Passagens sobre Paraíso

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Frases sobre para√≠so, poemas sobre para√≠so e outras passagens sobre para√≠so para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

El√≠sio, n. Pa√≠s imagin√°rio e encantador que os antigos acreditavam, disparatadamente, ser a morada dos esp√≠ritos das pessoas boas. Esta f√°bula rid√≠cula e perniciosa foi varrida da superf√≠cie da Terra pelos Crist√£os primitivos ‚ÄĒ que as suas almas sejam felizes no Para√≠so!

Estamos neste mundo para rir. Já não poderemos fazer isso no purgatório e no inferno. E no paraíso isso não seria conveniente.

Sem Poesia N√£o H√° Humanidade

Sem Poesia n√£o h√° Humanidade. √Č ela a mais profunda e a mais et√©rea manifesta√ß√£o da nossa alma. A intui√ß√£o po√©tica ou orfaica antecede, como fonte original, o conhecimento euclidiano ou cient√≠fico. E nos d√° o sentido mais perfeito e harm√≥nico da vida. Aperfei√ßoando o ser humano, afasta-o do antrop√≥ide e aproxima-o dos antropos. Que a mocidade actual, obcecada pela bola e pelo cinema, reduzida quase a uma fotografia peculiar e uma esp√©cie de m√°quina de fazer pontap√©s, despreza o seu aperfei√ßoamento moral; e, com o seu fato de macaco, prefere regressar √† Selva a regressar ao Para√≠so. E assim, igualando-se aos bichos, mente ao seu destino, que √© ser o cora√ß√£o e a consci√™ncia do Universo: o sagrado cora√ß√£o e o santo esp√≠rito. Eis o destino do homem, desde que se tornou consciente. E tornou-se consciente, porque tal acontecimento estava contido nas possibilidades da Natureza. Sim, a nossa consci√™ncia √© a pr√≥pria Natureza numa autocontempla√ß√£o maravilhosa. Ou √© o pr√≥prio Criador numa vis√£o da sua obra, atrav√©s do homem. E, vendo-a, desejou corrigi-la, transfigurando-se em Redentor.

Arrojos

Se a minha amada um longo olhar me desse
Dos seus olhos que ferem como espadas,
Eu domaria o mar que se enfurece
E escalaria as nuvens rendilhadas.

Se ela deixasse, ext√°tico e suspenso
Tomar-lhe as mãos mignonnes e aquecê-las,
Eu com um sopro enorme, um sopro imenso
Apagaria o lume das estrelas.

Se aquela que amo mais que a luz do dia,
Me aniquilasse os males taciturnos,
O brilho dos meus olhos venceria
O clar√£o dos rel√Ęmpagos noturnos.

Se ela quisesse amar, no azul do espaço,
Casando as suas penas com as minhas,
Eu desfaria o Sol como desfaço
As bolas de sab√£o das criancinhas.

Se a Laura dos meus loucos desvarios
Fosse menos soberba e menos fria,
Eu pararia o curso aos grandes rios
E a terra sob os pés abalaria.

Se aquela por quem j√° n√£o tenho risos
Me concedesse apenas dois abraços,
Eu subiria aos róseos paraísos
E a Lua afogaria nos meus braços.

Se ela ouvisse os meus cantos moribundos
E os lamentos das cítaras estranhas,

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Os c√£es s√£o o nosso elo com o para√≠so. Eles n√£o conhecem a maldade, a inveja ou o descontentamento. Sentar-se com um c√£o ao p√© de uma colina numa linda tarde, √© voltar ao √Čden onde ficar sem fazer nada n√£o era t√©dio, era paz.

Bendita

Bendita sejas, minha m√£e, bendito
Seja o teu seio, imaculado e santo,
Onde derrama as gotas de seu pranto
Meu dolorido coração aflito.

√ď minha m√£e, √≥ anjo sacrossanto,
Bendito seja o teu amor, bendito!
Ouve do Céu o amargurado grito
Cheio da dor de quem soluça tanto.

E deixa que repouse em teus joelhos
A minha fronte, ouvindo os teus conselhos
Longe do mundo, ó sempiterna dita!

Envia lá do céu no teu sorriso
A morte que levou-te ao Para√≠so…
Bendita sejas, minha m√£e, bendita!

Fui um Leitor Apaixonado

Eu fui um leitor apaixonado. N√£o havia livros em minha casa, mas costumava ler bastante nas biblioteca p√ļblicas, especialmente √† noite. Lia indiscriminadamente. Lembro-me de ler a tradu√ß√£o do ¬ęPara√≠so Perdido¬Ľ quando tinha 16 anos. N√£o havia ningu√©m que me dissesse o que experimentar a seguir. Por isso tive uma educa√ß√£o liter√°ria an√°rquica cheia de lacunas, mas com o tempo consegui organizar uma esp√©cie de vis√£o coerente da literatura, acima de tudo da literatura francesa.

O paraíso é comparável a uma cena em que dezenas de belas garças voam fazendo um círculo no céu: há os que contemplam tal cena e admiram-na, mas há os que nem olham para ela, considerando-a sem graça.

O amor pode nos levar ao inferno ou ao paraíso, mas sempre nos leva a algum lugar. (Na Margem do Rio Piedra Eu sentei e Chorei)

A morte é simples mudança de veste, somos o que somos. Depois do sepulcro, não encontramos senão o paraíso ou o inferno criados por nós mesmos.

Sabedoria

Nos dias em que nada vale a pena,
E em que as √°rvores amigas
S√£o iguais e est√£o vistas,
A vida é tão parada e tão serena
Que afinal j√° n√£o h√° que contar mais,
E prevejo, com olhos anormais,
As coisas imprevistas…
Nos dias em que são cinzentos os meus céus
‚ÄĒ O de dentro e o de fora ‚ÄĒ
E é vaga esta noção de um velho Deus,
Que me n√£o manda embora
Deste espect√°culo estafado
Em que de cor sei dizer
O que me foi ensaiado
E o que todos v√£o fazer,
Tenho inveja dos homens convencidos
Que nem sequer sonharam
Que poderia haver paraísos perdidos,
Ainda n√£o decifraram
Esta charada em que andam envolvidos,
E pensam que, vivendo, triunfaram
Da Vida em que os que sonham s√£o vencidos.

Sentir ou n√£o sentir interesse por fatos e coisas depende da ‚Äėlente mental‚Äô com que os vemos. Somente as pessoas que possuem o para√≠so na mente s√£o capazes de amar o para√≠so.

Dai √†s paix√Ķes todo o ardor que puderdes, aos prazeres mil vezes mais intensidade, aos sentidos a m√°xima energia e convertei o mundo em para√≠so, mas tirai dele a mulher, e o mundo ser√° um ermo melanc√≥lico, os deleites ser√£o apenas o prel√ļdio do t√©dio.

O Prazer e a Dor

O prazer e a dor n√£o conhecem a dura√ß√£o. A sua natureza √© dissiparem-se rapidamente e, por conseguinte, s√≥ existirem sob a condi√ß√£o de ser intermitente. Um prazer prolongado cessa logo de ser um prazer e uma dor continua logo se atenua. A sua diminui√ß√£o pode mesmo, por confronto, tornar-se um prazer. O prazer s√≥ √©, pois, um prazer sob a condi√ß√£o de ser descont√≠nuo. O √ļnico prazer um pouco dur√°vel √© o prazer n√£o realizado, ou desejo.
O prazer somente √© avali√°vel pela sua compara√ß√£o com a dor. Falar de prazer eterno √© um contra-senso, como justamente observou Plat√£o. Ignorando a dor, os deuses n√£o podem, segundo Plat√£o, ter prazer. A descontinuidade do prazer e da dor representa a conseq√ľ√™ncia dessa lei fisiol√≥gica: ‚ÄúA mudan√ßa √© a condi√ß√£o da sensa√ß√£o‚ÄĚ. N√£o percebemos os estados cont√≠nuos, por√©m as diferen√ßas entre estados simult√Ęneos ou sucessivos. O tique-taque do rel√≥gio mais ruidoso acaba, no fim de algum tempo, por n√£o ser mais ouvido, e o moleiro n√£o ser√° despertado pelo ru√≠do das rodas do seu moinho, mas pelo seu parar.

√Č em virtude dessa descontinuidade necess√°ria que o prazer prolongado cessa logo de ser um prazer, por√©m uma coisa neutra,

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Saudade Só

Hoje vieste ver-me
a troco de um pensamento
que n√£o se esconde
na resson√Ęncia adormecida
num olimpo.

Vieste e trazias
um ramo de palavras cintilantes,
flores que pacientemente
escorrem entre o alfa e o omega
como um perfume de tempo.

Hoje a tua visita
apareceu à janela do tempo
que a paisagem do nosso olhar
incendeia num vespertino silêncio.

De corpo cansado
das pedras que colhi
na paisagem transparente erguida
adormeci na pausa
t√£o perfeitamente adormecida
do nosso paraíso
que tarda a acontecer.

Hoje vieste ver-me
E, sem ter de tocar
no m√°rmore da paix√£o,
contigo fui devagar
ver o tempo passado para nele escrever
o tempo do amor
voz da nossa idade
que nossos olhos cantam
no canto do nosso olhar.

Como Conf√ļcio, estou t√£o absorvida pelo encanto que sinto pela terra e pela vida que a habita que n√£o tenho tempo de pensar no para√≠so nem nos anjos.

A Janela E O Sol

“Deixa-me entrar, – dizia o sol – suspende
A cortina, soabre-te! Preciso
O íris trêmulo ver que o sonho acende
Em seu sereno virginal sorriso.

Dá-me uma fresta só do paraíso
Vedado, se o ser nele inteiro ofende…
E eu, como o eunuco, est√ļpido, indeciso,
Ver-lhe-ei o rosto que na sombra esplende.”

E, fechando mais, zelosa e firme,
Respondia a janela: “Tem-te, ousado!
Não te deixo passar! Eu, néscia, abri-me!

E esta que dorme, sol, que n√£o diria
Ao ver-te o olhar por tr√°s do cortinado,
E ao ver-se a um tempo desnudada e fria?!”

O Amor Infinito

Da mulher o que nos comove e enleva √© a parte impoluta que ela tem do c√©u; √© a magia que a fada exercita obedecendo a interno impulso, n√£o sabido dela, n√£o sabido de n√≥s. Ali h√° mensagem de outras regi√Ķes; aqui, no peito arquejante, nos olhos amarados de gozozas l√°grimas, h√° um espirar para o alto, um ir-se o cora√ß√£o avoando desde os olhos, desde o sorriso dela para soberanas e imorredouras alegrias. N√≥s √© que n√£o sabemos nem podemos ver sen√£o o pouquinho desse infinito que nos entre-luz nas gra√ßas do primeiro amor, do segundo amor, de quantos estremecimentos de s√ļbita embriaguez nos fazem crer que despimos o inv√≥lucro de barro e pairamos alados sobre a regi√£o das l√°grimas.

√Č Deus que n√£o quer ou somos n√≥s que n√£o podemos prorrogar a dura√ß√£o ao sonho? Se Deus, que mal faria √† sua divina grandeza que o pequenino guzano o adorasse sempre? Porque vai t√£o r√°pida aquela esta√ß√£o em que o homem √© bom porque ama, e √© caritativo e dadivoso porque tudo sobeja √† sua felicidade? Quando poderam aliar-se um amor puro com a impureza das inten√ß√Ķes? Quais olhos de homem afectivo e como santificado por seu amor recusaram chorar sobre desgra√ßas estranhas?

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