Textos sobre Ansiedade

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Textos de ansiedade escritos por poetas consagrados, filósofos e outros autores famosos. Conheça estes e outros temas em Poetris.

O Vento que Decidirmos Ser

Uma das mais importantes escolhas que cada um de nós deve fazer é a de escolhermos qual o foco prin-cipal da nossa atenção e cuidado. Se o mundo à nossa volta, a fim de o mudar, ou se o interior de nós mesmos.

Quase todos os bens e males da nossa existência partem do nosso interior, pelo que será aí que importa aperfeiçoar, de forma profunda, tudo o que existe no nosso íntimo.

Um dos trabalhos mais importantes de cada um de nós será o de saber bem o que queremos. O segredo da felicidade pode estar aí: alterar em nós o que nos possa estar a causar desnecessárias ansiedades. Quantas vezes desejamos algo que está fora da nosso controlo?
Existem três tipos de coisas: as que dependem apenas de nós; as que escapam por completo à nossa decisão; e, aquelas sobre as quais temos algum controlo, mas não total.

Se fizermos a nossa alegria depender de algo que não está na nossa mão, então será fácil que nos sinta-mos roubados de algo que, na verdade, nunca foi nosso. Mesmo nos casos em que o conseguimos obter, a ansiedade associada à posse, até pela iminência de o perder da mesma forma que o ganhámos,

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As Janelas da Memória

A mem√≥ria humana n√£o √© lida globalmente, como a mem√≥ria dos computadores, mas por √°reas espec√≠ficas a que chamo de janelas. Atrav√©s das janelas vemos, reagimos, interpretamos… Quantas vezes tentamos lembrar-nos de algo que n√£o nos vem √† ideia? Nesse caso, a janela permaneceu fechada ou inacess√≠vel.

A janela da mem√≥ria √©, portanto, um territ√≥rio de leitura num determinado momento existencial. Em cada janela pode haver centenas ou milhares de informa√ß√Ķes e experi√™ncias. O maior desafio de uma mulher, e do ser humano em geral, √© abrir o m√°ximo de janelas em cada situa√ß√£o. Se ela abre diversas janelas, poder√° dar respostas inteligentes. Se as fecha, poder√° dar respostas inseguras, med√≠ocres, est√ļpidas, agressivas. Somos mais instintivos e animalescos quando fechamos as janelas, e mais racionais quando as abrimos.

O mundo dos sentimentos possui as chaves para abrir as janelas. O medo, a tens√£o, a ang√ļstia, o p√Ęnico, a raiva e a inveja podem fech√°-las. A tranquilidade, a serenidade, o prazer e a afetividade podem abri-las. A emo√ß√£o pode fazer os intelectuais reagirem como crian√ßas agressivas e as pessoas simples reagirem como elegantes seres humanos. Sob um foco de tens√£o, como perdas e contrariedades, uma mulher serena pode ficar irreconhec√≠vel.

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Ter Objetivos

Qualquer dia que comece sem um objetivo, est√°, √† partida, condenado ao ¬ęera melhor n√£o ter sa√≠do da cama¬Ľ; como tal, torna–se fundamental saberes o que queres, o que tens e o que podes fazer sempre que o Sol nasce. Um simples objetivo √©, na realidade, suficiente para te motivar a viver todo o dia que tens pela frente, pois aniquila todo e qualquer sentimento de inutilidade, ansiedade e frustra√ß√£o que possas estar a viver. T√£o simples e ao mesmo tempo t√£o complicado. T√£o complicado porque sei, por experi√™ncia pr√≥pria e pelo que oi√ßo nas minhas sess√Ķes e palestras, que nem sempre √© f√°cil ter um objetivo di√°rio. Ou melhor, muitas das vezes, at√© o temos, mas como estamos desprovidos de estrat√©gia, a a√ß√£o nunca ocorre.
Mas vamos por partes, um objetivo é algo nato, pois ainda que de uma forma inconsciente o objetivo de cada bebé, por exemplo, é tornar-se autónomo, gatinhando primeiro, agarrando-se às coisas depois até, finalmente, começar a andar. Esta sensação de querermos sempre mais ou melhor é algo que nasce connosco e que apenas deixa de fazer sentido quando o estado emocional da pessoa é tão depressivo que se opta por desistir. Ter objetivos é como ter fome e comer,

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O Meu Primeiro Poema

T√™m-me perguntado muitas vezes quando escrevi o primeiro poema, quando nasceu a minha poesia. Tentarei record√°-lo. Muito para tr√°s, na minha inf√Ęncia, mal sabendo ainda escrever, senti uma vez uma intensa como√ß√£o e rabisquei umas quantas palavras semi-rimadas, mas estranhas para mim, diferentes da linguagem quotidiana. Passei-as a limpo num papel, dominado por uma ansiedade profunda, um sentimento at√© ent√£o desconhecido, misto de ang√ļstia e de tristeza. Era um poema dedicado √† minha m√£e, ou seja, √†quela que conheci como tal, a ang√©lica madrasta cuja sombra suave me protegeu toda a inf√Ęncia. Completamente incapaz de julgar a minha primeira produ√ß√£o, levei-a aos meus pais. Eles estavam na sala de jantar, afundados numa daquelas conversas em voz baixa que dividem mais que um rio o mundo das crian√ßas e o dos adultos. Estendi-lhes o papel com as linhas, tremente ainda da primeira visita da inspira√ß√£o. O meu pai, distraidamente, tomou-o nas m√£os, leu-o distraidamente, devolveu-mo distraidamente, dizendo-me:
‚ÄĒ Donde o copiaste?

E continuou a falar em voz baixa com a minha mãe dos seus importantes e remotos assuntos. Julgo recordar que nasceu assim o meu primeiro poema e que assim tive a primeira amostra distraída de crítica literária.

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A Origem do Medo

A condição psicológica do medo está divorciada de qualquer perigo concreto e real. Surge sob diversas formas: desconforto, preocupação, ansiedade, nervosismo, tensão, temor, fobia, etc. Este tipo de medo psicológico é sempre algo que poderá acontecer e não algo que esteja a acontecer no momento. O leitor está aqui e agora, enquanto a sua mente se encontra no futuro. Este facto gera um hiato de ansiedade. Além disso, se o leitor se identificar com a sua mente e tiver perdido o contacto com o poder e a simplicidade do Agora, esse hiato de ansiedade acompanhá-lo-á constantemente.

A pessoa pode sempre lidar com o momento presente, mas não o consegue fazer com algo que é apenas uma projeção mental Рnão é possível lidar com o futuro.
E enquanto o leitor se identifica com a sua mente, o ego comanda a sua vida. Devido à natureza ilusória que lhe é característica e apesar dos mecanismos de defesa elaborados, o ego torna-se muito vulnerável e inseguro, vendo-se a si próprio constantemente sob ameaça. Este facto, a propósito, é o que acontece, mesmo que por fora o ego pareça muito confiante. Agora lembre-se de que uma emoção é a reação do corpo à mente.

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A Sabedoria do Homem Comum

Os ignorantes e o homem comum n√£o t√™m problemas. Para eles na Natureza tudo est√° como deve estar. Eles compreendem as coisas pela simples raz√£o delas existirem. E, na realidade, n√£o d√£o eles provas de mais raz√£o do que todos os sonhadores, que chegam a duvidar do seu pr√≥prio pensamento? Morre um dos seus amigos, e como julgam saber o que √© a morte √† dor que sentem por o perderem n√£o acrescentam a cruel ansiedade que resulta da impossibilidade de aceitar um acontecimento t√£o natural… Estava vivo, e agora encontra-se morto; falava-me, o seu esp√≠rito prestava aten√ß√£o ao que eu lhe dizia, mas hoje j√° nada disso existe: resta apenas aquele t√ļmulo – mas repousa ele nesse t√ļmulo, t√£o frio como a pr√≥pria sepultura? Erra a sua alma em redor desse monumento? Quando eu penso nele √© a sua alma que vem assolar a minha mem√≥ria? O h√°bito traz-nos de novo, contudo, ao n√≠vel do homem comum.
Quando o seu rasto se tiver apagado – n√£o h√° d√ļvidas de que ele morreu! – ent√£o a coisa deixar√° de nos incomodar. Os s√°bios e os pensadores parecem portanto menos avan√ßados que o homem comum, j√° que eles pr√≥prios n√£o t√™m a certeza,

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Um Eu Forte e Maduro

Precisamos de conhecer os papéis do Eu, que representa a capacidade de escolha. Entre esses papéis, o de ser autor da própria história, um protetor da mente, um jardineiro do território da emoção, um plantador de janelas light na memória da pessoa amada.

Discutir, gritar, impor ideias, não significa nem de longe ter um Eu forte, mas sim fraco. Dizer o que vem à mente, dizer sempre a verdade, nem sempre é a expressão de um Eu maduro, mas sim de alguém que não tem autocontrolo. Um Eu forte e maduro aquieta a sua ansiedade, protege a pessoa amada, pede desculpas sem medo, aponta primeiro o dedo a si próprio antes de falar dos erros do outro, repensa a sua história, exige menos e dá-se mais; não tem a necessidade neurótica de mudar as pessoas ao seu redor.

O Maior Amor e as Coisas que Se Amam

Tomara poder desempenhar-me, sem hesita√ß√Ķes nem ansiedades, deste mandato subjectivo cuja execu√ß√£o por demorada ou imperfeita me tortura e dormir descansadamente, fosse onde fosse, pl√°tano ou cedro que me cobrisse, levando na alma como uma parcela do mundo, entre uma saudade e uma aspira√ß√£o, a consci√™ncia de um dever cumprido.

Mas dia a dia o que vejo em torno meu me aponta novos deveres, novas responsabilidades da minha intelig√™ncia para com o meu senso moral. Hora a hora a (…) que escreve as s√°tiras surge col√©rica em mim. Hora a hora a express√£o me falha. Hora a hora a vontade fraqueja. Hora a hora sinto avan√ßar sobre mim o tempo. Hora a hora me conhe√ßo, m√£os in√ļteis e olhar amargurado, levando para a terra fria uma alma que n√£o soube contar, um cora√ß√£o j√° apodrecido, morto j√° e na estagna√ß√£o da aspira√ß√£o indefinida, inutilizada.

Nem choro. Como chorar? Eu desejaria poder querer (desejar) trabalhar, febrilmente trabalhar para que esta p√°tria que v√≥s n√£o conheceis fosse grande como o sentimento que eu sinto quando n’ela penso. Nada fa√ßo. Nem a mim mesmo ouso dizer: amo a p√°tria, amo a humanidade. Parece um cinismo supremo. Para comigo mesmo tenho um pudor em diz√™-lo.

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Regras para a Conversação

РDa minha parte, disse Amithone, confesso que gostaria muito que existissem regras para a conversação, assim como há para muitas outras coisas. РA regra principal, retomou Valérie, é jamais dizer alguma coisa que fira o juízo. РMas ainda, acrescentou Nicanor, desejaria saber mais precisamente como vós concebeis que deva ser a conversação. РConcebo, retomou ela, que no falar em geral, ela deva versar com mais frequência sobre coisas comuns e galantes do que sobre grandes coisas.
Mas concebo, entretanto, que n√£o h√° nada que n√£o possa caber ali; que ela deve ser livre e diversificada, segundo os momentos, os lugares, e as pessoas com quem se est√°; e que o segredo √© falar sempre nobremente das coisas baixas, e bastante simplesmente das coisas elevadas, e muito galantemente das coisas galantes, sem ansiedade, e sem afecta√ß√£o. Assim, embora a conversa√ß√£o deva ser sempre igualmente natural e ponderada, n√£o deixo de dizer que h√° ocasi√Ķes nas quais mesmo as ci√™ncias podem entrar de bom grado ali e nas quais os agrad√°veis desatinos tamb√©m podem encontrar o seu lugar, contanto que sejam engenhosos, modestos e galantes. De modo que, para falar ponderadamente, pode-se assegurar, sem mentira, que n√£o h√° nada que n√£o se possa dizer na conversa√ß√£o,

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As Nossas Possibilidades de Felicidade

√Č simplesmente o princ√≠pio do prazer que tra√ßa o programa do objectivo da vida. Este princ√≠pio domina a opera√ß√£o do aparelho mental desde o princ√≠pio; n√£o pode haver d√ļvida quanto √† sua efici√™ncia, e no entanto o seu programa est√° em conflito com o mundo inteiro, tanto com o macrocosmo como com o microcosmo. N√£o pode simplesmente ser executado porque toda a constitui√ß√£o das coisas est√° contra ele; poder√≠amos dizer que a inten√ß√£o de que o homem fosse feliz n√£o estava inclu√≠da no esquema da Cria√ß√£o. Aquilo a que se chama felicidade no seu sentido mais restrito vem da satisfa√ß√£o ‚ÄĒ frequentemente instant√Ęnea ‚ÄĒ de necessidades reprimidas que atingiram uma grande intensidade, e que pela sua natureza s√≥ podem ser uma experi√™ncia transit√≥ria. Quando uma condi√ß√£o desejada pelo princ√≠pio do prazer √© protelada, tem como resultado uma sensa√ß√£o de consolo moderado; somos constitu√≠dos de tal forma que conseguirmos ter prazer intenso em contrastes, e muito menos nos pr√≥prios estados intensos. As nossas possibilidades de felicidade s√£o assim limitadas desde o princ√≠pio pela nossa forma√ß√£o. √Č muito mais f√°cil ser infeliz.
O sofrimento tem três procedências: o nosso corpo, que está destinado à decadência e dissolução e nem sequer pode passar sem a ansiedade e a dor como sinais de perigo;

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Só Sente Ansiedade pelo Futuro aquele cujo Presente é Vazio

O principal defeito da vida √© ela estar sempre por completar, haver sempre algo a prolongar. Quem, todavia, quotidianamente der √† pr√≥pria vida “os √ļltimos retoques” nunca se queixar√° de falta de tempo; em contrapartida, √© da falta de tempo que prov√©m o temor e o desejo do futuro, o que s√≥ serve para corroer a alma. N√£o h√° mais miser√°vel situa√ß√£o do que vir a esta vida sem se saber qual o rumo a seguir nela; o esp√≠rito inquieto debate-se com o inelut√°vel receio de saber quanto e como ainda nos resta para viver. Qual o modo de escapar a uma tal ansiedade? H√° um apenas: que a nossa vida n√£o se projecte para o futuro, mas se concentre em si mesma. S√≥ sente ansiedade pelo futuro aquele cujo presente √© vazio. Quando eu tiver pago tudo quanto devo a mim mesmo, quando o meu esp√≠rito, em perfeito equil√≠brio, souber que me √© indiferente viver um dia ou viver um s√©culo, ent√£o poderei olhar sobranceiramente todos os dias, todos os acontecimentos que me sobrevierem e pensar sorridentemente na longa passagem do tempo! Que esp√©cie de perturba√ß√£o nos poder√° causar a variedade e instabilidade da vida humana se n√≥s estivermos firmes perante a instabilidade?

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Temos de Ser Mais Humanos

Abram os olhos. Somos umas bestas. No mau sentido. Somos primitivos. Somos prim√°rios. Por nossa causa corre um oceano de sangue todos os dias. N√£o √© auscultando todos os nossos instintos ou encorajando a nossa natureza biol√≥gica a manifestar-se que conseguiremos afastar-nos da crueza da nossa condi√ß√£o. √Č lendo Plat√£o. E construindo pontes suspensas. √Č tendo ins√≥nias. √Č desenvolvendo paran√≥ias, conceitos filos√≥ficos, poemas, desequil√≠brios neuroqu√≠micos insan√°veis, frisos de portas, birras de amor, grafismos, sistemas pol√≠ticos, receitas de bacalhau, pormenores.

√Č engra√ßado como cada √©poca se foi considerando ¬ęde charneira¬Ľ ao longo da hist√≥ria. A pretens√£o de se ser definitivo, a arrog√Ęncia de ser ¬ęo √ļltimo¬Ľ, a vaidade de se ser futuro √©, h√° mil√©nios, a mesm√≠ssima cantiga.
Temos de ser mais humanos. Reconhecer que somos as bestas que somos e arrependermo-nos disso. Temos de nos reduzir à nossa miserável insensibilidade, à pobreza dos nossos meios de entendimento e explicação, à brutalidade imperdoável dos nossos actos. O nosso pé foge-nos para o chinelo porque ainda não se acostumou a prender-se aos troncos das árvores, quanto mais habituar-se a usar sapato.

A √ļnica atitude verdadeiramente civilizada √© a fraqueza, a curiosidade, o desespero, a experi√™ncia, o amor desinteressado,

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Assumir a Dor

Quanto mais uma pessoa que foi traída tenta anular a pessoa que a traiu, mais raiva sentirá e, consequentemente, mais a dor da traição será arquivada no centro da sua memória. Quanto mais uma pessoa tentar esquecer a crise financeira que atravessa, mais penetrará nas janelas que financiam a sua hiperpreocupação, mais se perturbará, perderá o sono e descarregará a ansiedade no seu corpo, gerando sintomas psicossomáticos. Essas defesas do Eu não são apenas ineficientes como também aumentam os níveis de stresse.

Nunca tente apagar os seus arquivos. N√£o conseguir√°. N√£o gaste energia tentando esquecer as pessoas que o magoaram. O seu desgaste torn√°-las-√° inesquec√≠veis. A melhor t√©cnica, como veremos, √© assumir sempre a dor, recicl√°-la com maturidade, nunca se colocar no lugar de v√≠tima, conversar sem medo com os seus fantasmas, rev√™-los por outros √Ęngulos e reescrever as janelas onde est√£o inscritas.

Os Homens Indecisos

Os homens indecisos s√£o muit√≠ssimo perseverantes nas suas decis√Ķes, sejam quais forem as dificuldades, e isto devido √† sua pr√≥pria indecis√£o, pois se abandonarem a resolu√ß√£o j√° tomada ser√° preciso que tomem outra decis√£o. Por vezes s√£o muito r√°pidos e eficientes a p√īr em pr√°tica aquilo que decidiram: porque, receando a todo o momento ser induzidos a abandonar a resolu√ß√£o tomada e voltar √†quela angustiosa hesita√ß√£o e expectativa em que se encontraram antes de se decidirem, apressam a execu√ß√£o e nela aplicam toda a sua energia, mais estimulados pela ansiedade e pela incerteza de triunfarem sobre si pr√≥prios, do que pelo objectivo da empresa e pelos outros obst√°culos que tenham de vencer para alcan√ß√°-lo.

Quantos São os que Sabem Ser Donos de Si Próprios?

Apenas julgamos comprar aquilo que nos custa dinheiro, enquanto consideramos gratuito o que pagamos com a nossa pr√≥pria pessoa. Coisas que n√£o querer√≠amos comprar se em troca dev√™ssemos dar a nossa casa, ou uma quinta de recreio, ou de rendimento, estamos inteiramente dispostos a obt√™-las a troco de ansiedades e de perigos, para tal sacrificando a honra, a liberdade, o tempo. A tal ponto √© verdade que a nada damos menos valor do que a n√≥s pr√≥prios! Fa√ßamos, portanto, em todas as nossas decis√Ķes e actos, o mesmo que fazemos ao abordar qualquer vendedor: perguntemos o pre√ßo da mercadoria que desejamos.
Frequentemente pagamos ao mais alto pre√ßo algo por que nada dever√≠amos dar. Posso indicar-te muitos bens cuja aquisi√ß√£o, mesmo por oferta, nos custa a liberdade: ser√≠amos donos de n√≥s pr√≥prios se n√£o f√īssemos possuidores de tais bens.
Deves meditar no que te digo, quer se trate de lucros quer de despesas. ¬ęEste objecto vai estragar-se¬Ľ. Ora, √© uma coisa exterior; t√£o facilmente passar√°s sem ela como passaste antes de a ter. Se tiveste esse objecto bastante tempo, perde-lo depois de saciado; se pouco tempo, perde-lo antes de te habituares a ele. ¬ęGanhar√°s menos dinheiro¬Ľ. E menos preocupa√ß√Ķes,

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Cultivar a Felicidade

Desde os prim√≥rdios da humanidade, que o ser humano procura a felicidade como a terra seca clama pela √°gua. √Č f√°cil conquist√°-la? Nem sempre! Os poetas homenagearam-na, os romancistas descreveram-na, os fil√≥sofos contemplaram-na, mas grande parte deles saudaram-na apenas de longe.
Os reis tentaram dominá-la, mas ela não se submeteu ao poder deles. Os ricos tentaram comprá-la, mas ela não se deixou vender. Os intelectuais tentaram compreendê-la, mas ela confundiu-os. Os famosos tentaram fasciná-la, mas ela contou-lhes que preferia o anonimato. Os jovens disseram que ela lhes pertencia, mas ela disse-lhes que não se encontrava no prazer imediato, nem se deixava encontrar pelos que não pensavam nas consequências dos seus atos.
Alguns acreditaram que poderiam cultivá-la em laboratório. Isolaram-se do mundo e dos problemas da vida, mas a felicidade enviou um claro recado a dizer que ela apreciava o cheiro das pessoas e crescia no meio das dificuldades.
Outros tentaram cultivá-la com os avanços da ciência e da tecnologia, mas eis que a ciência e a tecnologia se multiplicaram e a tristeza e as mazelas da alma se expandiram.

Desesperados, muitos tentaram encontrar a felicidade em todos os cantos do mundo. Mas no espaço ela não estava,

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A Biblioteca

Chegada a noite, volto a casa e entro no meu escrit√≥rio; e, na porta, dispo a roupa quotidiana, cheia de lama e de lodo, e visto trajes reais e solenes; e, vestido assim decentemente, entro nas antigas cortes dos homens antigos, onde, recebido amavelmente por eles, me alimento da comida que √© s√≥ minha, e para a qual nasci; onde eu n√£o me envergonho de falar com eles e de perguntar-lhes as raz√Ķes das suas ac√ß√Ķes. E eles com a sua bondade respondem-me; e, durante quatro horas, n√£o sinto t√©dio nenhum, esque√ßo-me de toda a ansiedade, n√£o temo a pobreza, nem a morte me assusta: transfiro para eles todo o meu ser.

A Tua Vida é Agora

Toda a negatividade √© provocada por uma acumula√ß√£o de tempo psicol√≥gico e de recusa do presente. Mal-estar, ansiedade, tens√£o, stress, preocupa√ß√Ķes – todas as formas de medo – s√£o causados por futuro em demasia e insuficiente presen√ßa. Sentimentos de culpa, arrependimento, ressentimento, injusti√ßas, tristeza, amargura e todas as formas de falta de indulg√™ncia s√£o provocados por passado em demasia e insuficiente presen√ßa.
A maioria das pessoas tem dificuldade em acreditar que seja poss√≠vel um estado de consci√™ncia totalmente livre de negatividade. E no entanto √© esse o estado de liberta√ß√£o para o qual todos os ensinamentos espirituais apontam. √Č a promessa de salva√ß√£o, n√£o num futuro ilus√≥rio, mas j√° aqui e agora.

Poder√°s ter dificuldade em admitir que o tempo seja a causa do teu sofrimento ou dos teus problemas. Acreditas que s√£o provocados por situa√ß√Ķes espec√≠ficas na tua vida e, visto de um ponto de vista convencional, isso √© verdade. Mas at√© teres lidado com a disfun√ß√£o b√°sica da mente “que-faz-os-problemas” – o seu apego ao passado e ao futuro e a nega√ß√£o do Agora – os problemas s√£o na verdade permut√°veis. Se todos os teus problemas ou as consideradas causas do sofrimento ou da infelicidade te fossem milagrosamente retirados hoje,

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Analisar as Nossas Rela√ß√Ķes

Nenhuma mudança psíquica sustentável ocorre rapidamente. São necessários o autoconhecimento, a educação, o treino, a utilização de ferramentas e, em especial, a compreensão básica do mais complexo dos universos, a mente humana.
Qualquer mulher gostaria de remover a impaciência, a ansiedade, as fobias, o humor depressivo e a timidez da sua mente. Mas a vontade consciente de mudança ou superação de um conflito, por mais forte e poderosa que seja, não é eficiente. Não basta o Eu querer reorganizar a sua personalidade, é preciso utilizar estratégias adequadas. Até um psicopata gostaria de ser gentil e afetivo em toda a sua agenda psíquica, mas, no calor das crises, os monstros alojados no seu inconsciente devoram-no e magoam os outros.

O Eu deve ser equipado, em especial, para ser o Autor da sua hist√≥ria. Porque brilhamos no mundo exterior, mas somos t√£o opacos no mundo interior? Porque √© que as guerras, os homic√≠dios, as discrimina√ß√Ķes, os dist√ļrbios ps√≠quicos, os conflitos sociais fazem a pauta da nossa hist√≥ria? Por que raz√£o sonham os pais em proporcionar a melhor educa√ß√£o aos seus filhos, mas nem sempre t√™m √™xito? Porque √© que casais apaixonados que fazem juras de amor podem acabar inimigos?

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Lidar com a Ansiedade

A ansiedade tanto pode ser uma sensa√ß√£o de vazio que antecede momentos de real perigo, como momentos imagin√°rios, e s√£o esses que nos interessam neste contexto do livro. A maior parte da ansiedade que sentes √© devida a uma mente obstru√≠da por problemas, incapaz de te obedecer e com uma capacidade tremenda de inventar cen√°rios sombrios, criar situa√ß√Ķes desconfort√°veis e de transformar a potencial calmaria da tua vida numa ¬ęest√≥ria¬Ľ verdadeiramente soturna. Na verdade, tudo isto n√£o passa de pura manipula√ß√£o, caso contr√°rio como √© que seria poss√≠vel faltar-te o ar, entrares em p√Ęnico ou sentires um aperto no peito relativamente a nada que ainda n√£o aconteceu e que √© imposs√≠vel de prever? S√≥ sentes tudo isto e muito mais porque nunca te esfor√ßaste por disciplinar a mente e ela, como dominadora que √©, exerce toda a sua criatividade no sentido de te aprisionar, retirando-te a autoestima e confian√ßa. Viver ref√©m da mente d√° precisamente nisto, numa agonia sem fim onde o passado bloqueia, o presente inibe e o futuro assusta. √Č isto que queres? Calculo que n√£o, mas o que √© tens feito para mudar essa sensa√ß√£o de prisioneiro? A mente s√≥ deixa de mentir quando tu lhe ordenares a tua verdade e n√£o existe verdade acerca do futuro,

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