Textos sobre Alternativas

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Textos de alternativas escritos por poetas consagrados, filósofos e outros autores famosos. Conheça estes e outros temas em Poetris.

Vontade Intuitiva

Devemos tomar como guias das nossas considera√ß√Ķes n√£o as imagens da fantasia, mas sim conceitos claramente pensados. Na maioria das vezes, entretanto, ocorre o contr√°rio. Mediante uma investiga√ß√£o mais minuciosa, descobriremos que, em √ļltima inst√Ęncia, o que decide as nossas resolu√ß√Ķes n√£o s√£o, na maioria das vezes, os conceitos e ju√≠zos, mas uma imagem fantasiosa que representa e substitui uma das alternativas.
(…) Em especial na juventude, a meta da nossa felicidade fixa-se na forma de algumas imagens que pairam diante de n√≥s e am√≠ude persistem pela metade da vida, ou at√© mesmo por toda ela. S√£o verdadeiros fantasmas provocadores: se alcan√ßados, esvaecem-se, e a experi√™ncia ensina-nos que nada realizam do outrora prometido.
(…) √Č bem natural que assim se passe, pois, por ser imediato, o que √© intuitivo faz efeito mais directo sobre a nossa vontade do que o conceito, o pensamento abstracto, que fornece apenas o universal sem o particular. √Č justamente este √ļltimo que cont√©m a realidade: ele s√≥ pode agir indirectamente sobre a nossa vontade. E, no entanto, s√≥ o conceito mant√©m a palavra: portanto, √© √≠ndice de forma√ß√£o cultural confiar apenas nele. Decerto, por vezes precisar√° de elucida√ß√£o e par√°frase mediante certas imagens,

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Ser Português, Ainda

Para ser portugu√™s, ainda, vive-se entre letras de poemas e esperan√ßas, cantigas e promessas, de passados esquecidos e futuros desejados, sem presente, sem pensamento, sem Portugal. Para ser portugu√™s, ainda, aprende-se a existir no gume da tristeza, como um equilibrista num andaime de navalhas levantadas, numa obra que se vai construindo sob uma arquitectura de demoli√ß√£o. T√≠nhamos direito a um Portugal inteiro, com povo e com a terra, mas o povo enlouqueceu e a terra foi arrasada e tudo o que era p√°tria, doce e atrevida, se afasta √† medida que olhamos para ela, tal √© a √Ęnsia de apagamento e de perdi√ß√£o. Restam-nos sons e riscos. Portugal encolheu-se. Escondeu-se nos poetas e cantores. Recolheu-se nas vozes fundas de onde nasceu. Portugal abrigou-se em portugueses e portuguesas nos quais uma ideia de Portugal nunca se perdeu.

Para se ser português, ainda, é preciso estreitar os olhos e molhar a garganta com vinho tinto para poder gritar que isto assim não é Portugal, não é país, não é nada. Torna-se cada vez mais difícil que o povo e a terra e a ideia se possam alguma vez reunir.
√Č preciso defender violentamente as institui√ß√Ķes: a Universidade, o Parlamento,

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Quem n√£o Dava a Vida por um Amor?

O essencial √© amar os outros. Pelo amor a uma s√≥ pessoa pode amar-se toda a humanidade. Vive-se bem sem trabalhar, sem dormir, sem comer. Passa-se bem sem amigos, sem transportes, sem caf√©s. √Č horr√≠vel, mas uma pessoa vai andando.
Apresentam-se e arranjam-se sempre alternativas. √Č f√°cil.
Mas sem amor e sem amar, o homem deixa-se desproteger e a vida acaba por matar.
Philip Larkin era um poeta pessimista. Disse que a √ļnica coisa que ia sobreviver a n√≥s era o amor. O amor. Vive-se sem paix√£o, sem correspond√™ncia, sem resposta. Passa-se sem uma amante, sem uma casa, sem uma cama. √Č verdade, sim senhores.
Sem um amor não vive ninguém. Pode ser um amor sem razão, sem morada, sem nome sequer. Mas tem de ser um amor. Não tem de ser lindo, impossível, inaugural. Apenas tem de ser verdadeiro.
O amor é um abandono porque abdicamos, de quem vamos atrás. Saímos com ele. Atiramo-nos. Retraímo-nos. Mas não há nada a fazer: deixamo-lo ir. Mai tarde ou mais cedo, passamos para lá do dia a dia, para longe de onde estávamos. Para consolar, mandar vir, tentar perceber, voltar atrás.
O amor é que fica quando o coração está cansado.

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O Cidad√£o L√ļcido em Vez do Consumidor Irracional

J√° se sabe que n√£o somos um povo alegre (um franc√™s aproveitador de rimas f√°ceis √© que inventou aquela de que ¬ęles portugais sont toujours gais¬Ľ), mas a tristeza de agora, a que o Cam√Ķes, para n√£o ter de procurar novas palavras, talvez chamasse simplesmente ¬ęapagada e vil¬Ľ, √© a de quem se v√™ sem horizontes, de quem vai suspeitando que a prosperidade prometida foi um logro e que as apar√™ncias dela ser√£o pagas bem caras num futuro que n√£o vem longe. E as alternativas, onde est√£o, em que consistem? Olhando a cara fingidamente satisfeita dos europeus, julgo n√£o serem previs√≠veis, t√£o cedo, alternativas nacionais pr√≥prias (torno a dizer: nacionais, n√£o nacionalistas), e que da crise profunda, crise econ√≥mica, mas tamb√©m crise √©tica, em que patinhamos, √© que poder√£o, talvez ‚ÄĒ contentemo-nos com um talvez ‚ÄĒ, vir a nascer as necess√°rias ideias novas, capazes de retomar e integrar a parte melhor de algumas das antigas, principiando, sem pr√©via defini√ß√£o condicional de antiguidade ou modernidade, por recolocar o cidad√£o, um cidad√£o enfim l√ļcido e respons√°vel, no lugar que hoje est√° ocupado pelo animal irracional que responde ao nome de consumidor.

Realização e Êxtase

Conviria distinguir bem um do outro o caminho para o êxtase e o próprio êxtase; o primeiro ainda pode ter algum interesse por todas as lutas interiores, por todas as incertezas, por todo o esforço de pensar amplamente a que em geral dá origem; no entanto já nele mesmo poderíamos ver, além de uma preocupação egoísta, uma alternativa de esperança e desespero, um gosto da revelação e dos auxílios sobrenaturais que não poderão talvez classificar-se como superiores.
Do √™xtase, por√©m, n√£o alimentamos grandes desejos; o amor que nele descobrimos n√£o pertence √† categoria do amor que mais nos interessa ‚ÄĒ o que eleva o amado acima de si pr√≥prio, o que se esfor√ßa por esculpir uma alma com entusiasmo e paci√™ncia; √© um amor a que se chega como recompensa de tarefa cumprida; n√£o marca as del√≠cias do caminho dif√≠cil, apaga-as da mem√≥ria; faz desaparecer do peito do homem o seu √ļnico motivo de alegria, a sua √ļnica fonte de verdadeira gl√≥ria.
Viver interessa mais que ter vivido; e a vida só é vida real quando sentimos fora de nós alguma coisa de diferente; se a diferença se tornar oposição, se o que era caminho diverso se transformar em muro de rocha,

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A Minha Poesia

A minha poesia e a minha vida flu√≠ram como um rio americano, como uma torrente de √°guas do Chile, nascidas na intimidade profunda das montanhas austrais e dirigindo sem cessar para uma sa√≠da mar√≠tima o movimento do caudal. A minha poesia n√£o rejeitou nada do que p√īde transportar nas suas √°guas. Aceitou a paix√£o, desenvolveu o mist√©rio, abriu passagem nos cora√ß√Ķes do povo.

Coube-me sofrer e lutar, amar e cantar. Tocaram-me na partilha do mundo o triunfo e a derrota, provei o gosto do pão e do sangue. Que mais quer um poeta? Todas as alternativas, do pranto até aos beijos, da solidão até ao povo, estão vivas na minha poesia, reagem nela, porque vivi para a minha poesia e porque a poesia sustentou as minhas lutas. E se muitos prémios alcancei, prémios fugazes como borboletas de pólen evasivo, alcancei um prémio maior, um prémio que muitos desdenham, mas que, na realidade, é para muitos inatingível.

Consegui chegar, atrav√©s de uma dura li√ß√£o de est√©tica e rebusca, atrav√©s dos labirintos da palavra escrita, √† altura de poeta do meu povo. O meu pr√©mio maior √© esse ‚ÄĒ n√£o os livros e os poemas traduzidos, n√£o os livros escritos para descreverem ou dissecarem as palavras dos meus livros.

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O Ciclo da Vida

O homem domina a natureza e √© por ela dominado. S√≥ ele lhe resiste e ao mesmo tempo ultrapassa as suas leis, amplia o seu poderio gra√ßas √† sua vontade e actividade. Afirmar no entanto que o mundo foi criado para o homem √© algo que est√° longe de ser evidente. Tudo o que o homem constr√≥i √©, como ele, ef√©mero: o tempo derruba os edif√≠cios, atulha os canais, apaga o saber – e at√© o nome das na√ß√Ķes. (…) Dir-me-√£o que as novas gera√ß√Ķes recebem a heran√ßa das gera√ß√Ķes que as precederam e que, por consequ√™ncia, a perfei√ß√£o ou o aperfei√ßoamento n√£o t√™m limites. Mas o homem est√° longe de receber intacta a s√ļmula dos conhecimentos acumulados pelos s√©culos que o precederam e se aperfei√ßoa algumas dessas inven√ß√Ķes no que diz respeito a outras fica bastante atr√°s dos seus pr√≥prios inventores; um grande n√ļmero dessas inven√ß√Ķes chega mesmo a perder-se.
Não preciso sequer de sublinhar como certos pretensos melhoramentos foram nocivos à moral e ao bem-estar. Determinada invenção, suprimindo ou diminuindo o trabalho e o esforço, enfraqueceu a dose de paciência necessária para suportar as contrariedades Рou a energia que temos de dar provas para as vencer.

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Por um Mundo Escutador

N√£o existe alternativa: a globaliza√ß√£o come√ßou com o primeiro homem. O primeiro homem (se √© que alguma vez existiu ¬ęum primeiro¬Ľ homem) era j√° a humanidade inteira. Essa humanidade produziu infinitas respostas adaptativas. O que podemos fazer, nos dias de hoje, √© responder √† globaliza√ß√£o desumanizante com uma outra globaliza√ß√£o, feita √† nossa maneira e com os nossos prop√≥sitos. N√£o tanto para contrapor. Mas para criar um mundo plural em que todos possam mundializar e ser mundializados. Sem hegemonia, sem domina√ß√£o. Um mundo que escuta as vozes diversas, em que todos s√£o, em simult√Ęneo, centro e periferia.

S√≥ h√° um caminho. Que n√£o √© o da imposi√ß√£o. Mas o da sedu√ß√£o. Os outros necessitam conhecer-nos. Porque at√© aqui ¬ęeles¬Ľ conhecem uma miragem. O nosso retrato – o retrato feito pelos ¬ęoutros¬Ľ – foi produzido pela sedimenta√ß√£o de estere√≥tipos. Pior do que a ignor√Ęncia √© essa presun√ß√£o de saber. O que se globalizou foi, antes de mais, essa ignor√Ęncia disfar√ßada de arrog√Ęncia. N√£o √© o rosto mas a m√°scara que se veicula como retrato.
A questão é, portanto, a de um outro conhecimento. Se os outros nos conhecerem, se escutarem a nossa voz e, sobretudo, se encontrarem nessa descoberta um motivo de prazer,

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Temos de Ser o que Nos Apetecer

Se n√£o mudares, os outros fazem de ti o que querem.

A velha m√°xima ¬ęSe est√°s mal, muda-te¬Ľ faz mesmo todo o sentido.

Se não nos sentimos bem com determinado relacionamento, se não estamos felizes no nosso trabalho, se não conseguimos encarar certa pessoa ou se, simplesmente, não nos sentimos bem naquele jantar, naquele ginásio ou naquela viagem, só nos resta uma alternativa: mudar.

Acontece que, e apesar de parecer simples, essa decisão é extremamente delicada. E porquê? Porque uma vez mais colocamos o mundo inteiro à nossa frente. Em vez de nos respeitarmos e levarmos a cabo o nosso desejo de liberdade, saindo de onde estamos para onde queremos estar, não, deixamo-nos ficar mesmo que o amor já não exista, mesmo que o patrão ou os colegas nos tratem mal, mesmo que continuemos a ser julgados ou cobrados pela mãe, pelo pai, pelo tio ou pelo cão e por aí adiante. Não mudamos e o caldo entorna-se. Ou seja, é o pior dos dois mundos.
N√£o comemos a sopa, n√£o nos nutrimos, e ainda nos queimamos por andarmos constantemente nas m√£os de uns e outros.

As pessoas relacionam-se mais por medo de se perderem umas às outras ou por necessidade de dominarem alguém do que por se amarem genuinamente,

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Como é que se Esquece Alguém que se Ama?

Como é que se esquece alguém que se ama? Como é que se esquece alguém que nos faz falta e que nos custa mais lembrar que viver? Quando alguém se vai embora de repente como é que se faz para ficar? Quando alguém morre, quando alguém se separa Рcomo é que se faz quando a pessoa de quem se precisa já lá não está?
As pessoas t√™m de morrer; os amores de acabar. As pessoas t√™m de partir, os s√≠tios t√™m de ficar longe uns dos outros, os tempos t√™m de mudar Sim, mas como se faz? Como se esquece? Devagar. √Č preciso esquecer devagar. Se uma pessoa tenta esquecer-se de repente, a outra pode ficar-lhe para sempre. Podem p√īr-se processos e ac√ß√Ķes de despejo a quem se tem no cora√ß√£o, fazer os maiores escarc√©us, entrar nas maiores peixeiradas, mas n√£o se podem despejar de repente. Elas n√£o saem de l√°. Est√ļpidas! √Č preciso aguentar. J√° ningu√©m est√° para isso, mas √© preciso aguentar. A primeira parte de qualquer cura √© aceitar-se que se est√° doente. √Č preciso paci√™ncia. O pior √© que vivemos tempos imediatos em que j√° ningu√©m aguenta nada. Ningu√©m aguenta a dor. De cabe√ßa ou do cora√ß√£o.

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Vive Plenamente

Vê se consegues apanhar-te a lamentar-te, quer por palavras quer por pensamentos, por causa de determinada situação em que te encontres, do que as outras pessoas fazem ou dizem, do teu meio envolvente, da situação da tua vida, ou até mesmo por causa do tempo. Uma lamentação é sempre uma não aceitação daquilo que é. E traz invariavelmente consigo uma carga negativa inconsciente. Quando te lamentas, tu próprio te fazes de vítima. Quando elevas a voz, estás no teu poder. Por isso muda a situação tomando providências, levantando a voz se for necessário ou possível; deixa a situação ou aceita-a. Tudo o mais é loucura.

De certa forma, a inconsci√™ncia ordin√°ria est√° sempre ligada √† recusa do Agora. O Agora, evidentemente, tamb√©m significa o aqui. Est√°s a resistir ao teu aqui e agora? H√° pessoas que s√≥ est√£o bem onde n√£o est√£o. O seu “aqui” nunca √© suficientemente bom. Atrav√©s da auto-observa√ß√£o, v√™ se √© esse o teu caso. Estejas onde estiveres, est√° l√° plenamente. Se achares que o teu aqui e agora √© intoler√°vel e te deixa infeliz, tens tr√™s op√ß√Ķes √† escolha: ou te retiras da situa√ß√£o, ou a mudas, ou a aceitas totalmente. Se quiseres tomar a responsabilidade pela tua vida,

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Cada Indivíduo é Único

A vida √©, intrinsecamente, uma tremenda aceita√ß√£o inconsciente. Aceitou totalmente os seus olhos? Aceitou totalmente o seu corpo? Aceitou totalmente a vida que leva? Esta ideia de aceita√ß√£o total que nos √© imposta torna-nos infelizes, porque est√° continuamente a fazer compara√ß√Ķes. H√° sempre algu√©m que tem uns olhos mais bonitos, um corpo mais forte e que possui mais conhecimentos. E a pessoa sente-se sempre inferior e esta inferioridade vai-nos corroendo o cora√ß√£o. Tornamo-nos cada vez mais infelizes, mas o motivo foi criado desnecessariamente por n√≥s. N√£o h√° necessidade de nos compararmos com os outros, porque n√£o existe ningu√©m com quem nos possamos comparar.
Cada indiv√≠duo √© √ļnico. E seja o que for, √© dessa maneira que a exist√™ncia quer que esse indiv√≠duo seja. Desfrute disso.
Substitua a palavra ¬ęaceita√ß√£o¬Ľ, porque n√£o √© uma palavra muito feliz. Aceita√ß√£o √© uma coisa que tem de se fazer, n√£o h√° alternativa. H√° pessoas mais bonitas, h√° pessoas mais ricas, h√° pessoas mais fortes. E o que √© que podemos fazer? Aceitar.
Eu n√£o ensino a aceita√ß√£o desta maneira. A minha ideia de aceita√ß√£o √© completamente diferente da de todas as religi√Ķes.
Eu proclamo a sua unicidade.
Cada um de n√≥s √© apenas aquela pessoa particular e n√£o existe ningu√©m –

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Os Dias Ricos

√Č bom ter um dia complicado se formos n√≥s a complic√°-lo, √† medida que vamos andando. S√£o os dias ricos. Nunca sabemos o que vamos fazer a seguir mas fazemos sempre qualquer coisa a seguir, para n√£o interromper a cadeia.

Em vez de jantarmos em casa ou jantarmos fora, entramos num restaurante onde costumamos jantar e comemos apenas um petisco, um aperitivo. Os anfitri√Ķes tamb√©m apreciam a mudan√ßa. √Č como ir cumpriment√°-los.

Metemos conversa com um casal que s√≥ nos parece japon√™s porque queremos que seja, para lhes perguntar como preparam a massa Shirataki, que tem zero calorias. Perguntamos de onde s√£o? Da Holanda, respondem. Os preconceitos, no sentido de pr√©-ju√≠zos ou pensamentos j√° feitos (na verdade, substitutos e obst√°culos do conhecimento), s√£o cada vez mais in√ļteis.

Os hábitos são diferentes. Para celebrá-los, nem é preciso esquecê-los ou trocá-los por alternativas, felizes ou desagradáveis. O melhor é interrompê-los e acrescentar-lhes desvios espontaneamente decididos que enaltecem, através da diversão, a felicidade subjacente.

Os dias ricos levam outro dia inteiro a contar. Só fazer a lista do que se fez cansa tão bem como nadar um quilómetro, devagarinho, num oceano vivo que nos consente.

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O Homem e a M√°quina

À técnica seria absurdo que a recusássemos, lhe recusássemos a espantosa facilitação da vida, por mais que a essa vida ela perturbe Рcomo aos seus doutrinadores. Uma máquina é pura, desde a inocência com que se nos revela, ou seja precisamente a exterioridade em que se nos dá. Mas uma inocência é uma abertura à realização do que o não é. O destino de uma máquina tem o destino que lhe dermos, e um dos piores é o finalizá-la nela própria. Assim e para lá da criação do seu próprio espaço, por uma máquina, da alteração que a sua própria existência em nós promove, todo o problema se decide no lugar-comum desta alternativa: remeter a máquina ao homem ou degradar o homem à máquina.