Poemas sobre Crep√ļsculo

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Poemas de crep√ļsculo escritos por poetas consagrados, fil√≥sofos e outros autores famosos. Conhe√ßa estes e outros temas em Poetris.

Um Amor

Aproximei-me de ti; e tu, pegando-me na m√£o,
puxaste-me para os teus olhos
transparentes como o fundo do mar para os afogados. Depois, na rua,
ainda apanh√°mos o crep√ļsculo.
As luzes acendiam-se nos autocarros; um ar
diferente inundava a cidade. Sentei-me
nos degraus do cais, em silêncio.
Lembro-me do som dos teus passos,
uma respiração apressada, ou um princípio de lágrimas,
e a tua figura luminosa atravessando a praça
até desaparecer. Ainda ali fiquei algum tempo, isto é,
o tempo suficiente para me aperceber de que, sem estares ali,
continuavas ao meu lado. E ainda hoje me acompanha
essa doente sensação que
me deixaste como amada
recordação.

Ode para o Futuro

Falareis de nós como de um sonho.
Crep√ļsculo dourado. Frases calmas.
Gestos vagarosos. M√ļsica suave.
Pensamento arguto. Subtis sorrisos.
Paisagens deslizando na dist√Ęncia.
√Čramos livres. Fal√°vamos, sab√≠amos,
e am√°vamos serena e docemente.

Uma ang√ļstia delida, melanc√≥lica,
sobre ela sonhareis.

E as tempestades, as desordens, gritos,
violência, escárnio, confusão odienta,
primaveras morrendo ignoradas
nas encostas vizinhas, as pris√Ķes,
as mortes, o amor vendido,
as l√°grimas e as lutas,
o desespero da vida que nos roubam
– apenas uma ang√ļstia melanc√≥lica,
sobre a qual sonhareis a idade de oiro.

E, em segredo, saudosos, enlevados,
falareis de nós Рde nós! Рcomo de um sonho.

Uma Cidade

Uma cidade pode ser
apenas um rio, uma torre, uma rua
com varandas de sal e ger√Ęnios
de espuma. Pode
ser um cacho
de uvas numa garrafa, uma bandeira
azul e branca, um cavalo
de crinas de algod√£o, esporas
de √°gua e flancos
de granito.
Uma cidade
pode ser o nome
dum país, dum cais, um porto, um barco
de andorinhas e gaivotas
ancoradas
na areia. E pode
ser
um arco-íris à janela, um manjerico
de sol, um beijo
de magnólias
ao crep√ļsculo, um bal√£o
aceso

numa noite
de junho.

Uma cidade pode ser
um coração,
um punho.

Ruínas

Cobrem plantas sem flor crestados muros;
Range a porta anci√£; o ch√£o de pedra
Gemer parece aos pés do inquieto vate.
Ruína é tudo: a casa, a escada, o horto,
S√≠tios caros da inf√Ęncia.
Austera moça
Junto ao velho port√£o o vate aguarda;
Pendem-lhe as tranças soltas
Por sobre as roxas vestes.
Risos n√£o tem, e em seu magoado gesto
Transluz n√£o sei que dor oculta aos olhos;
‚ÄĒ Dor que √† face n√£o vem, ‚ÄĒ medrosa e casta,
√ćntima e funda; ‚ÄĒ e dos cerrados c√≠lios
Se uma discreta muda
L√°grima cai, n√£o murcha a flor do rosto;
Melancolia t√°cita e serena,
Que os ecos n√£o acorda em seus queixumes,
Respira aquele rosto. A m√£o lhe estende
O abatido poeta. Ei-los percorrem
Com tardo passo os relembrados sítios,
Ermos depois que a m√£o da fria morte
Tantas almas colhera. Desmaiavam,
Nos serros do poente,
As rosas do crep√ļsculo.
“Quem és? pergunta o vate; o sol que foge
No teu l√Ęnguido olhar um raio deixa;
‚ÄĒ Raio quebrado e frio; ‚ÄĒ o vento agita
Tímido e frouxo as tuas longas tranças.

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Pai, a Minha Sombra és Tu

a cadeira est√° vazia, um corpo ausente
n√£o aquece a madeira que lhe d√° forma

e não ouço o recado que me quiseste dar
nem a tua voz forte que grita meninos
na hora de acordar
ouço o teu abraço, no corredor em gaia
e os olhos molhados pela inusitada despedida

o sol foge
mas o crep√ļsculo desenha a sombra que
tenho colada aos pés
ou o espelho, coberto com a tua face

pai, digo-te
a minha sombra és tu

Sombras

A meio desta vida continua a ser
difícil, tão difícil
atravessar o medo, olhar de frente
a cegueira dos rostos debitando
palavras destinadas a morrer
no lume impaciente de outras bocas
anunciando o mel ou o vinho ou
o fel.

Calmamente sentado num sof√°,
começas a entender, de vez em quando,
os condenados a prisão perpétua
entre as quatro paredes do espírito
e um esquife negro onde v√£o desfilando
imagens, só imagens
de canal em canal, sintonizadas
com toda a ang√ļstia e estupidez do mundo.

As pessoas – tu sabes – as pessoas s√£o feitas
de vento
e deixam-se arrastar pela mais bela
respiração das sombras,
pela morte que repete os mesmos gestos
quando o crep√ļsculo fica a s√≥s connosco
e a noite se redime com uma estrela
a prometer salvar-nos.

A meio desta vida os versos abrem
paisagens virtuais onde se perdem
as inten√ß√Ķes que alguma vez tivemos,
o recorte obscuro de perfis
desenhados a fogo h√° muitos anos
numa alma forrada de espelhos
mas sempre t√£o vazia,

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Sonho

Perdoa, Amor, se n√£o quero
Aceitar novo grilh√£o;
Quando quebraste o primeiro,
Quebraste-me o coração.

Olha, Amor, tem dó de mim!
Repara nos teus estragos,
E desvia por piedade
Teus sedutores afagos!

Tu de dia n√£o me assustas;
Os meus sentidos atentos
Op√Ķem aos teus artif√≠cios
Mil pesares, mil tormentos.

Mas, cruel, porque me assaltas,
De mil sonhos rodeado?
Porque acometes no sono
Meu cora√ß√£o descuidado?…

Eu, quando acaso adormeço,
Adormeço de cansada,
E o crep√ļsculo do dia
Me acorda sobressaltada.

Arguo ent√£o a minha alma,
Repreendo a natureza
De ter cedido ao descanso
Tempo que devo à tristeza.

Que te importa um ser t√£o triste?…
Cobre de jasmins e rosas
Outras amantes felizes!
Deixa gemer as saudosas!

Retórica da Paisagem

O que se pede da poesia? Que nos entretenha os olhos
com as rendas sulfurosas de um doentio crep√ļsculo?
Com efeito, no poema, as palavras n√£o nos servem
de cestos em que se recolham – dilatados, quase
a cair das √°rvores – os frutos. E contudo, continuamos
a confundir os caminhos do poema com os do mundo
quando eles, na natureza, apenas nos apontam
a incerteza do destino. As palavras repetem-se –
frutos atirados sobre a mesa – e a morte,
para quem não acredita no poder de transfiguração
das met√°foras, esgota da vida todo o sentido.
Diz-se: os ramos n√£o crescem no quadro,
os p√°ssaros deixam de assolar a paisagem –
e o pensamento, ao reflectir-se, deixa a tela
pejada dos restos em que se perdeu pelo
horizonte. Mas todo o conhecimento
acaba no ponto em que o voo se
confunde com a linha acidentada da planície.

Apocalipse

Porque a lua é branca e a noite
√© simples an√ļncio da aurora;
e porque o mar é o mar apenas
e a fonte n√£o canta nem chora;

e porque o sal se decomp√Ķe
e s√£o de √°gua e carv√£o as rosas,
e a luz é simples vibração
que excita células nervosas;

e porque o som fere os ouvidos
e o vento canta na harpa eólia;
e porque a terra gera os √°spides
entre a papoula e magnólia;

e porque o trem j√° vai partir
e o corvo nos diz never more;
e porque devemos sorrir
antes que o crep√ļsculo descore;

e porque ontem j√° n√£o existe
e o que h√° de vir n√£o mais vir√°,
e porque estamos num balé
sobre o estopim da Bomba H:

n√£o marcharemos contra o muro
das lamenta√ß√Ķes, prantear
a frustração de tudo o que
sonhamos ousar, sem ousar.

Títeres mudados em gnomos,
enfrentemos o Apocalipse
como pilotos da tormenta
entre o terremoto e o eclipse.

Vamos dançar sobre o convés
enquanto o barco n√£o aderna;

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Liberta

Noutros cen√°rios a minha alma vive!
Outros caminhos…
Por outras luzes iluminada!
– Eu vim daquele mundo onde estive
tanto tempo emparedada…

Andavam de negro
As minhas horas…
A esquecer-me da vida –
N√£o me encontrava!
Meus sonhos amortalhados
Em crep√ļsculo,
A noite n√£o os levava!

………………………..

Um entardecer triste e doloroso
Enrubesceu o céu!
E o meu olhar ansioso
Fundiu-se no teu!

………………………..

E as tuas lindas m√£os,
Esguias e nevróticas,
Pintam-me telas rubras
Bizarras e exóticas
De largos horizontes…

………………………..

Hoje, ergue-me a √Ęnsia enorme
De outras horas viver!
– Sensualizando a vida,
Descobrindo novas fontes
De dor e de prazer…

– Orgias de estranha cor
de que tu fosses somente
o extraordin√°rio inventor!

Responso

I
Num castelo deserto e solit√°rio,
Toda de preto, às horas silenciosas,
Envolve-se nas pregas dum sud√°rio
E chora como as grandes criminosas.

Pudesse eu ser o lenço de Bruxelas
Em que ela esconde as l√°grimas singelas.

II
√Č loura como as doces escocesas,
Duma beleza ideal, quase indecisa;
Circunda-se de luto e de tristezas
E excede a melancólica Artemisa.

Fosse eu os seus vestidos afogados
E havia de escutar-lhe os seu pecados.

III
Alta noite, os planetas argentados
Deslizam um olhar macio e vago
Nos seus olhos de pranto marejados
E nas águas mansíssimas do lago.

Pudesse eu ser a Lua, a Lua terna,
E faria que a noite fosse eterna.

IV
E os abutres e os corvos fazem giros
De roda das ameias e dos pegos,
E nas salas ressoam uns suspiros
Dolentes como as s√ļplicas dos cegos.

Fosse eu aquelas aves de pilhagem
E cercara-lhe a fronte, em homenagem.

V
E ela vaga nas praias rumorosas,
Triste como as rainhas destronadas,

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Entardecer

Sol-posto ungindo o mar: incensos de ouro!

Recolhe funda a tarde em sonho e m√°goa.
Surdina fluida: anda o sil√™ncio a orar ‚Äď
E h√° crep√ļsculos de asas e, na √°gua,
O céu é mármore extático a cismar!

E nas faces marmóreas dos rochedos
Esboçam-se perfis,
– Cintila√ß√Ķes,
Penumbra de segredos!

√ď pain√©is de nuvens sobre a terra,
Ogivas delirantes
Na água refractando…
Encheis de sombra o mar de espumas rasas,
Iniciando
A hora p√Ęnica das asas!

E, à meia luz da tarde,
Na areia requeimada,
S√£o vultos sonolentos
As proas dos navios…

√ď tristeza dos bal√Ķes
Iluminando,
Na √°gua prateada,
Os pegos e baixios…

Dormentes constela√ß√Ķes
Que, em fundos lacustres
E musgosos,
Pondes reverbera√ß√Ķes
Em nossos olhos ansiosos.

√ď tardes de aqu√°tico esplendor,
Descendo em meu olhar!

Num sonho de regresso,
Numa √Ęnsia de voltar,
Em mim todo me esqueço
E fico-me a cismar.

A tarde é toda um sonho moribundo.
√Č j√° olor da cor que amorteceu.

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Fica Comigo

M√£e,
arqueia os joelhos
para que o crep√ļsculo do medo
possa ceder ao berço
onde repouse.
E n√£o me toques. N√£o me toques,
n√£o me beijes.
Deixa-me permanecer aninhado no vazio
qual bicho de
sono.
N√£o me despertes.
M√£e, sou um menino de leite.
Apaga o seio.
Fica comigo: a noite
começa.

Dois Excertos de Odes

(Fins de duas odes, naturalmente)

I

Vem, Noite antiquíssima e idêntica,
Noite Rainha nascida destronada,
Noite igual por dentro ao silêncio, Noite
Com as estrelas lentejoulas r√°pidas
No teu vestido franjado de Infinito.

Vem, vagamente,
Vem, levemente,
Vem sozinha, solene, com as mãos caídas
Ao teu lado, vem
E traz os montes longínquos para o pé das árvores próximas,
Funde num campo teu todos os campos que vejo,
Faze da montanha um bloco só do teu corpo,
Apaga-lhe todas as diferenças que de longe vejo,
Todas as estradas que a sobem,
Todas as v√°rias √°rvores que a fazem verde-escuro ao longe.
Todas as casas brancas e com fumo entre as √°rvores,
E deixa só uma luz e outra luz e mais outra,
Na dist√Ęncia imprecisa e vagamente perturbadora,
Na dist√Ęncia subitamente imposs√≠vel de percorrer.

Nossa Senhora
Das coisas impossíveis que procuramos em vão,
Dos sonhos que v√™m ter conosco ao crep√ļsculo, √† janela,
Dos propósitos que nos acariciam
Nos grandes terraços dos hotéis cosmopolitas
Ao som europeu das m√ļsicas e das vozes longe e perto,

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O Nascimento

Aí vem a estrela! Aí vem, sobre a montanha,
Rompendo a sombra et√©rea do crep√ļsculo!
A paisagem tornou-se mais estranha,
Mais cheia de silêncio e de mistério!
Dormem ainda as √°rvores e os homens,
E dorme, em alto ramo, a cotovia…
E, se ergue já seu canto, é porque sonha
julga ver, sonhando, a luz do dia!

E, pelos negros píncaros, a estrela
√Č divino sorriso alumiante.
Oh, que esplendor! Que formosura aquela!
√Č l√≠rio de oiro aberto! √Č rosa a arder!

Aí vem a estrela! Aí vem, sobre a montanha,
T√£o virginal, t√£o nova, que parece
Sair das m√£os de Deus, a vez primeira!

E como, sobre os montes, resplandece!

Persegue-a o sol amado… No oriente,
Alastra um nimbo anímico de luz.
E a antiga dor das trevas, suavemente,
Ondula, em transparência e palidez.

Aí vem a estrela, alumiando a serra!
E os olhos encantados dos pastores
Voltam-se para a estrela… E c√° na terra
H√° m√°goas e penumbras, a fugir…

Como ela voa, cintilando e rindo
Aos penhascos agrestes e desnudos!

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Desfraldando ao Conjunto Fictício dos Céus estrelados

Desfraldando ao conjunto fictício dos céus estrelados
O esplendor do sentido nenhum da vida…

Toquem num arraial a marcha f√ļnebre minha!
Quero cessar sem consequ√™ncias…
Quero ir para a morte como para uma festa ao crep√ļsculo.

O Amor em Visita

Dai-me uma jovem mulher com sua harpa de sombra
e seu arbusto de sangue. Com ela
encantarei a noite.
Dai-me uma folha viva de erva, uma mulher.
Seus ombros beijarei, a pedra pequena
do sorriso de um momento.
Mulher quase incriada, mas com a gravidade
de dois seios, com o peso l√ļbrico e triste
da boca. Seus ombros beijarei.

Cantar? Longamente cantar.
Uma mulher com quem beber e morrer.
Quando fora se abrir o instinto da noite e uma ave
o atravessar trespassada por um grito marítimo
e o p√£o for invadido pelas ondas –
seu corpo arder√° mansamente sob os meus olhos palpitantes.
Ele – imagem vertiginosa e alta de um certo pensamento
de alegria e de impudor.
Seu corpo arder√° para mim
sobre um lençol mordido por flores com água.

Em cada mulher existe uma morte silenciosa.
E enquanto o dorso imagina, sob os dedos,
os bord√Ķes da melodia,
a morte sobe pelos dedos, navega o sangue,
desfaz-se em embriaguez dentro do coração faminto.
– Oh cabra no vento e na urze,

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Alcool

Guilhotinas, pelouros e castelos
Resvalam longamente em prociss√£o;
Volteiam-me crep√ļsculos amarelos,
Mordidos, doentios de roxid√£o.

Batem asas d’aur√©ola aos meus ouvidos,
Grifam-me sons de c√īr e de perfumes,
Ferem-me os olhos turbilh√Ķes de gumes,
Desce-me a alma, sangram-me os sentidos.

Respiro-me no ar que ao longe vem,
Da luz que me ilumina participo;
Quero reunir-me, e todo me dissipo –
Luto, estrebucho… Em v√£o! Silvo pra al√©m…

Corro em volta de mim sem me encontrar…
Tudo oscila e se abate como espuma…
Um disco de ouro surge a voltear…
Fecho os meus olhos com pavor da bruma…

Que droga foi a que me inoculei?
√ďpio d’inferno em vez de para√≠so?…
Que sortilégio a mim próprio lancei?
Como é que em dor genial eu me eterizo?

Nem ópio nem morfina. O que me ardeu,
Foi alcool mais raro e penetrante:
√Č s√≥ de mim que eu ando delirante –
Manh√£ t√£o forte que me anoiteceu.

Elegia do Amor

Lembras-te, meu amor,
Das tardes outonais,
Em que íamos os dois,
Sozinhos, passear,
Para fora do povo
Alegre e dos casais,
Onde só Deus pudesse
Ouvir-nos conversar?
Tu levavas, na m√£o,
Um lírio enamorado,
E davas-me o teu braço;
E eu, triste, meditava
Na vida, em Deus, em ti…
E, além, o sol doirado
Morria, conhecendo
A noite que deixava.
Harmonias astrais
Beijavam teus ouvidos;
Um crep√ļsculo terno
E doce diluía,
Na sombra, o teu perfil
E os montes doloridos…
Erravam, pelo Azul,
Can√ß√Ķes do fim do dia.
Can√ß√Ķes que, de t√£o longe,
O vento vagabundo
Trazia, na mem√≥ria…
Assim o que partiu
Em fr√°gil caravela,
E andou por todo o mundo,
Traz, no seu coração,
A imagem do que viu.

Olhavas para mim,
Às vezes, distraída,
Como quem olha o mar,
√Ä tarde, dos rochedos…
E eu ficava a sonhar,
Qual névoa adormecida,
Quando o vento também
Dorme nos arvoredos.
Olhavas para mim…
Meu corpo rude e bruto
Vibrava,

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Falésias

Poder-me-√£o encontrar, trago um rapaz na minha
memória, a casa a uma janela
da qual ele vem como um sabor à boca,
fal√©sias onde o aguardo √† hora do crep√ļsculo.

Regresso assim ao mar de que n√£o posso
falar sem recorrer ao fogo e as tempestades
ao longe multiplicam-nos os passos.
Onde eu n√£o sonhe a solid√£o f√°-lo por mim.