Passagens sobre Campo

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Frases sobre campo, poemas sobre campo e outras passagens sobre campo para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Corre, J√° entre Serras Escarpadas

Corre, j√° entre serras escarpadas,
J√° sobre largos campos, murmurando.
o Tieté, e, as águas engrossando,
soberbo alaga as margens levantadas.

Penedos, pontes, √°rvores copada:
quanto topa, de cólera escumando,
com fragor espantoso vai rolando
nos vórtices das ondas empoladas.

Mas quando mais caudal, mais orgulhoso,
as margens rompe, cai precipitado,
atroando ao redor toda a campina.

O próprio retrato é dum poderoso,
pois quanto mais sublime é seu estado
mais estrondosa é a sua ruína.

A Toler√Ęncia √© um Atributo dos Fortes

A emo√ß√£o √© um campo de energia em cont√≠nuo estado de transforma√ß√£o. Produzimos centenas de emo√ß√Ķes di√°rias. Elas organizam-se, desorganizam-se e reorganizam-se num processo cont√≠nuo e inevit√°vel. O ideal seria que o c√≠rculo de transforma√ß√£o da emo√ß√£o seguisse uma trajet√≥ria prazerosa, ou seja, que um sentimento de alegria se transformasse num sentimento de paz, que se transformasse numa rea√ß√£o de amor, que se transformasse numa experi√™ncia contemplativa. Mas, na realidade, o que ocorre na vida de cada ser humano √© que a alegria se converte em ansiedade, o prazer em irritabilidade, enfim, as emo√ß√Ķes alternam-se.

Não é possível para a natureza humana ter uma emoção continuamente prazerosa. Não existe, como muitos psicólogos pensam, equilíbrio emocional. A emoção passa por inevitáveis ciclos diários. No entanto, a emoção é mais saudável quanto mais estável ela for e quanto mais perdurarem os sentimentos que alimentam o prazer e a serenidade.

A toler√Ęncia √© um atributo dos fortes e n√£o dos fracos. A toler√Ęncia produz profunda estabilidade no campo da energia emocional. S√≥ se constr√≥i a toler√Ęncia quando se constr√≥i primeiro a capacidade de compreender as limita√ß√Ķes dos outros.

Quanto mais uma pessoa for intolerante, mais ser√° invadida pelos comportamentos dos outros,

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O Egoísmo do Homem das Cidades

A mis√©ria parece uma secre√ß√£o do progresso, da civiliza√ß√£o. N√£o √© nos campos (at√© em plena crise), onde a vida √© simples e sem ambi√ß√Ķes, que a mis√©ria se torna aflitiva, dram√°tica. A sua trag√©dia sem rem√©dio desenvolve-se antes nas cidades, nas grandes capitais, tanto mais insens√≠veis e duras quanto mais civilizadas. A mecaniza√ß√£o, o automatismo do progresso que transforma os homens em m√°quinas, isolam-no brutalmente substituindo os seus gestos e impulsos afectivos por complicadas e frias engrenagens. O homem das cidades, modelado, esculpido na pr√≥pria luta com os outros que lhe disputam o seu lugar ao sol, √© talvez, sem reparar, a encarna√ß√£o do pr√≥prio ego√≠smo.

Mania da Solid√£o

Como um jantar frugal junto à clara janela,
Na sala já está escuro mas ainda se vê o céu.
Se saísse, as ruas tranquilas deixar-me-iam
ao fim de pouco tempo em pleno campo.
Como e observo o c√©u ‚ÄĒ quem sabe quantas mulheres
est√£o a comer a esta hora ‚ÄĒ o meu corpo est√° tranquilo;
o trabalho atordoa o meu corpo e também as mulheres.

L√° fora, depois do jantar, as estrelas vir√£o tocar
a terra na ancha planura. As estrelas s√£o vivas,
mas n√£o valem estas cerejas que como sozinho.
Vejo o céu, mas sei que entre os tectos de ferrugem
brilha já alguma luz e que, por baixo, há ruídos.
Um grande golo e o meu corpo saboreia a vida
das √°rvores e dos rios e sente-se desprendido de tudo.
Basta um pouco de silêncio e as coisas imobilizam-se
no seu verdadeiro sítio, como o meu corpo imóvel.

Cada coisa est√° isolada ante os meus sentidos,
que a aceita impassível: um cicio de silêncio.
Cada coisa na escuridão posso sabê-la,
como sei que o meu sangue circula nas veias.

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A Arte de Escutar

Quando escutares outra pessoa, n√£o escutes apenas com a tua mente, escuta com o teu corpo todo. Sente o campo de energia do teu corpo interior enquanto escutas. Isso afastar√° a tua aten√ß√£o do pensar e criar√° um espa√ßo de quieta√ß√£o que te permitir√° escutares verdadeiramente sem que a tua mente interfira. Estar√°s a dar espa√ßo √† outra pessoa – espa√ßo para ser. √Č a prenda mais valiosa que podes oferecer. A grande maioria das pessoas n√£o sabe escutar porque a maior parte da sua aten√ß√£o √© tomada pelo pensar. Prestam-lhe mais aten√ß√£o do que √†quilo que a outra pessoa est√° a dizer, e absolutamente nenhuma ao que realmente interessa: o Ser da outra pessoa por baixo das palavras e da mente. √Č evidente que tu n√£o podes sentir o Ser de algu√©m excepto atrav√©s do teu pr√≥prio Ser. Isto √© o princ√≠pio da compreens√£o da unicidade, que √© amor. Ao n√≠vel mais profundo do Ser, tu √©s uno com tudo o que √©.

A maioria dos relacionamentos humanos consiste principalmente em mentes a interagir umas com as outras, e não de seres humanos a comunicar, a entrar em comunhão. Nenhum relacionamento pode florescer dessa maneira, e é por isso que existem entre eles tantos conflitos.

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Tulipa s√≥ √© tulipa na Holanda. Uma √ļnica tulipa simplesmente n√£o √©. Precisa de campo aberto para ser.

Quem Me Mandou a Mim Querer Perceber?

Como quem num dia de Ver√£o abre a porta de casa
E espreita para o calor dos campos com a cara toda,
Às vezes, de repente, bate-me a Natureza de chapa
Na cara dos meus sentidos,
E eu fico confuso, perturbado, querendo perceber
N√£o sei bem como nem o qu√™…
Mas quem me mandou a mim querer perceber?
Quem me disse que havia que perceber?
Quando o Ver√£o me passa pela cara
A m√£o leve e quente da sua brisa,
Só tenho que sentir agrado porque é brisa
Ou que sentir desagrado porque é quente,
E de qualquer maneira que eu o sinta,
Assim, porque assim o sinto, √© que √© meu dever senti-lo…

Sonetos

Do som, da luz entre os joviais duetos,
Como uma chusma alada de gaivotas,
Vindos das largas amplid√Ķes remotas,
Batem as asas todos os sonetos.

V√£o — por estradas, por dif√≠ceis rotas,
Quatorze versos — entre dois quartetos
E duas belas e luzidas frotas
Rijas, seguras, de mais dois tercetos.

Com a brunida l√Ęmina da lima,
Vão céus radiosos, horizontes acima,
Pelas paragens límpidas, gentis,

Atravessando o campo das quimeras,
Aberto ao sol das flóreas primaveras,
Todo estrelado de √°ureos colibris.

A Má Consciência como Inibição dos Instintos

A m√° consci√™ncia √© para mim o estado m√≥rbido em que devia ter ca√≠do o homem quando sofreu a transforma√ß√£o mais radical que alguma vez houve, a que nele se produziu quando se viu acorrentado √† argola da sociedade e da paz. √Ä maneira dos peixes obrigados a adaptarem-se a viver em terra, estes semianimais, acostumados √† vida selvagem, √† guerra, √†s correrias e aventuras, viram-se obrigados de repente a renunciar a todos os seus nobres instintos. For√ßavam-nos a irem pelo seu p√©, a ¬ęlevarem-se a si mesmos¬Ľ, quando at√© ent√£o os havia levado a √°gua: esmagava-os um peso enorme. Sentiam-se inaptos para as fun√ß√Ķes mais simples; neste mundo novo e desconhecido n√£o tinham os seus antigos guias estes instintos reguladores, inconscientemente fal√≠veis; viam-se reduzidos a pensar, a deduzir, a calcular, a combinar causas e efeitos. Infelizes! Viam-se reduzidos √† sua ¬ęconsci√™ncia¬Ľ, ao seu √≥rg√£o mais fraco e mais coxo! Creio que nunca houve na terra desgra√ßa t√£o grande, mal-estar t√£o horr√≠vel!
Acrescente-se a isto que os antigos instintos n√£o haviam renunciado de vez √†s suas exig√™ncias. Mas era dif√≠cil e ami√ļde imposs√≠vel satisfaz√™-las; era preciso procurar satisfa√ß√Ķes novas e subterr√Ęneas. Os instintos sob a enorme for√ßa repressiva, volvem para dentro,

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LXXX

Quando cheios de gosto, e de alegria
Estes campos diviso florescentes,
Então me vêm as lágrimas ardentes
Com mais √Ęnsia, mais dor, mais agonia.

Aquele mesmo objeto, que desvia
Do humano peito as m√°goas inclementes,
Esse mesmo em imagens diferentes
Toda a minha tristeza desafia.

Se das flores a bela contextura
Esmalta o campo na melhor fragr√Ęncia,
Para dar uma idéia da ventura;

Como, √≥ C√©us, para os ver terei const√Ęncia,
Se cada flor me lembra a formosura
Da bela causadora de minha √Ęnsia?

Nossa Língua

para o poeta Antoniel Campos*

O doce som de mel que sai da boca
na l√≠ngua da saudade e do crep√ļsculo
vem adoçando o mar de conchas ocas
em mansa voz domando tons mai√ļsculos.

√Č bela fiandeira em sua roca
tecendo a fala forte com seu m√ļsculo
na hora que é preciso sai da toca
como fera que sabe o tomo e o op√ļsculo.

Dizer e maldizer do mel ao fel
é fado de cantigas tão antigas
desde Cam√Ķes, Bandeira a Antoniel,
este jovem poeta que se abriga

na língua portuguesa em verso e fala
nau de calado ao mar que n√£o se cala.

* “filiu brasilis, mater portucale,
Que em outra l√≠ngua a minha l√≠ngua cale.”

Os Dias Conto, e cada Hora, e Momento

Os dias conto, e cada hora, e momento
qu’ alongando-me vou dos meus amores.
Nas √°rvores, nas pedras, ervas, flores,
parece que acho m√°goa, e sentimento.

As aves que no ar voam, o sol, e o vento,
montes, rios, e gados, e pastores,
as estradas, e os campos, mostram as dores
da minha saudade, e apartamento.

E quanto m’era l√° doce, e suave,
mais triste, e duro Amor c√° mo apresenta,
a que entreguei da minha vida a chave.

Em l√°grimas for√ßa √© qu’ as faces lave,
ou que n√£o sinta a dor que na tormenta
memória da bonança faz mais grave.

XIV

Quem deixa o trato pastoril amado
Pela ingrata, civil correspondência,
Ou desconhece o rosto da violência,
Ou do retiro a paz n√£o tem provado.

Que bem é ver nos campos transladado
No gênio do pastor, o da inocência!
E que mal é no trato, e na aparência
Ver sempre o cortes√£o dissimulado!

Ali respira amor sinceridade;
Aqui sempre a traição seu rosto encobre;
Um só trata a mentira, outro a verdade.

Ali não há fortuna, que soçobre;
Aqui quanto se observa, é variedade:
Oh ventura do rico! Oh bem do pobre!

Eu Gosto da Paisagem

Eu gosto da paisagem. Mas amo-a duma maneira casta, comovida, sem poder macular a sua intimidade em descri√ß√Ķes a vint√©m por palavra. Chego a uma terra e n√£o resisto: tenho de me meter pelos campos fora, pelas serras, pelos montes, saber das culturas, beber o vinho e provar o p√£o. E quando anoitece volto, como agora, cheio do enigma que fez cada regi√£o do seu feitio, tal e qual como p√īs nas costas do dromed√°rio aquela incr√≠vel marreca, e no pesco√ßo do le√£o aquela fant√°stica juba.

A Boa Consciência, e a Vantagem na Limitação

Reflectir ponderadamente sobre alguma coisa antes de realiz√°-la; por√©m, uma vez realizada, e sendo previs√≠veis os seus resultados, n√£o se angustiar com reflex√Ķes cont√≠nuas a respeito dos seus poss√≠veis perigos. Em vez disso, libertar-se completamente do assunto, manter fechada a gaveta que o cont√©m, tranquilizando-se com a certeza de que tudo foi devidamente analisado a seu tempo. Se, ainda assim, o resultado √© negativo, √© porque todas as coisas est√£o submetidas ao acaso e ao equ√≠voco.

Limitar o próprio campo de acção; dessa maneira, cerceia-se a infelicidade; a limitação proporciona a felicidade etc.

Perfeição

Vejo a Perfeição em sonhos ardentes,
Beleza divina aos sentidos ligada,
Cantando ao ouvido em voz olvidada
Que do peito irrompe em raios candentes

Que n√£o posso prender. Seu cabelo vem
P’lo peito inocente onde, confundidos,
O ideal e o real s√£o tecidos
E algo de alegre que ao céu fica bem.

Ent√£o chega o dia e tudo passou;
A mim regresso em dorido sentir,
Qual marinheiro que o naufr√°gio acordou

Do sonho de um campo em dia luminoso:
Ergue a cabeça e estremece ao ouvir
O rumor da descida ao abismo penoso.

O Espírito em Transe

O prazer profundo, inefável, que é andar por estes campos desertos e varridos pela ventania, subir uma encosta difícil e olhar lá de cima a paisagem negra, escalvada, despir a camisa para sentir directamente na pele a agitação furiosa do ar, e depois compreender que não se pode fazer mais nada, as ervas secas, rente ao chão, estremecem, as nuvens roçam por um instante os cumes dos montes e afastam-se em direcção ao mar, e o espírito entra numa espécie de transe, cresce, dilata-se, não tarda que estale de felicidade.

LV

Em profundo silêncio já descansa
Todo o mortal; e a minha triste idéia
Se estende, se dilata, se recreia
Pelo espaçoso campo da lembrança.

Fatiga-se, prossegue, em v√£o se cansa;
E neste v√°rio giro, em que se enleia,
Ao duvidoso passo j√° receia,
Que lhe possa faltar a segurança.

Que diferente tudo est√° notando!
Que perplexo as imagens do perdido
Num e noutro despojo vem achando!

Este não é o templo (eu o duvido)
Assim o afirma, assim o est√° mostrando:
Ou morreu Nise, ou este não é Fido.

Marília De Dirceu

Soneto 2

Num fértil campo de soberbo Douro,
Dormindo sobre a relva, descansava,
Quando vi que a Fortuna me mostrava
Com alegre semblante o seu tesouro.

De uma parte, um mont√£o de prata e ouro
Com pedras de valor o ch√£o curvava;
Aqui um cetro, ali um trono estava,
Pendiam coroas mil de grama e louro.

– Acabou – diz-me ent√£o – a desventura:
De quantos bens te exponho qual te agrada,
Pois benigna os concedo, vai, procura.

Escolhi, acordei, e n√£o vi nada:
Comigo assentei logo que a ventura
Nunca chega a passar de ser sonhada.