Textos sobre Inferiores

83 resultados
Textos de inferiores escritos por poetas consagrados, filósofos e outros autores famosos. Conheça estes e outros temas em Poetris.

A Inveja só Incide sobre os Vivos

Por mais que vivamos juntos, e nos vejamos sempre, √© por um modo como vago, e passageiro: as cousas nem por estarem muito perto se v√™em melhor, e os Her√≥is o que os faz mais vis√≠veis, √© a dist√Ęncia, e despropor√ß√£o dos outros homens em que os p√Ķem as suas ac√ß√Ķes; n√£o s√≥ os homens, mas ainda os sucessos, quanto mais longe v√£o ficando, mais crescem, e nos v√£o parecendo maiores, at√© que os vimos a perder de vista, e muitas vezes da mem√≥ria; porque no tempo tamb√©m h√° um ponto de perspectiva, donde como em espelho v√£o crescendo todos os objectos, e em chegando a um certo termo, desaparecem. As empresas, que hoje vemos, talvez n√£o sejam inferiores √†s que a tradi√ß√£o refere do tempo do hero√≠smo; por√©m t√™m de menos o estarem pr√≥ximas a n√≥s, e as outras t√™m de mais, o valor que recebem de uma antiguidade vener√°vel: aquelas admiramos porque n√£o temos inveja, nem vaidade, que nos preocupe contra os que passaram h√° muitos s√©culos; contra os que existem sim, e destes, se sabemos as ac√ß√Ķes, tamb√©m sabemos as circunst√Ęncias delas; por isso as desprezamos, porque √© rara a empresa her√≥ica, em que n√£o entre algum fim indigno,

Continue lendo…

Todo o Génio é um Degenerado

Sendo certo que todo o g√©nio √© um degenerado (nem superior, nem inferior, porque h√° s√≥ degenerados de uma esp√©cie, mau grado a absurda escapat√≥ria dos psiquiatras modern style), cert√≠ssimo √©, sem d√ļvida, que entre os g√©nios, os da intelig√™ncia assumem um relevo m√°ximo de degenera√ß√£o. Um chefe pol√≠tico, um grande general, s√£o, no que g√©nios, degenerados, porque s√£o desvios do tipo normal e originais na sua ac√ß√£o e na sua individualidade. Mas s√£o normais porque s√£o homens de ac√ß√£o, porque vivem no meio da vida, e n√£o se pode fazer isso sem uma certa adapta√ß√£o a ela. O mais revolucion√°rio dos g√©nios pol√≠ticos tem de se adpatar ao que quer destruir para o poder destruir. Tem de mergulhar na vida que quer substituir para poder agir sobre ela.
Não assim na esfera da inteligência e da emoção intelectualizada Рna da filosofia e na da arte, digo. Sobre ser original, o artista, o pensador é um inadaptado às formas normais da vida, por isso que nem age no sentido da actividade normal (porque é original), nem age no que age, age vulgarmente (porque, em lugar de ter uma acção vulgar, orienta a sua vida sobretudo para a sensação e para a inteligência e não para a acção,

Continue lendo…

A Inteligência e o Sentido Moral

A intelig√™ncia √© quase in√ļtil para aqueles que s√≥ a possuem a ela. O intelectual puro √© um ser incompleto, infeliz, pois √© incapaz de atingir aquilo que compreende. A capacidade de apreender as rela√ß√Ķes das coisas s√≥ √© fecunda quando associada a outras actividades, como o sentido moral, o sentido afectivo, a vontade, o racioc√≠nio, a imagina√ß√£o e uma certa for√ßa org√Ęnica. S√≥ √© utiliz√°vel √† custa de esfor√ßo.
Os detentores da ciência preparam-se longamente realizando um duro trabalho. Submetem-se a uma espécie de ascetismo. Sem o exercício da vontade, a inteligência mantém-se dispersa e estéril. Uma vez disciplinada, torna-se capaz de perseguir a verdade. Mas só a atinge plenamente se for ajudada pelo sentido moral. Os grandes cientistas têm sempre uma profunda honestidade intelectual. Seguem a realidade para onde quer que ela os conduza. Nunca procuram substituí-la pelos seus próprios desejos, nem ocultá-la quando se torna opressiva. O homem que quiser contemplar a verdade deve manter a calma dentro de si mesmo. O seu espírito deve ser como a água serena de um lago. As actividades afectivas, contudo, são indispensáveis ao progresso da inteligência. Mas devem reduzir-se a essa paixão que Pasteur chamava deus inteiror, o entusiasmo.

Continue lendo…

A Dor e o Tédio São os Dois Maiores Inimigos da Felicidade

O panorama mais amplo mostra-nos a dor e o t√©dio como os dois inimigos da felicidade humana. Observe-se ainda: √† medida que conseguimos afastar-nos de um, mais nos aproximamos do outro, e vice-versa; de modo que a nossa vida, na realidade, exp√Ķe uma oscila√ß√£o mais forte ou mais fraca entre ambos. Isso origina-se do facto de eles se encontrarem reciprocamente num antagonismo duplo, ou seja, um antagonismo exterior ou oubjectivo, e outro interior e subjectivo. De facto, exteriormente, a necessidade e a priva√ß√£o geram a dor; em contrapartida, a seguran√ßa e a abund√Ęncia geram o t√©dio. Em conformidade com isso, vemos a classe inferior do povo numa luta constante contra a necessidade, portanto contra a dor; o mundo rico e aristocr√°tico, pelo contr√°rio, numa luta persistente, muitas vezes realmente desesperada contra o t√©dio. O antagonismo interior ou subjectivo entre ambos os sofrimentos baseia-se no facto de que, em cada indiv√≠duo, a susceptibilidade para um encontra-se em propor√ß√£o inversa √† susceptibilidade para o outro, j√° que ela √© determinada pela medida das suas for√ßas espirituais. Com efeito, a obtusidade do esp√≠rito est√°, em geral, associada √† da sensa√ß√£o e √† aus√™ncia da excitabilidade, qualidades que tornam o indiv√≠duo menos suscept√≠vel √†s dores e afli√ß√Ķes de qualquer tipo e intensidade.

Continue lendo…

Sê cortês com todos, até com os inferiores

Sê cortês com todos, até com os inferiores. Se a cortesia é honra para quem a recebe, muito mais o é para quem a faz.

Do Contraditório como Terapêutica de Libertação

Recentemente, entre a poeira de algumas campanhas pol√≠ticas, tomou de novo relevo aquele grosseiro h√°bito de polemista que consiste em levar a mal a uma criatura que ela mude de partido, uma ou mais vezes, ou que se contradiga, frequentemente. A gente inferior que usa opini√Ķes continua a empregar esse argumento como se ele fosse depreciativo. Talvez n√£o seja tarde para estabelecer, sobre t√£o delicado assunto do trato intelectual, a verdadeira atitude cient√≠fica.
Se há facto estranho e inexplicável é que uma criatura de inteligência e sensibilidade se mantenha sempre sentado sobre a mesma opinião, sempre coerente consigo próprio. A contínua transformação de tudo dá-se também no nosso corpo, e dá-se no nosso cérebro consequentemente. Como então, senão por doença, cair e reincidir na anormalidade de querer pensar hoje a mesma coisa que se pensou ontem, quando não só o cérebro de hoje já não é o de ontem, mas nem sequer o dia de hoje é o de ontem? Ser coerente é uma doença, um atavismo, talvez; data de antepassados animais em cujo estádio de evolução tal desgraça seria natural.
A coer√™ncia, a convic√ß√£o, a certeza s√£o al√©m disso, demonstra√ß√Ķes evidentes ‚ÄĒ quantas vezes escusadas ‚ÄĒ de falta de educa√ß√£o.

Continue lendo…

O Professor como Mestre

N√£o me basta o professor honesto e cumpridor dos seus deveres; a sua norma √© burocr√°tica e vejo-o como pouco mais fazendo do que exercer a sua profiss√£o; estou pronto a conceder-lhe todas as qualidades, uma relativa intelig√™ncia e aquele saber que lhe assegura superioridade ante a classe; acho-o digno dos louvores oficiais e das aten√ß√Ķes das pessoas mais s√©rias; creio mesmo que tal distin√ß√£o foi expressamente criada para ele e seus pares. De resto, √© sempre poss√≠vel a compara√ß√£o com tipos inferiores de humanidade; e ante eles o professor exemplar aparece cheio de m√©rito. Simplesmente, notaremos que o ser mestre n√£o √© de modo algum um emprego e que a sua actividade se n√£o pode aferir pelos m√©todos correntes; ganhar a vida √© no professor um acr√©scimo e n√£o o alvo; e o que importa, no seu ju√≠zo final, n√£o √© a ideia que fazem dele os homens do tempo; o que verdadeiramente h√°-de pesar na balan√ßa √© a pedra que lan√ßou para os alicerces do futuro.
A sua contribuição terá sido mínima se o não moveu a tomar o caminho de mestre um imenso amor da humanidade e a clara inteligência dos destinos a que o espírito o chama;

Continue lendo…

Sempre nos Reduzimos √†s Limita√ß√Ķes do Nosso Interlocutor

Ningu√©m pode ver acima de si. Com isso quero dizer: cada pessoa v√™ em outra apenas o tanto que ela mesma √©, ou seja, s√≥ pode conceb√™-la e compreend√™-la conforme a medida da sua pr√≥pria intelig√™ncia. Se esta for de tipo inferior, ent√£o todos os dons intelectuais, mesmo os maiores, n√£o lhe causar√£o nenhuma impress√£o, e ela perceber√° no possuidor desses grandes dons apenas os elementos inferiores da individualidade dela pr√≥pria, isto √©, todas as suas fraquezas, os seus defeitos de temperamento e car√°cter. Eis os ingredientes que, para ela, comp√Ķem o homem eminente, cujas capacidades intelectuais elevadas lhe s√£o t√£o pouco existentes, quanto as cores para os cegos. De facto, todos os esp√≠ritos s√£o invis√≠veis para os que n√£o o possuem, e toda a avalia√ß√£o √© um produto do que √© avaliado pela esfera cognitiva de quem avalia.
Disso resulta que nos colocamos ao mesmo nível do nosso interlocutor, pois tudo o que temos em excedência desaparece, e até mesmo a auto-abnegação exigida em tal atitude permanece irreconhecida por completo. Ora, se considerarmos o quanto a maioria dos homens é de mentalidade e inteligência inferiores, portanto, o quanto é comum, veremos que não é possível falar com ele sem,

Continue lendo…

Estado de Grandeza Dependente

A pura, perfeita, e absoluta liberdade consiste em n√£o necessitar de coisa alguma: e esta √© pr√≥pria dos bem-aventurados. Outra mais inferior consiste em necessitar de poucas coisas: e quanto estas forem menos, tanto a liberdade ser√° de mais alto grau. E esta √© a que na presente vida podemos, e devemos procurar (…).
Daqui se infere, que quanto maior é a grandeza de estado de uma pessoa, tanto maior é o seu cativeiro (excepto aqueles poucos, que só no exterior são grandes, e no seu interior pequenos): porque necessita de inumeráveis coisas para o adquirir, e conservar: antes nessas mesmas coisas consiste o tal estado.

Não Te Leves Tão a Sério

Em todas as palestras que dou, reservo alguns minutos para este tema e, se poss√≠vel, logo no in√≠cio da conversa. Fa√ßo-o porque quero que a soma de todas as pessoas que me ouvem possam, rapidamente, ser um grupo. O objetivo √© aproxim√°-las da minha energia e desconstruir padr√Ķes. Muitas vezes, em certos indiv√≠duos, denoto uma forte resist√™ncia ao abra√ßo de um desconhecido, ao vibrar com uma m√ļsica que pede saltos e explos√Ķes de alegria e ao riso.
E porque √© que isto acontece? Porque est√£o a levar os padr√Ķes que gerem as suas vidas demasiado a s√©rio.

– ¬ęEu n√£o toco assim numa pessoa que n√£o conhe√ßo¬Ľ; ¬ęAi que vergonha, p√īr-me aqui aos saltos¬Ľ; ¬ęAlguma vez na vida, vou achar gra√ßa ao que ele disse? Convencido¬Ľ.
Estes exemplos são de gente real. De gente que se acha superior, mais educada e mais engraçada. Mas serão? Ou será esta gente de uma extrema insegurança? E estes exemplos de alguém que se sente ameaçado, com medo que lhe caia a máscara e extremamente vulnerável?

Aprendi que o palco, o microfone e as centenas de olhos na minha dire√ß√£o j√° me d√£o um status mais do que suficiente para criar a ilus√£o de que sou mais do que o meu p√ļblico.

Continue lendo…

A Falsa Glória

√Ä gl√≥ria que surge rapidamente, deve-se acrescentar tamb√©m a falsa, ou melhor, a gl√≥ria artificialmente produzida de uma obra, seja por louvor indevido, bons amigos, cr√≠ticos corrompidos, indica√ß√Ķes de superiores e acordos entre inferiores ou pela correctamente suposta incapacidade das massas de julgar. Assemelha-se √†s b√≥ias, com as quais um corpo pesado consegue flutuar na √°gua. Elas carregam-no por mais ou menos tempo, conforme estejam bem cheias e vedadas. No entanto, de qualquer modo o ar vai saindp a pouco a pouco e o corpo acaba por se afundar.

Cultiva a Tua Diferença

Não és um homem normal. Isso te é uma inferioridade (ou uma superioridade?). Como em tudo o que é diferente. Cultiva a tua diferença. Mas uma diferença pode ser negativa. Esse o teu drama. Porque a tua diferença vai além e fica aquém dos outros. Tu querias ser os outros no em que lhes és inferior e ser diferente no em que lhes és superior. Mas toda a superioridade se paga. Paga e não bufes.

Os Tiranos de Génio

Sei perfeitamente que, para se alcançar qualquer finalidade organizadora, é necessário haver quem pense, coordene e, no total, assuma a responsabilidade. Porém, os conduzidos não devem ser constrangidos, mas antes poderem eleger o seu chefe. Um sistema autocrático de coacção degenera, a meu ver, dentro de pouco tempo, pois a violência atrai aqueles que são moralmente inferiores e, em regra, no meu entender, aos tiranos de génio sucedem-se geralmente patifes.

O Provincianismo Português (II)

Se fosse preciso usar de uma s√≥ palavra para com ela definir o estado presente da mentalidade portuguesa, a palavra seria “provincianismo”. Como todas as defini√ß√Ķes simples esta, que √© muito simples, precisa, depois de feita, de uma explica√ß√£o complexa. Darei essa explica√ß√£o em dois tempos: direi, primeiro, a que se aplica, isto √©, o que deveras se entende por mentalidade de qualquer pa√≠s, e portanto de Portugal; direi, depois, em que modo se aplica a essa mentalidade.
Por mentalidade de qualquer pa√≠s entende-se, sem d√ļvida, a mentalidade das tr√™s camadas, organicamente distintas, que constituem a sua vida mental ‚ÄĒ a camada baixa, a que √© uso chamar povo; a camada m√©dia, a que n√£o √© uso chamar nada, excepto, neste caso por engano, burguesia; e a camada alta, que vulgarmente se designa por escol, ou, traduzindo para estrangeiro, para melhor compreens√£o, por elite.
O que caracteriza a primeira camada mental é, aqui e em toda a parte, a incapacidade de reflectir. O povo, saiba ou não saiba ler, é incapaz de criticar o que lê ou lhe dizem. As suas ideias não são actos críticos, mas actos de fé ou de descrença, o que não implica, aliás,

Continue lendo…

Regras Essenciais para os Negócios

Mais vale em geral negociar oralmente do que por cartas, e por media√ß√£o, de terceiro do que pessoalmente. As cartas s√£o melhores quando se deseja provocar resposta escrita, ou quando podem servir para justifica√ß√£o de um procedimento a tomar depois de escrita a carta. Tratar o assunto pessoalmente √© bom, quando a presen√ßa imp√Ķe respeito, como acontece geralmente perante inferiores. Na escolha dos intermedi√°rios, √© melhor optar por pessoas francas, que far√£o aquilo de que foram encarregadas, e que transmitir√£o fielmente o resultado, do que escolher pessoas h√°beis em tirar proveito dos neg√≥cios alheios, e que podem alterar a verdade dos factos, apenas para vos dar satisfa√ß√£o. √Č melhor sondar a pessoa com a qual se trata um neg√≥cio, antes de entrar abruptamente no assunto, excepto quando se pretende surpreend√™-la com alguma quest√£o especiosa.
√Č melhor tratar com pessoas que ainda t√™m apetite do que com aquelas que j√° o perderam. Se se trata com algu√©m sob condi√ß√Ķes, o essencial, √© o primeiro acto, porque tudo n√£o se pode razoavelmente pedir, excepto se a natureza da coisa for tal que se possa levar avante; ou tal que uma parte possa persuadir a outra que precisar√° dela em futuro neg√≥cio;

Continue lendo…

Vaidade e Vanglória

Era uma linda inven√ß√£o de Esopo a do moscardo que, sentado no eixo da roda, dizia: ¬ęQuanta poeira fa√ßo levantar!¬Ľ Assim h√° muitas pessoas v√£s que quando um neg√≥cio marcha por si ou vai sendo movido por agentes mais importantes, desde que estejam relacionados com ele por um s√≥ pormenor, imaginam que s√£o eles quem conduz tudo: os que t√™m que ser facciosos, porque toda a vaidade assenta em compara√ß√Ķes. T√™m de ser necessariamente violentos, para fazerem valer as suas jact√Ęncias. N√£o podem guardar segredo, e por isso n√£o s√£o √ļteis para ningu√©m, mas confirmam o prov√©rbio franc√™s: Beaucoup de bruit, peu de fruit.
Este defeito não é, porém, sem utilidade para os negócios políticos: onde houver uma opinião ou uma fama a propagar, seja de virtude seja de grandeza, esses homens são óptimos trombeteiros.
(…) A vaidade ajuda a perpetuar a mem√≥ria dos homens, e a virtude nunca foi considerada pela natureza humana como digna de receber mais do que um pr√©mio de segunda m√£o. A gl√Ķria de C√≠cero, de S√©neca, de Pl√≠nio o Mo√ßo, n√£o teria durado tanto tempo se eles n√£o fossem de algum modo vaidosos; a vaidade √© como o verniz, que n√£o s√≥ faz brilhar,

Continue lendo…

A Multid√£o Embrutece

Assim que muitos homens se encontram juntos, perdem-se. A multidão transporta as suas unidades do presente para o passado e precipita-as de cima para baixo: trata-se de um recuo e uma decadência.
Todo o homem, l√° dentro, converte-se noutro – mas pior. Nas multid√Ķes, a uni√£o √© constitu√≠da pelos inferiores e fundada nas partes inferiores de todas as almas. S√£o florestas em que os ramos altos n√£o se entrela√ßam, mas apenas, em baixo na escurid√£o, as ra√≠zes terrosas. Todos perdem o que os torna diferentes e melhores, enquanto o antigo r√ļstico – que, entre obst√°culos, morda√ßas e a√ßaimos, parecia aniquilado – acorda e muge. Em todas as multid√Ķes, como em toda a Humanidade, os med√≠ocres s√£o infinitamente mais que os grandes, os calmos que os violentos, os simples que os profundos, os primitivos que os civilizados, e √© a maioria que cria a alma comum que imbrica e nivela todo o agrupamento de homens.
Aquele que em cada um forma o seu superior n√£o pode conformar-se e fundir-se – √© a pessoa √ļnica e, portanto, incomunic√°vel. Toda a pessoa se op√Ķe √†s outras, existe enquanto √© diferente, n√£o se pode liquefazer num todo. Mas h√° em cada um de n√≥s,

Continue lendo…

O Futuro é dos Virtuosos e dos Capazes

√Č preciso confessar, o presente √© dos ricos, e o futuro √© dos virtuosos e dos capazes. Homero ainda vive, e viver√° sempre; os recebedores de direitos, os publicanos, n√£o existem mais: existiram algum dia? A sua p√°tria, os seus nomes, s√£o conhecidos? Houve arrecadores de impostos na Gr√©cia? Que fim levaram essas personagens que desprezavam Homero, que s√≥ pensavam, na rua, em evit√°-lo, n√£o correspondiam √† sua sauda√ß√£o, ou o saudavam pelo nome, desdenhavam associ√°-lo √† sua mesa, olhavam-no como um home que n√£o era rico e fazia um livro?
O mesmo orgulho que faz elevar-se altivamente acima dos seus inferiores, faz rastejar vilmente diante dos que est√£o acima de si. √Č pr√≥prio deste v√≠cio, que n√£o se funda sobre o m√©rito pessoal nem sobre a virtude, e sim sobre as riquezas, cargos, cr√©dito, e sobre ci√™ncias v√£s, levar-nos igualmente a desprezar os que t√™m menos essa esp√©cie de bens do que n√≥s e a apreciar demais aqueles que t√™m uma medida que excede a nossa.

H√° almas sujas, amassadas com lama e sujidade, tomadas pelo desejo de ganho e interesse, como as belas almas o s√£o pelo da gl√≥ria e da virtude: capazes de uma √ļnica vol√ļpia,

Continue lendo…

As Culturas de Indivíduo, Grupo, e Sociedade

O termo cultura tem associa√ß√Ķes diferentes conforme temos em mente o desenvolvimento de um indiv√≠duo, de um grupo ou classe ou de toda uma sociedade. √Č parte da minha tesse que a cultura do indiv√≠duo est√° dependente da cultura de um grupo ou classe, e que a cultura do grupo ou classe est√° dependente da cultura de toda a sociedade a que esse grupo ou classe pertence. Por isso, √© a cultura da sociedade que √© fundamental, e √© o significado do termo ¬ęcultura¬Ľ em rela√ß√£o a toda a sociedade que se devia examinar primeiro. Quando o termo ¬ęcultura¬Ľ se aplica √† manipula√ß√£o de organismos inferiores – ao trabalho do bacteriologista ou do agricultor – o significado √© bastante claro porque podemos obter unanimidade a respeito dos fins a serem atingidos, e podemos concordar quanto a t√™-los atingidos ou n√£o. Quando se aplica ao aperfei√ßoamento do intelecto e esp√≠ritos humanos, √© menos prov√°vel que concordemos em rela√ß√£o ao que a cultura √©. O termo em si, significando alguma coisa a que se deve conscientemente aspirar em assuntos humanos, n√£o tem uma uma hist√≥ria longa.

Como alguma coisa a ser alcan√ßada com esfor√ßo deliberado, a ¬ęcultura¬Ľ √© relativamente intelig√≠vel quando nos preocupamos com o acto do indiv√≠duo se autocultivar,

Continue lendo…