Textos sobre Vez

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Textos de vez escritos por poetas consagrados, filósofos e outros autores famosos. Conheça estes e outros temas em Poetris.

Criar Banalidades, até Chegar ao Génio

Um pouco de trabalho, repetido trezentas e sessenta e cinco vezes, dá trezentas e sessenta e cinco vezes um pouco de dinheiro, isto é, uma soma enorme. Ao mesmo tempo, a glória está feita.
Do mesmo modo, uma por√ß√£o de pequenos gozos comp√Ķem a felicidade. Criar uma banalidade, √© o g√©nio. Devo criar uma banalidade.

Somos a Resposta que Damos ao que Nos Acontece

Somos frágeis. A vida é dura. Não somos o que nos acontece.

H√° pesos que n√£o podemos rejeitar. Toda a revolta seria t√£o ilus√≥ria quanto in√ļtil. Mas n√£o devemos ficar pela simples resigna√ß√£o, √© preciso que assumamos esses pesos e os queiramos levar de vencidos. Que escolhamos ser quem somos, apesar deles. Com eles. Neles.

Somos a resposta que damos ao que nos acontece.

Temos de aceitar a indiferen√ßa e a incompreens√£o dos outros. As d√ļvidas e as contradi√ß√Ķes do mundo s√£o um peso acrescido, que devemos carregar junto √†s nossas pr√≥prias dores, falhas e fraquezas.

Depois, h√° ainda os pesos que os outros n√£o podem, ou n√£o querem, levar…

Os males pesam, sempre. Sejam os meus, os do mundo ou os dos que amo… h√° que aceit√°-los primeiro, para lhes fazer frente depois.

√Č essencial aceitar a fraqueza das nossas for√ßas. A imperman√™ncia de tudo o que temos. A fragilidade do que somos.

Por vezes, a cruz é o caminho.

√Č na dor que o verdadeiro amor se manifesta.

Tenho de me negar a mim mesmo se quero amar o outro.

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O Amor Busca para que o Entendimento Encontre

N√£o basta a agudeza intelectual para descobrir uma coisa nova. Faz falta entusiasmo, amor pr√©vio por essa coisa. O entendimento √© uma lanterna que necessita de ir dirigida por uma m√£o, e a m√£o necessita de ir mobilizada por um anseio pr√©-existente para este ou outro tipo de poss√≠veis coisas. Em definitivo, somente se encontra o que se busca e o entendimento encontra porque o amor busca. Por isso todas as ci√™ncias come√ßaram por ser entusiasmos de amadores. A pedanteria contempor√Ęnea desprestigiou esta palavra; mas amador √© o mais que se pode ser com respeito a alguma coisa, pelo menos √© o germe todo. E o mesmo dir√≠amos do dilettante – que significa o amante. O amor busca para que o entendimento encontre. Grande tema para uma longa e f√©rtil conversa, este que consistiria em demonstrar como o ser que busca √© a pr√≥pria ess√™ncia do amor! Pensaram voc√™s na surpreendente contextura do buscar? O que busca n√£o tem, n√£o conhece ainda aquilo que busca e, por outra parte, buscar √© j√° ter de antem√£o e conjecturar o que se busca.
Buscar é antecipar uma realidade ainda inexistente, preparar o seu aparecimento, a sua apresentação. Não compreende o que é o amor quem,

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Deixa o que Seduz a Multid√£o

Se n√≥s nada fizermos sen√£o de acordo com os ditames da raz√£o, tamb√©m nada evitaremos sen√£o de acordo com os ditames da raz√£o. Se quiseres escutar a raz√£o, eis o que ela te dir√°: deixa de uma vez por todas tudo quanto seduz a multid√£o! Deixa a riqueza, deixa os perigos e os fardos de ser rico; deixa os prazeres, do corpo e do esp√≠rito, que s√≥ servem para amolecer as energias; deixa a ambi√ß√£o que n√£o passa de uma coisa artificialmente empolada, in√ļtil, inconsciente, incapaz de reconhecer limites, t√£o interessada em n√£o ter superiores como em evitar at√© os iguais, sempre torturada pela inveja, e uma inveja ainda por cima dupla. V√™ como de facto √© infeliz quem, objecto de inveja ele pr√≥prio, tem inveja por outros.
N√£o est√°s a ver essas casas dos grandes senhores, as suas portas cheias de clientes que se atropelam na entrada? Para l√° entrares, teria de sujeitar-te a in√ļmeras inj√ļrias, mas mais ainda terias de suportar se entrasses. Passa frente √†s escadarias dos ricos senhores, aos seus √°trios suspensos como terra√ßos: se l√° puseres os p√©s ser√° como estares √† beira de uma escarpa, e de uma escarpa prestes a ruir. Dirige ante os teus passos na via da sapi√™ncia,

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As palavras sinceras podem às vezes não ser agradáveis

As palavras sinceras podem às vezes não ser agradáveis, e as palavras agradáveis podem não ser sinceras.

Saber Resolver Problemas

Há pessoas que têm dificuldade em identificar os seus problemas. Usando de uma grande capacidade de adaptação, vão-se habituando a que as coisas lhes estejam a correr menos bem, sem conseguirem perceber exactamente qual o ou os problemas que os apoquentam.
Mas também existe quem tenha tendência para pensar que o problema não é seu. Percebem que ele existe, identificam-no, mas comportam-se com alguma indiferença, como se o problema fosse dos outros, não assumindo a sua responsabilidade.
H√° ainda quem fique √† espera que os problemas se resolvam por si, ou que algu√©m lhos resolva. Embora consigam identific√°-los e reconhec√™-los como seus, parecem considerar que compete a outros ‚ÄĒ familiares, amigos, colegas ‚ÄĒ ou √† sociedade em geral resolv√™-los.
Assim como existe quem, em vez de se dedicar a procurar solução para os seus problemas, concentrando neles a sua atenção e canalizando para a sua resolução a energia possível, prefira desenvolver práticas místicas, pretendendo que uma ou várias entidades mais ou menos divinas façam o que afinal lhes compete a eles próprios fazer.

Um problema √© uma coisa dif√≠cil de compreender, explicar ou resolver. √Č tudo aquilo que resiste √† penetra√ß√£o da intelig√™ncia, constituindo uma inc√≥gnita ou dificuldade a resolver.

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Todo o Confronto é Fruto de um Mal-Entendido

Todo o confronto é fruto de um mal-entendido; se as partes em disputa se conhecessem uma à outra, o confronto cessaria. Nenhum homem, no fundo, tenciona cometer injustiças; é sempre por uma imagem distorcida e obscura de algo moralmente correcto que ele batalha: uma imagem obscura, difractada, exagerada da forma mais assombrosa pela natural obtusão e egoísmo, uma imagem que se distorce dez vezes mais pelo acirramento da contenda, até tornar-se virtualmente irreconhecível, mas ainda assim a imagem de algo moralmente correcto. Se um homem pudesse admitir perante si próprio que aquilo pelo que luta é errado e contrário à equidade e à lei da razão, admitiria também, por conta disso, que a sua causa ficou condenada e desprovida de esperança; ele não conseguiria continuar a lutar por ela.

Ver Correr a Esperança

De bru√ßos sobre o lavat√≥rio, abro a torneira, tapo o ralo, fico alguns momentos a ver correr a esperan√ßa, que vai enchendo aos poucos a bacia. Depois fecho a torneira e, retirando a tampa, vejo-a escoar-se em gorgolejos que cada vez s√£o mais humanos e mais fundos. √Č a respira√ß√£o do ralo, que s√≥ ent√£o dou conta de que est√° dentro de mim, por uma dessas distor√ß√Ķes a que √© costume eu ser atreito e que me impede ainda de me ver no pr√≥prio espelho, que, apesar de se encontrar √† minha frente, n√£o consigo deslocar do avesso dos meus olhos.

Os meus sentidos rangem, solid√°rios com os canos, eles que eu gostaria de poder assimilar ao mar, a um c√©u azul, desanuviado, e que jamais me d√£o do esp√≠rito vis√Ķes onde n√£o se encastoem nuvens e rebentem tempestades.

Repito a operação. Mergulho às vezes as mãos na minha esperança, mas retiro-as ao cabo de algum tempo, antes que se transformem em raízes. Destapo uma vez mais o ralo. Assim corre a amizade Рpenso, olhando o redemoinho -, assim correm os afectos, que, depois de encherem a bacia onde a custo nos lavamos sem os fazermos transbordar,

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O Amor a Dois

O amor a dois só funciona se as individualidades se amarem a elas próprias em primeiro lugar.

E quem pensar o contrário ou é infeliz ou tem os dias contados para ser solteiro outra vez.

Existem três tipos de relacionamento a dois:

1 – Cada um dos dois vive primeiro para o outro e s√≥ depois para si mesmo, ou seja, o que interessa s√£o as vontades do parceiro e nunca as suas, o que torna as coisas esquisitas, pois nenhum vive a sua verdade nem se respeita em momento algum, porque vivem ambos com medo de se perder. Deve ser enfadonho e, muitas vezes, confuso. √Č do g√©nero, eu quero uma coisa que n√£o vou ter para dar ao outro, no entanto vou receber algo parecido com aquilo que queria mas n√£o √© bem a mesma coisa, o que √© normal, pois mais ningu√©m al√©m de n√≥s sabe o que nos sabe melhor e quando nos sabe bem.

2 – As duas pessoas vivem em fun√ß√£o da mesma. Pior ainda. √Č que se no exemplo acima ainda existe alguma energia, embora desfasada, a ser trocada de um para o outro, aqui nem isso.

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O Amor e o Vinho

Pense-se, por exemplo, na rela√ß√£o que existe entre o bebedor e o vinho. N√£o √© verdade que o vinho oferece sempre ao bebedor a mesma satisfa√ß√£o t√≥xica, que a poesia tem comparado com frequ√™ncia √† satisfa√ß√£o er√≥tica ‚ÄĒ compara√ß√£o, de resto, aceit√°vel do ponto de vista cient√≠fico? J√° alguma vez se ouviu dizer que o bebedor fosse obrigado a mudar sem descanso de bebida porque se cansaria rapidamente de uma bebida que permanecesse a mesma? Pelo contr√°rio, a habitua√ß√£o estreita cada vez mais o la√ßo entre o homem e a esp√©cie de vinho que ele bebe. Existir√° no bebedor uma necessidade de partir para um pa√≠s onde o vinho seja mais caro ou o seu consumo proibido, a fim de estimular por meio de semelhantes obst√°culos a sua satisfa√ß√£o decrescente? De modo nenhum. Basta escutarmos o que dizem os nossos grandes alco√≥licos, como B√≥cklin, da sua rela√ß√£o com o vinho: evocam a harmonia mais pura e como que um modelo de casamento feliz.

A Comédia Social

√Č preciso convir que √© imposs√≠vel viver na sociedade, sem representar a com√©dia de vez em quando. O que distingue o homem de bem do velhaco √© que ele n√£o a representa a n√£o ser nos casos for√ßados, e para escapar a um perigo; ao passo que o outro vai ao encontro das ocasi√Ķes.

Os H√°bitos Embutidos

J√° me n√£o entendo com essa gente dos comboios suburbanos; esses homens que homens se julgam e que, no entanto, como as formigas, est√£o reduzidos, por uma press√£o que n√£o sentem, aos h√°bitos que lhes criam. Quando ociosos, em que ocupam eles os seus absurdos e insignificantes domingos?
Certa vez, na R√ļssia, ouvi tocar Mozart numa f√°brica. Escrevi a esse respeito. Recebi duzentas cartas insultuosas. N√£o quero mal aos que preferem um reles caf√©-concerto. Nenhuma outra harmonia eles conhecem. Mas abomino o dono do caf√©-concerto. N√£o gosto que degradem os homens.

O Subjectivo é Objectivo, e o Objectivo é Subjectivo

Assaz dif√≠cil √© decidir o que seja objectivamente a verdade, mas, no trato com os homens, n√£o h√° que se deixar aterrorizar por isso. Existem crit√©rios que para o primeiro s√£o suficientes. Um dos mais seguros consiste em objectar a algu√©m que uma asser√ß√£o sua √© “demasiado subjectiva”. Se se utilizar, e com aquela indigna√ß√£o em que ressoa a furiosa harmonia de todas as pessoas sensatas, ent√£o h√° motivo para se ficar alguns instantes em paz consigo. Os conceitos do subjectivo e objectivo inverteram-se por completo. Diz-se objectiva a parte incontroversa do fen√≥meno a sua ef√≠gie inquestionavelmente aceite, a fachada composta de dados classificados, portanto, o subjectivo; e denomina-se subjectivo o que tal desmorona, acede √† experi√™ncia espec√≠fica da coisa, se livra das opini√Ķes convencionais a seu respeito e instaura a rela√ß√£o com o objecto em substitui√ß√£o da decis√£o maiorit√°ria daqueles que nem sequer chegam a intu√≠-lo, e menos ainda a pens√°-lo – logo, o objectivo.
A futilidade da objecção formal da relatividade subjectiva patenteia-se no seu próprio terreno, o dos juízos estéticos. Quem alguma vez, pela força da sua precisa reacção em face da seriedade da disciplina de uma obra artística, se submete à sua lei formal imanente,

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A Justa Medida

As necessidades do corpo s√£o a justa medida do que cada um de n√≥s deve possuir. Exemplo: o p√© s√≥ exige um sapato √† sua medida. Se assim considerares as coisas, respeitar√°s em tudo quanto fa√ßas as devidas propor√ß√Ķes. Se ultrapassares estas propor√ß√Ķes, ser√°s, por tal maneira de agir, necessariamente desregrado como se um precip√≠cio te seduzisse. O sapato √© exemplo ainda deste estado de coisas: se fores para al√©m do que o teu p√© necessita, n√£o tardar√° muito que anseies por um sapato dourado, por um sapato de p√ļrpura depois, finalmente por um sapato bordado. Uma vez que se menospreze a justa medida, deixa de haver qualquer limite que justos torne os nossos prop√≥sitos.

Quem Aprendeu a Morrer Desaprendeu de Servir

Os homens v√£o, v√™m, andam, dan√ßam, e nenhuma not√≠cia de morte. Tudo isso √© muito bonito. Mas, tamb√©m quando ela chega, ou para eles, ou para as suas mulheres, filhos e amigos, surpreendendo-os imprevistamente e sem defesa, que tormentos, que gritos, que dor e que desespero os abatem! J√° vistes algum dia algo t√£o rebaixado, t√£o mudado, t√£o confuso? √Č preciso preparar-se mais cedo para ela; e essa despreocupa√ß√£o de animal, caso pudesse instalar-se na cabe√ßa de um homem inteligente, o que considero inteiramente imposs√≠vel, vende-nos caro demais a sua mercadoria. Se fosse um inimigo que pud√©ssemos evitar, eu aconselharia a adoptar as armas da cobardia. Mas, como isso n√£o √© poss√≠vel, como ele vos alcan√ßa fugitivo e poltr√£o tanto quanto corajoso, De facto ele persegue o cobarde que lhe foge, e n√£o poupa os jarretes e o dorso poltr√£o de uma juventude sem coragem (Hor√°cio), e que nenhuma ilus√£o de coura√ßa vos encobre, In√ļtil esconder-se prudentemente sob o ferro e o bronze: a morte saber√° fazer-se exp√īr √† cabe√ßa que se esconde (Prop√©rcio), aprendamos a enfrent√°-lo de p√© firme e a combat√™-lo. E, para come√ßar a roubar-lhe a sua maior vantagem contra n√≥s, tomemos um caminho totalmente contr√°rio ao habitual.

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A História da Humanidade em Três Palavras

Felipe lembrou-se da hist√≥ria do Rei do Oriente que, desejando conhecer a hist√≥ria da humanidade, recebeu de um s√°bio quinhentos volumes; ocupado com neg√≥cios de Estado, pediu-lhe que a condensasse. Ao cabo de vinte anos, o s√°bio voltou e a sua hist√≥ria ocupava agora apenas cinquenta volumes; mas o rei, j√° velho demais para ler tantos livros volumosos, pediu-lhe que a fosse abreviar mais uma vez. Passaram-se de novo vinte anos, e o s√°bio, velho e encanecido, trouxe um √ļnico volume com os conhecimentos que o rei procurara; este, por√©m, estava deitado no seu leito de morte, nem tinha mais tempo de ler sequer aquilo. A√≠ o s√°bio deu-lhe a hist√≥ria da humanidade numa √ļnica linha: “Nasceram, sofreram, morreram”.

As Desvantagens das Nossas Paix√Ķes

Quanto mais um homem se emaranha numa paix√£o, tanto mais os acontecimentos, em si indiferentes, se traduzem para ele em dor, enganando justamente, pela sua indiferen√ßa, a avidez tensa em que esse homem se encontra. Um ambicioso sofrer√° porque uma pessoa c√©lebre n√£o lhe reconheceu import√Ęncia; essa mesma pessoa c√©lebre tentar√° insuflar escr√ļpulos de tenta√ß√£o a algum evang√©lico de quem procurar√° a conversa√ß√£o; escr√ļpulos que, por sua vez, irritar√£o um individualista, que ser√° atingido por eles, malgrado seu. A inveja, ambi√ß√£o ruminada, est√° na base de todas as ang√ļstias que sofremos. N√£o toleramos que uma coisa aconte√ßa indiferentemente, por acaso, escapando √† nossa chancela.
Qualquer género de fervor acarreta consigo a tendência para sentir uma lei preestabelecida na vida, uma lei que castiga os que abusam ou descuram esse mesmo fervor. Um estado de paixão Рmesmo que fosse a embriaguez da absoluta autodeterminação Рorganiza e anima de tal forma o Universo que toda a desgraça, parece, depois, provocada por uma ruptura do equilíbrio vital dessa paixão difusa, que, assim, se defende como um corpo vivo. E, segundo o temperamento de cada um, teremos a sensação de que abusámos, ou de que fomos inferiores; de qualquer forma, sentir-nos-emos organicamente punidos pela própria lei da paixão e do Universo.

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Egoísmo Relativo

Por mim, o meu ego√≠smo √© a superf√≠cie da minha dedica√ß√£o. O meu esp√≠rito vive constantemente no estudo e no cuidado da Verdade, e no escr√ļpulo de deixar, quando eu despir a veste que me liga a este mundo, uma obra que sirva o progresso e o bem da Humanidade.
Reconhe√ßo que o sentido intelectual que esse Servi√ßo da Humanidade toma em mim, em virtude do meu temperamento, me afasta, muitas vezes, das pequenas manifesta√ß√Ķes que em geral revelam o esp√≠rito humanit√°rio. Os actos de caridade, a dedica√ß√£o por assim dizer quotidiana s√£o cousas que raras vezes aparecem em mim, embora nada haja em mim que represente a nega√ß√£o delas.
Em todo o caso, reconheço, em justiça para comigo próprio, que não sou mais egoísta que a maioria dos indivíduos, e muito menos o sou que a maioria dos meus colegas nas artes e nas letras. Pareço egoísta àqueles que, por um egoísmo absorvente, exigem a dedicação dos outros como um tributo.

As Regras do Método

(…) em vez desse grande n√ļmero de preceitos que constituem a l√≥gica, julguei que me bastariam os quatro seguintes, contanto que tomasse a firme e constante resolu√ß√£o de n√£o deixar uma s√≥ vez de os observar.
O primeiro consistia em nunca aceitar como verdadeira qualquer coisa sem a conhecer evidentemente como tal; isto √©, evitar cuidadosamente a precipita√ß√£o e a preven√ß√£o; n√£o incluir nos meus ju√≠zos nada que se n√£o apresentasse t√£o clara e t√£o distintamente ao meu esp√≠rito, que n√£o tivesse nenhuma ocasi√£o para o p√īr em d√ļvida.
O segundo, dividir cada uma das dificuldades que tivesse de abordar no maior n√ļmero poss√≠vel de parcelas que fossem necess√°rias para melhor as resolver.
O terceiro, conduzir por ordem os meus pensamentos, começando pelos objectos mais simples e mais fáceis de conhecer, para subir pouco a pouco, gradualmente, até ao conhecimento dos mais compostos; e admitindo mesmo certa ordem entre aqueles que não se precedem naturalmente uns aos outros.
E o √ļltimo, fazer sempre enumera√ß√Ķes t√£o complexas e revis√Ķes t√£o gerais, que tivesse a certeza de nada omitir.

Aperta-me para Sempre

O dia adormece-me debaixo dos olhos, e as tuas mãos são a pele que Deus escolheu para tocar o mundo; não existe nenhum lugar mais divino do que o teu beijo, e quando quero voar deito-me a teus pés.
Peço-te que não vás, que fiques apenas para eu ficar, que permaneças no teu lado da cama, e eu no meu, a sentirmos que o tempo corre, e podes até adormecer, podes ler a revista das mulheres das passadeiras vermelhas e os homens com os abdominais que ninguém tem, ou simplesmente olhar o tecto e pensar em ti; eu fico aqui, a olhar-te para saber que existo, a pensar no quanto te quero e no tamanho que tem o teu corpo dentro do meu. Saber que há a curva das tuas costas para encontrar a curva da vida, percorrer com os olhos o cair do teu suor, e perceber a eternidade possível.
A imortalidade é um orgasmo contigo.
Gemes até ao fim do mundo por dentro dos meus ouvidos, todo o meu corpo se vem quando estás a chegar, e a verdade do universo é a física exígua do espaço entre nós. Aperta-me para sempre até ao princípio dos ossos,

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