Cita√ß√Ķes sobre Pol√≠cia

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Frases sobre pol√≠cia, poemas sobre pol√≠cia e outras cita√ß√Ķes sobre pol√≠cia para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Recusa

a Alberto de Serpa

Serei sempre um poeta provinciano.
Um poeta triste, esquivo,
Com medo de apertar a m√£o aos poetas da cidade
E de me sentar com eles
À mesa do Café.
N√£o falarei de minha poesia.
N√£o rimarei minha ang√ļstia
Com a solenidade de suas quest√Ķes.
A poesia n√£o est√° na discuss√£o.
A poesia n√£o est√° no n√£o estar com este ou com aquele.
A poesia est√° em matar esta morte
Que anda dentro de nós
Para que a vida renasça.
A poesia está em gritar do alto dos arranha-céus
E das planuras e concavidades sertanejas
Que o mundo vai acabar
Que o mundo est√° maduro para o sangue
Que o mundo perverso e caótico vai vagar.
Serei sempre um poeta provinciano.
Um poeta esquivo defendendo sua solid√£o
De todos os truques de todos os ódios de todas as invejas.
Os poetas rendilheiros n√£o perdoar√£o.
Os poetas vaidosos v√£o barafustar
E exigir a expuls√£o imediata
Do √ļltimo vendilh√£o do Templo,
Em nome da religi√£o,
Em nome da estética,
Em nome da dignidade amarfanhada,

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O Vício do Exagero

Hoje, no caf√©, aqui-del-rei que eu exagero, aqui-del-rei que conto uma anedota e a anedota sai da minha boca transfigurada. Aqui-del-rei que descrevo um indiv√≠duo e ponho bigodes de pol√≠cia onde havia somente uma discreta penugem. √Č certo, exagero. Come√ßo a pintar um bot√£o, e √© capaz de me sair o cosmos.

Depravação e Génio

Uma vez que a maior parte das pessoas encara a santidade como qualquer coisa insulsa e conforme a uma pureza legal, é provável que a depravação represente uma maneira do génio dos sentidos, quer dizer, de desvio até ao extremo de uma vertente descida em liberdade e exterior às regras. Disto resulta que o génio, tal como é aceite, ou antes, tal como é tolerado, constitua uma depravação espiritual análoga a uma depravação dos sentidos. Muitas vezes uma arrasta a outra, e é raro um génio das letras, da escultura ou da pintura não se denunciar e, mesmo que lá não meta a sua carne, fazer prova de uma liberdade de ver, sentir e admirar que ultrapassa os limites consentidos.
(…) Acontece que nos interrogamos com estupefac√ß√£o sobre as in√ļmeras deprava√ß√Ķes de bairro lim√≠trofe que a pol√≠cia e os hospitais testemunham. S√≥ poderemos ver nelas o meandro onde os med√≠ocres se perdem quando decidem deixar-se arrastar e sair das regras que lhes foram destinadas.
Traduzam-se estas deprava√ß√Ķes noutra l√≠ngua, d√™-se-lhes eleva√ß√£o, transcend√™ncia, sejam elas revestidas de intelig√™ncia, e obter-se-√† uma imagem em ponto pequeno das altas deprava√ß√Ķes que as obras-primas da arte nos valem.
Tal como Picasso apanha o que encontra no lixo e o eleva à dignidade de servir,

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Certas Palavras

Certas palavras n√£o podem ser ditas
em qualquer lugar e hora qualquer.
Estritamente reservadas
para companheiros de confiança,
devem ser sacralmente pronunciadas
em tom muito especial
lá onde a polícia dos adultos
não adivinha nem alcança.

Entretanto s√£o palavras simples:
definem
partes do corpo, movimentos, actos
do viver que só os grandes se permitem
e a nós é defendido por sentença
dos séculos.

E tudo é proibido. Então, falamos.

O Meu P√ļblico

Quando escrevo, o meu √ļnico p√ļblico sou eu. Depois √© que me ponho √† espera de que sejam tamb√©m os outros. N√£o porque antes os menospreze: simplesmente porque n√£o existem. Mas √© evidente que me interessa que existam depois como p√ļblico pelo desejo natural de me confirmarem a exist√™ncia como escritor. Porque a exist√™ncia como escritor implica a audi√™ncia dos outros. N√£o escolho por√©m o p√ļblico – espero que ele me escolha. Seria duro que me n√£o escolhesse, por todas as implica√ß√Ķes que se adivinham. Mas n√£o √© impeditivo de continuar – excepto se me convencerem (quem se convence?) que n√£o tinha nada a dizer. E no entanto, se n√≥s exprimirmos o tempo que nos exprime, h√° um pacto indissol√ļvel entre o tempo e n√≥s. Assim, o nosso p√ļblico est√° a√≠ sempre, ainda que tenhamos que ser n√≥s a despert√°-lo.

Esse p√ļblico n√£o desperta se n√≥s de facto lhe n√£o falarmos, ou seja, se realmente n√£o houve pacto algum com ele. Todas estas quest√Ķes, por√©m, s√£o sup√©rfluas para a necessidade de escrever. Cumpre-se um destino de artista como outros o de serem santos ou criminosos…
O resto não é connosco Рé com os críticos, os hagiógrafos e os arquivos da polícia.

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Os Supermercados

Os supermercados s√£o os pal√°cios dos pobres. N√£o s√£o s√≥ os azarentos e os mal alojados, os que ao longo das gera√ß√Ķes foram reduzindo os gastos da imagina√ß√£o, que frequentam e, de certo modo, vivem o supermercado, as chamadas grandes superf√≠cies. As grandes superf√≠cies com a sua √°rea iluminada e sempre em festa; a concentra√ß√£o dos prazeres correntes, como a alimenta√ß√£o e a imagem oferecida pelo cinema, satisfazem as pequenas ambi√ß√Ķes do quotidiano. N√£o h√° euforia mas h√° um sentimento de parentesco face √†s limita√ß√Ķes de cada um. A chuva e o calor s√£o poupados aos passeantes; a comida ligeira confina com a dieta dos adolescentes; h√° uma emo√ß√£o pr√≥pria que paira nas naves das grandes superf√≠cies. S√£o as catedrais da conveni√™ncia, d√£o a ilus√£o de que o sol quando nasce √© para todos e que a cultura e a seguran√ßa est√£o ao alcance das pequenas bolsas. N√£o h√° pol√≠cia, h√° uma paz de transeunte que a cidade j√° n√£o oferece.

Quando é que o amor acaba? Se você disse que se encontraria com alguém às 7 horas e chega às 9, e ele ainda não chamou a polícia, o amor acabou mesmo.

Luto pela Bondade

Quero viver num mundo sem excomungados. N√£o excomungarei ningu√©m. N√£o diria, amanh√£, a esse sacerdote: ¬ęVoc√™ n√£o pode baptizar ningu√©m porque √© anticomunista.¬Ľ N√£o diria ao outro: ¬ęN√£o publicarei o seu poema, o seu trabalho, porque voc√™ √© anticomunista.¬Ľ Quero viver num mundo em que os seres sejam simplesmente humanos, sem mais t√≠tulos al√©m desse, sem trazerem na cabe√ßa uma regra-, uma palavra r√≠gida, um r√≥tulo. Quero que se possa entrar em todas as igrejas, em todas as tipografias. Quero que n√£o esperem ningu√©m, nunca mais, √† porta do munic√≠pio para o deter e expulsar. Quero que todos entrem e saiam sorridentes da C√Ęmara Municipal. N√£o quero que ningu√©m fuja em g√īndola, que ningu√©m seja perseguido de motocicleta. Quero que a grande maioria, a √ļnica maioria, todos, possam falar, ler, ouvir, florescer. Nunca compreendi a luta sen√£o como um meio de acabar com ela. Nunca aceitei o rigor sen√£o como meio para deixar de existir o rigor. Tomei um caminho porque creio que esse caminho nos leva, a todos, a essa amabilidade duradoura. Luto pela bondade ub√≠qua, extensa, inexaur√≠vel. De tantos encontros entre a minha poesia e a pol√≠cia, de todos esses epis√≥dios e de outros que n√£o contarei porque repetidos,

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Façam a Barba, Meus Senhores!

A barba, por ser quase uma máscara, deveria ser proibida pela polícia. Além disso, enquanto distintivo do sexo no meio do rosto, ela é obscena: por isso é apreciada pelas mulheres.
Dizem que a barba √© natural ao homem: n√£o h√° d√ļvida, e por isso ela √© perfeitamente adequada ao homem no estado natural; do mesmo modo, por√©m, no estado civilizado √© natural ao homem fazer a barba, uma vez que assim ele demonstra que a brutal viol√™ncia animalesca – cujo emblema, percebido imediatamente por todos, √© aquela excresc√™ncia de p√™los, caracter√≠stica do sexo masculino – teve de ceder √† lei, √† ordem e √† civiliza√ß√£o.
A barba aumenta a parte animalesca do rosto e ressalta-a. Por essa raz√£o, confere-lhe um aspecto brutal t√£o evidente. Basta observar um homem barbudo de perfil enquanto ele come! Este pretende que a barba seja um ornamento. No entanto, h√° duzentos anos era comum ver esse ornamento apenas em judeus, cossacos, capuchinhos, prisioneiros e ladr√Ķes. A ferocidade e a atrocidade que a barba confere √† fisionomia dependem do facto de que uma massa respectivamente sem vida ocupa metade do rosto, e justamente aquela que expressa a moral. Al√©m disso, todo o tipo de p√™lo √© animalesco.

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O Amor Português não é um Fenómeno Ternurento

Do carinho e do mimo, toda a gente sabe tudo o que h√° a saber ‚ÄĒ e mais um bocado. Do amor, ningu√©m sabe nada. Ou pensa-se que se sabe, o que √© um bocado menos do que nada. O mais que se pode fazer √© procurar saber quem se ama, sem querer saber que coisa √© o amor que se tem, ou de que s√≠tio vem o amor que se faz.

Do amor √© bom falar, pelo menos naqueles intervalos em que n√£o √© t√£o bom amar. Todos os pa√≠ses h√£o-de ter a sua pr√≥pria cultura amorosa. A portuguesa √© excepcional. Nas culturas mais parecidas com a nossa, √© muito maior a diferen√ßa que se faz entre o amor e a paix√£o. Faz-se de conta que o amor √© uma coisa ‚ÄĒ mais tranquila e pura e duradoura ‚ÄĒ e a paix√£o √© outra ‚ÄĒ mais do√≠da e complicada e ef√©mera. Em Portugal, por√©m, n√£o gostamos de dizer que nos ¬ęenamoramos¬Ľ, e o ¬ęenamoramento¬Ľ e outras palavras que contenham a palavra ¬ęamor¬Ľ s√£o-nos sempre um pouco estranhas. Quando n√≥s nos perdemos de amores por algu√©m, dizemos (e nitidamente sentimos) que nos apaixonamos. Aqui, sabe-se l√° por que atavismos atl√Ęnticos,

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Dizer N√£o

Diz NÃO à liberdade que te oferecem, se ela é só a liberdade dos que ta querem oferecer. Porque a liberdade que é tua não passa pelo decreto arbitrário dos outros.

Diz NÃO à ordem das ruas, se ela é só a ordem do terror. Porque ela tem de nascer de ti, da paz da tua consciência, e não há ordem mais perfeita do que a ordem dos cemitérios.

Diz N√ÉO √† cultura com que queiram promover-te, se a cultura for apenas um prolongamento da pol√≠cia. Porque a cultura n√£o tem que ver com a ordem policial mas com a inteira liberdade de ti, n√£o √© um modo de se descer mas de se subir, n√£o √© um luxo de ¬ęelitismo¬Ľ, mas um modo de seres humano em toda a tua plenitude.

Diz N√ÉO at√© ao p√£o com que pretendem alimentar-te, se tiveres de pag√°-lo com a ren√ļncia de ti mesmo. Porque n√£o h√° uma s√≥ forma de to negarem negando-to, mas infligindo-te como pre√ßo a tua humilha√ß√£o.

Diz NÃO à justiça com que queiram redimir-te, se ela é apenas um modo de se redimir o redentor. Porque ela não passa nunca por um código,

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Toda a coexist√™ncia pac√≠fica dos homens se baseia, em primeiro lugar, na m√ļtua confian√ßa, e s√≥ em segundo lugar em institui√ß√Ķes tais como tribunais e pol√≠cia; isto vale para as na√ß√Ķes tanto como para os indiv√≠duos isoladamente. A confian√ßa, por√©m, baseia-se numa rela√ß√£o leal do ¬ęgive and take¬Ľ isto √©, ¬ędar e receber¬Ľ.

O Homem Corrige Deus

N√≥s encontramos o soldado em v√°rias esp√©cies inferiores. A formiga tem ex√©rcitos e creio que pol√≠cia civil. Qualquer obscuro passarinho √© um aut√™ntico Bleriot. N√£o h√° industrial alem√£o que se aproxime da abelha. O canto do galo e os versos da Il√≠ada. Jo√£o de Deus e o rouxinol, o castor e o arquitecto, a sub-marinha e os tubar√Ķes, representam cousas e criaturas que se confundem…
Mas o Fil√≥sofo revela-se apenas no homem. A Filosofia √© o sinal luminoso que o destaca da mesquinha escuridade ambiente… S√≥ o homem √© suscept√≠vel de magicar, de refazer a Cria√ß√£o √† sua imagem… O homem corrige Deus.

Somos Uma Surpresa Para Nós Próprios

Como ser√£o em privado as pessoas que conhecemos? Quanta surpresa se o soub√©ssemos. Porque n√≥s, instintivamente, tendemos a julg√°-las id√™nticas dentro e fora de si. Mas o que somos por fora √© o que aceitamos que o seja e √© o que os outros estabeleceram. Tal fanfarr√£o na pra√ßa p√ļblica pode ser um chilro piegas quando l√° n√£o est√° ou um medricas quando a coisa √© a s√©rio (N√£o dizia Arist√≥teles que os grandes atletas eram maus soldados?). Ou inversamente. O que aceita para si a imagem exterior de um mole, de um t√≠bio, de um encolhido de comportamento – no interior de si, e quando for caso disso, pode ser um obstinado de dente rilhado. H√° um estilo de se ser que se adopta por conven√ß√£o generalizada, orienta√ß√£o de uma √©poca, obriga√ß√£o protocolar no modo de nos manifestarmos.
(…) As regras de comportamento em grandezas chegam s√≥ √† porta da rua ou ao menos da do quarto ou seguramente √† da casa de banho. E da√≠ para dentro, vale tudo, ou seja a regra somos n√≥s. E √© ent√£o que sabemos quem somos ou quem √© aquele que consentimos que seja ou em que medida respeitamos em n√≥s o que respeitamos nos outros.

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Projecto de Sucess√£o

Para o M√°rio Henrique

Continuar aos saltos até ultrapassar a Lua
continuar deitado até se destruir a cama
permanecer de pé até a polícia vir
permanecer sentado até que o pai morra

Arrancar os cabelos e n√£o morrer numa rua solit√°ria
amar continuamente a posição vertical
e continuamente fazer √Ęngulos rectos

Gritar da janela até que a vizinha ponha as mamas de fora
por-se nu em casa até a escultora dar o sexo
fazer gestos no café até espantar a clientela
pregar sustos nas esquinas até que uma velhinha caia
contar histórias obscenas uma noite em família
narrar um crime perfeito a um adolescente loiro
beber um copo de leite e misturar-lhe nitro-glicerina
deixar fumar um cigarro só até meio
Abrirem-se covas e esquecerem-se os dias
beber-se por um copo de oiro e sonharem-se índias.

Ninguém Tem Pena das Pessoas Felizes

Ningu√©m tem pena das pessoas felizes. Os Portugueses adoram ter ang√ļstias, inseguran√ßas, d√ļvidas existenciais dilacerantes, porque √© isso que funciona na nossa sociedade. As pessoas com problemas s√£o sempre mais interessantes. N√≥s, os tontos, n√£o temos interesse nenhum porque somos felizes. Somos felizes, somos tonta√ßos, n√£o podemos ter gra√ßa nem salva√ß√£o. Muitos felizardos (a pr√≥pria palavra tem um soar repelente, rimador de ¬ęjavardo¬Ľ) v√™em-se obrigados a fingir a dor que deveras n√£o sentem, s√≥ para poderem ¬ębrincar¬Ľ com os outros meninos.
√Č assim. Chega um infeliz ao p√© de n√≥s e diz que n√£o sabe se h√°-de ir beber uma cerveja ou matar-se. E pergunta, depois de ter feito o invent√°rio das tristezas das √ļltimas 24 horas: ¬ęE tu? Sempre bem disposto, n√£o?¬Ľ. O que √© que se pode responder? Apetece mentir e dizer que nos morreu uma av√≥, que nos atrai√ßoou uma namorada, que nos atropelaram a cadelinha ali na estrada de Sines.
E, no entanto, as pessoas felizes tamb√©m sofrem muito. Sofrem, sobretudo, de ¬ęculpa¬Ľ. Se elas est√£o felizes, rodeadas de pessoas tristes, √© l√≥gico que pensem que h√° ali qualquer coisa que n√£o bate certo. As infelizes acusam sempre os felizes de terem a culpa.

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E agora definia a consci√™ncia… segundo ele, era o medo da pol√≠cia… isto da consci√™ncia √© uma quest√£o de educa√ß√£o. Adquire-se como as boas maneiras.

As Vantagens do Exercício Físico

Sempre acreditei que o exerc√≠cio f√≠sico √© a chave n√£o apenas da sa√ļde f√≠sica mas tamb√©m da paz de esp√≠rito. Muitas vezes, nos velhos tempos, eu descarregava a minha raiva e frustra√ß√£o no saco de boxe, em vez de o fazer num camarada ou at√© num pol√≠cia. O exerc√≠cio dissipa a tens√£o e a tens√£o √© a inimiga da serenidade. Descobri que trabalhava melhor e pensava com mais clareza quando estava em boa condi√ß√£o f√≠sica, e, por isso, o treino tornou-se uma das disciplinas r√≠gidas da minha vida. Na pris√£o, era absolutamente indispens√°vel ter um escape para as minhas frustra√ß√Ķes.

Amizade na Empatia Divergente

As pessoas que mais admiro são aquelas que melhor divergem da minha pessoa. Claro está, só se diverge de outrem dentro do que nos é comum. Porque há quem nada tenha de comum connosco, nem sequer a própria existência e a mesma humanidade. E não esqueçamos que o espaço e o tempo são aparências por nós fabricadas para dar passo ao espírito e não lenha para nos queimarmos. Ao mesmo tempo e no mesmo espaço podem juntar-se as pessoas mais alheias entre si e como não acontece na História em tempos e espaços diferentes. A universalidade humana é tão vária que pode um satisfazer inteiramente a sua e sem que lhe passe sequer pela cabeça a de outro que satisfaça também completamente a dele.
O tempo de cada qual √© o justo para si. N√£o √© dado a ningu√©m a ocasi√£o da pol√≠cia do tempo de outrem. De modo que √† porta da nossa intimidade havemos de p√īr a admira√ß√£o por aquele que vai entrar, tanto em quanto diverge como em quanto coincide connosco. Por outras palavras: n√£o vale mais o nosso mist√©rio do que o de outro qualquer. S√≥ o mist√©rio chega inteiro ao fim.