Cita√ß√Ķes sobre Ceias

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Frases sobre ceias, poemas sobre ceias e outras cita√ß√Ķes sobre ceias para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Protesto

Não é no teu corpo que se imola
para a ceia dos meus sentidos
a v√≠tima n√ļbil, a √°urea mola
que cinge o amor recente aos idos.

Mas é também no teu corpo que corre
o sangue que o meu sangue socorre.

Não é no teu corpo que se ergue
a guerra fria dos meus nervos.

nem nasceram tuas transparências
para a cegueira dos meus dedos.

Mas é também no teu corpo insano
que perscruto meu desconforto humano.

Não é no teu corpo, nos teus olhos
de fauno, que colho as minhas ditas,
nem o jasmim de tua boca flore
para a vis√£o que me solicita.

Mas √© tamb√©m no teu corpo √ļnico
que o amor √† forma do Amor re√ļno.

Não é no teu corpo que concentro
minha sede (esta sede ferina
que morre de seu farto alimento
e vive de quanto se elimina)

Mas é também teu corpo a medida
destas √°guas sobre a minha ferida.

Não é no teu corpo, mas é tanto
no teu corpo meu √ļltimo ref√ļgio,

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Eu e ela

Cobertos de folhagem, na verdura,
O teu braço ao redor do meu pescoço,
O teu fato sem ter um só destroço,
O meu braço apertando-te a cintura;

Num mimoso jardim, ó pomba mansa,
Sobre um banco de m√°rmore assentados.
Na sombra dos arbustos, que abraçados,
Beijarão meigamente a tua trança.

Nós havemos de estar ambos unidos,
Sem gozos sensuais, sem m√°s ideias,
Esquecendo para sempre as nossas ceias,
E a loucura dos vinhos atrevidos.

Nós teremos então sobre os joelhos
Um livro que nos diga muitas cousas
Dos mistérios que estão para além das lousas,
Onde havemos de entrar antes de velhos.

Outras vezes buscando distracção,
Leremos bons romances galhofeiros,
Gozaremos assim dias inteiros,
Formando unicamente um coração.

Beatos ou pagãos, vida à paxá,
Nós leremos, aceita este meu voto,
O Flos-Sanctorum místico e devoto
E o laxo Cavalheiro de Flaublas…

Contrariedades

Eu hoje estou cruel, frenético, exigente;
Nem posso tolerar os livros mais bizarros.
Incrível! Já fumei três maços de cigarros
Consecutivamente.

Dói-me a cabeça. Abafo uns desesperos mudos:
Tanta depravação nos usos, nos costumes!
Amo, insensatamente, os √°cidos, os gumes
E os √Ęngulos agudos.

Sentei-me à secretária. Ali defronte mora
Uma infeliz, sem peito, os dois pulm√Ķes doentes;
Sofre de faltas de ar, morreram-lhe os parentes
E engoma para fora.

Pobre esqueleto branco entre as nevadas roupas!
Tão lívida! O doutor deixou-a. Mortifica.
Lidando sempre! E deve a conta na botica!
Mal ganha para sopas…

O obst√°culo estimula, torna-nos perversos;
Agora sinto-me eu cheio de raivas frias,
Por causa dum jornal me rejeitar, h√° dias,
Um folhetim de versos.

Que mau humor! Rasguei uma epopéia morta
No fundo da gaveta. O que produz o estudo?
Mais duma redação, das que elogiam tudo,
Me tem fechado a porta.

A crítica segundo o método de Taine
Ignoram-na. Juntei numa fogueira imensa
Muitíssimos papéis inéditos. A imprensa
Vale um desdém solene.

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Autobiografia

De cer√ļleo gab√£o n√£o bem coberto,
passeia em Santarém chuchado moço,
mantido, às vezes, de sucinto almoço,
de ceia casual, jantar incerto;

dos esbrugados peitos quase aberto,
versos impinge por mi√ļde e grosso;
e do que em frase vil chamam caroço,
se o que, é vox clamantis in deserto;

pede às moças ternura, e dão-lhe motes;
que, tendo um coração como estalage,
v√£o nele acomodando a mil peixotes.

Sabes, leitor, quem sofre tanto ultraje,
cercado de um tropel de franchinotes?
‚Äď √Č o autor do soneto: ‚Äď √© o Bocage.

A disc√≥rdia almo√ßa com a abund√Ęncia, janta com a pobreza, ceia com a mis√©ria, e dorme com a morte.

O Nosso C√≥digo √Čtico e Moral Desculpabiliza-nos Perante a Recusa de Aliviarmos o Sofrimento Alheio

Eu não desviava os olhos de minha mãe, sabia que, quando estivessem à mesa, não me seria permitido ficar até ao fim da refeição, e que, para não contrariar meu pai, a mamã não me deixaria beijá-la várias vezes diante dos outros, como se fosse no meu quarto.
(…) antes de tocarem a sineta para o jantar, meu av√ī teve a ferocidade inconsciente de dizer: ¬ęO pequeno parece cansado; deveria ir deitar-se. E depois, jantamos tarde hoje.¬Ľ E meu pai,(…) disse: ¬ęSim. Anda, vai deitar-te.¬Ľ Eu quis beijar a mam√£; nesse instante ouviu-se a sineta do jantar. ¬ęN√£o, n√£o, deixa a tua m√£e em paz, voc√™s j√° se despediram bastante, essas demonstra√ß√Ķes s√£o rid√≠culas. Anda, sobe!¬Ľ E eu tive de partir sem vi√°tico; tive de subir cada degrau ¬ęcontra o cora√ß√£o¬Ľ, subindo contra o meu cora√ß√£o, que desejava voltar para junto de minha m√£e porque ela n√£o lhe havia dado, com um beijo, licen√ßa de me acompanhar.
(…) J√° no meu quarto, tive de (…) cerrar os postigos, cavar o meu pr√≥prio t√ļmulo enquanto virava as cobertas, vestir o sud√°rio da minha camisa de dormir. Mas antes de sepultar-me no leito de ferro (…), veio-me um impulso de revolta e resolvi tentar um ardil de condenado.

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O Cinismo dos Valores

Cada vez mais desesperado. Olho, olho, e s√≥ vejo negrura √† minha volta. F√©? Evidentemente… Enquanto h√° vida, h√° esperan√ßa ‚ÄĒ l√° diz o outro. Mas, francamente: f√© em qu√™? Num mundo que almo√ßa valores, janta valores, ceia valores, e os degrada cinicamente, sem qualquer estremecimento da consci√™ncia? Pe√ßam-me tudo, menos que tape os olhos. Bem basta quando a terra mos cobrir! ‚ÄĒ Ah! mas a humanidade acaba por encontrar o seu verdadeiro caminho ‚ÄĒ dizem-me duas c√©lulas ing√©nuas do entendimento. E eu respondo-lhes assim : N√£o, o homem n√£o tem caminhos ideais e caminhos de ocasi√£o. O homem tem os caminhos que anda. Ora este senhor, aqui h√° tempos, passou tr√™s s√©culos a correr atr√°s dum mito que se resumia em queimar, expulsar e perseguir uns outros homens, cujo pecado era este: saber filosofia, medicina, f√≠sica, astronomia, religi√£o, com√©rcio ‚ÄĒ coisas que j√° nessa √©poca eram dignas e respeit√°veis.

Ninguém Pensa Senão em Mulheres e Homens

Ningu√©m pensa sen√£o em mulheres e homens, a totalidade do dia √© um tr√Ęmite que se det√©m num dado momento para permitir pensar neles, o prop√≥sito da cessa√ß√£o do rabalho ou do estudo n√£o √© sen√£o come√ßar a pensar neles, mesmo quando estamos com eles pensamos neles, pelo menos eu. Os par√™nteses n√£o s√£o eles, mas as aulas e as investiga√ß√Ķes, as leituras e os escritos, as confer√™ncias e as cerim√≥nias, as ceias e as reuni√Ķes, as finan√ßas e as politiquices, a globalidade daquilo que consideramos ser aqui a actividade. A actividade produtiva, a que proporciona dinheiro e seguran√ßa e apre√ßo e nos permite viver, a que faz com que uma cidade ou um pa√≠s andem e estejam organizados. A que depois nos permite dedicarmo-nos a pensar neles com toda a intensidade.
At√© neste pa√≠s √© assim, contrariamente √†s nossas pretens√Ķes e fama, contrariamente √†quilo que n√≥s pr√≥prios gostamos de crer. O par√™ntese √© isso, e n√£o o contr√°rio. Tudo o que se faz, tudo o que se pensa, tudo o resto que se pensa e maquina √© um meio de pensar neles. Mesmo as guerras s√£o travadas para poder voltar a pensar, para renovar esse pensamento fixo dos nossos homens e das nossas mulheres,

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Desporto e Pedagogia

I

Diz ele que n√£o sei ler
Isso que tem? C√° na aldeia
N√£o se arranjam d√ļzia e meia
Que saibam ler e escrever.

II

P’ra escolas n√£o h√° bairrismo,
N√£o h√° amor nem dinheiro.
Por quê? Porque estão primeiro
O Futebol e o Ciclismo!

III

Desporto e pedagogia
Se os juntassem, como irm√£os,
Esse conjunto daria,
Verdadeiros cidad√£os!
Assim, sem darem as m√£os,
O que um faz, outro atrofia.

IV

Da educação desportiva,
Que nos prepara p’ra vida,
Fizeram luta renhida
Sem nada de educativa.

V

E o povo, espectador em altos gritos,
Provoca, gesticula, a direito e torto,
Crendo assim defender seus favoritos
Sem lhe importar saber o que é desporto.

VI

Interessa é ganhar de qualquer maneira.
Enquanto em campo o dever se atropela,
Faz-se outro jogo l√° na bilheiteira,
Que enche os bolsinhos aos que vivem dela.

VII

Convém manter o Zé bem distraído
Enquanto ele se entrega à diversão,

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