ou retraimento e que devolvem o estudante para o meio de homens plenos de nobres sentimentos e de s√°bios preceitos,

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Sempre se admitiu que a poesia participava do divino porque eleva e arma o espírito submetendo a aparência das coisas aos desejos da alma, enquanto a razão constrange e submete o espírito à natureza das coisas.

As pessoas ficam desapontadas com minha apar√™ncia. Dizem:’Voc√™ n√£o √© um monstro’