Cita√ß√Ķes sobre Para√≠so

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Frases sobre para√≠so, poemas sobre para√≠so e outras cita√ß√Ķes sobre para√≠so para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A Pris√£o Dourada

Tenta fazer esta experi√™ncia, construindo um pal√°cio. Equipa-o com m√°rmore, quadros, ouro, p√°ssaros do para√≠so, jardins suspensos, todo o tipo de coisas… e entra l√° para dentro. Bem, pode ser que nunca mais desejasses sair da√≠. Talvez, de facto, nunca mais saisses de l√°. Est√° l√° tudo! “Estou muito bem aqui sozinho!”. Mas, de repente – uma ninharia! O teu castelo √© rodeado por muros, e √©-te dito: ‘Tudo isto √© teu! Desfruta-o! Apenas n√£o podes sair daqui!”. Ent√£o, acredita-me, nesse mesmo instante querer√°s deixar esse teu para√≠so e pular por cima do muro. Mais! Tudo esse luxo, toda essa plenitude, aumentar√° o teu sofrimento. Sentir-te-√°s insultado como resultado de todo esse luxo… Sim, apenas uma coisa te falta… um pouco de liberdade.

Estes Sítios!

Olha bem estes sítios queridos,
V√™-os bem neste olhar derradeiro…
Ai! o negro dos montes erguidos,
Ai! o verde do triste pinheiro!
Que saudade que deles teremos…
Que saudade! ai, amor, que saudade!
Pois n√£o sentes, neste ar que bebemos,
No acre cheiro da agreste ramagem,
Estar-se alma a tragar liberdade
E a crescer de inocência e vigor!
Oh! aqui, aqui só se engrinalda
Da pureza da rosa selvagem,
E contente aqui só vive Amor.
O ar queimado das salas lhe escalda
De suas asas o níveo candor,
E na frente arrugada lhe cresta
A inocência infantil do pudor.
E oh! deixar tais delícias como esta!
E trocar este céu de ventura
Pelo inferno da escrava cidade!
Vender alma e razão à impostura,
Ir saudar a mentira em sua corte,
Ajoelhar em seu trono à vaidade,
Ter de rir nas ang√ļstias da morte,
Chamar vida ao terror da verdade…
Ai! n√£o, n√£o… nossa vida acabou,
Nossa vida aqui toda ficou
Diz-lhe adeus neste olhar derradeiro,
Dize à sombra dos montes erguidos,
Dize-o ao verde do triste pinheiro,

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Há muito que já perdemos o paraíso. E o novo que queremos e que temos que construir, não se encontra no equador ou nos mares quentes do Oriente. Ele se encontra dentro de nós mesmos.

Todos os jardins da nossa inf√Ęncia s√£o o jardim do para√≠so. A pele suave desses tempos em que se corria com as pernas arqueadas soltando uma esp√©cie de luz pela respira√ß√£o. R√≠amos a correr para os bra√ßos dos adultos numa entrega absoluta. Eles, os adultos, atiravam-nos ao ar e apanhavam-nos com m√£os √°speras, e, talvez por isso, quando crescemos nunca mais deixamos de, esporadicamente, sonhar que voamos. E de sonhar com gigantes e an√Ķes, pois eram essas as nossas propor√ß√Ķes.

Um Povo Errado

Uma volta que teve por polos Mafra e o Estoril. Um passeio à roda da nossa história e do nosso mundo do capital. Mais uma tentativa para compreender como foi possível no passado português construir um convento daqueles, e é possível construir no presente português um paraíso destes. Decididamente, fomos, somos e seremos um povo errado. Um povo que não encontra nem o seu destino, nem os seus homens. E lá estava, depois do estendal de mármore e do morro de luxo, a prová-lo, o singelo monumento erguido no sítio onde foram lançadas as cinzas de Gomes Freire enforcado.

Os homens sentem uma grande atracção pela esperança e pelo receio, e uma religião sem inferno nem paraíso não poderia agradar-lhes de modo algum.

Morte, Juízo, Inferno e Paraíso

Em que estado, meu bem, por ti me vejo,
Em que estado infeliz, penoso e duro!
Delido o coração de um fogo impuro,
Meus pesados grilh√Ķes adoro e beijo.

Quando te logro mais, mais te desejo;
Quando te encontro mais, mais te procuro;
Quando mo juras mais, menos seguro
Julgo esse doce amor, que adorna o pejo.

Assim passo, assim vivo, assim meus fados
Me desarreigam d’alma a paz e o riso,
Sendo só meu sustento os meus cuidados;

E, de todo apagada a luz do siso,
Esquecem-me (ai de mim!) por teus agrados
Morte, Juízo, Inferno e Paraíso.

Existem dois tipos de fen√īmenos: os que se assemelham √† Imagem Verdadeira e os que n√£o t√™m semelhan√ßa alguma com a Imagem Verdadeira. Os primeiros s√£o proje√ß√Ķes da Imagem Verdadeira, e os segundos, proje√ß√Ķes da ilus√£o (pensamento do eu inexistente). Quando o ‚Äėeu inexistente‚Äô compreender a sua inexist√™ncia e desaparecer, surgir√° fenomenicamente o mundo da eterna felicidade como proje√ß√£o aut√™ntica da Imagem Verdadeira. Esse mundo fenom√™nico que reflete a imagem da eterna felicidade da Imagem Verdadeira √© o para√≠so terrestre.

O Lugar Certo

O tempo mudava de um momento para o outro, juntando, no curto espa√ßo de vinte e quatro horas, a Primavera e o Outono, o Ver√£o e at√© Inverno. Mas Jos√© Artur sentia-se vivo como um lobo das estepes libertado. Tinha a tens√£o alta dos her√≥is rom√Ęnticos e, em muitas circunst√Ęncias, dava por si a citar Thoreau:

‚ÄúFui para os bosques viver de livre vontade. Vara sugar todo o tutano da vida, para aniquilar tudo o que n√£o era vida e para, quando morrer, n√£o descobrir que n√£o vivi.‚ÄĚ

Lamentava que Darwin ou Twain n√£o tivessem encontrado naquelas ilhas o mesmo que ele encontrava agora, mas percebeu que, no s√©culo dezanove, ainda restavam outros para√≠sos no planeta. E, de qualquer modo, havia Chateaubriand, Raul Brand√£o, at√© Melville, impressionado com a valentia dos marinheiros das ilhas a leste de Nantucket. N√£o, ele n√£o estava louco. Havia uma sabedoria naquilo ‚ÄĒ havia ecos e refrac√ß√Ķes, como se algo de mais profundo se insinuasse. Tinha a certeza de que, se a terra tremesse agora, conseguiria senti-la.

Aquele era o seu lugar. Não havia por que sentir falta dos privilégios da cidade. Um homem que soubesse povoar-se tinha alimento para uma vida na fotografia de um labandeira,

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Feliz Habitação da Minha Amada

Feliz habitação da minha Amada,
Ninho de Amor, albergue da Ternura,
Onde, outro tempo, a próspera Ventura
Dormia nos meus braços, descuidada.

Ent√£o, minha Alma terna, embriagada,
Gostava do prazer toda a doçura:
Hoje, contr√°ria minha, a Sorte dura
Do teu √Čden Amor, m’impede a entrada.

Com que m√°goa, de longe te diviso!…
Com que pena cruel!…
Com que saudade!
Ah! que n√£o sei como n√£o perco o sizo!…

B√°rbara Sorte! Ao menos por piedade,
Se me privas da entrada do Paraíso,
Deixa ver me, de Arm√Ęnia, a divindade!

A primeira ação de despejo foi a expulsão de Adão e Eva do Paraíso por falta de pagamento de aluguel e comportamento irregular.

A vaidade é o caminho mais curto para o paraíso da satisfação, porém ela é, ao mesmo tempo, o solo onde a burrice melhor se desenvolve.

PARA√ćSO

Deixa ficar comigo a madrugada,
para que a luz do Sol me n√£o constranja.
Numa taça de sombra estilhaçada,
deita sumo de lua e de laranja.

Arranja uma pianola, um disco, um posto,
onde eu ou√ßa o estertor de uma gaivota…
Crepite, em derredor, o mar de Agosto…
E o outro cheiro, o teu, à minha volta!

Depois, podes partir. Só te aconselho
que acendas, para tudo ser perfeito,
à cabeceira a luz do teu joelho,
entre os len√ß√≥is o lume do teu peito…

Podes partir. De nada mais preciso
para a minha ilusão do Paraíso.

O √ďpio

…Havia ruas inteiras dedicadas ao √≥pio… Os fumadores deitavam-se sobre baixas tarimbas… Eram os verdadeiros lugares religiosos da √ćndia… N√£o tinham nenhum luxo, nem tape√ßarias, nem coxins de seda… Era tudo madeira por pintar, cachimbos de bambu e almofadas de lou√ßa chinesa… Pairava ali uma atmosfera de dec√™ncia e austeridade que n√£o existia nos templos… Os homens adormecidos n√£o faziam movimento ou ru√≠do… Fumei um cachimbo… N√£o era nada… Era um fumo caliginoso, morno e leitoso… Fumei quatro cachimbos e estive cinco dias doente, com n√°useas que vinham da espinha dorsal, que me desciam do c√©rebro… E um √≥dio ao sol, √† exist√™ncia… O castigo do √≥pio… Mas aquilo n√£o podia ser tudo… Tanto se dissera, tanto se escrevera, tanto se vasculhara nas maletas e nas malas, tentando apanhar nas alf√Ęndegas o veneno, o famoso veneno sagrado… Era preciso vencer a repugn√Ęncia… Devia conhecer o √≥pio, provar o √≥pio, afim de dar o meu testemunho… Fumei muitos cachimbos, at√© que conheci… N√£o h√° sonhos, n√£o h√° imagens, n√£o h√° paroxismos… H√° um enfraquecimento met√≥dico, como se uma nota infinitamente suave se prolongasse na atmosfera… Um desvanecimento, um v√°cuo dentro de n√≥s… Qualquer movimento do cotovelo, da nuca, qualquer som distante de carruagem,

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Requiescat

Por que me vens, com o mesmo riso,
Por que me vens, com a mesma voz,
Lembrar aquele Paraíso,
Extinto para nós?

Por que levantas esta lousa?
Por que, entre as sombras funerais,
Vens acordar o que repousa,
O que n√£o vive mais?

Ah! esqueçamos, esqueçamos
Que foste minha e que fui teu:
N√£o lembres mais que nos amamos,
Que o nosso amor morreu!

O amor é uma árvore ampla, e rica
De frutos de ouro, e de embriaguez:
Infelizmente, frutifica
Apenas uma vez…

Sob essas ramas perfumadas,
Teus beijos todos eram meus:
E as nossas almas abraçadas
Fugiam para Deus.

Mas os teus beijos esfriaram.
Lembra-te bem! lembra-te bem!
E as folhas p√°lidas murcharam,
E o nosso amor também.

Ah! frutos de ouro, que colhemos,
Frutos da cálida estação,
Com que delícia vos mordemos,
Com que sofreguid√£o!

Lembras-te? os frutos eram doces…
Se ainda os pudéssemos provar!
Se eu fosse teu… se minha fosses,
E eu te pudesse amar…

Em v√£o,

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