Poemas sobre Cobardia

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Poemas de cobardia escritos por poetas consagrados, filósofos e outros autores famosos. Conheça estes e outros temas em Poetris.

Aerograma

Deus queira que esta
Vos mate a fome aos sentidos
Por agora

Deus queira que esta
Vos guarde a dor aos gemidos
Noite fora

Dançamos fandangos
Sobre uma navalha
PĂĄssaros em bando
Em nuvens de limalha

E assim eu cĂĄ vou indo.

Vem-me o fel Ă  boca
As tripas ao coração
A noite trĂĄs a forca pela sua mĂŁo

Sonho com fantasmas
De pele preta e luzidia
Com manuais de coragem e cobardia

Dizem que hĂĄ sempre
Um barco azul para partir
Nosso hino
Embarca a alma
E os restos de um rosto a sorrir
Do destino

PÔe o meu retrato
No altar de S. JoĂŁo
E uma vela com formato de canhĂŁo

Cansa-se esta escrita
Com dois dedos num baraço
Assim o quis a desdita
Vai um abraço.

A Parte InvisĂ­vel do VisĂ­vel

A parte invisĂ­vel do visĂ­vel.
De resto conhecer mais o quĂȘ?
O Manifesto do InvisĂ­vel.
Os lobos sĂŁo a cabeça do anjo que nĂŁo se vĂȘ.
Sangue no Focinho e Cobardia.

Nunca Conheci quem Tivesse Levado Porrada

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos tĂȘm sido campeĂ”es em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes nĂŁo tenho tido paciĂȘncia para tomar banho,
Eu que tantas vezes tenho sido ridĂ­culo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando nĂŁo tenho calado, tenho sido mais ridĂ­culo ainda;
Eu, que tenho sido cĂłmico Ă s criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado,
Para fora da possiblidade do soco;
Eu que tenho sofrido a angĂșstia das pequenas coisas ridĂ­culas,
Eu que verifico que nĂŁo tenho par nisto neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo,
Nunca teve um acto ridĂ­culo, nunca sofreu um enxovalho,
Nunca foi senĂŁo princĂ­pe –

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Auto-retrato

EspĂĄduas brancas palpitantes:
asas no exĂ­lio dum corpo.
Os braços calhas cintilantes
para o comboio da alma.
E os olhos emigrantes
no navio da pĂĄlpebra
encalhado em renĂșncia ou cobardia.
Por vezes fĂȘmea. Por vezes monja.
Conforme a noite. Conforme o dia.
Molusco. Esponja
embebida num filtro de magia.
Aranha de ouro
presa na teia dos seus ardis.
E aos pés um coração de louça
quebrado em jogos infantis.