Textos sobre Verdade de Arthur Schnitzler

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Textos de verdade de Arthur Schnitzler. Leia este e outros textos de Arthur Schnitzler em Poetris.

O Desejo de Discutir

Se as discuss√Ķes pol√≠ticas se tornam facilmente in√ļteis, √© porque quando se fala de um pa√≠s se pensa tanto no seu governo como na sua popula√ß√£o, tanto no Estado como na no√ß√£o de Estado enquanto tal. Pois o Estado como no√ß√£o √© uma coisa diferente da popula√ß√£o que o comp√Ķe, igualmente diferente do governo que o dirige. √Č qualquer coisa a meio caminho entre o f√≠sico e o metaf√≠sico, entre a realidade e a ideia.
√ą a esse g√©nero de estirilidade que est√£o geralmente condenadas, tal como acontece com as discuss√Ķes pol√≠ticas, as que incidem sobre a religi√£o, pois a religi√£o pode ser sin√≥nima de dogmas, ou de ritual, ou referir-se a posi√ß√Ķes pessoais do indiv√≠duo sobre quest√Ķes ditas eternas, o infinito e a eternidade, problemas do livre arb√≠trio e da responsabilidade ou, como se diz tamb√©m: Deus.
E o mesmo acontece com as discuss√Ķes que t√™m a ver com a maior parte dos assuntos abstractos, sobretudo a √©tica e os temas filos√≥ficos, mas tamb√©m com campos de an√°lise mais restritos, incidindo sobre os problemas mais imediatos, como por exemplo o socialismo, o capitalismo, a aristocracia, a democracia, etc…, em que as no√ß√Ķes s√£o tomadas tanto no sentido amplo como no restrito,

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Apenas Conhecemos Fragmentos dos Outros

Quando te encontras na base de um importante maci√ßo montanhoso, est√°s longe de conhecer toda a sua diversidade, n√£o tens nenhuma ideia das alturas que se ergueram por tr√°s do seu cimo ou por tr√°s daquele que te parece ser o cimo, n√£o suspeitas nem o perigo dos abismos nem os confort√°veis assentos ocultos entre os rochedos. √Č apenas se sobes e se persegues o teu caminho que se revelam pouco a pouco a teus olhos os segredos da montanha, alguns que esperavas, outros que te surpreendem, uns essenciais, outros insignificantes, tudo isso sempre e unicamente em fun√ß√£o da direc√ß√£o que tomares; e nunca te revelar√£o todas.
O mesmo acontece quando te encontras diante de uma alma humana.
Aquilo que se te oferece ao primeiro olhar, por mais perto que estejas, est√° longe de ser a verdade e certamente nunca √© toda a verdade. √Č apenas no decurso do caminho, quando os teus olhos se tornam mais penetrantes e nenhuma bruma perturba o teu olhar, que a natureza √≠ntima dessa alma se revela a pouco a pouco e sempre por fragmentos. Aqui √© a mesma coisa: √† medida que te afastas da zona explorada, toda a diversidade que encontraste no caminho se esbate como um sonho,

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A Verdade por si Mesma n√£o Tem nenhum Valor

H√° uma coisa mais dolorosa do que nunca poder ouvir a verdade – √© nunca poder exprimi-la, mesmo com a melhor vontade do mundo. Porque o que quer que digamos, o outro n√£o escuta nunca a verdade que lhe queremos transmitir. Aquilo que sai dos nossos l√°bios e o que se passa na alma do outro, s√£o sempre duas coisas diferentes. No instante seguinte deixa de ser semelhante – isso depende de tantas coisas que nada tinham a ver com a tua verdade e a tua vontade de verdade – isso depende do que o outro queria ouvir, da situa√ß√£o em rela√ß√£o a ti, etc…
E a verdade por si mesma não tem nenhum valor, é como uma moeda num país onde não é corrente.