Cita√ß√Ķes sobre Carecas

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Frases sobre carecas, poemas sobre carecas e outras cita√ß√Ķes sobre carecas para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Ao Sol Do Meio-Dia Eu Vi Dormindo

Ao sol do meio-dia eu vi dormindo
Na calçada da rua um marinheiro,
Roncava a todo o pano o tal brejeiro
Do vinho nos vapores se expandindo!

Além um espanhol eu vi sorrindo,
Saboreando um cigarro feiticeiro,
Enchia de fuma√ßa o quarto inteiro…
Parecia de gosto se esvaindo!

Mais longe estava um pobret√£o careca
De uma esquina lodosa no retiro
Enlevado tocando uma rabeca!…

Venturosa indolência! não deliro
Se morro de pregui√ßa… o mais √© seca!
Desta vida o que mais vale um suspiro?

Aquilo em que se Tem Mais Vaidade é o Corpo

Aquilo em que se tem mais vaidade √© o corpo. Mesmo que aleijado, h√° sempre um pormenor que nos envaidece. Comp√ī-lo. Arranj√°-lo. O careca puxa o cabelo desde o cacha√ßo ou do olho do c√ļ para tapar a degrada√ß√£o. O marreco faz peito. O espelho √© para todos o grande dialogante. Passa-se a uma vitrina e olha-se de soslaio a ver como se vai. Uma mulher perfeita (e um homem) n√£o inveja o intelectual, o artista. O inverso √© que √©. Muitas mulheres (e homens) cultivam a excepcionalidade do seu esp√≠rito ou engenho por complexo ou vingan√ßa. Quando se n√£o tem j√° vaidade no corpo, est√°-se no fim. Mas mesmo num leito de morte nos queremos ¬ęcompostos¬Ľ. ¬ęN√£o me descomponhas¬Ľ ‚ÄĒ disse a marquesa de T√°vora ao carrasco, uns momentos antes de ser decapitada. Tomam-se provid√™ncias para como se h√°-de ir no caix√£o. A degrada√ß√£o do corpo √© a √ļltima coisa que se aceita. Hoje lavei o carro e vesti um cal√ß√£o para me n√£o molhar. Dei uma vista de olhos ao espelho. Grumos, tumefac√ß√Ķes pelas pernas. N√£o gostei. N√£o muito tempo. Lembrou-me um certo professor. Tinha a bossa da orat√≥ria. E ent√£o contava: escrevia um discurso e lia. Parecia-lhe p√©ssimo.

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A ocasião tem todos os cabelos na parte da frente; se a deixamos passar, não temos forma de a puxar de volta; ela é careca na parte de trás da cabeça, e nunca mais retorna.

O Desejo de Ser Diferente

O desejo de se ser diferente daquilo que se √©, √© a maior trag√©dia com que o destino pode castigar o homem. O desejo de ser outro, diferente daquilo que somos: n√£o pode arder um desejo mais doloroso no cora√ß√£o humano. Porque n√£o √© poss√≠vel suportar a vida de outra maneira, apenas sabendo que nos conformamos com aquilo que significamos para n√≥s pr√≥prios e para o mundo. Temos de nos conformar com aquilo que somos e de ter consci√™ncia, quando nos conformamos, de que em troca dessa sabedoria, n√£o recebemos elogios da vida, n√£o nos p√Ķem no peito nenhuma condecora√ß√£o por sabermos e aceitarmos que somos vaidosos ou ego√≠stas, carecas e barrigudos – n√£o, temos de saber que por nada disso recebemos recompensas, nem louvores. Temos de suportar, o segredo √© isso. Temos de suportar o nosso car√°cter, o nosso temperamento, j√° que os seus defeitos, ego√≠smos e avidez, n√£o os mudam nem a experi√™ncia, nem a compreens√£o. Temos de suportar que os nossos desejos n√£o tenham plena repercuss√£o no mundo. Temos de suportar que as pessoas que amamos, n√£o nos amem, ou que n√£o nos amem como gostar√≠amos. Temos de suportar a trai√ß√£o e a infidelidade, e o que √© mais dif√≠cil entre todas as tarefas humanas,

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