Passagens sobre Limites

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Frases sobre limites, poemas sobre limites e outras passagens sobre limites para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A Vida Real de um Pensamento

A vida real de um pensamento dura apenas at√© ele chegar ao limite das palavras: nesse ponto, ele lapidifica-se, morre, portanto, mas continua indestrut√≠vel, tal como os animais e as plantas f√≥sseis dos tempos pr√©-hist√≥ricos. Essa realidade moment√Ęnea da sua vida tamb√©m pode ser comparada ao cristal, no instante da cristaliza√ß√£o.
Pois, assim que o nosso pensamento encontra as palavras, ele j√° n√£o √© interno, nem est√° realmente no √Ęmago da sua ess√™ncia. Quando come√ßa a existir para os outros, ele deixa de viver em n√≥s, como o filho que se desliga da m√£e ao iniciar a pr√≥pria exist√™ncia. Mas diz tamb√©m o poeta:

N√£o me confundais com contradi√ß√Ķes!

Tão logo se fala, já se começa a errar.

√Č extremamente perigoso falarmos sobre limites ou fronteiras. √Č vital, em vez disso, que permane√ßamos completamente abertos, que estejamos sempre envolvidos, e que visemos contribuir pessoalmente em eventos sociais.

A ambi√ß√£o da ci√™ncia n√£o √© abrir a porta do saber infinito, mas p√īr um limite ao erro infinito.

Limiar da Maldade

S√£o conhecidos da f√≠sica fen√≥menos que ocorrem apenas a magnitudes limiares, que de modo algum existem at√© determinado limiar codificado e conhecido da natureza ter sido ultrapassado… √Č evidente que a malvadez tamb√©m tem o seu limiar. Sim, um ser humano hesita e oscila entre o bem e o mal toda a sua vida… Mas enquanto o limiar de maldade n√£o for ultrapassado, a possibilidade de retorno mant√©m-se e o indiv√≠duo mant√©m-se dentro dos limites da nossa esperan√ßa.

O amor faz o ser humano ser capaz de superar os seus limites. […]N√≥s somos r√°pidos para exigir e lentos para compreender

Pudesse Eu Contar as Vezes

Pudesse eu contar as vezes que ferrei os cantos da boca imaginando que eram teus os dentes que assim me amavam; que eram os teus l√°bios aqueles que, nessas ocasi√Ķes, eu mordia. Lembras-te de uma frase que costumavas citar, por t√™-la escutado em qualquer parte, ou lido, j√° n√£o sei bem? Aquela que dizia
– A minha anatomia enlouqueceu; sou toda corar√£o.
Pois √© como me tenho sentido, mais ou menos assim, com a anatomia enlouquecida, sem saber j√° quais s√£o os meus dentes ou qual a minha boca; como se cada peda√ßo meu n√£o fosse mais do que saudade de ti: o desejo de te voltar a ver, de te cobrir outra vez de beijos – olhos, boca, rosto, o corpo todo de beijos -, de te abra√ßar e sentir o teu cheiro, de tomar nas m√£os o ramo crespo dos teus cabelos e inalar a fragr√Ęncia do teu pesco√ßo. Possuo agora, em mim apenas, nos limites da minha topografia, toda a exalta√ß√£o dos nossos corpos e sinto que n√£o chego para tanto porque a soma de n√≥s dois excedeu sempre a exist√™ncia f√≠sica dos nossos corpos. √Č como se rebentasse por dentro e tivesse de esticar a alma –

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Os Limites da Amizade

Determinemos, agora, quais s√£o os limites e, por assim dizer, os termos da amizade. Encontro aqui tr√™s opini√Ķes diferentes, das quais n√£o aprovo nenhuma: a primeira deseja que sejamos para os nossos amigos, assim como somos para n√≥s mesmos; a segunda, que a nossa afei√ß√£o por eles seja tal e qual √† que eles t√™m por n√≥s; a terceira, que estimemos os nossos amigos, assim como eles se estimam a si mesmos. N√£o posso concordar com nenhuma destas tr√™s m√°ximas. Porque a primeira, que cada um tenha para com o seu amigo a mesma afei√ß√£o e vontade que tem para si, √© falsa. De facto, quantas coisas fazemos pelos nossos amigos, que jamais far√≠amos para n√≥s! Rogar, suplicar a um homem que se despreza, tratar a outro com aspereza, persegui-lo com viol√™ncia; coisas que em causa pr√≥pria n√£o seriam muito decentes, nos neg√≥cios dos amigos tornam-se muito honrosas. Quantas vezes um homem de bem abandona a defesa dos seus interesses e os sacrifica, em seu pr√≥prio detrimento, para servir os de seu amigo!
A segunda opini√£o √© a que define a amizade por uma correspond√™ncia igual em amor e bons servi√ßos. √Č fazer da amizade uma ideia bem limitada e mesquinha,

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A Justa Medida do Esforço do Prazer

Os s√°bios bem ensinam a nos precavermos contra a trai√ß√£o dos nossos apetities e a discernir entre os prazeres verdadeiros e integrais e os prazeres d√≠spares e mesclados com mais trabalhos. Pois a maioria dos prazeres, dizem eles, excitam e abra√ßam para nos estrangular (…). E, se a dor de cabe√ßa nos viesse antes da embriaguez, evitar√≠amos beber demais. Mas a vol√ļpia, para nos enganar, caminha √† frente e oculta-nos o seu s√©quito. Os livros s√£o apraz√≠veis; mas, se por frequent√°-los perdemos afinal a alegria e a sa√ļde, que s√£o as nossas melhores partes, abandonemo-los. Sou dos que julgam que o seu fruto n√£o pode contrabalan√ßar essa perda. Como os homens que h√° longo tempo se sentem enfraquecidos por alguma indisposi√ß√£o se entregam por fim √† merc√™ da medicina e deixam que lhes estabele√ßa artificialmente certas regras de viver para n√£o mais ultrapass√°-las, assim tamb√©m aquele que se isola, entediado e desgostoso da vida em comum, deve conformar esta √†s regras da raz√£o, deve organiz√°-la e orden√°-la com premedita√ß√£o e reflex√£o.
Deve dizer adeus a toda a esp√©cie de esfor√ßo, sob qualquer apar√™ncia que se apresente; e fugir em geral das paix√Ķes que impedem a tranquilidade do corpo e da alma,

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Não há limites para a credulidade humana e está ainda por nascer o homem prudente que saiba venerar na desconfiança a suprema sabedoria.

O Êxito e a Felicidade

A raiz do mal reside no facto de se insistir demasiadamente que no êxito da competição está a principal fonte da felicidade. Não nego que o sentimento do triunfo torna a vida mais agradável. Um pintor, por exemplo, que viveu obscuramente na juventude, decerto se sentirá feliz se o seu talento acabar por ser reconhecido. Não nego também que o dinheiro, até um certo limite, é capaz de aumentar a felicidade; para lá desse limite, julgo que não. O que eu afirmo é que o êxito só pode ser um dos vários elementos da felicidade e que é demasiado o preço pelo qual se obtém se a ele se sacrificam todos os outros.

A Minha Família é a Minha Casa

A solid√£o absoluta √© n√£o ter ningu√©m a quem dizer um simples: ‚Äútenho vontade de chorar‚ÄĚ. N√£o precisamos de muito para viver bem ‚Äď para ser feliz basta uma fam√≠lia e pouco mais.

A fam√≠lia √© a casa e a paz. O ref√ļgio onde uma vontade de chorar n√£o √© motivo de julgamento, apenas e s√≥ uma necessidade s√ļbita de… fam√≠lia. De um equil√≠brio para o qual o outro √© essencial… assim tamb√©m se passa com a vontade de sorrir que, em fam√≠lia, se contagia apenas pelo olhar.

Nos dias de hoje vai sendo cada vez mais dif√≠cil encontrar gente capaz de ser fam√≠lia. Os ego√≠smos abundam e cultiva-se, sozinho, o individual. Como se n√£o houvesse espa√ßo para o amor. Dizem que amar √© arriscado, que √© coisa de loucos…
Todos temos sentimentos mais profundos. Cada um de n√≥s √© uma unidade, mas o que somos passa por sermos mais do que um. Parte de unidades maiores. Estamos com quem amamos e quem amamos tamb√©m est√°, de alguma forma, connosco. O amor √© o que existe entre n√≥s e nos enla√ßa os sentimentos mais profundos. Onde uma vontade de chorar √© um sinal de que h√° algo em mim que √© maior do que eu…

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Nenhum Prazer é um Mal em Si

Nenhum prazer √© um mal em si, mas certas coisas capazes de engendrar prazeres trazem consigo maior n√ļmero de males que de prazeres. Se as coisas que proporcionam prazeres √†s pessoas dissolutas pudessem livrar-lhe o esp√≠rito das ang√ļstias que experimentam diante dos fen√≥menos celestes, da morte e dos sofrimentos, e se, por outro lado, lhes ensinassem o limite dos desejos, nada teriamos de censurar nelas, pois que as cumulariam de prazeres, sem mistura alguma de dor ou pesar, os quais constituem precisamente o mal.

Um Cidad√£o Livre

Ele é um cidadão livre e seguro da Terra, pois está atado a uma corrente suficientemente longa para lhe dar livre acesso a todos os espaços terrenos e, no entanto, longa apenas para que nada seja capaz de arrancá-lo dos limites da Terra. Mas é, ao mesmo tempo, um cidadão livre e seguro do céu, uma vez que está igualmente atado a uma corrente celeste calculada de maneira semelhante. Assim, se quer descer à Terra, a coleira do céu enforca-o; se quer subir ao céu, enforca-o a coleira da Terra. A despeito de tudo, tem todas as possibilidades e sente-as, recusando-se mesmo a atribuir o que acontece a um erro cometido no primeiro acto de acorrentar.

Soneto Para Eugênia

O tempo que te alonga todo dia
é duração que colhes na paisagem,
t√£o distante e t√£o perto em ventania,
sitiando limites na viagem.

Desse mar que se afasta em maresia
o vago em teu olhar se faz aragem
nas vagas que se v√£o em vaga via
vigia de teus pés no vão das margens.

E o fio da teia vai fugindo fosco,
irreparável névoa pressentida
nos livros que n√£o leste, nesses poucos

momentos que sobravam da medida.
Ang√ļstia de ponteiros, sol deposto,
no tédio das desoras foge a vida.

Vida que bem mereces por inteiro,
e é pouca a que te dou de companheiro.

Nada é Verdadeiramente Satisfatório

Nada √© verdadeiramente satisfat√≥rio. Mesmo a arte a que um artista √© vocacionado, e sobre a qual e para a qual vive, est√° sempre aqu√©m do seu desejo. Nunca atinge aquele n√≠vel, aquele andar que desejaria. Est√° sempre a tentar, a aproximar-se do limite das possibilidades. No fundo, do absoluto. Um absoluto que se n√£o atinge, [que se] ignora mesmo. A √ļnica coisa que sabemos ao certo √©: ningu√©m nasce sen√£o para morrer. Morrer mais cedo ou morrer mais tarde. Tem esse privil√©gio: acabar com a vida antes do fim natural dela. Se estiver desesperado, acontece. Justamente quando perde a esperan√ßa. Quando perde a esperan√ßa, perdeu tudo, e ent√£o liquida-se.

[Pensou alguma vez? Houve algum momento na sua vida t√£o desesperan√ßado? Teve tantos reveses…]

Não. Suponho que ninguém deixa de pensar na morte. E quando se chega à minha idade, está-se mais consciente de que se aproxima o fim. Portanto, ele tem que se preparar para esse final. Há muita gente que conheci que se suicidou por isto ou por aquilo. E há o problema da eutanásia, quando o sofrimento é muito grande, a experiência é nula e as pessoas não podem sequer matar-se, têm que pedir que alguém as mate.

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