Textos sobre Reuni√£o

16 resultados
Textos de reunião escritos por poetas consagrados, filósofos e outros autores famosos. Conheça estes e outros temas em Poetris.

Neruda e García Lorca em Homenagem a Rubén Dario

Eis o texto do discurso:

Neruda: Senhoras…

Lorca: …e senhores. Existe na lide dos touros uma sorte chamada ¬ętoreio dei alim√≥n¬Ľ, em que dois toureiros furtam o corpo ao touro protegidos pela mesma capa.

Neruda: Federico e eu, ligados por um fio eléctrico, vamos emparelhar e responder a esta recepção tão significativa.

Lorca: √Č costume nestas reuni√Ķes que os poetas mostrem a sua palavra viva, prata ou madeira, e sa√ļdem com a sua voz pr√≥pria os companheiros e amigos.

Neruda: Mas n√≥s vamos colocar entre v√≥s um morto, um comensal vi√ļvo, escuro nas trevas de uma morte maior que as outras mortes, vi√ļvo da vida, da qual foi na sua hora um marido deslumbrante. Vamos esconder-nos sob a sua sombra ardente, vamos repetir-lhe o nome at√© que a sua grande for√ßa salte do esquecimento.

Lorca: N√≥s, depois de enviarmos o nosso abra√ßo com ternura de pinguim ao delicado poeta Amado Villar, vamos lan√ßar um grande nome sobre a toalha, na certeza de que v√£o estalar as ta√ßas, saltar os garfos, buscando o olhar que todos anseiam, e que um golpe de mar h√°-de manchar as toalhas. N√≥s vamos evocar o poeta da Am√©rica e da Espanha: Rub√©n…

Continue lendo…

A Dor e o Tédio São os Dois Maiores Inimigos da Felicidade

O panorama mais amplo mostra-nos a dor e o t√©dio como os dois inimigos da felicidade humana. Observe-se ainda: √† medida que conseguimos afastar-nos de um, mais nos aproximamos do outro, e vice-versa; de modo que a nossa vida, na realidade, exp√Ķe uma oscila√ß√£o mais forte ou mais fraca entre ambos. Isso origina-se do facto de eles se encontrarem reciprocamente num antagonismo duplo, ou seja, um antagonismo exterior ou oubjectivo, e outro interior e subjectivo. De facto, exteriormente, a necessidade e a priva√ß√£o geram a dor; em contrapartida, a seguran√ßa e a abund√Ęncia geram o t√©dio. Em conformidade com isso, vemos a classe inferior do povo numa luta constante contra a necessidade, portanto contra a dor; o mundo rico e aristocr√°tico, pelo contr√°rio, numa luta persistente, muitas vezes realmente desesperada contra o t√©dio. O antagonismo interior ou subjectivo entre ambos os sofrimentos baseia-se no facto de que, em cada indiv√≠duo, a susceptibilidade para um encontra-se em propor√ß√£o inversa √† susceptibilidade para o outro, j√° que ela √© determinada pela medida das suas for√ßas espirituais. Com efeito, a obtusidade do esp√≠rito est√°, em geral, associada √† da sensa√ß√£o e √† aus√™ncia da excitabilidade, qualidades que tornam o indiv√≠duo menos suscept√≠vel √†s dores e afli√ß√Ķes de qualquer tipo e intensidade.

Continue lendo…

A Verdadeira Religião é Individual e não Social

√Č poss√≠vel que a religi√£o da solid√£o seja de certa maneira superior √† religi√£o social e formalizada. O que √© certo √© que ela apareceu mais tarde no decurso da evolu√ß√£o. Al√©m disso, os fundadores das religi√Ķes e seitas hist√≥ricamente mais importantes t√™m sido todos, com excep√ß√£o de Conf√ļcio, solit√°rios. Talvez seja verdade dizer-se que, quanto mais poderosa e original for uma mente, mais ela se inclinar√° para a religi√£o da solid√£o, e menos ela ser√° atra√≠da no sentido da religi√£o social ou impressionada pelas suas pr√°ticas. Pela sua pr√≥pria superioridade a religi√£o da solid√£o est√° condenada a ser a religi√£o das minorias. Para a grande maioria dos homens e das mulheres a religi√£o ainda significa, o que sempre significou, religi√£o social formalizada, um assunto de rituais, observ√Ęncias mec√Ęnicas, emo√ß√£o das massas. Perguntem a qualquer dessas pessoas o que √© a verdadeira ess√™ncia da religi√£o, e eles responder√£o que ela consiste na devida observ√Ęncia de certas formalidades, na repeti√ß√£o de certas frases, na reuni√£o em certos tempos e em certos lugares, da realiza√ß√£o por meios apropriados de emo√ß√Ķes comunais.

Os Laços Afetivos

Criar intimidade entre si e outra pessoa não implica perder a sua noção de Eu nem diluir-se no outro. Para criar efetivamente laços com outra pessoa, ambos têm de manter a sua integridade e individualidade. Caso contrário, o resultado será uma amálgama disfuncional. Para estabelecer uma analogia com o corpo humano, as células dos olhos criam uma ligação entre si para permitir a visão. Cada célula tem de se articular com todas as outras e isso implica que cada uma delas mantenha a sua estrutura e função individuais ao serviço da operação mais complexa da visão. Quando estabelecemos laços com outros, estamos simplesmente a ser aquilo que somos enquanto partilhamos um objetivo ou atividade comuns.

√Č t√£o simples quanto isso. Talvez saia com um grupo de pessoas para garantir um parecer favor√°vel na reuni√£o da tarde e entretanto desenvolva um sentimento de camaradagem e acabem por ir jantar fora e partilhar as vossas hist√≥rias. Esta √© uma experi√™ncia de cria√ß√£o de la√ßos afetivos. Ao contr√°rio de certos medos que possamos ter do que possa levar-nos a perder a identidade, a cria√ß√£o de la√ßos afetivos saud√°veis fortalece a nossa confian√ßa e autoestima.

Da Ideia do Belo em Geral

I РChamamos ao belo ideia do belo. Este deve ser concebido como ideia e, ao mesmo tempo, como a ideia sob forma particular; quer dizer, como ideal. O belo, já o dissemos, é a ideia; não a ideia abstracta, anterior à sua manifestação, não realizada, mas a ideia concreta ou realizada, inseparável da forma, como esta o é do principio que nela aparece. Ainda menos devemos ver na ideia uma pura generalidade ou uma colecção de qualidades abstraídas dos objectos reais. A ideia é o fundo, a própria essência de toda a existência, o tipo, unidade real e viva da qual os objectos visíveis não são mais que a realização exterior. Assim, a verdadeira ideia, a ideia concreta, é a que resume a totalidade dos elementos desenvolvidos e manifestados pelo conjunto dos seres. Numa palavra, a ideia é um todo, a harmoniosa unidade deste conjunto universal que se processa eternamente na natureza e no mundo moral ou do espírito.
Só deste modo a ideia é verdade, e verdade total.
Tudo quanto existe, portanto, só é verdadeiro na medida em que é a ideia em estado de existência; pois a ideia é a verdadeira e absoluta realidade. Nada do que aparece como real aos sentidos e à consciência é verdadeiro por ser real,

Continue lendo…

Cada Cabeça, Cada Sentença

A ideia de ningu√©m ter raz√£o (haja ou n√£o haja p√£o) √© portugues√≠ssima. Sobre qualquer assunto, Portugal garante-nos sempre pelo menos dez milh√Ķes de raz√Ķes, cada uma com a sua diferen√ßazinha, cada uma com a sua insolenciazeca do “eu c√° √© que sei”. N√£o h√° neste aben√ßoado territ√≥rio um √ļnico sujeito, seja eu ou ele cego, surdo e mudo, que n√£o reclame a sua inobjectiv√°vel subjectividade. L√° diz o raio do povo, por tratar-se da √ļnica coisa em que o povo todo est√° de acordo, ¬ęCada cabe√ßa, cada senten√ßa¬Ľ. Basta fazer-se uma reuni√£o ou um j√ļri, um governo ou uma comiss√£o, para assistir-se ao milagre da multiplica√ß√£o das opini√Ķes.

O Amor em Portugal

Mesmo que Dom Pedro n√£o tenha arrancado e comido o cora√ß√£o do carrasco de Dona In√™s, J√ļlio Dantas continua a ter raz√£o: √© realmente diferente o amor em Portugal. Basta pensar no inc√≥modo fon√©tico de dizer ¬ęEu amo-o¬Ľ ou ¬ęEu amo-a¬Ľ. Em Portugal aqueles que amam preferem dizer que est√£o apaixonados, o que n√£o √© a mesma coisa, ou ent√£o embara√ßam seriamente os eleitos com as vers√Ķes estrangeiras: ¬ęI love you¬Ľ ou ¬ęJe t’aime¬Ľ. As perguntas ¬ęAmas-me?¬Ľ ou ¬ęSer√° que me amas?¬Ľ est√£o vedadas pelo bom gosto, sen√£o pelo bom senso. Por isso diz-se antes ¬ęGostas mesmo de mim?¬Ľ, o que tamb√©m n√£o √© a mesma coisa.

O mesmo pudor aflige a palavra amante, a qual, ao contr√°rio do que acontece nas demais l√≠nguas indo-europeias, n√£o tem em Portugal o sentido simples e bonito de ¬ęaquele que ama, ou √© amado¬Ľ. Diz-se que n√£o sei-quem √© amante de outro, e entende-se logo, maliciosamente, o biscate por fora, o concubinato indecente, a pouca vergonha, o treco-lareco machista da cervejaria, ou o opr√≥bio galin√°ceo das reuni√Ķes de ¬ętupperwares¬Ľ e de costura.
Amoroso não significa cheio de amor, mas sim qualquer vago conceito a leste de levemente simpático, porreiro, ou giríssimo.

Continue lendo…

Um Homem de Sucesso

Uma pessoa n√£o √© exatamente o que come, como diz o ditado e como eu pr√≥prio dei por garantido; uma pessoa √© sobretudo o lugar onde come, e com quem come, e a corre√ß√£o com que nomeia o que come e a seguran√ßa com que escolhe, da ementa, os pratos certos, perante testemunhas. Um homem de sucesso √©, muito especialmente, aquele que depois diz onde comeu e com quem. S√£o essas coisas que definem o seu estatuto e a altitude a que voa, e que determinam se vaie a pena perder um quarto de hora com ele, pagar-lhe um copo e at√© tentar marcar um jantar para outro dia, estabelecer uma rela√ß√£o. Ou se, pelo contr√°rio, deves responder-lhe que est√°s atrasado para uma reuni√£o e consultar duas ou tr√™s vezes o rel√≥gio antes de te afastares rapidamente, mesmo que ele esteja disposto a pagar–te o jantar.

Os Distraídos e os Organizados

O ¬ędistra√≠do¬Ľ √© a figura mais privilegiada de uma fam√≠lia, de um grupo de amigos, de uma empresa. O ¬ędistra√≠do¬Ľ chega sempre atrasado – paci√™ncia, √© distra√≠do. O ¬ędistra√≠do¬Ľ chumba na escola prim√°ria – coitado, √© distra√≠do. O ¬ędistra√≠do¬Ľ n√£o d√° presentes no Natal – deixa l√°, √© distra√≠do. O ¬ędistra√≠do¬Ľ n√£o pergunta pelas an√°lises com que nos and√°vamos a consumir – n√£o foi por mal, j√° sabes que √© distra√≠do. O ¬ędistra√≠do¬Ľ √© engra√ßado e √© fofinho. O seu defeito, na verdade, √© uma virtude. O ¬ędistra√≠do¬Ľ mete nojo e faz inveja ‚Äď e, se h√° uma presen√ßa de que n√£o gostamos nunca de dispensar-nos, √© a do ¬ędistra√≠do¬Ľ. D√° patine, andar com o ¬ędistra√≠do¬Ľ. O ¬ędistra√≠do¬Ľ √© um charme. O ¬ędistra√≠do¬Ľ √© aquilo que n√≥s ser√≠amos se n√£o f√īssemos esta desgra√ßa que somos.

Porque depois, ao longo da vida, o ¬ędistra√≠do¬Ľ fica com os melhores empregos. O ¬ędistra√≠do¬Ľ, bem vistas as coisas, n√£o √© aluado: √© criativo – √© um artista. E o ¬ędistra√≠do¬Ľ fica sempre com as raparigas mais giras tamb√©m. Naturalmente: s√≥ √© distra√≠do quem pode – e o ¬ędistra√≠do¬Ľ √© o mais bonito de n√≥s todos. Tamb√©m por isso, ali√°s, nos d√° jeito emparceirar com o ¬ędistra√≠do¬Ľ: sempre pode ser que a gorda sobre para n√≥s.

Continue lendo…

Ninguém Pensa Senão em Mulheres e Homens

Ningu√©m pensa sen√£o em mulheres e homens, a totalidade do dia √© um tr√Ęmite que se det√©m num dado momento para permitir pensar neles, o prop√≥sito da cessa√ß√£o do rabalho ou do estudo n√£o √© sen√£o come√ßar a pensar neles, mesmo quando estamos com eles pensamos neles, pelo menos eu. Os par√™nteses n√£o s√£o eles, mas as aulas e as investiga√ß√Ķes, as leituras e os escritos, as confer√™ncias e as cerim√≥nias, as ceias e as reuni√Ķes, as finan√ßas e as politiquices, a globalidade daquilo que consideramos ser aqui a actividade. A actividade produtiva, a que proporciona dinheiro e seguran√ßa e apre√ßo e nos permite viver, a que faz com que uma cidade ou um pa√≠s andem e estejam organizados. A que depois nos permite dedicarmo-nos a pensar neles com toda a intensidade.
At√© neste pa√≠s √© assim, contrariamente √†s nossas pretens√Ķes e fama, contrariamente √†quilo que n√≥s pr√≥prios gostamos de crer. O par√™ntese √© isso, e n√£o o contr√°rio. Tudo o que se faz, tudo o que se pensa, tudo o resto que se pensa e maquina √© um meio de pensar neles. Mesmo as guerras s√£o travadas para poder voltar a pensar, para renovar esse pensamento fixo dos nossos homens e das nossas mulheres,

Continue lendo…

A Luta de Classes Acabou

A luta de classes esfumou-se, dissolveu-se, a democracia tem funcionado como um diluente social: toda a gente vive, compra e acorre ao hipermercado, ao balc√£o do bar e aos concertos pagos pelo munic√≠pio na pra√ßa central, e todos falam ao mesmo tempo, vozes que se misturam como nas tumultuosas reuni√Ķes no cine Tivoli evocadas pelo meu pai, j√° n√£o se distingue o que est√° em cima do que est√° em baixo, est√° tudo enredado, confuso, e, por√©m, reina uma misteriosa ordem, eis a democracia. Mas, de s√ļbito, desde h√° um par de anos, parece desenhar-se uma ordem mais expl√≠cita, menos insidiosa. A nova ordem √© bem vis√≠vel, com os n√≠veis superior e inferior bem definidos: alguns transportam com orgulho sacos repletos de compras e cumprimentam sorridentes os vizinhos √† porta do centro comercial, outros remexem nos contentores onde os empregados do hipermercado lan√ßaram as embalagens de carne fora de prazo, a fruta e as verduras pisadas, os past√©is industriais caducados. Lutam entre si por esses alimentos.

(…) Trivial, a luta de classes? Ent√£o n√£o era isso que determinava, que impregnava e condicionava tudo? O grande motor da hist√≥ria universal? N√£o era nisso que acreditavam o meu pai e os seus camaradas,

Continue lendo…

A Arma Diabólica do Ritual

A √Ęnsia pelo ritual e pelas cerim√≥nias √© forte e generalizada. Quanto √© forte e est√° largamente espalhada v√™-se pelo ardor com que homens e mulheres que n√£o t√™m nenhuma religi√£o ou t√™m uma religi√£o puritana sem ritual se agarram a qualquer oportunidade para participarem em cerim√≥nias, sejam elas de que esp√©cie forem. A Ku Klu Klan nunca teria conseguido o seu √™xito do p√≥s-guerra se se aferrasse aos trajes civis e √†s reuni√Ķes de comiss√Ķes. Os Srs. Simmons e Clark, os ressuscitadores daquela not√°vel organiza√ß√£o, compreendiam o seu p√ļblico. Insistiram em estranhas cerim√≥nias nocturnas nas quais os trajes de fantasia n√£o eram facultativos mas sim obrigat√≥rios. O n√ļmero de s√≥cios subiu aos saltos e bald√Ķes. O Klan tinha um objectivo: o seu ritual simbolizava alguma coisa. Mas para uma multid√£o ritofaminta a significa√ß√£o √© aparentemente sup√©rflua. A popularidade dos c√Ęnticos em comunidade mostram que o rito, como tal, √© o que o p√ļblico quer. Desde que seja impressivo e provoque uma emo√ß√£o, o rito √© bom em si pr√≥prio. N√£o interessa nada o que ele possa significar. √Ä cerim√≥nia dos c√Ęnticos em comunidade falta todo o significado filos√≥fico, n√£o tem nenhuma liga√ß√£o com qualquer sistema de ideias. √Č simplesmente ela pr√≥pria e mais nada.

Continue lendo…

O Intelectual e o Meio

Ser intelectual e fazer parte dos intelectuais s√£o duas coisas que simultaneamente se identificam e op√Ķem. H√° um determinismo de colectividade; assim, os gafanhotos isolados s√£o insectos am√°veis, cada um devotado aos seus pequenos assuntos, tendo cada um o seu comportamento. Mas a partir de uma certa densidade, de resto demasiado fraca, tornam-se uma turba onde as individualidades desaparecem, perdem a sua cor esverdeada em troca de um uniforme e padronizado amarelo-acizentado, adquirem um comportamento estereotipado e transformam-se em impiedosos devoradores, destruindo tudo o que for obst√°culo ao seu frenesim. Da mesma forma, os intelectuais s√£o, isoladamente, simp√°ticos indiv√≠duos, cada um dedicado √† sua obra, mas a sua reuni√£o em sociedade faz deles monstros.

As Pessoas n√£o Sabem o que Querem Antes de lho Mostrarmos

A minha paix√£o tem sido construir uma empresa duradoura onde as pessoas se sintam motivadas para grandes produtos. Tudo o mais era secund√°rio. Claro que era bom ter lucros, pois s√≥ assim era poss√≠vel fazer grandes produtos. Mas o principal factor de motiva√ß√£o eram os produtos, n√£o o lucro. Sculley deslocou estas prioridades para o objectivo de fazer dinheiro. Trata-se de uma diferen√ßa subtil, mas que acaba por fazer toda a diferen√ßa: as pessoas que contratamos, quem √© promovido, os assuntos que discutimos nas reuni√Ķes.
Algumas pessoas dizem: ‚ÄúD√™em aos clientes o que eles querem.‚ÄĚ Mas essa n√£o √© a minha abordagem. A nossa miss√£o consiste em antecipar aquilo que eles v√£o querer. Penso que o Henri Ford teria dito uma vez que se perguntasse aos clientes aquilo que eles queriam, a resposta teria sido: ‚ÄúUm cavalo mais r√°pido!”. As pessoas n√£o sabem o que querem antes de lho mostrarmos. √Č por isso que n√£o confio nos estudos de mercado. A nossa miss√£o consiste em ler as coisas antes de elas terem sido escritas.

O Preço do Amor

N√£o √© f√°cil estar apaixonado por uma mulher e fazer alguma coisa de jeito. √Čs devorado pela ansiedade. N√£o conv√©m deixares-te embei√ßar por uma mulher que se mostre dif√≠cil de conquistar, isso e como passar o resto da vida a tentar escalar o Everest. Escolhe uma mulher que possas conservar sem muito esfor√ßo. Quanto a mulheres boas, podemos compr√°-las. Por meia d√ļzia de euros, arranjas uma russa de dezoito anos, dessas que nem nos filmes se veem. Fodes, pagas e regressas a casa para jantar com a fam√≠lia, com a tua mulher, que cozinha bem e fode mal, mas que n√£o lhe passa pela cabe√ßa separar-se de ti, entre outras coisas porque ningu√©m a olha com particular interesse. Ela vai √†s reuni√Ķes de pais na escola, controla as AMPAS, as APLAS, todas essas associa√ß√Ķes que nem sei como se chamam, esses servi√ßos, esse jarg√£o, esse lixo social-democrata que os do PP copiam com entusiasmo porque soa a fam√≠lia moderna e feliz, e tamb√©m um pouco a Opus Dei, e mete os mi√ļdos na ordem e sabe escolher o detergente mais eficaz no Mercadona e o melhor queijo e o melhor foie gras de fabrico pr√≥prio da charcutaria. Passa-te as camisas a ferro e cose-te os bot√Ķes.

Continue lendo…

A Dialéctica é o Último Recurso

A dial√©ctica s√≥ se adopta quando n√£o se pode utilizar nenhum outro meio. Sabe-se que com ela se inspira desconfian√ßa, que ela persuade pouco. Nada √© mais f√°cil de suprimir que o efeito de um dial√©ctico: a experi√™ncia de toda a reuni√£o em que haja discursos prova-o. A dial√©ctica s√≥ pode ser um recurso coagido, nas m√£os dos que n√£o t√™m j√° outras armas. √Č preciso que se tenha de conseguir pela for√ßa os pr√≥prios direitos: antes n√£o se faz nenhum uso dela.