Cita√ß√Ķes sobre Poetas

565 resultados
Frases sobre poetas, poemas sobre poetas e outras cita√ß√Ķes sobre poetas para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Os Poetas Tornam a Vida mais Leve

Os poetas, na medida em que tamb√©m querem tornar mais leve a vida das pessoas, ou desviam o olhar do trabalhoso presente ou ajudam o presente a adquirir novas cores, gra√ßas a uma luz vinda do passado que fazem irradiar sobre ele. Para poderem faz√™-lo, t√™m eles pr√≥prios de ser, em muitos aspectos, seres voltados para tr√°s: de maneira que se os pode utilizar como pontes para chegar a tempos e concep√ß√Ķes muito distantes, a religi√Ķes e civiliza√ß√Ķes em vias de extin√ß√£o ou j√° extintas. (…) √Č certo que h√° algumas coisas desfavor√°veis a dizer quanto aos meios de que eles se servem para aligeirar a vida: apenas sossegam e curam provisoriamente, s√≥ de momento; at√© impedem as pessoas de trabalhar na realidade por uma melhoria da sua situa√ß√£o, precisamente enquanto suprimem e descarregam, por meio de paliativos, a paix√£o dos insatisfeitos, que incitam √† ac√ß√£o.

A Voz

√Č t√£o suave ess’hora,
Em que nos foge o dia,
E em que suscita a Lua
Das ondas a ardentia,

Se em alcantis marinhos,
Nas rochas assentado,
O trovador medita
Em sonhos enleado!

O mar azul se encrespa
Coa vespertina brisa,
E no casal da serra
A luz j√° se divisa.

E tudo em roda cala
Na praia sinuosa,
Salvo o som do remanso
Quebrando em furna algosa.

Ali folga o poeta
Nos desvarios seus,
E nessa paz que o cerca
Bendiz a m√£o de Deus.

Mas despregou seu grito
A alcíone gemente,
E nuvem pequenina
Ergueu-se no ocidente:

E sobe, e cresce, e imensa
Nos céus negra flutua,
E o vento das procelas
J√° varre a fraga nua.

Turba-se o vasto oceano,
Com hórrido clamor;
Dos vagalh√Ķes nas ribas
Expira o v√£o furor,

E do poeta a fronte
Cobriu véu de tristeza;
Calou, à luz do raio,
Seu hino à natureza.

Pela alma lhe vagava
Um negro pensamento,

Continue lendo…

Deve haver, no mais pequeno poema de um poeta, qualquer coisa por onde se note que existiu Homero.

Os versos estavam longe de ser excelentes; mas como se sabe, os protestantes n√£o se presumiam de poetas.

O Papel do Sonho na Vida

Por vezes, o homem √© mais sincero e rico na desordem dos sonhos que na consci√™ncia unit√°ria do raciocinador acordado, mas n√≥s vivemos enquanto negamos o sonho e o tornamos in√ļtil. O g√©nio √© a extradi√ß√£o do sonho, porque enriquece a consci√™ncia com as reservas e as pessoas do inconsciente. Expulsa o selvagem e o delinquente, destila a sagacidade do louco, adopta a crian√ßa e escuta o poeta. N√£o √© autocrata surdo, como o homem vulgar, mas pai de iguais. A conc√≥rdia de se terem almas subterr√Ęneas faz a grandeza do g√©nio, e a sua obra √© a sublima√ß√£o do sonho, desenrolado na vida verdadeira, liberdade concedida aos pensamentos inocentes dos reclusos.
Escolher é próprio do homem, mas escolhe-se com a rejeição e mais com o acolhimento. Vencer não significa apenas destruir, mas incorporar. A razão será tanto mais razoável quanto maior a loucura que assumir em si; o herói será mais forte se transferir para si a energia do pecador, e a fantasia do poeta tornará mais profundos os cálculos do político.
Quando o chefe da alma é o poeta, verdadeiramente poeta, não encarcera a razão, mas condu-la consigo para cima, ao céu em que até o silogismo se torna fogo.

Continue lendo…

Poeta Castrado, N√£o!

Serei tudo o que disserem
por inveja ou negação:
cabeçudo dromedário
fogueira de exibição
teorema corol√°rio
poema de m√£o em m√£o
l√£zudo publicit√°rio
malabarista cabr√£o.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado n√£o!

Os que entendem como eu
as linhas com que me escrevo
reconhecem o que é meu
em tudo quanto lhes devo:
ternura como j√° disse
sempre que faço um poema;
saudade que se partisse
me alagaria de pena;
e também uma alegria
uma coragem serena
em renegar a poesia
quando ela nos envenena.

Os que entendem como eu
a força que tem um verso
reconhecem o que é seu
quando lhes mostro o reverso:

Da fome j√° n√£o se fala
– √© t√£o vulgar que nos cansa –
mas que dizer de uma bala
num esqueleto de criança?

Do frio não reza a história
– a morte √© branda e letal –
mas que dizer da memória
de uma bomba de napalm?

E o resto que pode ser
o poema dia a dia?

Continue lendo…

A palavra quando é criação desnuda. A primeira virtude da poesia tanto para o poeta como para o leitor é a revelação do ser. A consciência das palavras leva à consciência de si: a conhecer-se e a reconhecer-se.

O Valor da Crónica de Jornal

A cr√≥nica √© como que a conversa √≠ntima, indolente, desleixada, do jornal com os que o l√™em: conta mil coisas, sem sistema, sem nexo, espalha-se livremente pela natureza, pela vida, pela literatura, pela cidade; fala das festas, dos bailes, dos teatros, dos enfeites, fala em tudo baixinho, como quando se faz um ser√£o ao braseiro, ou como no Ver√£o, no campo, quando o ar est√° triste. Ela sabe anedotas, segredos, hist√≥rias de amor, crimes terr√≠veis; espreita, porque n√£o lhe fica mal espreitar. Olha para tudo, umas vezes melancolicamente, como faz a Lua, outras vezes alegre e robustamente, como faz o Sol; a cr√≥nica tem uma doidice jovial, tem um estouvamento delicioso: confunde tudo, tristezas e fac√©cias, enterros e actores ambulantes, um poema moderno e o p√© da imperatriz da China; ela conta tudo o que pode interessar pelo esp√≠rito, pela beleza, pela mocidade; ela n√£o tem opini√Ķes, n√£o sabe do resto do jornal; est√° nas suas colunas contando, rindo, pairando; n√£o tem a voz grossa da pol√≠tica, nem a voz indolente do poeta, nem a voz doutoral do cr√≠tico; tem uma pequena voz serena, leve e clara, com que conta aos seus amigos tudo o que andou ouvindo, perguntando, esmiu√ßando.

Continue lendo…

Stella

J√° raro e mais escasso
A noite arrasta o manto,
E verte o √ļltimo pranto
Por todo o vasto espaço.

Tíbio clarão já cora
A tela do horizonte,
E j√° de sobre o monte
Vem debruçar-se a aurora.

À muda e torva irmã,
Dormida de cansaço,
Lá vem tomar o espaço
A virgem da manh√£.

Uma por uma, v√£o
As p√°lidas estrelas,
E v√£o, e v√£o com elas
Teus sonhos, coração.

Mas tu, que o devaneio
Inspiras do poeta,
Não vês que a vaga inquieta
Abre-te o √ļmido seio?

Vai. Radioso e ardente,
Em breve o astro do dia,
Rompendo a névoa fria,
Vir√° do roxo oriente.

Dos íntimos sonhares
Que a noite protegera,
De tanto que eu vertera
Em l√°grimas a pares,

Do amor silencioso,
Místico, doce, puro,
Dos sonhos de futuro,
Da paz, do etéreo gozo,

De tudo nos desperta
Luz de importuno dia;
Do amor que tanto a enchia
Minha alma est√° deserta.

A virgem da manh√£
J√° todo o c√©u domina…

Continue lendo…

O Albatroz

Às vezes no alto mar, distrai-se a marinhagem
Na caça do albatroz, ave enorme e voraz,
Que segue pelo azul a embarcação em viagem,
Num v√īo triunfal, numa carreira audaz.

Mas quando o albatroz se vê preso, estendido
Nas t√°buas do conv√©s, ‚ÄĒ pobre rei destronado!
Que pena que ele faz, humilde e constrangido,
As asas imperiais caídas para o lado!

Dominador do espaço, eis perdido o seu nimbo!
Era grande e gentil, ei-lo o grotesco verme!…
Chega-lhe um ao bico o fogo do cachimbo,
Mutila um outro a pata ao voador inerme.

O Poeta é semelhante a essa águia marinha
Que desdenha da seta, e afronta os vendavais;
Exilado na terra, entre a plebe escarninha,
N√£o o deixam andar as asas colossais!

Tradução de Delfim Guimarães

Abaixo el-rei Sebasti√£o

√Č preciso enterrar el-rei Sebasti√£o
é preciso dizer a toda a gente
que o Desejado j√° n√£o pode vir.
√Č preciso quebrar na ideia e na can√ß√£o
a guitarra fant√°stica e doente
que alguém trouxe de Alcácer Quibir.

Eu digo que est√° morto.
Deixai em paz el-rei Sebasti√£o
deixai-o no desastre e na loucura.
Sem precisarmos de sair o porto
temos aqui à mão
a terra da aventura.

Vós que trazeis por dentro
de cada gesto
uma cansada humilhação
deixai falar na vossa voz a voz do vento
cantai em tom de grito e de protesto
matai dentro de vós el-rei Sebastião.

Quem vai tocar a rebate
os sinos de Portugal?
Poeta: é tempo de um punhal
por dentro da canção.
Que é preciso bater em quem nos bate
é preciso enterrar el-rei Sebastião.

Recusa

a Alberto de Serpa

Serei sempre um poeta provinciano.
Um poeta triste, esquivo,
Com medo de apertar a m√£o aos poetas da cidade
E de me sentar com eles
À mesa do Café.
N√£o falarei de minha poesia.
N√£o rimarei minha ang√ļstia
Com a solenidade de suas quest√Ķes.
A poesia n√£o est√° na discuss√£o.
A poesia n√£o est√° no n√£o estar com este ou com aquele.
A poesia est√° em matar esta morte
Que anda dentro de nós
Para que a vida renasça.
A poesia está em gritar do alto dos arranha-céus
E das planuras e concavidades sertanejas
Que o mundo vai acabar
Que o mundo est√° maduro para o sangue
Que o mundo perverso e caótico vai vagar.
Serei sempre um poeta provinciano.
Um poeta esquivo defendendo sua solid√£o
De todos os truques de todos os ódios de todas as invejas.
Os poetas rendilheiros n√£o perdoar√£o.
Os poetas vaidosos v√£o barafustar
E exigir a expuls√£o imediata
Do √ļltimo vendilh√£o do Templo,
Em nome da religi√£o,
Em nome da estética,
Em nome da dignidade amarfanhada,

Continue lendo…

√ď Noite, Coalhada nas Formas de um Corpo de Mulher

√ď noite, coalhada nas formas de um corpo de mulher
vago e belo e voluptuoso,
num bailado erótico, com o cenário dos astros, mudos
[e quedos.
Estrelas que as suas m√£os afagam e a boca repele,
deixai que os caminhos da noite,
cegos e rectos como o destino,
suspensos como uma nuvem,
sejam os caminhos dos poetas
que lhes decoraram o nome.
√ď noite, coalhada nas formas de um corpo de mulher!
Esconde a vida no seio de uma estrela
e f√°-la pairar, assim m√°gica e irreal,
para que a olhemos como uma lua son√Ęmbula.

O historiador e o poeta n√£o se distinguem um do outro pelo facto de o primeiro escrever em prosa e o segundo em verso. Diferem entre si, porque um escreveu o que aconteceu e o outro o que poderia ter acontecido.

Neruda e García Lorca em Homenagem a Rubén Dario

Eis o texto do discurso:

Neruda: Senhoras…

Lorca: …e senhores. Existe na lide dos touros uma sorte chamada ¬ętoreio dei alim√≥n¬Ľ, em que dois toureiros furtam o corpo ao touro protegidos pela mesma capa.

Neruda: Federico e eu, ligados por um fio eléctrico, vamos emparelhar e responder a esta recepção tão significativa.

Lorca: √Č costume nestas reuni√Ķes que os poetas mostrem a sua palavra viva, prata ou madeira, e sa√ļdem com a sua voz pr√≥pria os companheiros e amigos.

Neruda: Mas n√≥s vamos colocar entre v√≥s um morto, um comensal vi√ļvo, escuro nas trevas de uma morte maior que as outras mortes, vi√ļvo da vida, da qual foi na sua hora um marido deslumbrante. Vamos esconder-nos sob a sua sombra ardente, vamos repetir-lhe o nome at√© que a sua grande for√ßa salte do esquecimento.

Lorca: N√≥s, depois de enviarmos o nosso abra√ßo com ternura de pinguim ao delicado poeta Amado Villar, vamos lan√ßar um grande nome sobre a toalha, na certeza de que v√£o estalar as ta√ßas, saltar os garfos, buscando o olhar que todos anseiam, e que um golpe de mar h√°-de manchar as toalhas. N√≥s vamos evocar o poeta da Am√©rica e da Espanha: Rub√©n…

Continue lendo…

Ruínas

Cobrem plantas sem flor crestados muros;
Range a porta anci√£; o ch√£o de pedra
Gemer parece aos pés do inquieto vate.
Ruína é tudo: a casa, a escada, o horto,
S√≠tios caros da inf√Ęncia.
Austera moça
Junto ao velho port√£o o vate aguarda;
Pendem-lhe as tranças soltas
Por sobre as roxas vestes.
Risos n√£o tem, e em seu magoado gesto
Transluz n√£o sei que dor oculta aos olhos;
‚ÄĒ Dor que √† face n√£o vem, ‚ÄĒ medrosa e casta,
√ćntima e funda; ‚ÄĒ e dos cerrados c√≠lios
Se uma discreta muda
L√°grima cai, n√£o murcha a flor do rosto;
Melancolia t√°cita e serena,
Que os ecos n√£o acorda em seus queixumes,
Respira aquele rosto. A m√£o lhe estende
O abatido poeta. Ei-los percorrem
Com tardo passo os relembrados sítios,
Ermos depois que a m√£o da fria morte
Tantas almas colhera. Desmaiavam,
Nos serros do poente,
As rosas do crep√ļsculo.
“Quem és? pergunta o vate; o sol que foge
No teu l√Ęnguido olhar um raio deixa;
‚ÄĒ Raio quebrado e frio; ‚ÄĒ o vento agita
Tímido e frouxo as tuas longas tranças.

Continue lendo…

Emoção e Poesia

Quem quer que seja de algum modo um poeta sabe muito bem qu√£o mais f√°cil √© escrever um bom poema (se os bons poemas se acham ao alcance do homem) a respeito de uma mulher que lhe interessa muito do que a respeito de uma mulher pela qual est√° profundamente apaixonado. A melhor esp√©cie de poema de amor √©, em geral, escrita a respeito de uma mulher abstracta. Uma grande emo√ß√£o √© por demais ego√≠sta; absorve em si pr√≥pria todo o sangue do esp√≠rito, e a congest√£o deixa as m√£os demasiado frias para escrever. Tr√™s esp√©cies de emo√ß√Ķes produzem grande poesia – emo√ß√Ķes fortes, por√©m r√°pidas, captadas para a arte t√£o logo passaram; emo√ß√Ķes fortes e profundas ao serem lembradas muito tempo depois; e emo√ß√Ķes falsas, isto √©, emo√ß√Ķes sentidas no intelecto. N√£o a insinceridade, mas sim, uma sinceridade traduzida, √© a base de toda a arte.
O grande general que pretende ganhar uma batalha para o império do seu país e para a história do seu povo não deseja Рnão pode desejar ter muitos dos seus soldados assassinados (mortos). Contudo, uma vez que tenha penetrado na contemplação da sua estratégia, escolherá (sem um pensamento para os seus homens) o golpe melhor,

Continue lendo…