Textos sobre Momentos

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Textos de momentos escritos por poetas consagrados, filósofos e outros autores famosos. Conheça estes e outros temas em Poetris.

A Razão da Minha Esperança

Meu bom amigo,

Sei que tens sofrido bastante.

Não posso esquecer que um dia me ensinaste: que leal é quem não abandona; que devemos procurar ser pessoas dignas de confiança, mais do que tentar encontrar alguém assim; e, que a vontade de amar já é, em si mesma, amor.

Permite-me que partilhe contigo, hoje, algumas ideias a respeito dos momentos dif√≠ceis…

S√£o muitas as provas que na vida servem para testar quem somos, a for√ßa que temos em n√≥s e o nosso valor. Algumas vezes uma pedra gigante vem cair mesmo diante de n√≥s… outras vezes s√£o s√©ries infind√°veis de pequenos obst√°culos no caminho… longas etapas que nos obrigam a seguir adiante sem descansar, em percursos onde quase nunca se v√™ o horizonte.
A agita√ß√£o permanente em que vivemos leva muitos a desistir de encontrar refer√™ncias mais adiante, mas √© preciso que nos afastemos do tempo para assim encontrarmos a posi√ß√£o mais segura, elevando-nos acima dos momentos passageiros para os compreender melhor. No meio da confus√£o √© preciso ver para al√©m do que se pode olhar… estabelecer os alicerces sobre o que √© s√≥lido, ainda que seja preciso escavar muito mais fundo do que o normal…

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O Amor n√£o Acontece. Decide-se.

H√° quem julgue que o amor √© alheio √† vontade humana, algo superior que elege, embala e conduz‚Ķ e que quase nada se pode fazer perante tamanha for√ßa. Isso √© uma mera paix√£o no seu sentido menos nobre. E, nesse caso, sim, o amor acontece… Ao contr√°rio, amar √© estar acima das paix√Ķes e dos apetites. Mesmo quando o amor nasce de uma espontaneidade, resulta de um claro discernimento.

O amor decorre de uma decisão. De um compromisso. Constrói-se de forma consciente. Através do heroísmo de alguém livre que decide ser o que poucos ousam. Escolhe para fim de si mesmo ser o meio para a felicidade daquele a quem ama. Sim, decide-se amar e, sim, decide-se a quem amar.

O amor aut√™ntico √© raro e extraordin√°rio, embora o seu nome sirva para quase tudo… a maior parte das vezes designa ego√≠smos entrela√ßados, cada vez mais comuns. S√£o poucos os que se aventuram, os que arriscam tudo, os que se disp√Ķem a amar mesmo quando sabem que poucos sequer perceber√£o o que fazem, o seu porqu√™ e o para qu√™.
O amor n√£o sup√Ķe reciprocidade. Amar √© dar-se por completo e aceitar tudo… n√£o se contabilizam ganhos e perdas,

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A Necessidade de Conversar

Nos jornais, em conversas, no escrit√≥rio, a impetuosidade da linguagem leva por vezes uma pessoa a perder-se, da√≠ a esperan√ßa, que salta da fraqueza tempor√°ria, de uma repentina e mais forte ilumina√ß√£o mesmo no momento seguinte, ou de uma forte confian√ßa em si pr√≥prio, ou mero desleixo, ou uma impress√£o forte e actual de que uma pessoa quer a todo o custo descarregar no futuro, portanto a opini√£o de que o verdadeiro entusiasmo no presente justifica toda e qualquer confus√£o futura, ou o deleite nas frases que se elevam no meio com um ou dois empurr√Ķes e que a pouco e pouco abrem completamente a boca mesmo que depois a deixem fechar com demasiada rapidez e tortuosidade, ou a leve possibilidade de um ju√≠zo claro e decisivo, ou o esfor√ßo para dar mais flu√™ncia ao discurso que realmente j√° acabou, ou o desejo de abandonar √† pressa o tema se assim tiver de ser, de rastos, ou o desespero que tenta encontrar uma sa√≠da para a sua pesada respira√ß√£o, ou o anseio por uma luz sem sombra ‚ÄĒ tudo isto pode levar uma pessoa a perder-se em frases como: ¬ęO livro que acabei agora mesmo √© o mais belo que jamais li¬Ľ ou ¬ę√© t√£o belo,

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Testemunhas Aparentes

N√£o me preocupa tanto qual eu seja para outrem como me preocupa qual eu seja em mim mesmo. Quero ser rico por mim, n√£o por empr√©stimo. Os estranhos v√™em apenas os acontecimentos e as apar√™ncias externas; cada qual pode ter um ar alegre exteriormente e por dentro estar cheio de febre e receio. Eles n√£o v√™em o meu cora√ß√£o; v√™em apenas o meu comportamento. Tem-se raz√£o em depreciar a hipocrisia que existe na guerra; pois o que √© mais f√°cil para um homem oportunista do que esquivar-se dos perigos e fazer-se de bravo, tendo o √Ęnimo repleto de frouxid√£o? H√° tantos meios de evitar as ocasi√Ķes de arriscar-se pessoalmente que teremos enganado o mundo mil vezes antes de encetarmos um passo perigoso; e mesmo ent√£o, vendo-nos entravados, nesse momento bem sabemos encobrir o nosso jogo com um ar alegre e uma palavra serena, embora a alma nos trema interiormente.
E se algu√©m pudesse usar o anel de Plat√£o, que tornava invis√≠vel quem o levasse no dedo e o virasse para a palma da m√£o, muitas pessoas ami√ļde se esconderiam quando mais √© preciso apresentar-se e se arrependeriam de estar colocadas num lugar t√£o honroso, no qual a necessidade as torna seguras: Quem pode alegrar-se com falsas honrarias e temer a cal√ļnia,

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Para Além do Hoje

Cada vez mais se vive o momento. Fugimos do passado e temos medo do futuro, o que implica que somos forçados a viver um presente demasiado pequeno.

Os tempos de descanso devem ser ocasião de trabalho interior. Mas, vai sendo cada vez mais raro encontrar gente com memória, assim com também é raro encontrar pessoas com discernimento suficiente para se comprometerem em projetos a longo prazo.

Navega-se √† vista… sem riscos, sem sucessos nem fracassos… sem sentido. Vamos dando as respostas m√≠nimas ao mundo e aos outros, em vez de sermos protagonistas dos nossos sonhos e her√≥is apesar das nossas derrotas.
O passado e o futuro não são mentira. São partes da verdade. Sou o que fui e o que serei. Uma identidade que vive no tempo, uma coerência que se constrói através diferentes espaços e tempos, amando o que há de eterno em cada momento. Elevando o espírito acima da realidade concreta do mundo.

Uma exist√™ncia aut√™ntica ‚Äď uma vida com valor ‚Äď constr√≥i-se com uma estrutura s√≥lida, equilibrada e aberta a horizontes mais long√≠nquos em termos temporais. Um presente maior, com mais passado e mais futuro. Sermos quem somos, de olhos abertos.

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A Culpa é uma Doença

A culpa √© uma doen√ßa que te arrasta e se alastra aos outros. De um momento para o outro, tu pr√≥prio, por habitua√ß√£o, culpasse por tudo e por nada, por situa√ß√Ķes em que podias ter feito melhor e por outras em que nada havia a fazer. Muitos de n√≥s residem no condom√≠nio da culpa. √Č essa a sua zona de conforto, pois foi a ela que se acostumaram e n√£o conhecem nada para l√° dos limites dessa emo√ß√£o. Depois √© a altura de eles ensinarem aos outros que somos todos culpados √† vez, passam o testemunho do pecado aos conhecidos, familiares, amigos e filhos e, pronto, c√° andamos todos num ciclo penoso de gera√ß√£o em gera√ß√£o.
Há solução? Claro! Há sempre solução para tudo.
√Č preponderante viver com a convic√ß√£o de que apenas somos culpados de alguma coisa se agirmos com inten√ß√£o de magoar, caso contr√°rio somos apenas respons√°veis. N√£o, n√£o √© a mesma coisa. A culpa sufoca-nos, a responsabilidade empurra-nos para a a√ß√£o e promove a mudan√ßa.
De que forma, ent√£o, posso eu parar este ciclo vicioso?
РNão permitindo que te considerem culpado seja do que for e se insistirem em fazê-lo expulsa essas pessoas da tua vida.

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Avalia√ß√Ķes Precipitadas

Uma característica inata do homem e muito intimamente entrelaçada com a sua natureza reside no facto de a proximidade das coisas não lhe chegar para o conhecimento. E isso apesar de cada fenómeno de que nós próprios temos consciência ser nesse momento o que nos está mais próximo, podendo nós, portanto, se formos capazes de o penetrar com vigor, exigir-lhe que se explique a si mesmo.
Trata-se, contudo, de qualquer coisa que os homens n√£o aprendem porque vai contra a sua natureza. √Č assim que mesmo as pessoas de cultura n√£o podem deixar de relacionar uma dada verdade que acabam de constatar numa dada situa√ß√£o e lugar, n√£o apenas com um fen√≥meno pr√≥ximo, mas tamb√©m com fen√≥menos muito mais amplos e extremamente distantes, do que resultam erros ap√≥s erros. O fen√≥meno pr√≥ximo s√≥ se relaciona com um fen√≥meno distante no sentido em que todas as coisas se regem por um conjunto muito restrito de grandes leis que se manifestam por toda a parte.

Alma e Corpo – A Ilus√£o da Integridade

Em qualquer momento em que a consideremos, a nossa alma total tem sempre um valor quase fict√≠cio, apesar do numeroso balan√ßo das suas riquezas, pois ora umas, ora outras, s√£o indispon√≠veis, quer se trate de riquezas efectivas como de riquezas da imagina√ß√£o… Pois as perturba√ß√Ķes da mem√≥ria est√£o ligadas √†s intermit√™ncias do cora√ß√£o.
√Č sem d√ļvida a exist√™ncia do nosso corpo, semelhante para n√≥s a um vaso em que estaria encerrada a nossa espiritualidade, que nos induz a supor que todos os nossos bens interiores, as alegrias passadas, todas as nossas dores, est√£o perpetuamente em nossa possess√£o.

Quando Chegar esse Momento

Meu querido, que √©s o meu querido. Tanto que eu esperei por isto, meu amor bendito. Tantas noites acordada a olhar para o tecto do quarto, a noite inteira a passar t√£o devagarinho e eu sempre a pensar: quando chegar esse momento, quando chegar esse momento. E agora, finalmente, finalmente. Em certos dias, eu at√© me parecia que… (passa a m√£o pelo rosto) Mas o que √© que √© preciso fazer, pensava eu. Se houvesse alguma coisa para fazer, eu tinha feito. Nem que fosse… Eu sei l√°. Eu fiz tanta coisa, meu doce. E eu sempre a pensar: quando chegar esse momento, quando chegar esse momento. Eu at√© me parecia que… (passa a m√£o pelo rosto) Mas passou-se tudo. E agora, finalmente, finalmente. D√° c√° um bocan√ßo, meu santo amor. D√° c√° o nosso primeiro bocan√ßo de casados. Agora, podemos descansar, temos a vida toda √† nossa frente.

(O tempo permanece suspenso e infinito.)

A Acção Mais Degradada

A ac√ß√£o mais degradada √© a daquele que n√£o age e passa procura√ß√£o a outrem para agir – a dos frequentadores dos espect√°culos de luta e a dos consumidores da literatura de viol√™ncia. Ser her√≥i e atrav√©s de outrem, ser corajoso em imagina√ß√£o, √© o limite extremo da ac√ß√£o gratuita, do orgulho ou da vaidade que n√£o ousa. Corre-se o risco sem se correr, experi¬≠menta-se como se se experimentasse, colhe-se o prazer do triunfo sem nada arriscar. E √© por isso que os fIlmes de guerra, do hero√≠smo policial, de espionagem, t√™m de acabar bem. Por¬≠que o que a√≠ se procura √© justamente o sabor do triunfo e n√Ęo apenas do risco. O gosto do risco procura-o o her√≥i real, o jogador que pode perder. Mas o espectador da sua luta, degra¬≠dado na sedu√ß√£o da ac√ß√£o, acentua a sua mediocridade no n√£o poder aceitar a derrota, no fingir que corre o risco mesmo em fic√ß√£o, mas com a certeza pr√©via de que o risco √© vencido. O que ele procura √© a pequena lisonja √† sua vaidade pequena, a figura√ß√£o da coragem para a sua cobardia, e s√≥ a vit√≥ria do her√≥i a quem passou procura√ß√£o o pode lisonjear.
E se o herói morre em grandeza,

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A Felicidade Est√° Fora da Nossa Realidade

O amoroso apaixonado j√° n√£o vive em si, mas no que ama; quanto mais se afasta de si para se fundir no seu amor, mais feliz se sente. Assim, quando a alma sonha em fugir do corpo e renuncia a servir-se normalmente dos seus org√£os, podeis dizer com raz√£o que ele enlouquece. As express√Ķes correntes n√£o querem dizer outra coisa: ¬ęN√£o est√° em si… Volta a ti… Ele voltou a si.¬Ľ E quanto mais perfeito √© o amor, maior a loucura e mais feliz.
Quem ser√°, pois, essa vida no C√©u, √† qual aspiram t√£o ardentemente as almas piedosas? O esp√≠rito, mais forte e vitorioso, absorver√° o corpo; isto ser√° tanto mais f√°cil quanto mais purificado e extenuado tiver sido o corpo durante a vida. Por sua vez, o esp√≠rito ser√° absorvido pela suprema Intelig√™ncia, cujos poderes s√£o infinitos. Assim se encontrar√° fora de si mesmo o homem inteiro e a √ļnica raz√£o da sua felicidade ser√° de n√£o mais se pertencer, mas de submeter-se a este soberano inef√°vel, que tudo atrai a si.
Uma tal felicidade, é certo, só poderá ser perfeita no momento em que as almas, dotadas de imortalidade, retomem os antigos corpos. Mas, como a vida dos piedosos não é mais do que a meditação sobre a eternidade e como que a sombra dela,

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Como Provar a Vida

Com a idade, como castigo dos excessos da juventude mas tamb√©m como consola√ß√£o, come√ßa-se a provar as coisas que dantes se consumiam sem pensar. At√© quase morrer de uma hepatite alc√≥olica eu bebia ¬ęwhiskey¬Ľ como se fosse √°gua: o ¬ęuisce beatha¬Ľ ga√©lico; a √°gua da vida. Agora, com o f√≠gado restaurado por anos de abstin√™ncia, apenas provo.
Suspeito que seja assim com todos os prazeres – at√© o de acordar bem disposto ou passar um dia sem dores ou respirar como se quer ou n√£o precisar de mais ningu√©m para funcionar. Parecem prazeres pequenos quando ainda temos prazeres maiores com os quais podemos compar√°-los. Mas tornam-se prazeres enormes quando s√£o os √ļnicos de que somos capazes.
Sei que a √ļltima felicidade de todos n√≥s ser√° repararmos no √ļltimo momento em que conseguimos provar a vida que vivemos e ach√°-la – n√£o tanto apesar como por causa de tudo – boa.

Não se Consegue ser Exterior à Nossa Própria Indiferença

A dificuldade da exist√™ncia estava precisamente neste problema concreto: por diversas vezes Walser se vira, ao longe, alegre, e tamb√©m de longe observara a sua pr√≥pria tristeza ou irrita√ß√£o. Nada de mais. Mas o que nunca conseguira era ser exterior √† indiferen√ßa; ser exterior a si nos momentos, in√ļmeros, em que se encontrava neutro face √†s coisas, inerte e em estado de espera perante a possibilidade de um acto ou do seu contr√°rio. Quanto mais intensidade existia no corpo, mais f√°cil era afastar-se, ser testemunha de si pr√≥prio. As dificuldades de observa√ß√£o privilegiada, de uma exist√™ncia que lhe pertencia, surgiam assim, de um modo extremo, quando a intensidade dos sentimentos era quase nula. Se ele j√° l√° n√£o estava ‚Äď na exist√™ncia ‚Äď como se poderia ainda afastar mais?

Mas o que era concretamente este l√°, este outro s√≠tio que por vezes parecia ser o seu centro outras vezes o seu oposto? Sobre a localiza√ß√£o geral desse l√°, Walser n√£o tinha d√ļvidas: era o c√©rebro. Era ali que tudo se passava ou que tudo o que se passava era observado. Ali fazia, e ali via-se a fazer. Como qualquer louco normal, pensou Walser, e sorriu da f√≥rmula.

Gonçalo M.

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O Homem Certo

Hoje, numa √©poca em que se misturam todos os discursos, em que profetas e charlat√£es usam as mesmas f√≥rmulas com m√≠nimas diferen√ßas, cujo percurso nenhum homem ocupado tem tempo de seguir, num tempo em que as redac√ß√Ķes dos jornais s√£o constantemente incomodadas por gente que acha que √© um g√©nio, √© muito dif√≠cil ajuizar do valor de um homem ou de uma ideia. Temos de nos deixar guiar pelo ouvido para podermos perceber se os rumores, os sussurros e o raspar de p√©s diante da porta da redac√ß√£o s√£o suficientemente fortes para poderem ser admitidos como voz da polis. A partir desse momento, por√©m, o g√©nio passa a outra condi√ß√£o. Deixa de ser mat√©ria f√ļtil da cr√≠tica liter√°ria ou teatral, cujas contradi√ß√Ķes os leitores que qualquer jornal deseja ter levam t√£o pouco a s√©rio como a tagarelice de uma crian√ßa, para aceder ao estatuto de factos concretos, com todas as consequ√™ncias que isso tem.
Certos fan√°ticos insensatos ignoram a necessidade desesperada de idealismo que se esconde por detr√°s de tal situa√ß√£o. O mundo dos que escrevem porque t√™m de escrever est√° cheio de grandes palavras e conceitos que perderam a subst√Ęncia. Os atributos dos grandes homens e das grandes causas sobrevivem ao que quer que seja que lhes deu origem,

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Os Crentes e os Fan√°ticos

A crença num Deus produz e deve produzir quase tantos fanáticos quantos crentes. Por toda a parte em que se admite um Deus, existe um culto; em todo o lugar onde existe um culto, a ordem natural dos deveres morais é derrubada, e a moral corrompida. Cedo ou tarde, chega um momento em que a noção que impediu de roubar um escudo faz degolar cem mil homens.

O Tele-Lixo

Se a √ļnica coisa que oferecerem √†s pessoas for tele-lixo e omitirem que existem outras coisas, elas acreditar√£o que n√£o existe mais nada para l√° do lixo. Nestes momentos, a audi√™ncia √© a rainha e por causa dela √© l√≠cito uma pessoa at√© matar a av√≥. Os meios de comunica√ß√£o t√™m grande parte da responsabilidade nisto, embora seja necess√°rio perguntar quem move os seus fios. Por detr√°s h√° sempre um banco ou um governo. Um jornal independente? Uma r√°dio livre? Uma televis√£o objectiva? Isso n√£o existe. Essa mistura, o tele-lixo e os meios de comunica√ß√£o dependentes, provoca que a sociedade esteja gravemente doente.

As Mulheres S√£o Admiravelmente Complexas

Os homens inteligentes sabem que as mulheres são admiravelmente complexas, um mundo a ser explorado, um tesouro a ser descoberto. Elas são tão fascinantes que no dia em que eles acharem que conhecem uma mente feminina, deveriam saber que erraram o diagnóstico.

Os homens inteligentes t√™m consci√™ncia de que o mais calmo ser humano tem os seus momentos de stresse, o mais ponderado tem rea√ß√Ķes incoerentes, o mais generoso tem os seus momentos de ego√≠smo e, portanto, deveriam saber que quem n√£o reconhece os seus erros nem pede desculpas, especialmente √£ mulher que ama e aos seus filhos, jamais alcan√ßar√° a maturidade ps√≠quica ou construir√° rela√ß√Ķes saud√°veis.

A Natureza do Homem

A natureza est√° muitas vezes escondida, algumas vezes vencida, raramente extinta. A for√ßa torna a natureza mais violenta na reac√ß√£o; a doutrina e o discurso fazem a natureza menos exigente; mas s√≥ o h√°bito altera e subjuga a natureza. Aquele que deseja vencer a sua natureza, n√£o tente dar a si pr√≥prio tarefas muito grandes ou muito pequenas; porque as primeiras podem desanim√°-lo com frequentes frustra√ß√Ķes, e as segundas dar-lhe-√£o insignificantes progressos, apesar de serem bem sucedidas. No princ√≠pio, ir√° praticando com auxiliares, como os nadadores se socorrem de b√≥ias e coletes; mas, ao fim de algum tempo, dever√° realizar o treino entre dificuldades, como os dan√ßarinos fazem com os socos. Isto porque resulta sempre maior perfei√ß√£o quando o exerc√≠cio √© mais √°rduo do que a pr√°tica.
(…) N√£o √© m√° a antiga regra que mandava curvar a natureza at√© ao extremo oposto, para que ela se rectificasse; subentendendo-se, por√©m, que o extremo oposto n√£o seja o v√≠cio. O homem n√£o se deve for√ßar a um h√°bito com cont√≠nua persist√™ncia, mas com alguma interrup√ß√£o; porque a pausa refor√ßa a nova investida; e se o homem que n√£o √© perfeito estiver sempre a exercitar-se, ser√° t√£o perito nos seus erros como nas suas virtudes,

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A Racionalidade como Solução de Todos os Males do Mundo

A racionalidade pode ser definida como o h√°bito de considerar todos os nossos desejos relevantes, e n√£o apenas aquele que sucede ser o mais forte no momento. (…) A racionalidade completa √©, sem d√ļvida, ideal inating√≠vel; por√©m, enquanto continuarmos a classificar alguns homens como lun√°ticos, √© claro que achamos uns mais racionais que outros. Acredito que todo o progresso s√≥lido no mundo consiste de um aumento de racionalidade, tanto pr√°tica como te√≥rica. Pregar uma moralidade altru√≠stica parece-me um tanto in√ļtil, porque s√≥ falar√° aos que j√° t√™m desejos altru√≠sticos. Mas pregar racionalidade √© um tanto diferente, porque ela nos ajuda, de modo geral, a satisfazer os nossos pr√≥prios desejos, quaisquer que sejam. O homem √© racional na propor√ß√£o em que a sua intelig√™ncia orienta e controla os seus desejos.
Acredito que o controle dos nossos actos pela intelig√™ncia √©, afinal, o que mais importa e a √ļnica coisa capaz de preservar a possibilidade de vida social, enquanto a ci√™ncia expande os meios de que dispomos para nos ferir e destruir. O ensino, a imprensa, a pol√≠tica, a religi√£o – numa palavra, todas as grandes for√ßas do mundo – est√£o actualmente do lado da irracionalidade; est√£o nas m√£os dos homens que lisonjeiam Populus Rex com o fito de desencaminh√°-lo.

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A Sabedoria é a Nossa Salvação

A nossa cultura √© hoje muito superficial, e os nossos conhecimentos s√£o muito perigosos, j√° que a nossa riqueza em mec√Ęnica contrasta com a pobreza de prop√≥sitos. O equil√≠brio de esp√≠rito que haur√≠amos outrora na f√© ardente, j√° se foi: depois que a ci√™ncia destruiu as bases sobrenaturais da moralidade o mundo inteiro parece consumir-se num desordenado individualismo, reflector da ca√≥tica fragmenta√ß√£o do nosso car√°cter.

Novamente somos defrontados pelo problema atormentador de S√≥crates: como encontrar uma √©tica natural que substitua as san√ß√Ķes sobrenaturais j√° sem influ√™ncia sobre a conduta do homem? Sem filosofia, sem esta vis√£o de conjunto que unifica os prop√≥sitos e estabelece a hierarquia dos desejos, malbaratamos a nossa heran√ßa social em corrup√ß√£o c√≠nica de um lado e em loucuras revolucion√°rias de outro; abandonamos num momento o nosso idealismo pac√≠fico para mergulharmos nos suic√≠dos em massa da guerra; vemos surgir cem mil pol√≠ticos e nem um s√≥ estadista; movemo-nos sobre a terra com velocidades nunca antes alcan√ßadas mas n√£o sabemos oara onde vamos, nem se no fim da viagem alcan√ßaremos qualquer esp√©cie de felicidade.
Os nossos conhecimentos destroem-nos. Embebedem-nos com o poder que nos d√£o. A √ļnica salva√ß√£o est√° na sabedoria.