Citações sobre Emotividade

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A Dificuldade de Estabelecer e Firmar Relações

A dificuldade de estabelecer e firmar relações. Há uma tĂ©cnica para isso, conheço-a. Nunca pude meter-me nela. Ser «simpático». É realmente fácil: prestabilidade, autodomĂ­nio. Mas. Ser sociável exige um esforço enorme — fĂ­sico. Quem se habituou, já se nĂŁo cansa. Tudo se passa Ă  superfĂ­cie do esforço. Ter «personalidade»: nĂŁo descer um milĂ­metro no trato, mesmo quando por delicadeza se finge. Assumirmos a importância de nĂłs sem o mostrar. Darmo-nos valor sem o exibir. Irresistivelmente, agacho-me. E logo: a pata dos outros em cima. Bem feito. Pois se me pus a jeito. E entĂŁo reponto. O fim. Ser prestável, colaborar nas tarefas que os outros nos inventam. ColĂłquios, conferĂŞncias, organizações de. Ah, ser-se um «inĂştil» (um «parasita»…). Razões profundas — um complexo duplo que vem da juventude: incompreensĂŁo do irmĂŁo corpo e da bolsa paterna. O segundo remediou-se. Tenho desprezo pelo dinheiro. Ligo tĂŁo pouco ao dinheiro que nem o gasto… Mas «gastar» faz parte da «personalidade». SaĂşde — mais difĂ­cil. Este ar apeurĂ© que vem logo ao de cima. A Ăşnica defesa, obviamente, Ă© o resguardo, o isolamento, a medida.
É fácil ser «simpático», difícil é perseverar, assumir o artifício da facilidade. Conservar os amigos. «Não és capaz de dar nada»,

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A Intensidade de um Sentimento

Creio que a intensidade de um sentimento tem que ver com o número de elementos a que se aplica. Penso assim que ele varia na razão inversa do número desses elementos. Quanto maior for o número de filhos, menor é a alegria ou o desgosto que cada um provoca ao pai. O máximo de sentir diz respeito a todos e divide-se portanto por cada um. Se um indivíduo é o chefe de um povo, transfere para a colectividade a sua capacidade de sentir. Assim ele é praticamente insensível perante a sorte de cada um. A famosa insensibilidade de um chefe tem que ver com isso. O mesmo para o autodomínio que se refere a um indivíduo particular. Julgo que na realidade se trata de uma distribuição do seu sentir por vários elementos dos quais por exemplo os filhos (ou ele próprio) são apenas uma fracção. O resto dessa fracção pode ir para os seus negócios, o seu partido político, os seus amigos ou amantes, o seu clube. E então o admitável autodomínio tem apenas que ver com uma parcela do sentir. E com essa parcela já se pode ser forte e aguentar. Isto, se se não trata apenas, como julgo já ter dito,

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A Verdade Ă© um Modo de Estarmos a Bem Connosco

Cada Ă©poca, como cada idade da vida, tem o seu secreto e indizĂ­vel e injustificável sentido de equilĂ­brio. Por ele sabemos o que está certo e errado, sensato e ridĂ­culo. E isto nĂŁo Ă© sĂł visĂ­vel no que Ă© produto da emotividade. É visĂ­vel mesmo na manifestação mais neutral como uma notĂ­cia ou um anĂşncio de jornal. Donde nasce esse equilĂ­brio? Que Ă© que o constitui? O destrĂłi? Porque Ă© que se nĂŁo rebentava a rir com os anĂşncios de há cento e tal anos?   (Rebentámos nĂłs, aqui há uns meses, em casa dos Paixões, ao ler um jornal de 186…). Mas a razĂŁo deve ser a mesma por que se nĂŁo rebentou a rir com a moda que há anos usámos, os livros ridĂ­culos que nos entusiasmaram, as anedotas com que rimos e de que devĂ­amos apenas rir. O homem Ă©, no corpo como no espĂ­rito, um equilĂ­brio de tensões. SĂł que as do espĂ­rito, mais do que as do corpo, se reorganizam com mais frequĂŞncia. Equilibrado o espĂ­rito, mete-se-lhe uma ideia nova. Se nĂŁo Ă© expulsa, há nela a verdade. Porque a verdade Ă© isso: a inclusĂŁo de seja o que for no nosso mecanismo sem que lhe rebente as estruturas.

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