Poemas sobre Belos de Eduarda Chiote

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Poemas de belos de Eduarda Chiote. Leia este e outros poemas de Eduarda Chiote em Poetris.

Delicadeza

Essa delicadeza, cada vez mais difĂ­cil, pela qual se perde
a vida, como a entendo,
pratico.
Essa subtileza de pesadelo branco, como a sinto
extrema sempre,
Ă s vezes.
IngĂ©nua – um animal discreto; sem dono
e sem direitos.
Por ela arrisco um aceitar alguém
que nunca foi
criança.
Um ler que me não prende mais a atenção, um ser gentil
para com uma pessoa ingrata
– um cultivar uma paixĂŁo isenta
“dos cardos do contacto”.
Um nĂŁo precisar esclarecer seja o que for,
pois tudo na vida Ă© afinal
bem mais sério
do que parece.
É por essa gentileza
que se um grito me chega ao ouvido
prefiro escutar nele o cheiro de um corpo que se perdeu
do meu
e ainda assim dizer
Deus seja louvado,
oxalĂĄ ele consiga agora ficar
silencioso qual rasto de leitura sem palavra.
Sim, Ă© por essa gentileza, mulher poeta ou homem sensĂ­vel
– nĂŁo me distingo nem de um nem do outro -,
que muito embora as minhas esperanças
se tenham desfeito hĂĄ muito
me permito,

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Uma Beleza DificĂ­lima

O silĂȘncio
abre
o coração das sombras.
Por tal sossego, as ĂĄrvores
caminham. Mas sĂŁo as mulheres quem lhes assegura
a elegĂąncia do porte.

A harmonia vem do peso da luz
sob a cabeça. Das mãos em arco: os ramos seguram.
Altas sĂŁo as folhas. Simples.
Lisa a copa.

NĂŁo hĂĄ rumor na terra.
As feras nĂŁo nasceram ainda. Apenas os peixes.
Fora de ĂĄgua
respiram.

Sim.
O mundo pode ser belo,
apesar de sĂł.

Basta-lhe o fulgor no mais escalvado da noite
e meninos esbeltos e
gelados no sol.
E uma beleza dificĂ­lima. E um cauteloso
azul nas garças abatidas pelo céu.
E um primeiro espanto,
uma primeira alegria nas fendas
em direcção
ao pĂł.