Passagens sobre Campo

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Frases sobre campo, poemas sobre campo e outras passagens sobre campo para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Linda Inês

Choram ainda a tua morte escura
Aquelas que chorando a memoraram;
As l√°grimas choradas n√£o secaram
Nos saudosos campos da ternura.

Santa entre as santas pela m√° ventura,
Rainha, mais que todas que reinaram;
Amada, os teus amores n√£o passaram
E és sempre bela e viva e loira e pura.

√ď Linda, sonha a√≠, posta em soss√™go
No teu muymento de alva pedra fina,
Como outrora na Fonte do Mondego.

Dorme, sombra de graça e de saudade,
Colo de Garça, amor, moça menina,
Bem-amada por toda a eternidade!

Símios Aperfeiçoados II

A trag√©dia √© a cristaliza√ß√£o da massa humana, t√£o perigosa como a estagna√ß√£o do esp√≠rito do homem que se torna acad√©mico ou fenece por falta de entusiasmo. Gostava de saber quantas pessoas pensam em macacos durante o correr de um dia? Quantas? O homem-massa, num futuro pr√≥ximo – em rela√ß√Ķes antropol√≥gicas o pr√≥ximo leva geralmente centenas de anos – transformar-se-√° num novo espect√°culo de jardim zool√≥gico. Em vez de jaula e aldeias de s√≠mios, ele ter√° balne√°rios p√ļblicos e campos para habilidades desportivas, com ocasionais jogos nocturnos. Dar√° palmas em del√≠rio ouvindo ainda o som distante da sineta tocada pelo elefante num acto m√°ximo de intelig√™ncia paquid√©rmica. Ter√° circuitos fechados, com pistas perfeitamente cimentadas, para passear o t√©dio da fam√≠lia aos domingos, circular√° repetidamente em metropolitanos convencido de que cada nova paragem √© diferente da anterior.
E estou absolutamente crente que do naufrágio calamitoso apenas se hão-de salvar os que pela porta do cavalo fugirem ao triturar das grandes colectividades humanas, ou os que por força invencível e instintiva se libertarem para uma nova categoria de homem, ou, melhor dizendo, para a sua verdadeira categoria de homem, de homem-pensamento, na linha directa de um Platão, de um Homero, de um Aristófanes,

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A Desvantagem da Sabedoria

A sua inteligência estorvava-o. Que podia esperar da sabedoria e das suas cinco propriedades?
Primeiro, ele saberia como tratar os problemas dif√≠ceis ligados √† conduta humana e ao sentido da vida. Mas isso n√£o era priorit√°rio para ningu√©m, iam ach√°-lo desalmado e p√īr-lhe toda a esp√©cie de obst√°culos pela frente.
Segundo, a sabedoria exprime uma qualidade superior do conhecimento. Antecipa a avalia√ß√£o das situa√ß√Ķes, por tudo e nada reanima a aten√ß√£o dos outros com os seus conselhos. Depressa √© tratada como importuna e ter√° que recuar ao abrigo da frivolidade.
Terceiro, a sabedoria √© moderada e v√™ as coisas em profundidade. √Č, portanto, inimiga do ju√≠zo f√°cil e das paix√Ķes que s√£o requestadas para dar emo√ß√£o √†s exist√™ncias f√ļteis e cinzentas.
Quarto, a sabedoria é exercida tendo em vista o bem-estar da humanidade. Tem, por isso, mau nome em qualquer publicidade que faz vender produtos de grande lucro, como a guerra, o amor e as máquinas.
Quinto, finalmente: a sabedoria é reconhecida como valor estável pela maioria da população, o que é nocivo para o envolvimento dessa mesma população em qualquer campanha, seja de poder ou de ganho de negócios.
Enfim, ele teria que formar-se e esquecer os seus sonhos de grandeza,

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Ser Escritor

E, então, porque não podemos viver de outra maneira, escrevemos. E cai-nos o cabelo e apodrecem-nos os dentes, como dizia Flannery O’Connor.

E somos uns chatos. E somos maus maridos e maus filhos e maus amigos. E sentimos culpa, e sentimo-nos indignos de estima, e continuamos, mesmo assim, a n√£o responder quando falam connosco.

E n√£o telefonamos nos anos, nem aparecemos nos churrascos, nem vamos ao caf√©. E, se vamos, a √ļnica coisa de que falamos √© disso: do livro. E tudo aquilo sobre que se conversa pode servir ao livro, caso contr√°rio n√£o nos importa.

E somos os maiores quando um par√°grafo nos sai bem, e ficamos de rastos quando n√£o encontramos um verbo. E sabemos que tem de ser mesmo assim, porque se n√£o for o romance fica uma merda. Mas sentimos culpa na mesma.

E não pagamos as contas, e esquecemo-nos de pedir a garrafa do gás, e calçamos meias de pares diferentes. E de repente queremos fumar dois maços de cigarros e beber meia garrafa de uísque, sozinhos no jardim, a olhar para a noite e a chorar.

E temos de fazer um esforço para mudar de roupa,

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N√£o Receeis Fazer Bem

Senhoras n√£o hajais medo
n√£o receeis fazer bem
tende o coração mui quedo
e vossas mercês verão cedo
qu√£o grandes bens do bem vem.
N√£o torvem vosso sentido
as cousas qu’haveis ouvido
porqu’√© lei de deos d’amor
bem, vertude nem primor
nunca jamais ser perdido.

Por verdes o galard√£o
que do amor recebeu
porque por ele morreu
nestas trovas saber√£o
o que ganhou ou perdeu.
N√£o perdeu sen√£o a vida
que pudera ser perdida
sem na ninguém conhecer
e ganhou por bem querer
ser sua morte t√£o sentida.

Ganhou mais que sendo dantes
nom mais que fermosa dama
serem seus filhos ifantes
seus amores abastantes
de deixarem tanta fama.
Outra mor honra direi:
como o príncepe foi rei
sem tardar mas mui asinha
a fez alçar por rainha
sendo morta o fez por lei.

Os principais reis d’Espanha
de Portugal e Castela
e emperador d’Alemanha
olhai que honra tamanha
que todos decendem dela.
Rei de Nápoles também
duque de Bregonha a quem
todo França medo havia
e em campo el rei vencia
todos estes dela vem.

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O Belo Retrato do S√°bio

Voltemos √† feliz esp√©cie dos loucos. Passada a vida alegremente, sem medo ou pressentimento da morte, emigram directamente para os Campo El√≠sios e v√£o deleitar com as suas fac√©cias as almas ociosas e pias. Comparai agora ao destino do louco o de um s√°bio √† vossa escolha. Citai-me um modelo de sabedoria que tenha gasto a sua inf√Ęncia e a juventude no estudo das ci√™ncias e que tenha perdido o mais belo tempo da sua vida em vig√≠lias, cuidados e trabalhos sem fim e que se tenha privado, para o resto da sua vida, de todos os prazeres. Vereis que foi sempre pobre, miser√°vel, triste, t√©trico, severo e duro para consigo mesmo, insuport√°vel e desagrad√°vel para com os outros, p√°lido, magro, servil, envelhecido antes do tempo, calvo antes da velhice, votado a uma morte prematura. Que importa, ali√°s, que morra, se nunca chegou a viver! Tal √© o belo retrato deste s√°bio.

Debaixo das Oliveiras

Este foi o mês em que cantei
dentro de minha casa
debaixo
das oliveiras.

O m√™s em que a brisa me p√īs nas m√£os
uma harpa de folhas
e a terra me emprestou
sua flauta e sua lua.
Maré viva. Meu sangue atravessado
por um cometa visível a olho nu
tangido por satélites e aves de arribação
navegado por peixes desconhecidos.

Este foi o mês em que cantei
como quem morre e ressuscita
no terceiro dia
de cada sílaba.

O mês em que subi a uma colina
dentro de minha casa
olhei a terra e o mar
depois cantei
como quem faz com duas pedras
o primeiro lume. Palavras
e pedras. Palavras e lume
de uma vida.

Este foi o mês em que fui a um lugar santo
dentro de minha casa.
O mês em que saí dos campos
e me banhei no rio como quem se baptiza
e cantei debaixo das oliveiras
as m√£os cheias de terra. Palavras
e terra
de uma vida.

Este foi o mês em que cantei
como quem espelha ao vento suas cinzas
e cresce de seu próprio adubo
carregado de folhas.

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Vida

Choveu! E logo da terra humosa
Irrompe o campo das lili√°ceas.
Foi bem fecunda, a estação pluviosa!
Que vigor no campo das lili√°ceas!
Calquem. Recalquem, n√£o o afogam.
Deixem. N√£o calquem. Que tudo invadam.
N√£o as extinguem. Porque as degradam?
Para que as calcam? N√£o as afogam.
Olhem o fogo que anda na serra.
√Č a queimada… Que lumar√©u!

Podem calc√°-lo, deitar-lhe terra,
Que não apagam o lumaréu.
Deixem! N√£o calquem! Deixem arder.
Se aqui o pisam, rebenta além.
_ E se arde tudo? _ Isso que tem?
Deitam-lhe fogo, √© para arder…

Perca Pragm√°tica

Em rela√ß√£o a qualquer coisa nunca digas: ¬ęPerdi-a¬Ľ; diz, ao contr√°rio: ¬ęDevolvi-a¬Ľ. Morreu-te o filho? Devolveste-o. Morreu-te a mulher? Devolveste-a. O teu campo foi roubado? Foi tamb√©m devolvido. Mas quem o roubou √© um miser√°vel? Que te importa por quem o retirou aquele que to dera? Enquanto te deixam tais bens, toma conta deles como de um bem que pertence a outrem, como fazem os viajantes numa hospedaria.

A Mulher que Passa

Meu Deus, eu quero a mulher que passa.
Seu dorso frio é um campo de lírios
Tem sete cores nos seus cabelos
Sete esperanças na boca fresca!

Oh! Como és linda, mulher que passas
que me sacias e suplicias
Dentro das noites, dentro dos dias!

Teus sentimentos s√£o poesia
Teus sofrimentos, melancolia.
Teus pêlos leves são relva boa
Fresca e macia.
Teus belos braços são cisnes mansos
Longe das vozes da ventania.

Meu Deus, eu quero a mulher que passa!

Como te adoro, mulher que passas
Que vens e passas, que me sacias
Dentro das noites, dentro dos dias!

Porque me faltas, se te procuro?
Por que me odeias quando te juro
Que te perdia se me encontravas
E me encontrava se te perdias?

Por que n√£o voltas, mulher que passa?
Por que n√£o enches a minha vida?
Por que n√£o voltas, mulher querida
Sempre perdida, nunca encontrada?
Por que não voltas à minha vida
Para o que sofro não ser desgraça?

Meu Deus, eu quero a mulher que passa!

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O Problema do Pacifismo

Regozijo-me por me haverem dado a oportunidade de proferir algumas palavras sobre o problema do pacifismo. A evolu√ß√£o dos √ļltimos anos mostrou novamente que n√£o √© eficaz deixar a luta contra o armamento e contra o esp√≠rito b√©lico nas m√£os dos governantes. Mas a forma√ß√£o de grandes organiza√ß√Ķes com muitos membros tamb√©m n√£o basta, por si s√≥, para atingirmos essa finalidade. A meu ver o meio mais eficaz √© o que j√° o sarc√°stico Arist√≥fanes, h√° quase tr√™s mil anos preconizava na sua famosa com√©dia sat√≠rica ¬ęLisistrata¬Ľ.
Poderíamos assim conseguir que o problema do pacifismo se tornasse uma questão vital da Humanidade, um verdadeiro combate a que seriam atraídos todos os homens de boa-vontade e personalidade vigorosa. A luta seria árdua, por ter de se travar no campo da ilegalidade, mas no fundo seria legítima, por se travar em nome do verdadeiro direito dos homens, contra dirigentes que, por interesses muitas vezes odiosos, exigem dos seus concidadãos um sacrifício de vida que redunda também num acto criminal por atentar contra um dos mandamentos da Lei de Deus.
Muitos que se consideram bons pacifistas não estarão dispostos a tomar parte num pacifismo tão radical, invocando motivos patrióticos. Com esses não se poderá contar na hora crítica.

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Ningu√©m, com toda certeza, √© capaz de assumir a lideran√ßa em todos os campos, pois para um homem os deuses concederam as proezas da guerra, a outro, a dan√ßa, para um outro, a m√ļsica e o canto, e, num outro, o todo poderoso Zeus colocou uma boa cabe√ßa.

A Estranheza dá Crédito

O verdadeiro campo e assunto da impostura s√£o as coisas desconhecidas. Isso porque em primeiro lugar a pr√≥pria estranheza d√° cr√©dito; e depois, n√£o estando sujeitas √†s nossas reflex√Ķes habituais, elas tiram-nos os meios de as combater. Por causa disso, diz Plat√£o, √© muito mais f√°cil satisfazer ao falar da natureza dos deuses do que da natureza dos homens, porque a ignor√Ęncia dos ouvintes abre um belo e amplo caminho e toda a liberdade para o manejo de uma mat√©ria secreta.
Advém daí que nada é aceite tão firmemente como aquilo que menos se sabe, nem há pessoas tão seguras como as que nos contam fábulas, como alquimistas, prognotiscadores, astrólogos, quiromantes, médicos, toda a gente dessa espécie (Horácio). A eles eu acrescentaria de bom grado, se ousasse, um bando de pessoas, intérpretes e controladores habituais dos desígnios de Deus, que têm a pretensão de descobrir as causas de cada acontecimento e de ver nos segredos da vontade divina os incompreensíveis motivos das suas obras; e, embora a variedade e a disparidade contínua dos factos os lance de um canto para o outro e do ocidente para o oriente, não deixam entretanto de persistir no que é seu e com o mesmo lápis pintar o preto e o branco.

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√Č Preciso Tamb√©m n√£o Ter Filosofia Nenhuma

N√£o basta abrir a janela
Para ver os campos e o rio.
Não é bastante não ser cego
Para ver as √°rvores e as flores.
√Č preciso tamb√©m n√£o ter filosofia nenhuma.
Com filosofia não há árvores: há idéias apenas.
Há só cada um de nós, como uma cave.
Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora;
E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,
Que nunca é o que se vê quando se abre a janela.

A Morte РO Sol Do Terrível

(com tema de Renato Carneiro Campos)

Mas eu enfrentarei o Sol divino,
o Olhar sagrado em que a Pantera arde.
Saberei porque a teia do Destino
n√£o houve quem cortasse ou desatasse.

N√£o serei orgulhoso nem covarde,
que o sangue se rebela ao toque e ao Sino.
Verei feita em top√°zio a luz da Tarde,
pedra do Sono e cetro do Assassino.

Ela vir√°, Mulher, afiando as asas,
com os dentes de cristal, feitos de brasas,
e h√° de sagrar-me a vista o Gavi√£o.

Mas sei, também, que só assim verei
a coroa da Chama e Deus, meu Rei,
assentado em seu trono do Sert√£o.

A Cultura e a Corrupção

Qualquer um pode ser bom no campo. L√° n√£o h√° tenta√ß√Ķes. √Č por isso que as pessoas que n√£o vivem na cidade s√£o t√£o terrivelmente b√°rbaras. A civiliza√ß√£o n√£o √© de modo nenhum uma coisa f√°cil de atingir. H√° duas maneiras de um homem a alcan√ßar. Uma √© pela cultura e outra √© pela corrup√ß√£o. As pessoas do campo n√£o t√™m qualquer oportunidade de praticar nenhuma delas e, por conseguinte, estagnam.

A Confiança ao Virar da Esquina

Podemos ler todos os livros que falam sobre a import√Ęncia da confian√ßa nas nossas vidas, mas nunca o seremos verdadeiramente sem experimentar na pele a sensa√ß√£o de uma experi√™ncia, ou seja, nada podemos ser sem praticar seja o que for. A experi√™ncia √© a pr√°tica, √© o trabalho de campo, √© a exposi√ß√£o, a vulnerabilidade e a consuma√ß√£o do verdadeiro conhecimento. S√≥ depois de experimentares √© que podes ousar saber alguma coisa. Percebes, portanto, a import√Ęncia de ir para a rua? De levantares esse rabo gordo e achatado do sof√°? Em casa pouco ou nada consegues experimentar, pois encontras-te no dom√≠nio da rotina. Tudo o que, eventualmente, haveria para ser posto em pr√°tica j√° o foi, portanto, nada mais h√° a ganhar nessas quatro paredes a n√£o ser peso, melancolia e p√≥. Sugiro, portanto, que nesta fase v√°s a casa dormir e que v√°s para a rua viver. E √© isto, s√≥ isto, apenas isto.

O nosso índice de confiança dispara em cada experiência que escolhemos viver e como já todos experimentámos já todos sabemos disto.