Poemas sobre Velhos

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Poemas de velhos escritos por poetas consagrados, filósofos e outros autores famosos. Conheça estes e outros temas em Poetris.

Madrigal Excentrico

Tu que n√£o temes a Morte,
Nem a sombra dos cyprestes,
Escuta, Lyrio do Norte,
Os meus canticos agrestes:

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Tu ignoras os desgostos
D’um cora√ß√£o torturado,
Mais tristes do que os soes postos,
Ou de que um bobo espancado!

Eu bem sei, ó Musa louca
Que n√£o conheces a magoa…
E tens um riso na boca
Como um cravo aberto n’agua…

Eu bem sei… bem sei que ris
Dos meus madrigaes modernos.
Sem cuidar, ó flor de liz!
Que h√£o de chegar-te os invernos!

Que nos corre a Mocidade,
Qual folha verde do val,
E ha de vir-te a tempestade,
√ď branco lyrio real!

Que has de ser como a açucena
Varrida pelo nordeste…
E os prantos da minha pena
Que h√£o de regar teu cypreste!

Que ha de a terra agreste e dura
Servir-te de ultimo leito…
E a pedra da sepultura
Quebrar teu corpo perfeito!

E has de, emfim, ser devorada
Na fria noute,

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O Amor Limitado

Algum homem indigno de ser possuidor
De amor velho ou novo, sendo ele próprio falso ou fraco,
Pensou que a sua dor e vergonha seriam menores
Se a sua ira sobre as mulheres descarregasse.
E ent√£o uma lei nasceu:
Que cada uma um só homem conhecesse.
Mas s√£o assim as outras criaturas?

S√£o o sol, a lua, as estrelas proibidos por lei
De sorrir para onde lhes apetece, ou de esbanjar a sua luz?
Divorciam-se os p√°ssaros, ou s√£o censurados
Se abandonam o seu par, ou dormem fora uma noite?
Os animais n√£o perdem as suas pens√Ķes
Ainda que escolham novos amantes,
Mas nós fizémo-nos piores do que eles.

Quem j√° armou belos navios para ancorar nos portos,
Em vez de buscar novas terras, ou negociar com todos?
Ou construiu belas casas, plantou √°rvores e arbustos,
Apenas para as trancar, ou ent√£o deix√°-los cair?
O Bom não é bom, a não ser
Que mil coisas possua,
Mas arruína-se com a avidez.

Tradução de Helena Barbas

Aquella Orgia

Nós eramos uns dez ou onze convidados,
– Todos buscando o gozo e achando o abatimento,
E todos afinal vencidos e quebrados
No combate da Vida inutil e incruento.

Tocava o termo a ceia – e ia surgindo o alvor
Da madrugada vaga, etherea e crystallina,
A alguns trazendo a vida, e enchendo outros de horor,
Branca como uma flor de prata florentina.

Todos riam sem causa. – A estolida batalha
Da Materia e da Luz travara-se afinal,
E eram j√° c√īr de vinho os risos e a toalha,
– E arrojavam-se ao ar os copos de crystal.

Crusavam-se no ar ditos como facadas;
Escandalos de amor, historias sensuaes…
– Rolavam nos divans caindo, √°s gargalhadas,
Sujos como tru√Ķes, torpes como animaes.

Um agitando o ar com risos desmanchados,
Recitava can√ß√Ķes, far√ßas, Hamlet e Ophelia;
РOutro perdido o olhar, e os braços encruzados,
De bru√ßos, n’um divan, roia uma camelia!

Outros fingindo a d√īr, fallavam dos ausentes,
Das amantes, dos paes, com gritos d’afflic√ß√£o,
– Um brandia um punhal, com ditos incoherentes;

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Troco-me por Ti

Troco-me por ti
Na brasa da fogueira mal ardida
renovo o fogo que perdi,
acendo, ascendo, ao lume, ao leme, à vida.

E só trocado, parece, por não ser
na verdade conjugo o velho verbo
e sou, remido esquartejado,
o retrato perfeito em que exacerbo
os passos recolhidos pelo tempo andado.

Eu e Ela

Cobertos de folhagem, na verdura,
O teu braço ao redor do meu pescoço,
O teu fato sem ter um só destroço,
O meu braço apertando-te a cintura;

Num mimoso jardim, ó pomba mansa,
Sobre um banco de m√°rmore assentados.
Na sombra dos arbustos, que abraçados,
Beijarão meigamente a tua trança.

Nós havemos de estar ambos unidos,
Sem gozos sensuais, sem más idéias,
Esquecendo para sempre as nossas ceias,
E a loucura dos vinhos atrevidos.

Nós teremos então sobre os joelhos
Um livro que nos diga muitas cousas
Dos mistérios que estão para além das lousas,
Onde havemos de entrar antes de velhos.

Outras vezes buscando distração,
Leremos bons romances galhofeiros,
Gozaremos assim dias inteiro,
Formando unicamente um coração.

Beatos ou apagãos, via à paxá,
Nós leremos, aceita este meu voto,
O Flos-Sanctorum místico e devoto
E o laxo Cavaleiro de Faublas…

Tédio

Tenho as recorda√ß√Ķes d’um velho milen√°rio!

Um grande contador, um prodigioso arm√°rio,
Cheiinho, a abarrotar, de cartas memoriais,
Bilhetinhos de amor, recibos, madrigais,
Mais segredos n√£o tem do que eu na mente abrigo.
Meu cer’bro faz lembrar descomunal jazigo;
Nem a vala comum encerra tanto morto!

‚ÄĒ Eu sou um cemit√©rio estranho, sem conforto,
Onde vermes aos mil ‚ÄĒ remorsos doloridos,
Atacam de pref’r√™ncia os meus mortos queridos.
Eu sou um toucador, com rosas desbotadas,
Onde jazem no ch√£o as modas despresadas,
E onde, sós, tristemente, os quadros de Boucher
Fuem o doce olor d’um frasco de Gell√©.

Nada pode igualar os dias tormentosos
Em que, sob a press√£o de invernos rigorosos,
O T√©dio, fruto inf’liz da incuriosidade,
Alcan√ßa as propor√ß√Ķes da Imortalidade.

‚ÄĒ Desde hoje, n√£o √©s mais, √≥ mat√©ria vivente,
Do que granito envolto em terror inconsciente.
A emergir d’um Saarah movedi√ßo, brumoso!
Velha esfinge que dorme um sono misterioso,
Esquecida, ignorada, e cuja face fria
Só brilha quando o Sol dá a boa-noite ao dia!

Tradução de Delfim Guimarães

Vírgula

Eu menino às onze horas e trinta minutos
a procurar o dia em que n√£o te fale
feito de resist√™ncias e amea√ßas ‚ÄĒ Este mundo
compreende tanto no meio em que vive
tanto no que devemos pensar.

A experiência o contrário da raiz originária aliás
demasiado formal para que se possa acreditar
no mais rigoroso sentido da palavra.

Tanta metafísica eu e tu
que j√° n√£o acreditamos como antes
diferentes daquilo que entendem os filósofos
‚ÄĒ constitui uma realidade
que não consegue dominar (nem ele próprio)
as forças primitivas
quando já se tem pretendido ordens à vida humana
em conflito com outras surge agora
a necessidade dos O√°sis Perdidos.

E vistas assim as coisas fragmentariamente é certo
e a custo na imensid√£o da desordem
a que ter√£o de ser constantemente arrancadas
‚ÄĒ s√£o da m√°xima import√Ęncia as Velhas Concep√ß√Ķes pois
a cada momento corremos grandes riscos
desconcertantes e de sinistra estranheza.

Resulta isto dum olhar r√°pido sobre a cidade desconhecida.
E abstraindo dos versos que neste poema se referem ao mundo humano
vemos que ninguém até hoje se apossou do homem
como o frágil véu que nos separa vedados e proibidos.

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Poema de Amor

A noite é cheia de vales e baías.
E do meu peito aberto um rio largo de sangue…
√Āguas densas, de correntes lentas,
serpentes mortas a arrastarem-se.
√Āguas?
√Āguas negras, pastosas, alcatr√£o rolante.
Mas √°guas puras, verde-claras, atraindo
a margem donde os crocodilos fogem mastigando.
√Āguas em transpar√™ncias lucilantes, para cima,
e as estrelas do mar, um polvo e um mefistófeles
ficam no ar sobre ilhéus e lodosos calhaus
que se descobrem.
Plantas brancas e ext√°ticas…
L√°grimas… nuvens… e a cabe√ßa, o perfil,
os olhos, todo o corpo da mulher amada, a prostituta
antes de virgem, que é bela e feia, velha e nova,
e n√£o conhece os filhos!

O fogo envolve essa mulher amada
e é um guindaste erguendo-a e atirando-a,
enquanto dispersas pelo chão brilham mandíbulas
naturalmente √† espera…

Hora de Ponta

Apanhar um lugar a esta hora é uma sorte, poder olhar
pela janela e fingir que tenho imunidade diplom√°tica,
que estou de l√° do vidro com o h√°lito das folhas, o sabor
a hortel√£ e um ar fresco interrompido pela velha senhora
a quem cedo o assento e um sorriso enquanto me agradece
de nada, de ir agora em pé empurrada, de cá do vidro
a apanhar uma overdose de realidade com o bafo quente
do homem gordo na minha orelha, com a m√£o livre
apertada contra o peito, contra o visco da hora apinhada
na minha pele p√ļblica, na minha pele de todos.
No banco em frente uma mulher afaga a neta com o sorriso
doce e cansado, os olhos brilhantes, a candura intacta
toma-me toda como se eu fosse um anjo
descendo à terra com um corpo real para que a minha pele
receba a d√°diva da tua, aceite os cheiros de um dia de trabalho,
o calor excessivo, a proximidade insustent√°vel e leia no teu rosto
cada mandamento nos solavancos que nos atiram uns para
os outros. No teu rosto √£ hora de ponta aprendo a compaix√£o
até sair na próxima paragem com um suspiro de alívio.

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Lisboa

De certo, capital alguma n’este mundo
Tem mais alegre sol e o ceu mais cavo e fundo,
Mais collinas azues, rio d’aguas mais mansas,
Mais tristes prociss√Ķes, mais pallidas crean√ßas,
Mais graves cathedraes – e ruas, onde a esteira
Seja em tardes d’estio a flor de larangeira!

A Cidade √© formosa e esbelta de manh√£! –
√Č mais alegre ent√£o, mais limpida, mais s√£;
Com certo ar virginal ostenta suas graças,
Ha vida, confusão, murmurios pelas praças;
– E, √°s vezes, em roup√£o, uma violeta bella
Vem regar o craveiro e assoma na janella.

A Cidade é beata Рe, ás lucidas estrellas,
O Vicio √° noute sae √°s ruas e √°s viellas,
Sorrindo a perseguir burguezes e estrangeiros;
E á triste e dubia luz dos baços candieiros,
– Em bairos sepulchraes, onde se d√£o facadas –
Corre ás vezes o sangue e o vinho nas calçadas!

As mulheres s√£o v√£s; mas altas e morenas,
D’olhos cheios de luz, nervosas e serenas,
Ebrias de devo√ß√Ķes, relendo as suas Horas;
– Outras fortes, crueis, os olhos c√īr d’amoras,

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Posfácio à Toca do Lobo

РPai, vem da morte e vamos às perdizes.
Vejo a aurora, que tinge do seu rajo
de dente a dente a Serra de Soajo…
РCiprestes, desatai-o das raízes!

– Este Inverno as perdizes est√£o em barda:
criaram-se as ninhadas sem granizo.
Vamos chumbar dos perdig√Ķes o guizo,
anda matar securas da espingarda.

A tua Holland… O animal de presa…
O azul brunido… Velha e como nova…
Bem a merecias a alegrar-te a cova.
Penou-te de saudades, com certeza.

Aqui a tens. Porque era ver-te, olh√°-la,
sequer um dia que não fosse vê-la.
Olha deluz-se a derradeira estrela,
j√° folga a luz no lustra aqui da sala.

Trinta anos depois, caçar contigo,
e sempre conversando e √† chala√ßa…
Mais que perdizes, hoje, melhor caça
√Č matar fomes do ca√ßar antigo.

Ver-te sorrir à escapatória sonsa
da velha que n√£o viu ¬ęperdiz nem chasco!¬Ľ
E o Lorde a anunci√°-la sob o fasco,
e tu lambendo o cigarrinho de on√ßa…

√ď pai, se n√£o vivias h√° trinta anos,
também há trinta eu não vivia,

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Dos Restos de Velhos Tempos

Para exemplo ainda continua a Lua
Nas noites por sobre os novos edifícios;
Entre as coisas de cobre
√Č ela
A mais inutilizável.   Já
As m√£es contam de animais,
Chamados cavalos, que puxavam carros.
E verdade que quando se fala de continentes
J√° n√£o s√£o capazes de acertar com os nomes:
Pelas grandes antenas novas
J√° dos velhos tempos
Se n√£o conhece nada.

Tradução de Paulo Quintela

Rêve Oublié

Neste meu h√°bito surpreendente de te trazer de costas
neste meu desejo irreflectido de te possuir num trampolim
nesta minha mania de te dar o que tu gostas
e depois esquecer-me irremediavelmente de ti

Agora na superfície da luz a procurar a sombra
agora encostado ao vidro a sonhar a terra
agora a oferecer-te um elefante com uma linda tromba
e depois matar-te e dar-te vida eterna

Continuar a dar tiros e modificar a posição dos astros
continuar a viver até cristalizar entre neve
continuar a contar a lenda duma princesa sueca
e depois fechar a porta para tremermos de medo

Contar a vida pelos dedos e perdê-los
contar um a um os teus cabelos e seguir a estrada
contar as ondas do mar e descobrir-lhes o brilho
e depois contar um a um os teus dedos de fada

Abrir-se a janela para entrarem estrelas
abrir-se a luz para entrarem olhos
abrir-se o tecto para cair um garfo no centro da sala
e depois ruidosa uma dentadura velha
E no CIMO disto tudo uma montanha de ouro

E no FIM disto tudo um Azul-de-Prata.

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Na Arca Aberta, o Justo Peca

Na arca aberta o justo peca,
n√£o em canastra fechada;
mas vós da minha coitada
fechada a fazeis caneca:
vindes l√° de seca e meca
com tal pressa e furor tal,
que fazeis, para meu mal,
com mau termo e ruim modo,
do meu queijo lama e lodo,
e do meu p√£o cinza e sal.

Quando as peras me levais,
ent√£o para peras levo,
pois vos pago o que n√£o devo,
e vós rindo vos ficais:
se pêra flamenga achais
a comeis em português,
e me fazeis d’essa vez,
com estrondo e com arenga,
os narizes √° flamenga
muito mal em que me pez.

Não vos escapam por pés
minhas cerejas bicais,
nem as ginjas garrafais,
se as tenho alguma vez:
porque mal, em que me pez,
como cerejas se v√£o
pelos pés á vossa mão
e da vossa m√£o √° minha,
a cereja é marouvinha
as ginjas galegas s√£o.

Passa hoje por lebre o gato,
por perdiz passa o francelho
por cap√£o o galo velho,

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Os Loucos

H√° v√°rios tipos de louco.

O hitleriano, que barafusta.
O sol√≠cito, que dirige o tr√Ęnsito.
O maníaco fala-só.

O idiota que se baba,
explicado pelo psiquiatra gago.
O legat√°rio de outros,
o que nos governa.

O depressivo que salva
o mundo. Aqueles que o destroem.

E h√° sempre um
(o mais intrat√°vel) que n√£o desiste
e escreve versos.

N√£o gosto destes loucos.
(Torturados pela escurid√£o, pela morte?)
Gosto desta velha senhora
que ri, manso, pela rua, de felicidade.

Os Figos Pretos

РVerdes figueiras soluçantes nos caminhos!
Vós sois odiadas desde os seculos avós:
Em vossos galhos nunca as aves fazem ninhos,
Os noivos fogem de se amar ao pé de vós!

– √ď verdes figueiras! √≥ verdes figueiras
Deixae-o fallar!
√Ā vossa sombrinha, nas tardes fagueiras,
Que bom que é amar!

– O mundo odeia-vos. Ninguem nos quer, vos ama:
Os paes transmittem pelo sangue esse odio aos moços.
No sitio onde medraes, ha quazi sempre lama
E debruçaes-vos sobre abysmos, sobre poços.

– Quando eu for defunta para os esqueletos,
Ponde uma ao meu lado:
Tristinha, chorando, dar√† figos pretos…
De luto pezado!

– Os alde√Ķes para evitar vosso perfume
Sua respira√ß√£o suspendem, ao passar…
Com vossa lenha n√£o se accende, √° noite, o lume,
Os carpinteiros n√£o vos querem aplainar.

– Oh cheiro de figos, melhor que o do incenso
Que incensa o Senhor!
Podesse eu, quem dera! deital-o no lenço
Para o meu amor…

– As outras arvores n√£o s√£o vossas amigas…
M√£os espalmadas, estendidas, supplicantes,

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No Corpo

De que vale tentar reconstruir com palavras
O que o ver√£o levou
Entre nuvens e risos
Junto com o jornal velho pelos ares

O sonho na boca, o incêndio na cama,
o apelo da noite
Agora s√£o apenas esta
contração (este clarão)
do maxilar dentro do rosto.

A poesia é o presente.

quando a ternura for a √ļnica regra da manh√£

um dia, quando a ternura for a √ļnica regra da manh√£,
acordarei entre os teus braços. a tua pele será talvez demasiado bela.
e a luz compreenderá a impossível compreensão do amor.
um dia, quando a chuva secar na memória, quando o inverno for
t√£o distante, quando o frio responder devagar com a voz arrastada
de um velho, estarei contigo e cantar√£o p√°ssaros no parapeito da
nossa janela. sim, cantar√£o p√°ssaros, haver√° flores, mas nada disso
será culpa minha, porque eu acordarei nos teus braços e não direi
nem uma palavra, nem o princípio de uma palavra, para não estragar
a perfeição da felicidade.

Lisboa perto e longe

Lisboa chora dentro de Lisboa
Lisboa tem pal√°cios sentinelas.
E fecham-se janelas quando voa
nas praças de Lisboa Рbranca e rota
a blusa de seu povo – essa gaivota.

Lisboa tem casernas catedrais
museus cadeias donos muito velhos
palavras de joelhos tribunais.
Parada sobre o cais olhando as √°guas
Lisboa é triste assim cheia de mágoas.

Lisboa tem o sol crucificado
nas armas que em Lisboa est√£o voltadas
contra as m√£os desarmadas – povo armado
de vento revoltado violas astros
Рmeu povo que ninguém verá de rastos.

Lisboa tem o Tejo tem veleiros
e dentro das pris√Ķes tem velas rios
dentro das m√£os navios prisioneiros
ai olhos marinheiros – mar aberto
– com Lisboa t√£o longe em Lisboa t√£o perto.

Lisba é uma palavra dolorosa
Lisboa s√£o seis letras proibidas
seis gaivotas feridas rosa a rosa
Lisboa a desditosa desfolhada
palavra por palavra espada a espada.

Lisboa tem um cravo em cada m√£o
tem camisas que abril desabotoa
mas em maio Lisboa é uma canção
onde h√° versos que s√£o cravos vermelhos
Lisboa que ninguem ver√° de joelhos.

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Acendem-se as Luzes

Acendem-se as luzes
nas ruas da cidade.

Ainda h√° claridade
ao alto das cruzes
da igreja da praça
e para l√° dos telhados
j√° meio esfumados
na mesma cor baça
do casario velho
que recobre a encosta
e mal entremostra
as cores de Botelho,
sobranceiro à massa
fluida e movente
das cordas de gente
por onde perpassa
um ar de alegria
que é do tempo quente
e deste andar contente
que no fim do dia
leva para casa,
a paz das varandas,
o √°lcool das locandas,
tanta vida rasa
minha semelhante.
Solid√£o povoada
que a tarde cansada
suspende um instante
ao acender das luzes.

Em cada olhar uma rosa
de propósito formosa
para que a uses.