A Dor

Que venha, refĂşgio ou insĂłnia, futuro
antigo e comece no campo ou no flanco, Ă 
direita, onde consome a alma, Ă  esquerda
onde exclama no corpo, na seiva ou no chĂŁo

dos sobressaltos. Venha, amantĂ­ssima e espessa,
orelha ou folha acesa, fugaz ou rasgada,
planície vermelha, doce, gélida ou rápida.
Obedeça ao enleio, desperte ou descanse,

corre pelo sangue como cervo na noite,
sol que despedaça o peito. O rosto se cobre
de grandes cinzas, pesado como uma lágrima,

a alma, sendo ar, em nenhum lugar sereno.
Única posse de que dispomos. É seu
absurdo desejo, subtil e sem domĂ­nio.