Textos sobre Milhares

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Textos de milhares escritos por poetas consagrados, filósofos e outros autores famosos. Conheça estes e outros temas em Poetris.

As Janelas da Memória

A mem√≥ria humana n√£o √© lida globalmente, como a mem√≥ria dos computadores, mas por √°reas espec√≠ficas a que chamo de janelas. Atrav√©s das janelas vemos, reagimos, interpretamos… Quantas vezes tentamos lembrar-nos de algo que n√£o nos vem √† ideia? Nesse caso, a janela permaneceu fechada ou inacess√≠vel.

A janela da mem√≥ria √©, portanto, um territ√≥rio de leitura num determinado momento existencial. Em cada janela pode haver centenas ou milhares de informa√ß√Ķes e experi√™ncias. O maior desafio de uma mulher, e do ser humano em geral, √© abrir o m√°ximo de janelas em cada situa√ß√£o. Se ela abre diversas janelas, poder√° dar respostas inteligentes. Se as fecha, poder√° dar respostas inseguras, med√≠ocres, est√ļpidas, agressivas. Somos mais instintivos e animalescos quando fechamos as janelas, e mais racionais quando as abrimos.

O mundo dos sentimentos possui as chaves para abrir as janelas. O medo, a tens√£o, a ang√ļstia, o p√Ęnico, a raiva e a inveja podem fech√°-las. A tranquilidade, a serenidade, o prazer e a afetividade podem abri-las. A emo√ß√£o pode fazer os intelectuais reagirem como crian√ßas agressivas e as pessoas simples reagirem como elegantes seres humanos. Sob um foco de tens√£o, como perdas e contrariedades, uma mulher serena pode ficar irreconhec√≠vel.

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Estamos Neuróticos

Faz sentido que se esteja a enviar para o espa√ßo uma sonda para explorar Plut√£o enquanto aqui as pessoas morrem de fome? Estamos neur√≥ticos. N√£o s√≥ existe desigualdade na distribui√ß√£o da riqueza como tamb√©m na satisfa√ß√£o das necessidades b√°sicas. N√£o nos orientamos por um sentido de racionalidade m√≠nima. A Terra est√° rodeada de milhares de sat√©lites, podemos ter em casa cem canais de televis√£o, mas para que nos serve isto neste mundo onde tantos morrem? √Č uma neurose colectiva, as pessoas j√° n√£o sabem o que √© que lhes √© essencial para a sua felicidade.

Ser Turista é Fugir da Responsabilidade

Ser turista √© fugir da responsabilidade. Os erros e os defeitos n√£o se colam em n√≥s como em casa. Somos capazes de vaguear por continentes e l√≠nguas, suspendendo a actividade do pensamento l√≥gico. O turismo √© a marcha da imbecilidade. Contam que sejamos imbecis. Todo o mecanismo do pa√≠s hospedeiro est√° adaptado aos viajantes que se comportam de um modo imbecil. Andamos √†s voltas, aturdidos, olhando de esguelha para mapas desdobrados. N√£o sabemos falar com as pessoas, ir a lado nenhum, quanto vale o dinheiro, que horas s√£o, o que comer ou como o comer. Ser-se imbecil √© o padr√£o, o n√≠vel e a norma. Podemos continuar a viver nestas condi√ß√Ķes durante semanas e meses, sem censuras nem consequ√™ncias terr√≠veis. Tal como a outros milhares, s√£o-nos concedidas imunidades e amplas liberdades. Somos um ex√©rcito de loucos, usando roupas de poliester de cores vivas, montando camelos, tirando fotografias uns aos outros, fatigados, desint√©ricos, sedentos. N√£o temos mais nada em que pensar sen√£o no pr√≥ximo acontecimento informe.

As Infelizes Necessidades do Homem Civilizado

Um autor c√©lebre, calculando os bens e os males da vida humana, e comparando as duas somas, achou que a √ļltima ultrapassa muito a primeira, e que tomando o conjunto, a vida era para o homem um p√©ssimo presente. N√£o fiquei surpreendido com a conclus√£o; ele tirou todos os seus racioc√≠nios da constitui√ß√£o do homem civilizado. Se subisse at√© ao homem natural, pode-se julgar que encontraria resultados muito diferentes; porque perceberia que o homem s√≥ tem os males que se criou para si mesmo, o que √† natureza se faria justi√ßa. N√£o foi f√°cil chegarmos a ser t√£o desgra√ßados. Quando, de um lado, consideramos o imenso trabalho dos homens, tantas ci√™ncias profundas, tantas artes inventadas, tantas for√ßas empregadas, abismos entulhados, montanhas arrasadas, rochedos quebrados, rios tornados naveg√°veis, terras arroteadas, lagos cavados, pantanais dissecados, constru√ß√Ķes enormes elevadas sobre a terra, o mar coberto de navios e marinheiros, e quando, olhando do outro lado, procuramos, meditando um pouco as verdadeiras vantagens que resultaram de tudo isso para a felicidade da esp√©cie humana, s√≥ nos podemos impressionar com a espantosa despropor√ß√£o que reina entre essas coisas, e deplorar a cegueira do homem, que, para nutrir o seu orgulho louco, n√£o sei que v√£ admira√ß√£o de si mesmo,

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Maldade Eterna

√Č dif√≠cil, a vida do pecador. Deus fez este mundo, mas n√£o o fez a contento de todos, pois n√£o?
N√£o me parece que ele estivesse a pensar muito em mim.
Pois, disse o velho. Mas em que é que as ideias de um homem o ajudam? Que mundos viu ele que preferia a este?
Consigo imaginar lugares melhores e melhores costumes.
E vossemecê consegue fazê-los existir?
N√£o.
N√£o. √Č um mist√©rio. Um homem v√™-se em palpos de aranha para entender a pr√≥pria mente porque s√≥ tem a pr√≥pria mente para entend√™-la. Pode entender o pr√≥prio cora√ß√£o, mas n√£o quer. E faz muito bem. O melhor √© nem espreitar l√° para dentro. N√£o √© o cora√ß√£o de uma criatura que esteja no caminho que Deus lhe tra√ßou. Encontra-se ruindade na mais mesquinha das criaturas, mas quando Deus criou o homem tinha o diabo √† sua ilharga. Uma criatura capaz de tudo, capaz de criar uma m√°quina e uma m√°quina para criar a m√°quina. E maldade que se perpetua sozinha durante um milhar de anos, sem ser preciso aliment√°-la. Vossemec√™ acredita nisso?
N√£o sei.
Pois acredite.

O Homem é o Animal Menos Preparado

A capacidade do homem para o pensamento abstracto, que parece faltar √† maioria dos outros mam√≠feros, conferiu-lhe sem d√ļvida o seu actual dom√≠nio sobre a superf√≠cie da Terra ‚Äď um dom√≠nio disputado apenas por centenas de milhares de tipos de insectos e organismos microsc√≥picos. Este pensamento abstracto √© o respons√°vel pela sua sensa√ß√£o de superioridade e pelo que, sob esta sensa√ß√£o, corresponde a uma certa medida de realidade, pelo menos dentro de estreitos limites. Mas o que √© frequentemente subestimado √© o facto de que a capacidade de desempenhar um acto n√£o √©, de forma alguma, sin√≥nima de seu exerc√≠cio salubre. √Č f√°cil observar que a maior parte do pensamento do homem √© est√ļpida, sem sentido e injuriosa para ele. Na realidade, de todos os animais, ele parece o menos preparado para tirar conclus√Ķes apropriadas nas quest√Ķes que afectam mais desesperadamente o seu bem-estar.
Tente imaginar um rato, no universo das ideias dos ratos, chegando a no√ß√Ķes t√£o ocas de plausibilidade como, por exemplo, o Swedenborgianismo, a homeopatia ou a telepatia mental. O instinto natural do homem, de facto, nunca se dirige para o que √© s√≥lido e verdadeiro; prefere tudo que √© especioso e falso. Se uma grande na√ß√£o moderna se confrontar com dois problemas antag√≥nicos ‚Äď um deles baseado em argumentos prov√°veis e racionais,

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A Vida Oblíqua

S√≥ agora pressenti o obl√≠quo da vida. Antes s√≥ via atrav√©s de cortes retos e paralelos. N√£o percebia o sonso tra√ßo enviesado. Agora adivinho que a vida √© outra. Que viver n√£o √© s√≥ desenrolar sentimentos grossos ‚ÄĒ √© algo mais sortil√©gico e mais gr√°cil, sem por isso perder o seu fino vigor animal. Sobre essa vida insolitamente enviesada tenho posto minha pata que pesa, fazendo assim com que a exist√™ncia fene√ßa no que tem de obl√≠quo e fortuito e no entanto ao mesmo tempo sutilmente fatal. Compreendi a fatalidade do acaso e n√£o existe nisso contradi√ß√£o.

A vida oblíqua é muito íntima. Não digo mais sobre essa intimidade para não ferir o pensar-sentir com palavras secas. Para deixar esse oblíquo na sua independência desenvolta.
E conheço também um modo de vida que é suave orgulho, graça de movimentos, frustração leve e contínua, de uma habilidade de esquivança que vem de longo caminho antigo. Como sinal de revolta apenas uma ironia sem peso e excêntrica. Tem um lado da vida que é como no inverno tomar café num terraço dentro da friagem e aconchegada na lã.
Conheço um modo de vida que é sombra leve desfraldada ao vento e balançando leve no chão: vida que é sombra flutuante,

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O Egoísmo Pessoal Tapa Todos os Horizontes

O mal e o rem√©dio est√£o em n√≥s. A mesma esp√©cie humana que agora nos indigna, indignou-se antes e indignar-se-√° amanh√£. Agora vivemos um tempo em que o ego√≠smo pessoal tapa todos os horizontes. Perdeu-se o sentido da solidariedade, o sentido c√≠vico, que n√£o deve confundir-se nunca com a caridade. √Č um tempo escuro, mas chegar√°, certamente, outra gera√ß√£o mais aut√™ntica. Talvez o homem n√£o tenha rem√©dio, n√£o tenhamos progredido muito em bondade em milhares e milhares de anos sobre a Terra. Talvez estejamos a percorrer um longo e intermin√°vel caminho que nos leva ao ser humano. Talvez, n√£o sei onde nem quando, cheguemos a ser aquilo que temos de ser. Quando metade do mundo morre de fome e a outra metade n√£o faz nada… alguma coisa n√£o funciona.

O Efeito Benéfico da Riqueza na Sociedade

Apesar do seu ego√≠smo e rapacidade, embora pensem apenas nos seus pr√≥prios interesses, embora o √ļnico fim que se prop√Ķem alcan√ßar a partir de milhares de empregados ao seu servi√ßo seja a gratifica√ß√£o dos seus pr√≥prios desejos v√£os e insaci√°veis, os ricos partilham com os pobres o produto de todos os seus progressos. S√£o guiados por uma m√£o invis√≠vel que os leva a fazer uma distribui√ß√£o dos bens necess√°rios √† vida praticamente equivalente √† que teria sido feita se a terra tivesse sido dividida por todos os seus habitantes em partes iguais, e assim, sem o pretenderem ou sem que o saibam, promover o interesse da sociedade, e proporcionar os meios para a multiplica√ß√£o da esp√©cie.

Tu √Čs uma Mulher Rara

Minha Anuska, onde foste buscar a ideia de que és uma mulher como outra qualquer? Tu és uma mulher rara, e, além do mais, a melhor de todas as mulheres. Tu própria não sonhas as qualidades que tens. Não só diriges a casa e as minhas coisas, como a nós todos, caprichosos e enervantes, a começar por mim e a acabar no Aléxis. Nos meus trabalhos desces ao mais pequeno pormenor, não dormes o suficiente, ocupada com a venda dos meus livros e com a administração do jornal. Contudo, conseguimos apenas economizar alguns copeques Рquanto aos rublos, onde estão eles?

Mas a teu lado nada disso tem import√Ęncia. Devias ser coroada rainha, e teres um reino para governar: juro-te que o farias melhor que ningu√©m. N√£o te falta intelig√™ncia, bom senso, sentido da ordem e, at√©… cora√ß√£o. Perguntas como posso eu amar uma mulher t√£o velha e feia como tu A√≠, sim, mentes. Para mim √©s um encanto, n√£o tens igual, e qualquer homem de sentimentos e bom gosto to dir√°, se atentar em ti. Por isso √© que √†s vezes sinto ci√ļmes. Tu pr√≥pria nem sabes a maravilha que s√£o os teus olhos, o sorriso e a anima√ß√£o que p√Ķes na conversa.

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Cuida do teu bom nome, porque ele te acompanha, é mais do que milhares de tesouros preciosos

Cuida do teu bom nome, porque ele te acompanha, é mais do que milhares de tesouros preciosos.

A Loucura do Dinheiro

O dinheiro suscita a maior parte das vocifera√ß√Ķes que ouvimos: √© o dinheiro que fatiga os tribunais, √© ele que coloca pais e filhos em desaven√ßa, √© ele que derrama venenos, √© ele que p√Ķe a espada nas m√£os dos assassinos e das legi√Ķes; ele est√° manchado de sangue nosso; √© por causa dele que as discuss√Ķes de marido e mulher ressoam na noite, √© por causa dele que a turba aflui aos tribunais; por causa dele, os reis massacram, saqueiam e arrasam cidades que demoraram s√©culos a construir, para procurarem ouro e prata entre as cinzas. V√™s os cofres arrumados a um canto? √Č por causa deles que se grita at√© os olhos sa√≠rem das suas √≥rbitas e que os brados ressoam nos tribunais; √© por causa deles que ju√≠zes vindo de regi√Ķes long√≠nquas se re√ļnem para decidir qual √© a avidez mais justa.
E quando, n√£o por um cofre, mas por um punhado de ouro ou por um den√°rio que se dispensaria a um escravo, se perfura o est√īmago de um velho que ia morrer sem herdeiros? E quando, possuindo v√°rios milhares, um usur√°rio de p√©s e m√£os deformados, incapaz sequer de mexer no dinheiro, reclama, furioso,

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A Alma Hipertrofiada

O rapaz que aos vinte anos se inscreve no partido comunista ou que, de espingarda na mão, se junta à guerrilha das montanhas, está fascinado pela sua própria imagem de revolucionário: é ela que o distingue de todos os outros, é ela que o faz transformar-se em si próprio. Na origem da sua luta encontra-se um amor exacerbado e insatisfeito pelo seu eu, ao qual ele deseja dar contornos bem nítidos, antes de o enviar (realizando o gesto do desejo de imortalidade, tal como o descrevi) para o grande palco da História sobre o qual convergem milhares de olhares: e nós sabemos já, pelo exemplo de Mychkine e de Nastassia Philippovna, que sob os olhares intensantemente assestados nela a alma não pára de crescer, de inchar, de ganhar volume, para finalmente levantar voo em direcção ao firmamento como um aeróstato magnificamente iluminado.
O que incita as pessoas a erguerem o punho, a pegarem numa espingarda, a defenderem juntas causas justas ou injustas, n√£o √© a raz√£o, mas a alma hipertrofiada. √Č este o carburante sem o qual o motor da Hist√≥ria n√£o poderia funcionar e √† falta do qual a Europa teria ficado deitada na relva, a olhar pregui√ßosamente as nuvens que pairam no c√©u.

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As Artes e as Ciências Nasceram dos Vícios

A astronomia nasceu da supersti√ß√£o; a ret√≥rica, da ambi√ß√£o, do √≥dio, da adula√ß√£o, da mentira; a geometria, da gan√Ęncia; a f√≠sica, da curiosidade v√£; e todas elas, mesmo a √©tica, do orgulho humano. As artes e as ci√™ncias devem portanto o seu nascimento aos nossos v√≠cios, e n√≥s dever√≠amos duvidar menos das suas vantagens se elas tivessem tido origem nas nossas virtudes. (…) Quantos perigos! Quantos caminhos equivocados na investiga√ß√£o das ci√™ncias? Por meio de quantos erros, milhares de vezes mais perigosos do que a verdade √© √ļtil, n√£o √© preciso abrir caminho a fim de alcan√ß√°-la? O problema √© patente; pois a falsidade admite um n√ļmero infinito de combina√ß√Ķes; mas a verdade possui apenas um modo de ser.

Produzimos uma Cultura de Devastação

Todos os anos exterminamos comunidades ind√≠genas, milhares de hectares de florestas e at√© in√ļmeras palavras das nossas l√≠nguas. A cada minuto extinguimos uma esp√©cie de aves e algu√©m em algum lugar rec√īndito contempla pela √ļltima vez na Terra uma determinada flor. Konrad Lorenz n√£o se enganou ao dizer que somos o elo perdido entre o macaco e o ser humano. Somos isso, uma esp√©cie que gira sem encontrar o seu horizonte, um projecto por concluir. Falou-se bastante ultimamente do genoma e, ao que parece, a √ļnica coisa que nos distancia na realidade dos animais √© a nossa capacidade de esperan√ßa. Produzimos uma cultura de devasta√ß√£o baseada muitas vezes no engano da superioridade das ra√ßas, dos deuses, e sustentada pela desumanidade do poder econ√≥mico. Sempre me pareceu incr√≠vel que uma sociedade t√£o pragm√°tica como a ocidental tenha deificado coisas abstractas como esse papel chamado dinheiro e uma cadeia de imagens ef√©meras. Devemos fortalecer, como tantas vezes disse, a tribo da sensibilidade…

Vivência Limitada

A. impossibilidade de participar de todas as combina√ß√Ķes em desenvolvimento a qualquer instante numa grande cidade tem sido uma das dores de minha vida. Sofro como se sentisse em mim, como se houvesse em mim uma capacidade desmesurada de agir. Entretanto, na parte de a√ß√£o que a vida me reserva, muitas vezes me abstenho e outras me confundo. […] A ideia de que diariamente, a cada hora, a cada minuto e em cada lugar se realizam milhares de a√ß√Ķes que me teriam profundamente interessado, de que eu certamente deveria tomar conhecimento e que entretanto jamais me ser√£o comunicadas ‚ÄĒ basta para tirar o sabor a todas as perspectivas de a√ß√£o que encontro √† minha frente. O pouco que eu pudesse obter n√£o compensaria jamais esse infinito perdido. Nem me consola o pensamento de que, entrando na confronta√ß√£o simult√Ęnea de tantos acontecimentos, eu n√£o pudesse sequer registr√°-los, quanto mais dirigi-los √† minha maneira ou mesmo tomar de cada um o aspecto singular, o tom e o desenho pr√≥prios, uma por√ß√£o, m√≠nima que fosse, de sua peculiar subst√Ęncia.

A Estupidez da Humanidade

N√≥s passamos as nossas vidas a lutar para conseguir que pessoas ligeiramente mais est√ļpidas que n√≥s aceitem as verdades que os grandes homens conheceram desde sempre. J√° h√° milhares de anos que eles sabiam que fechar uma pessoa doente num ambiente solit√°rio torna-a ainda pior. J√° h√° milhares de anos que eles sabiam que um homem pobre que √© assustado, pelo seu patr√£o, e pela pol√≠cia, √© um escravo. Eles sabiam. N√≥s sabemos. Mas ser√° que a granda massa iluminada dos brit√Ęnicos o sabem? N√£o. √Č o nosso dever, Ella, o teu e o meu, de lhes dizer. Porque os grandes homens s√£o demasiado grandes para serem incomodados. Est√£o j√° a descobrir como colonizar V√©nus e como irrigar a Lua. Isso √© que √© o mais importante para o nosso tempo. Tu e eu somos os empurradores da pedra. Todas as nossas vidas, tu e eu, temos que empregar as nossas energias, e todo o nosso talento, a empurrar uma enorme pedra por uma montanha acima. A pedra √© a verdade que os grandes homens sabem por instinto, e a montanha √© a estupidez da humanidade.

A Influência dos Livros e dos Jornais

Os jornais e os livros exercem no nascimento e na propaga√ß√£o das opini√Ķes uma influ√™ncia imensa, conquanto inferior √† dos discursos. Os livros actuam muito menos que os jornais, pois a multid√£o n√£o os l√™. Alguns foram, contudo, bastante poderosos pela sua influ√™ncia sugestiva para provocar a morte de milhares de homens. Tais s√£o as obras de Rousseau, verdadeira b√≠blia dos chefes do Terror, ou A Cabana do Pai Tom√°s, que contribuiu muito para a sanguinolenta guerra de secess√£o na Am√©rica do Norte. Outras obras como Robinson Crus√≥e e os romances de J√ļlio Verne exerceram grande influ√™ncia nas opini√Ķes da juventude e determinaram muitas carreiras.
Essa for√ßa dos livros era, sobretudo, consider√°vel quando se lia pouco. A leitura da B√≠blia no tempo de Cromwel criou na Inglaterra um n√ļmero avultado de fan√°ticos. Sabe-se que na √©poca em que foi escrito Dom Quixote, os romances de cavalaria exerciam uma ac√ß√£o t√£o perniciosa em todos os c√©rebros que os soberanos espanh√≥is vedaram, finalmente, a venda desses livros.
Hoje, a influ√™ncia dos jornais √© muito superior √† for√ßa dos livros. S√£o em n√ļmero incalcul√°vel as pessoas que t√™m unicamente a opini√£o do jornal que elas l√™em.