Poemas sobre Desconhecidos

26 resultados
Poemas de desconhecidos escritos por poetas consagrados, filósofos e outros autores famosos. Conheça estes e outros temas em Poetris.

Vírgula

Eu menino às onze horas e trinta minutos
a procurar o dia em que n√£o te fale
feito de resist√™ncias e amea√ßas ‚ÄĒ Este mundo
compreende tanto no meio em que vive
tanto no que devemos pensar.

A experiência o contrário da raiz originária aliás
demasiado formal para que se possa acreditar
no mais rigoroso sentido da palavra.

Tanta metafísica eu e tu
que j√° n√£o acreditamos como antes
diferentes daquilo que entendem os filósofos
‚ÄĒ constitui uma realidade
que não consegue dominar (nem ele próprio)
as forças primitivas
quando já se tem pretendido ordens à vida humana
em conflito com outras surge agora
a necessidade dos O√°sis Perdidos.

E vistas assim as coisas fragmentariamente é certo
e a custo na imensid√£o da desordem
a que ter√£o de ser constantemente arrancadas
‚ÄĒ s√£o da m√°xima import√Ęncia as Velhas Concep√ß√Ķes pois
a cada momento corremos grandes riscos
desconcertantes e de sinistra estranheza.

Resulta isto dum olhar r√°pido sobre a cidade desconhecida.
E abstraindo dos versos que neste poema se referem ao mundo humano
vemos que ninguém até hoje se apossou do homem
como o frágil véu que nos separa vedados e proibidos.

Continue lendo…

In Extremis

1

Só a criança conhece a Eternidade
Que é inocência do desconhecido.
E o que me d√° saudade
√Č hav√™-la em mim perdido.

Outra herança de tudo que não sou
Podeis levá-la! Faça-se a vontade:
Que a imortal, perene propriedade,
Perdeu-a o homem quando semeou.

Ah! como a onda do mar que é mais bravia
√Č que abra√ßa os escolhos,
Só terra de poesia
Foi na minh’alma dor, o luto dos meus olhos.

Entre o homem e o mundo h√° um novelo
De linha preta:
Meu acto de Fé é ser criança, e crê-lo,
Que é ser poeta.

2

O que levamos da terra
√Č o c√©u que possu√≠mos:
Esperança das sepulturas.

E à morte que damos vida
Todos os deuses se igualam
Ao mesmo Deus das Alturas.

Sê, ó Morte, o meu dia de Juízo
Se é fantasia o que penso
Sonho a terra que piso.

Mas quando o corpo, a natureza morta
Me for nas m√£os dos homens
Com suas luvas pretas,

Continue lendo…

Um Cão é isto de Sermos Gente

Um c√£o
é isto de sermos gente.

Se temos só duas pernas
temos em contrapartida
uma complicação escura
dentro do peito.

Qualquer coisa como
os fundos desconhecidos
da √°gua
só conhecidos
dos n√°ufragos.

Para matar
é preciso uma arma
e para voar
como b√ļzios
precisamos papel e l√°pis
‚ÄĒ e assim viajamos
dentro de vegetais malas de viagens
procurando o destino sufocante
de todas as paragens.

Nunca, por Mais

Nunca, por mais que viaje, por mais que conheça
O sair de um lugar, o chegar a um lugar, conhecido ou desconhecido,
Perco, ao partir, ao chegar, e na linha móbil que os une,
A sensa√ß√£o de arrepio, o medo do novo, a n√°usea ‚ÄĒ
Aquela náusea que é o sentimento que sabe que o corpo tem a alma,
Trinta dias de viagem, tr√™s dias de viagem, tr√™s horas de viagem ‚ÄĒ
Sempre a opressão se infiltra no fundo do meu coração.

O Solit√°rio

Como alguém que por mares desconhecidos viajou,
assim sou eu entre os que nunca deixaram a sua p√°tria;
os dias cheios est√£o sobre as suas mesas
mas para mim a dist√Ęncia √© puro sonho.

Penetra profundamente no meu rosto um mundo,
t√£o desabitado talvez como uma lua;
mas eles n√£o deixam um √ļnico pensamento s√≥,
e todas as suas palavras s√£o habitadas.

As coisas que de longe trouxe comigo
parecem muito raras, comparadas com as suas ‚ÄĒ:
na sua vasta p√°tria s√£o feras,
aqui sustém a respiração, por vergonha.

Tradução de Maria João Costa Pereira

Acendimento

Seria bom sentir no quarto qualquer m√ļsica
enquanto nos banham os perfis ateados
pelo aroma da tília, sem voz, em abandono.
A entrada por detr√°s das ruas principais
onde a morrinha parece que nem molha
e se chega perdido onde se vai.
Não, não é só um beijo que te quero dar.

Quantas vezes nesta hora de desvalimento
vejo orion e as plêiades devagar no céu de inverno.
Mas hoje
com a calma inesperada de chuvas que n√£o cessam
acordo já depois. Caí numa hibernação que não norteia
o desequilíbrio do sentimento.

Espelhos sem paz tocam-nos no rosto.
Na cega mancha de roupagem aconchego
cada intempérie com sua mentira
e depois sigo pela torrente, pelo enredo
dos outeiros, cada espelho continua
a caução pacificadora do engano.
√Č isso que te levo, isso que me d√°s
quando dizes, j√° sem o dizeres, eu amo-te.

Pela berma da humidade cerrada
um risco de merc√ļrio trespassa.
Na gravilha passos que n√£o h√°
esmagam a m√ļsica que ningu√©m escuta.
Sabiam de cor tudo o que falhava,

Continue lendo…

As Profecias

(fragmentos)

I

depois de tudo
minha casa permanecer√° nos fundos

minguantes novos
cidades mortas
ruas desconhecidas

barcos de vento
perdidos sons

foi l√° que brinquei de longe
e perdi-me de mim
foi l√° a primeira tosquia
quando me tiraram tudo

nem o leque
para afugentar a maturação
nem a haste
para defender-me das feras
nem o silêncio
para vestir-me no esquecimento

depois de tudo
minha casa permanecer√° nos fundos

foi l√° que brinquei de longe
e me perdi de mim

II

A flor abre-se em terra
para o forte a ser nosso.

Perto estamos
dos rios coagulados
de mel colhido aos tempos.
Perto estamos
da nocturna fé de ser impuro
benvinda das lonjuras.

Perto estamos dos infantes campos
junto ao longe tranquilo de viver.
Ouvi, solit√°rias meninas, solit√°rios meninos:
o vento ch√£o que varre os prados
onde somos horizontais,
afinal.

III

Trago a palma na m√£o, aqui estou,

Continue lendo…

Responso

I
Num castelo deserto e solit√°rio,
Toda de preto, às horas silenciosas,
Envolve-se nas pregas dum sud√°rio
E chora como as grandes criminosas.

Pudesse eu ser o lenço de Bruxelas
Em que ela esconde as l√°grimas singelas.

II
√Č loura como as doces escocesas,
Duma beleza ideal, quase indecisa;
Circunda-se de luto e de tristezas
E excede a melancólica Artemisa.

Fosse eu os seus vestidos afogados
E havia de escutar-lhe os seu pecados.

III
Alta noite, os planetas argentados
Deslizam um olhar macio e vago
Nos seus olhos de pranto marejados
E nas águas mansíssimas do lago.

Pudesse eu ser a Lua, a Lua terna,
E faria que a noite fosse eterna.

IV
E os abutres e os corvos fazem giros
De roda das ameias e dos pegos,
E nas salas ressoam uns suspiros
Dolentes como as s√ļplicas dos cegos.

Fosse eu aquelas aves de pilhagem
E cercara-lhe a fronte, em homenagem.

V
E ela vaga nas praias rumorosas,
Triste como as rainhas destronadas,

Continue lendo…

Tu √Čs em Mim Profunda Primavera

O sabor da tua boca e a cor da tua pele,
pele, boca, fruta minha destes dias velozes,
diz-me, sempre estiveram contigo
por anos e viagens e por luas e sóis
e terra e pranto e chuva e alegria,
ou só agora, só agora
brotam das tuas raízes
como a água que à terra seca traz
germina√ß√Ķes de mim desconhecidas
ou aos l√°bios do c√Ęntaro esquecido
na √°gua chega o sabor da terra?

N√£o sei, n√£o mo digas, tu n√£o sabes.
Ninguém sabe estas coisas.
Mas, aproximando os meus sentidos todos
da luz da tua pele, desapareces,
fundes-te como o √°cido
aroma dum fruto
e o calor dum caminho,
o cheiro do milho debulhado,
a madressilva da tarde pura,
os nomes da terra poeirenta,
o infinito perfume da p√°tria:
magnólia e matagal, sangue e farinha,
galope de cavalos,
a lua poeirenta das aldeias,
o pão recém-nascido:
ai, tudo o que há na tua pele volta à minha boca,
volta ao meu coração, volta ao meu corpo,
e volto a ser contigo a terra que tu és:
tu és em mim profunda primavera:
volto a saber em ti como germino.

Continue lendo…

Se te Queres Matar

Se te queres matar, por que n√£o te queres matar?
Ah, aproveita! que eu, que tanto amo a morte e a vida,
Se ousasse matar-me, tamb√©m me mataria…
Ah, se ousares, ousa!
De que te serve o quadro sucessivo das imagens externas
A que chamamos o mundo?
A cinematografia das horas representadas
Por atores de conven√ß√Ķes e poses determinadas,
O circo policromo do nosso dinamismo sem fím?
De que te serve o teu mundo interior que desconheces?
Talvez, matando-te, o conhe√ßas finalmente…
Talvez, acabando, comeces…
E, de qualquer forma, se te cansa seres,
Ah, cansa-te nobremente,
E n√£o cantes, como eu, a vida por bebedeira,
N√£o sa√ļdes como eu a morte em literatura!

Fazes falta? √ď sombra f√ļtil chamada gente!
Ningu√©m faz falta; n√£o fazes falta a ningu√©m…
Sem ti correr√° tudo sem ti.
Talvez seja pior para outros existires que matares-te…
Talvez peses mais durando, que deixando de durar…

A m√°goa dos outros?… Tens remorso adiantado
De que te chorem?
Descansa: pouco te chorar√£o…
O impulso vital apaga as l√°grimas pouco a pouco,

Continue lendo…

Tristissima

N’um paiz longe, secreto,
Lendaria ilha affastada,
Jaz todo o dia sentada
N’um throno de marmor preto.

No seu palacio esculpido
N√£o entram constella√ß√Ķes;
Os tectos dos seus sall√Ķes
S√£o todos d’ouro polido!

Nas largas escadarias
Sobem vassallos ao cento,
De noute suluça o vento
N’aquellas tape√ßarias.

E pelas largas janellas
Fechadas, sempre corridas,
Ha flores desconhecidas
Que n√£o olham as estrellas.

Na dextra segura um calix,
– Calix da D√īr e da Magoa!
Onde est√° contida a agoa
E o sangue dos nossos males!

Pelas florestas sosinhas
Escuras, sem rouxinoes,
Erram chorando os Heroes,
E as desgraçadas Rainhas.

Seguida, √° noute, de servas,
Caminha, em cortejo mudo,
Rojando o negro velludo
De seu cabello nas hervas.

Sómente ao vel-a passar
Ficam as almas surprezas;
– Ha todo um mar de tristezas
No abismo do seu olhar!

Lisbon Revisited (1926)

Nada me prende a nada.
Quero cinq√ľenta coisas ao mesmo tempo.
Anseio com uma ang√ļstia de fome de carne
O que n√£o sei que seja –
Definidamente pelo indefinido…
Durmo irrequieto, e vivo num sonhar irrequieto
De quem dorme irrequieto, metade a sonhar.

Fecharam-me todas as portas abstratas e necess√°rias.
Correram cortinas de todas as hipóteses que eu poderia ver da rua.
N√£o h√° na travessa achada o n√ļmero da porta que me deram.

Acordei para a mesma vida para que tinha adormecido.
Até os meus exércitos sonhados sofreram derrota.
Até os meus sonhos se sentiram falsos ao serem sonhados.
At√© a vida s√≥ desejada me farta – at√© essa vida…

Compreendo a intervalos desconexos;
Escrevo por lapsos de cansaço;
E um tédio que é até do tédio arroja-me à praia.
N√£o sei que destino ou futuro compete √† minha ang√ļstia sem leme;
Não sei que ilhas do sul impossível aguardam-me naufrago;
ou que palmares de literatura me dar√£o ao menos um verso.

N√£o, n√£o sei isto, nem outra coisa, nem coisa nenhuma…
E, no fundo do meu espírito,

Continue lendo…

Num Bairro Moderno

Dez horas da manh√£; os transparentes
Matizam uma casa apalaçada;
Pelos jardins estancam-se as nascentes,
E fere a vista, com brancuras quentes,
A larga rua macadamizada.

Rez-de-chaussée repousam sossegados,
Abriram-se, nalguns, as persianas,
E dum ou doutro, em quartos estucados,
Ou entre a rama do papéis pintados,
Reluzem, num almoço, as porcelanas.

Como é saudável ter o seu conchego,
E a sua vida f√°cil! Eu descia,
Sem muita pressa, para o meu emprego,
Aonde agora quase sempre chego
Com as tonturas duma apoplexia.

E rota, pequenina, azafamada,
Notei de costas uma rapariga,
Que no xadrez marmóreo duma escada,
Como um retalho da horta aglomerada
Pousara, ajoelhando, a sua giga.

E eu, apesar do sol, examinei-a.
P√īs-se de p√©, ressoam-lhe os tamancos;
E abre-se-lhe o algod√£o azul da meia,
Se ela se curva, esguelhada, feia,
E pendurando os seus bracinhos brancos.

Do patamar responde-lhe um criado:
“Se te conv√©m, despacha; n√£o converses.
Eu n√£o dou mais.” √ą muito descansado,
Atira um cobre lívido, oxidado,
Que vem bater nas faces duns alperces.

Continue lendo…

Acto de Contrição

Pela luz rara da garagem dois vultos
v√£o p√īr o lixo. S√£o velhos desconhecidos. Um
ao outro d√£o passagem (a
m√°scara de um cumprimento) esquivos na
escatológica arqueologia das misérias.
Homens de lixo na mão: exímios
a ocultar
versos da vida doméstica (quando
o gesto liso cabe ao avental abundante que os
devolve a casa). H√°
em todo esse agravo uma redenção ferida
(um juízo resolvido) como que um
indulto lento.

As Sete Penas do Amor Errante

Eu n√£o sei se os teus olhos se gaivotas
mas era o mar e a √ćndia j√° perdida
as ilhas e o azul o longe e as rotas
minha vida em pedaços repartida.

Eu n√£o sei se o teu rosto se um navio
mas era o Tejo a m√°goa a brisa o cais
meu amor a partir-se à beira-rio
em uma nau chamada nunca mais.

Eu n√£o sei se os teus dedos se as amarras
mas era algo que partia e que
ficava. Ou talvez cordas de guitarras
ó meu amor de embarque desembarque.

Eu n√£o sei se era amor ou se loucura
mas era ainda o verbo descobrir
ó meu amor de risco e de aventura
n√£o sei se Ceuta ou Alc√°cer Quibir.

Eu n√£o sei se era perto se distante
mas era ainda o mar desconhecido
ou Cam√Ķes a penar por Violante
as sete penas do amor proibido.

Eu n√£o sei se ventura se castigo
mas era ainda o sangue e a memória
talvez o √ļltimo cantar de amigo
amor de perdição amor de glória.

Continue lendo…

Língua Portuguesa

√öltima flor do L√°cio, inculta e bela,
√Čs, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela
Amo-se assim, desconhecida e obscura
Tuba de algo clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela,
E o arrolo da saudade e da ternura!
Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,
Em que da voz materna ouvi: “meu filho!”,
E em que Cam√Ķes chorou, no ex√≠lio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!

Lembre-vos quão sem Mudança

Lembre-vos quão sem mudança,
Senhora, é meu querer,
perdida toda esperança;
e de mim vossa lembrança
nunca se pode perder.
Lembre-vos quão sem por quê
desconhecido me vejo;
e, com tudo, minha fé
sempre com vossa mercê,
com mais crecido desejo.

Lembre-vos que se passaram
muitos tempos, muitos dias,
todos meus bens se acabaram,
com tudo, nunca mudaram;
querer-vos, minhas porfias.
Lembre-vos quanta rez√£o
tive pera esquecer-vos,
e sempre meu coração,
quanto menos galard√£o,
tanto mais firme em querer-vos.

Lembre-vos que, sem mudar
o querer desta vontade,
me haveis sempre de lembrar,
té de todo me acabar,
vós e vossa saudade.
Lembre-vos como pagais
o tempo que me deveis,
olhai qu√£o mal me tratais:
Sam o que vos quero mais,
o que menos vós quereis.

Lembre-vos tempo passado,
n√£o porque de lembrar seja,
mas vereis qu√£o magoado
devo de ser c’o cuidado
do que minha alma deseja.
Lembre-vos minha firmeza,
de vós tão desconhecida,
lembre-vos vossa crueza,
junta com minha tristeza,

Continue lendo…

Da Minha Idéia do Mundo

Da minha idéia do mundo
Ca√≠…
Vácuo além do profundo,
Sem ter Eu nem Ali…

Vácuo sem si-próprio, caos
De ser pensado como ser…
Escada absoluta sem degraus…
Vis√£o que se n√£o pode ver…

Al√©m-Deus! Al√©m-Deus! Negra calma…
Clar√£o do Desconhecido…
Tudo tem outro sentido, ó alma,
Mesmo o ter-um-sentido…

Ode Triunfal

√Ä dolorosa luz das grandes l√Ęmpadas el√©ctricas da f√°brica
Tenho febre e escrevo.
Escrevo rangendo os dentes, fera para a beleza disto,
Para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos.

√ď rodas, √≥ engrenagens, r-r-r-r-r-r-r eterno!
Forte espasmo retido dos maquinismos em f√ļria!
Em f√ļria fora e dentro de mim,
Por todos os meus nervos dissecados fora,
Por todas as papilas fora de tudo com que eu sinto!
Tenho os lábios secos, ó grandes ruídos modernos,
De vos ouvir demasiadamente de perto,
E arde-me a cabeça de vos querer cantar com um excesso
De express√£o de todas as minhas sensa√ß√Ķes,
Com um excesso contempor√Ęneo de v√≥s, √≥ m√°quinas!

Em febre e olhando os motores como a uma Natureza tropical –
Grandes tr√≥picos humanos de ferro e fogo e for√ßa –
Canto, e canto o presente, e também o passado e o futuro,
Porque o presente é todo o passado e todo o futuro
E há Platão e Virgílio dentro das máquinas e das luzes eléctricas
Só porque houve outrora e foram humanos Virgílio e Platão,
E pedaços do Alexandre Magno do século talvez cinquenta,

Continue lendo…

À Espera do Amado Desconhecido

Quem é esta mulher,
a sempre triste,
que vive no meu coração?
Quis conquist√°-la mas n√£o consegui.

Adornei-a com grinaldas
e cantei em seu louvor…
Por um momento
bailou o sorriso no seu rosto,
mas logo se desvaneceu.

E disse-me cheia de pena:
‚ÄĒ A minha alegria n√£o est√° em ti.

Comprei-lhe argolas preciosas,
abanei-a
com leques recamados de diamantes,
deitei-a em cama de oiro …
Bateu as p√°lpebras
como um rel√Ęmpago de alegria
que logo se apagou.

E disse-me cheia de pena:
‚ÄĒ N√£o est√° nessas coisas a minha alegria.

Sentei-a num carro de triunfo,
e passeei-a por toda a terra.
Milhares de cora√ß√Ķes conquistados
caíram humildes a seus pés,
e as aclama√ß√Ķes reboaram pelo c√©u…
Durante um momento
brilhou o orgulho nos seus olhos,
mas logo se desfez em l√°grimas.

E disse cheia de pena:
‚ÄĒ N√£o est√° na vit√≥ria a minha alegria..

Perguntei-lhe:
‚ÄĒ Que queres ent√£o?
Respondeu-me:
‚ÄĒ Espero algu√©m
que n√£o sei como se chama.

Continue lendo…