Textos sobre Estado de Arthur Schnitzler

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Textos de estado de Arthur Schnitzler. Leia este e outros textos de Arthur Schnitzler em Poetris.

O Desejo de Discutir

Se as discussĂ”es polĂ­ticas se tornam facilmente inĂșteis, Ă© porque quando se fala de um paĂ­s se pensa tanto no seu governo como na sua população, tanto no Estado como na noção de Estado enquanto tal. Pois o Estado como noção Ă© uma coisa diferente da população que o compĂ”e, igualmente diferente do governo que o dirige. É qualquer coisa a meio caminho entre o fĂ­sico e o metafĂ­sico, entre a realidade e a ideia.
È a esse género de estirilidade que estão geralmente condenadas, tal como acontece com as discussÔes políticas, as que incidem sobre a religião, pois a religião pode ser sinónima de dogmas, ou de ritual, ou referir-se a posiçÔes pessoais do indivíduo sobre questÔes ditas eternas, o infinito e a eternidade, problemas do livre arbítrio e da responsabilidade ou, como se diz também: Deus.
E o mesmo acontece com as discussĂ”es que tĂȘm a ver com a maior parte dos assuntos abstractos, sobretudo a Ă©tica e os temas filosĂłficos, mas tambĂ©m com campos de anĂĄlise mais restritos, incidindo sobre os problemas mais imediatos, como por exemplo o socialismo, o capitalismo, a aristocracia, a democracia, etc…, em que as noçÔes sĂŁo tomadas tanto no sentido amplo como no restrito,

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Liberdade IlusĂłria

A forma Ă© sempre ausĂȘncia de liberdade, mesmo quando Ă© desejada. Por isso, em nenhuma forma de Estado, mesmo na aparentemente mais livre, a noção filosĂłfica ou mesmo polĂ­tica de liberdade pode ser transposta para a realidade. Em si, pois, a repĂșblica Ă© tĂŁo pouco sinĂłnima de liberdade como a monarquia – mesmo absoluta – Ă© sinĂłnimo de falta de liberdade. A diferença entre as formas de Estado reside sempre no ritual, e o ritual Ă© sempre determinado, em Ășltima anĂĄlise, pela personalidade daquele que estĂĄ no cimo (quer seja imperador ou presidente).

O Ódio liga mais os Indivíduos que a Amizade

O Ăłdio, a inveja e o desejo de vingança ligam muitas vezes mais dois indivĂ­duos um ao outro do que o podem fazer o amor e a amizade. Pois estĂĄ em causa a comunidade de interesses interiores ou exteriores e a alegria que se sente nessa comunidade – onde Ă© muitas vezes determinada a essĂȘncia das relaçÔes positivas entre os indivĂ­duos: o amor e a amizade – Ă© sempre relativa e nĂŁo Ă© em nenhum caso um estado de alma permanente; mas as relaçÔes negativas, essas sĂŁo, a maior parte das vezes, absolutas e constantes. O Ăłdio, a inveja e o desejo de vingança tĂȘm, poder-se-ia dizer, o sono mais ligeiro do que o amor. O menor sopro os desperta, enquanto que o amor e a amizade continuam tranquilamente a dormir, mesmo sob o trovĂŁo e os relĂąmpagos.