Cita√ß√Ķes sobre Vergonha

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√Č um absurdo afirmar que um homem deve ter vergonha de ser incapaz de defender-se com seus membros, mas n√£o de ser incapaz de defender-se com o discurso e raz√£o, quando o uso da raz√£o √© mais caracter√≠stico de um ser humano do que o uso de seus membros.

Deus não se revela onde há vergonha, ódio ou temor. Estes três sentimentos e o orgulho de casta são as malhas que prendem a alma.

Quem pode morrer honradamente deve morrer;
Porque, para continuar nesta vida triste,
Chega-se ao mesmo tempo à morte e à vergonha
Com frequência e facilidade.

Os mortos n√£o voltam, e √© melhor que assim seja… Que vergonha se voltassem! Onde h√° por a√≠ uma alma de vivo que se tivesse mantido digna de semelhante prod√≠gio?… Eles v√£o, e a gente fica, e ri, e canta, e deseja, e continua a viver! Mutilados, amputados, √†s vezes do melhor de n√≥s mesmos, a gente √© como estes vermes repugnantes que, cortados aos peda√ßos, criam novas c√©lulas, completam-se e continuam a rastejar e a viver! √Č uma mis√©ria, √©, mas √© assim!

Coragem Ilusória

H√° cinco esp√©cies de coragem, assim denominadas segundo a semelhan√ßa: suportam as mesmas coisas, mas n√£o pelos mesmos motivos. Uma √© a coragem pol√≠tica: prov√©m da vergonha; a segunda √© pr√≥pria dos soldados: nasce da experi√™ncia e do facto de conhecer, n√£o – como dizia S√≥crates – os perigos, mas os recursos contra eles; a terceira brota da falta de experi√™ncia e da ignor√Ęncia, e por ela s√£o induzidas as crian√ßas e os loucos, estes quando enfrentam a f√ļria dos elementos, aquelas quando pegam em serpentes. Outra esp√©cie √© a de quem tem esperan√ßa: gra√ßas a ela, arrostam os perigos aqueles que, muitas vezes, tiveram sorte (…) e os √©brios; o vinho, de facto, excita a confian√ßa.
Outra ainda dimana da paix√£o irracional, por exemplo, do amor e da ira.
Se algu√©m est√° enamorado, √© mais temer√°rio que cobarde e enfrenta muitos perigos, como aquele que no Metaponto matou o tirano, ou o cretense de que fala a lenda; o mesmo se passa com a c√≥lera e com a ira. Pois a ira √© capaz de nos p√īr fora de n√≥s. Por isso, se afiguram tamb√©m corajosos os javalis, embora n√£o sejam; quando fora de si, t√™m uma qualidade semelhante,

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Uma Certa Quantidade

Uma certa quantidade de gente à procura
de gente à procura duma certa quantidade

Soma:
uma paisagem extremamente à procura
o problema da luz (adrede ligado ao problema da vergonha)
e o problema do quarto-atelier-avi√£o

Entretanto
e justamente quando
j√° n√£o eram precisos
apareceram os poetas à procura
e a querer multiplicar tudo por dez
má raça que eles têm
ou muito inteligentes ou muito est√ļpidos
pois uma e outra coisa eles s√£o
Jesus Aristóteles Platão
abrem o mapa:
dói aqui
dói acolá

E resulta que também estes andavam à procura
duma certa quantidade de gente
que saía à procura mas por outras bandas
bandas que por seu turno também procuravam imenso
um jeito certo de andar à procura deles
visto todos buscarem quem andasse
incautamente por ali a procurar

Que susto se de repente alguém a sério encontrasse
que certo se esse alguém fosse um adolescente
como se é uma nuvem um atelier um astro

O Sonho

Amor querido, por nada menos que tu
Teria eu interrompido este sonho feliz:
Era um tema
Para a raz√£o, demasiado forte para fantasia.
Portanto, sabiamente, me acordaste; porém
O meu sonho n√£o terminou, continuou contigo.
√Čs t√£o verdadeira que bastam os pensamentos de ti
Para tornar sonhos realidade, fábulas em história.
Vem a meus braços, pois se pensaste ser melhor
Que n√£o sonhasse todo o meu sonho, concretizemos o resto.

Como o rel√Ęmpago, ou a luz da vela,
Teus olhos, e não o teu ruído, me acordaram;
Porém pensei que eras
(Tu que amas a verdade) um Anjo ‚ÄĒ √† primeira vista.
Mas quando vi que vias o meu coração
E os meus pensamentos, para além da arte do anjo,
Como sabias do meu sonho, como sabias quando
O excesso de gozo me acordaria, e ent√£o vieste,
Devo confessar que no mínimo, seria
Ultrajante, pensar-te outra coisa que n√£o tu.

Vindo e ficando mostrou-me que tu és tu.
Mas o levantares-te faz-me duvidar, e temo agora
Que tu j√° n√£o sejas tu.
E fraco o amor quando o medo é tão forte como ele;

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O Amor Limitado

Algum homem indigno de ser possuidor
De amor velho ou novo, sendo ele próprio falso ou fraco,
Pensou que a sua dor e vergonha seriam menores
Se a sua ira sobre as mulheres descarregasse.
E ent√£o uma lei nasceu:
Que cada uma um só homem conhecesse.
Mas s√£o assim as outras criaturas?

S√£o o sol, a lua, as estrelas proibidos por lei
De sorrir para onde lhes apetece, ou de esbanjar a sua luz?
Divorciam-se os p√°ssaros, ou s√£o censurados
Se abandonam o seu par, ou dormem fora uma noite?
Os animais n√£o perdem as suas pens√Ķes
Ainda que escolham novos amantes,
Mas nós fizémo-nos piores do que eles.

Quem j√° armou belos navios para ancorar nos portos,
Em vez de buscar novas terras, ou negociar com todos?
Ou construiu belas casas, plantou √°rvores e arbustos,
Apenas para as trancar, ou ent√£o deix√°-los cair?
O Bom não é bom, a não ser
Que mil coisas possua,
Mas arruína-se com a avidez.

Tradução de Helena Barbas

N√£o tenho vergonha de dizer que estou triste, N√£o dessa tristeza ignominiosa dos que, em vez de se matarem, fazem poemas: Estou triste por que voc√™s s√£o burros e feios E n√£o morrem nunca…

A M√°scara Falsa da Felicidade

Um erro sem d√ļvida bem grosseiro consiste em acreditar que a ociosidade possa tornar os homens mais felizes: a sa√ļde, o vigor da mente, a paz do cora√ß√£o s√£o os frutos tocantes do trabalho. S√≥ uma vida laboriosa pode amortecer as paix√Ķes, cujo jugo √© t√£o rigoroso; √© ela que mant√©m nas cabanas o sono, fugitivo dos grandes pal√°cios. A pobreza, contra a qual somos prevenidos, n√£o √© tal como pensamos: ela torna os homens mais temperantes, mais laboriosos, mais modestos; ela os mant√©m na inoc√™ncia, sem a qual n√£o h√° repouso nem felicidade real na terra.
O que √© que invejamos na condi√ß√£o dos ricos? Eles pr√≥prios endividados na abund√Ęncia pelo luxo e pelo fasto imoderados; extenuados na flor da idade por sua licenciosidade criminosa; consumidos pela ambi√ß√£o e pelo ci√ļme na medida em que est√£o mais elevados; v√≠timas orgulhosas da vaidade e da intemperan√ßa; ainda uma vez, povo cego, que lhe podemos invejar?
Consideremos de longe a corte dos príncipes, onde a vaidade humana exibe aquilo que tem de mais especioso: aí encontraremos, mais do que em qualquer outro lugar, a baixeza e a servidão sob a aparência da grandeza e da glória, a indigência sob o nome da fortuna,

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Nada é vergonhoso para o homem de espírito, nem é capaz de fazê-lo sentir vergonha e provar o desagradável sentimento dessa paixão, a não ser apenas o acto de envergonhar-se e de enrubescer.

A Vaidade da Tua Imagem

S√≥ podes ter esperan√ßas de ser fiel se sacrificares a vaidade da tua imagem. √Č dizeres: ¬ęEu penso como eles, sem distin√ß√£o.¬Ľ Ver-te-√°s desprezado. Mas sendo, como √©s, parte desse corpo, queres l√° saber do desprezo! Em vez de te importares com ele, agir√°s sobre esse corpo. E carreg√°-lo-√°s com a tua pr√≥pria inclina√ß√£o. E ir√°s buscar a tua honra √† honra deles. Porque n√£o h√° outra coisa a esperar.
Se tens motivos para teres vergonha, n√£o te exponhas. N√£o fales. Rumina a tua vergonha. Essa indigest√£o que te for√ßar√° a restabeleceres-te na tua casa √© excelente. Porque depende de ti. Mas aquele acol√° tem os membros doentes. Que faz ele? Manda cortar os quatro membros. √Č doido. Podes procurar a morte para que ao menos em ti respeitem os teus. Mas n√£o podes reneg√°-los, porque ent√£o √© a ti que te renegas.

O Solit√°rio

Como alguém que por mares desconhecidos viajou,
assim sou eu entre os que nunca deixaram a sua p√°tria;
os dias cheios est√£o sobre as suas mesas
mas para mim a dist√Ęncia √© puro sonho.

Penetra profundamente no meu rosto um mundo,
t√£o desabitado talvez como uma lua;
mas eles n√£o deixam um √ļnico pensamento s√≥,
e todas as suas palavras s√£o habitadas.

As coisas que de longe trouxe comigo
parecem muito raras, comparadas com as suas ‚ÄĒ:
na sua vasta p√°tria s√£o feras,
aqui sustém a respiração, por vergonha.

Tradução de Maria João Costa Pereira

Esc√°rnio

O meu amor anda em fama.
Mesmo assim lhe quero bem.
Cegueira? Seja o que for!
Os olhos do meu amor
Não os vejo em mais ninguém.

Tentaram deitá-lo à rua,
Mas abri-lhe a minha porta,
E a minha m√£o, toda nua,
Varreu toda a noite morta.
Porém, mil vozes, medonhas
Como pedaços de lama,
Segredaram-me vergonhas
Do meu amor que anda em fama.

Ai! a dor! ‚ÄĒ casa florida…
Ai! o amor! ‚ÄĒ casa cercada.

H√°-de-se acabar a vida
Com a √ļltima pedrada!..

Este acordo com a troika √© uma perda de soberania imensa? Oh, sim, sem d√ļvida. Mas, quando se perdeu a vergonha, perder o orgulho √© apenas uma consequ√™ncia.