Cita√ß√Ķes sobre Campo

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Frases sobre campo, poemas sobre campo e outras cita√ß√Ķes sobre campo para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Comportamento Humano Condicionado

Muito do comportamento humano resulta de padr√Ķes de comportamento condicionado implantados no c√©rebro especialmente durante a inf√Ęncia. Estes podem persistir quase sem modifica√ß√£o, mas muito frequentemente v√£o-se adaptando gradualmente √†s mudan√ßas de ambiente. Por√©m, quanto mais velha a pessoa tanto menos facilmente pode improvisar novas respostas condicionadas a tais mudan√ßas; a tend√™ncia, ent√£o, √© fazer o ambiente ajustar-se √†s suas respostas cada vez mais previs√≠veis. Muito da nossa vida consiste na aplica√ß√£o inconsciente de padr√Ķes de reflexo condicionado adquiridos originalmente por estudo √°rduo. Exemplo claro √© a maneira como um motorista acumula in√ļmeras e variadas respostas condicionadas antes de ser capaz de conduzir um carro atrav√©s de uma rua cheia de gente sem prestar muita aten√ß√£o consciente ao processo ‚Äď o que muitas vezes se chama ¬ęconduzir automaticamente¬Ľ. Se passar depois para um campo aberto, o motorista mudar√° para um novo padr√£o de comportamento autom√°tico. De facto, o c√©rebro humano vive em constante adapta√ß√£o de modo reflexo √†s mudan√ßas de ambiente, embora as primeiras li√ß√Ķes em qualquer processo ‚Äď como o de conduzir um autom√≥vel ‚Äď possam exigir dif√≠ceis e at√© tediosos esfor√ßos de concentra√ß√£o.

Tive um Cavalo de Cart√£o

Mulher. A tua pele branca foi um verão que quis viver e me foi negado. Um caminho que não me enganou. Enganou-me a luz e os olhos foscos das manhãs revividas. Enganou-me um sonho de poder ser o filho que fui, a correr pelos campos todo o dia, a medir as searas pelo tamanho dos braços abertos; enganou-me um sonho de poder ser o filho que fui no teu homem e no teu rosto, no teu filho, nosso. Não há manhãs para reviver, sei-o hoje. Não se podem construir dias novos sobre manhãs que se recordam. Inventei-te talvez, partindo de uma estrela como todas estas. Quis ter uma estrela e dar-lhe as manhãs de julho. As grandes manhãs de julho diante de casa e a minha mãe a acabar o almoço bom e o meu pai a chegar e a ralhar, sem ser a sério, por o almoço não estar pronto e eu sentado na terra, talvez a fazer um barroco, talvez a brincar com o cavalo de cartão. Tive um cavalo de cartão. Nunca te contei, pouco te contei, mas tive um cavalo de cartão. Brincava com ele e era bonito. Gostava muito dele. Tanto. Tanto. Tanto. Quando o meu pai mo trouxe,

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Nem Hóspede Será do que Conheço

Rasteja mole pelos campos ermos
O vento sossegado.
Mais parece tremer de um tremor próprio,
Que do vento, o que é erva.
E se as nuvens no céu, brancas e altas,
Se movem, mais parecem
Que gira a terra r√°pida e elas passam,
Por muito altas, lentas.
Aqui neste sossego dilatado
Me esquecerei de tudo,
Nem hóspede será do que conheço
A vida que deslembro.
Assim meus dias seu decurso falso
Gozar√£o verdadeiro.

Prosema I

Com a devida vénia me reparto junto do tampo de mármore meu secretário tão certo. Desde quando deixara eu de ouvir esta palavra? Logrei substituí-la numa manhã óptima mas não esta em que a mola salta reprimida sabe-se lá donde, algures na hipófise.
Na confraria dos reclusos outras quimeras se aventam como Sol, M√£e, Amada, at√© que o tempo nosso inimigo se distancie e nos abandone por instantes. Na laje j√° sobre a qual o papel branco me obedece sem que o habitem outros sinais, pequeninos veios avolumam-se em √°reas mais densas, configurando p√°ssaros de porcelana chinesa. Afundo-me neste fundo para descobrir-lhes um sentido, branco, amarelo, de novo branco, cada cent√≠metro um fuso de seres min√ļsculos, buscando reorganizar-se, perder-se, reagrupar-se.
De anacoreta nada tenho, s√≥ de multid√Ķes entre Cacilhas, Piedade e o Barreiro. E Campo de Ourique, que digo! A minha m√£o move-se, o pensamento p√°ra, descubro as uvas pendentes como se fora Ver√£o e o Sol ferisse como se o olhara de frente. Nem o ru√≠do dos p√°ssaros habituais junto √† janela nos veio dar os bons dias, o funcion√°rio impreter√≠vel vir√° √† hora impreter√≠vel. Muito longe fora de portas um galo ou a sua aus√™ncia. Tenho uma toalha,

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Campesinas III

As papoulas da sa√ļde
Trouxeram-te um ar mais novo,
√ď bela filha do povo,
Rosa aberta de virtude.

Do campo viçoso e rude
Regressas, como um renovo,
E eu ao ver-te, os olhos movo
De um modo que nunca pude.

Bravo ao campo e bravo a seara
Que deram-te a pele clara
S√£o rubores de alvorada.

Que esses teus beijos agora
Tenham sabores de amora
E de rom√£ estalada.

Veja o mundo num grão de areia, veja o céu em um campo florido, guarde o infinito na palma da sua mão, e a eternidade em uma hora da vida.

O Valor da Crónica de Jornal

A cr√≥nica √© como que a conversa √≠ntima, indolente, desleixada, do jornal com os que o l√™em: conta mil coisas, sem sistema, sem nexo, espalha-se livremente pela natureza, pela vida, pela literatura, pela cidade; fala das festas, dos bailes, dos teatros, dos enfeites, fala em tudo baixinho, como quando se faz um ser√£o ao braseiro, ou como no Ver√£o, no campo, quando o ar est√° triste. Ela sabe anedotas, segredos, hist√≥rias de amor, crimes terr√≠veis; espreita, porque n√£o lhe fica mal espreitar. Olha para tudo, umas vezes melancolicamente, como faz a Lua, outras vezes alegre e robustamente, como faz o Sol; a cr√≥nica tem uma doidice jovial, tem um estouvamento delicioso: confunde tudo, tristezas e fac√©cias, enterros e actores ambulantes, um poema moderno e o p√© da imperatriz da China; ela conta tudo o que pode interessar pelo esp√≠rito, pela beleza, pela mocidade; ela n√£o tem opini√Ķes, n√£o sabe do resto do jornal; est√° nas suas colunas contando, rindo, pairando; n√£o tem a voz grossa da pol√≠tica, nem a voz indolente do poeta, nem a voz doutoral do cr√≠tico; tem uma pequena voz serena, leve e clara, com que conta aos seus amigos tudo o que andou ouvindo, perguntando, esmiu√ßando.

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O Desejo de Discutir

Se as discuss√Ķes pol√≠ticas se tornam facilmente in√ļteis, √© porque quando se fala de um pa√≠s se pensa tanto no seu governo como na sua popula√ß√£o, tanto no Estado como na no√ß√£o de Estado enquanto tal. Pois o Estado como no√ß√£o √© uma coisa diferente da popula√ß√£o que o comp√Ķe, igualmente diferente do governo que o dirige. √Č qualquer coisa a meio caminho entre o f√≠sico e o metaf√≠sico, entre a realidade e a ideia.
√ą a esse g√©nero de estirilidade que est√£o geralmente condenadas, tal como acontece com as discuss√Ķes pol√≠ticas, as que incidem sobre a religi√£o, pois a religi√£o pode ser sin√≥nima de dogmas, ou de ritual, ou referir-se a posi√ß√Ķes pessoais do indiv√≠duo sobre quest√Ķes ditas eternas, o infinito e a eternidade, problemas do livre arb√≠trio e da responsabilidade ou, como se diz tamb√©m: Deus.
E o mesmo acontece com as discuss√Ķes que t√™m a ver com a maior parte dos assuntos abstractos, sobretudo a √©tica e os temas filos√≥ficos, mas tamb√©m com campos de an√°lise mais restritos, incidindo sobre os problemas mais imediatos, como por exemplo o socialismo, o capitalismo, a aristocracia, a democracia, etc…, em que as no√ß√Ķes s√£o tomadas tanto no sentido amplo como no restrito,

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A Ociosidade

Assim como vemos as terras em repouso, se n√©dias e f√©rteis, dar origem √† prolifera√ß√£o de cem mil esp√©cies de ervas selvagens e in√ļteis, sendo necess√°rio, para as manter cultiv√°veis, dom√°-las e destin√°-las a certas sementes por forma a que delas tiremos proveito; e assim como vemos as mulheres, que por si s√≥s produzem informes amontoados e peda√ßos de carne, terem, para proporcionar uma boa e natural gera√ß√£o, de ser fecundadas por outra semente, assim vemos que se passa o mesmo com os nossos esp√≠ritos. Se n√£o os ocuparmos com algum objecto que os freie e constranja, lan√ßar-se-√£o eles, desregrados, a percorrer √† toa os campos bravios da imagina√ß√£o:

Tal como a √°gua que tremula em vasilhas de bronze reflecte a luz do sol ou a imagem radiante da lua, cintila√ß√Ķes voando pelos ares e atingindo os artesoados tectos – Virg√≠lio, Eneida

E não há loucura ou desvario que eles não produzam em tal agitação:

Inventam irreais apari√ß√Ķes como nos sonhos dos doentes – Hor√°cio, Ars Poetica

A alma que não tem um ponto de mira perde-se, pois, como sói dizer-se, é não estar em parte nenhuma em todo o lado estar.

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O Deus P√£ n√£o Morreu

O Deus P√£ n√£o morreu,
Cada campo que mostra
Aos sorrisos de Apolo
Os peitos nus de Ceres ‚ÄĒ
Cedo ou tarde vereis
Por l√° aparecer
O deus P√£, o imortal.

N√£o matou outros deuses
O triste deus crist√£o.
Cristo é um deus a mais,
Talvez um que faltava.
P√£ continua a ciar
Os sons da sua flauta
Aos ouvidos de Ceres
Recumbente nos campos.

Os deuses s√£o os mesmos,
Sempre claros e calmos,
Cheios de eternidade
E desprezo por nós,
Trazendo o dia e a noite
E as colheitas douradas
Sem ser para nos dar o dia e a noite e o trigo
Mas por outro e divino
Propósito casual.

Meu Bebé para Dar Dentadas

Meu Bebé pequeno e rabino:
Cá estou em casa, sozinho, salvo o intelectual que está pondo o papel nas paredes (pudera! havia de ser no tecto ou no chão!); e esse não conta. E, conforme prometi, vou escrever ao meu Bebezinho para lhe dizer, pelo menos, que ela é muito má, excepto numa cousa, que é na arte de fingir, em que vejo que é mestra.
Sabes? Estou-te escrevendo mas ¬ęn√£o estou pensando em ti¬Ľ. Estou pensando nas saudades que tenho do meu tempo da ¬ęca√ßa aos pombos¬Ľ; e isto √© uma cousa, como tu sabes, com que tu n√£o tens nada…
Foi agrad√°vel hoje o nosso passeio ‚ÄĒ n√£o foi? Tu estavas bem-disposta, e eu estava bem-disposto, e o dia estava bem-disposto tamb√©m. (O meu amigo, Sr. A.A. Crosse est√° de sa√ļde ‚ÄĒ uma libra de sa√ļde por enquanto, o bastante para n√£o estar constipado.)
N√£o te admires de a minha letra ser um pouco esquisita. H√° para isso duas raz√Ķes. A primeira √© a de este papel (o √ļnico acess√≠vel agora) ser muito corredio, e a pena passar por ele muito depressa; a segunda √© a de eu ter descoberto aqui em casa um vinho do Porto espl√™ndido,

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A santidade está ligada ao sentido verdadeiro de liberdade, é o desprendimento total das coisas terrenas. Agora, se está preso pelo dinheiro, por uma paixão, pelo desejo de uma mulher, por isto, por aquilo, anda sempre agarrado a esta porcaria que é o campo terreno.

O Autofagismo do Meio Urbano

O momento presente √© o momento do autofagismo do meio urbano. O rebentar das cidades sobre campos recobertos de ¬ęmassas informes de res√≠duos urbanos¬Ľ (Lewis Mumford) √©, de um modo imediato, presidido pelos imperativos do consumo. A ditadura do autom√≥vel, produto-piloto da primeira fase da abund√Ęncia mercantil, estabeleceu-se na terra com a prevalesc√™ncia da auto-estrada, que desloca os antigos centos e exige uma dispers√£o cada vez maior. Ao passo que os momentos de reorganiza√ß√£o incompleta do tecido urbano polarizam-se passageiramente em torno das ¬ęf√°bricas de distribui√ß√£o¬Ľ que s√£o os gigantescos supermercados, geralmente edificados em terreno aberto e cercados por um estacionamento; e estes templos de consumo precipitado est√£o, eles pr√≥prios, em fuga num movimento centr√≠fugo, que os repele √† medida que eles se tornam, por sua vez, centros secund√°rios sobrecarregados, porque trouxeram consigo uma recimposi√ß√£o parcial da aglomera√ß√£o. Mas a organiza√ß√£o t√©cnica do consumo n√£o √© outra coisa sen√£o o arqu√©tipo da dissolu√ß√£o geral que conduziu a cidade a consumir-se a si pr√≥pria.
A história económica, que se desenvolveu intensamente em torno da oposição cidade-campo, chegou a um tal grau de sucesso que anula ao mesmo tempo os dois termos. A paralisia actual do desenvolvimento histórico total, em proveito da exclusiva continuação do movimento independente da economia,

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Opinar sem Conhecer

Porque √© que os corpos dentro dos seus caix√Ķes s√£o t√£o pesados ? Ele dizem que √© devido a algum tipo de in√©rcia, que o corpo j√° n√£o √© mais dirigido pelo seu dono… ou alguma tolice desse tipo, em oposi√ß√£o √†s leis da mec√Ęnica e do senso comum. Eu n√£o gosto de ouvir pessoas que n√£o t√™m mais que uma educa√ß√£o geral aventurarem-se a resolver problemas que requerem um conhecimento especial; e connosco isso acontece continuamente. Os cidad√£os gostam muito de dar opini√Ķes sobre assuntos que s√£o do foro do soldado ou at√© mesmo do marechal de campo; enquanto homens que foram educados como engenheiros preferem discutir filosofia e economia pol√≠tica.

Enquanto outros Combatem

Empunhasse eu a espada dos valentes!
Impelisse-me a acção, embriagado,
Por esses campos onde a Morte e o Fado
Dão a lei aos reis trémulos e ás gentes!

Respirariam meus pulm√Ķes contentes
O ar de fogo do circo ensanguentado…
Ou caíra radioso, amortalhado
Na fulva luz dos gl√°dios reluzentes!

J√° n√£o veria dissipar-se a aurora
De meus in√ļteis anos, sem uma hora
Viver mais que de sonhos e ansiedade!

J√° n√£o veria em minhas m√£os piedosas
Desfolhar-se, uma a uma, as tristes rosas
D’esta p√°lida e est√©ril mocidade!

Talvez quem Vê Bem não Sirva para Sentir

Talvez quem vê bem não sirva para sentir
E n√£o agrada por estar muito antes das maneiras.
√Č preciso ter modos para todas as coisas,
E cada coisa tem o seu modo, e o amor também.
Quem tem o modo de ver os campos pelas ervas
N√£o deve ter a cegueira que faz fazer sentir.
Amei, e não fui amado, o que só vi no fim,
Porque não se é amado como se nasce mas como acontece.
Ela continua t√£o bonita de cabelo e boca como dantes,
E eu continuo como era dantes, sozinho no campo.
Como se tivesse estado de cabeça baixa,
Penso isto, e fico de cabeça alta
E o dourado sol seca a vontade de l√°grimas que n√£o posso deixar de ter.
Como o campo √© vasto e o amor interior…!
Olho, e esqueço, como seca onde foi água e nas árvores desfolha.

A Exploração do Outro como Fatalismo Político

Por muito que se inove no campo político, não há como escapar a um certo fatalismo no que se refere à condição de classe e consequente exploração (*). A sociedade permite uma certa mobilidade, sim, mas há limites nessa desmarcação. Sim, foi relativamente fácil a Calígula promover o seu cavalo Incitatus a senador. O que a História não regista é se o cavalo passou a relinchar partidariamente, ou se, pelo contrário, os seus novos pares começaram a trotar no seu compasso.

(*) Explora√ß√£o, meus caros, come√ßa sempre do lado de dentro dos seus bot√Ķes. E n√£o h√° como escapar: sempre se √© comunista de algu√©m, judeu de algu√©m, capitalista de algu√©m, negro de algu√©m, presidente dos Estados Unidos em cima de algu√©m. E eu mesmo ‚ÄĒ confesso ‚ÄĒ escrevi este livro explorando o humorista que h√° em mim pr√≥prio.

O Ciclo do Progresso

Da sociedade e do luxo que ela engendra, nascem as artes liberais e mec√Ęnicas, o com√©rcio, as letras, e todas essas inutilidades que fazem florescer a ind√ļstria, enriquecem e perdem os Estados. A raz√£o desse deperecimento √© muito simples. √Č f√°cil ver que, pela sua natureza, a agricultura deve ser a menos lucrativa de todas as artes, porque, sendo o seu produto de uso mais indispens√°vel para todos os homens, o pre√ßo deve estar proporcionado √†s faculdades dos mais pobres. Do mesmo princ√≠pio pode-se tirar a regra de que, em geral, as artes s√£o lucrativas na raz√£o inversa da sua utilidade, e de que as mais necess√°rias, finalmente, devem tornar-se as mais negligenciadas. Por ai se v√™ o que se deve pensar das verdadeiras vantagens da ind√ļstria e do efeito real que resulta dos seus progressos. Tais s√£o as causas sens√≠veis de todas as mis√©rias em que a opul√™ncia precipita, finalmente, as na√ß√Ķes mais admiradas.
√Ä medida que a ind√ļstria e as artes se estendem e florescem, o cultivador desprezado, carregado de impostos necess√°rios √† manuten√ß√£o do luxo, e condenado a passar a vida entre o trabalho e a fome, abandona o campo para ir procurar na cidade o p√£o que devia levar para l√°.

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Atitude

Minha esperan√ßa perdeu seu nome…
Fechei meu sonho, para cham√°-la.
A tristeza transfigurou-me
como o luar que entra numa sala.

O √ļltimo passo do destino
parar√° sem forma funesta,
e a noite oscilar√° como um dourado sino
derramando flores de festa.

Meus olhos estar√£o sobre espelhos, pensando
nos caminhos que existem dentro das coisas transparentes.
E um campo de estrelas ir√° brotando
atrás das lembranças ardentes.

As Profecias

(fragmentos)

I

depois de tudo
minha casa permanecer√° nos fundos

minguantes novos
cidades mortas
ruas desconhecidas

barcos de vento
perdidos sons

foi l√° que brinquei de longe
e perdi-me de mim
foi l√° a primeira tosquia
quando me tiraram tudo

nem o leque
para afugentar a maturação
nem a haste
para defender-me das feras
nem o silêncio
para vestir-me no esquecimento

depois de tudo
minha casa permanecer√° nos fundos

foi l√° que brinquei de longe
e me perdi de mim

II

A flor abre-se em terra
para o forte a ser nosso.

Perto estamos
dos rios coagulados
de mel colhido aos tempos.
Perto estamos
da nocturna fé de ser impuro
benvinda das lonjuras.

Perto estamos dos infantes campos
junto ao longe tranquilo de viver.
Ouvi, solit√°rias meninas, solit√°rios meninos:
o vento ch√£o que varre os prados
onde somos horizontais,
afinal.

III

Trago a palma na m√£o, aqui estou,

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