Poemas sobre Poesia

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Poemas de poesia escritos por poetas consagrados, filósofos e outros autores famosos. Conheça estes e outros temas em Poetris.

Hora Vermelha

Por que vieste, pensamento?
J√° me bastava o Mar violento,
Já me bastava o Sol que ardia…
P’los meus sentidos escorria
n√£o sei l√° bem que seiva forte
que a carne toda me deixava
qual uma flor ou uma lava
num riso aberto contra a Morte.

J√° me bastava tudo isto.
Mas tu vieste, pensamento,
e vieste duro, turbulento.
Vieste com formas e com sangue:
erectos seios de mulher,
as carnes róseas como frutos.

Boca rasgada num pedido
a que se quer e se n√£o quer
dizer que n√£o.
Os braços longos estendidos.
A m√£o em concha sobre o sexo
que nem a V√©nus de Cam√Ķes.

Aí!, pensamento,
deixa-me a calma da Poesia!
Aqui na praia só com ela,
virgem castíssima, sincera!…
Sua m√£o branca saberia
chamar cordeiro ao Mar violento,
P√īr meigo, meigo, o Sol que ardia.
Mas tu vieste, pensamento.
Tua nudez, que me obsidia,
logo, subtil, encheu de alento
velhos desejos recalcados,
beijos mordidos
antes de os ver a luz do Dia.

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Dois Meninos

Meu menino canta, canta
Uma canção que é ele só que entende
E que o faz sorrir.

Meu menino tem nos olhos os mistérios
Dum mundo que ele vê e que eu não vejo
Mas de que tenho saudades infinitas.

As cinco pedrinhas s√£o mundos na m√£o.
Formigas que passam,
Se brinca no ch√£o,
S√£o seres irreais…

Meu menino d’olhos verdes como as √°guas
N√£o sabe falar,
Mas sabe fazer arabescos de sons
Que têm poesia.

Meu menino ama os c√£es,
Os gatos, as aves e os galos,
(S√£o Francisco de Assis
Em menino pequeno)
E fica horas sem fim,
Enlevado, a olh√°-los.

E ao vê-lo brincar, no chão sentadinho,
Eu tenho saudades, saudades, saudades
Dum outro menino…

Coisas, Pequenas Coisas

Fazer das coisas fracas um poema.

Uma √°rvore est√° quieta,
murcha, desprezada.
Mas se o poeta a levanta pelos cabelos
e lhe sopra os dedos,
ela volta a empertigar-se, renovada.
E tu, que n√£o sabias o segredo,
perdes a vaidade.
Fora de ti h√° o mundo
e nele h√° tudo
que em ti n√£o cabe.

Homem, até o barro tem poesia!
Olha as coisas com humildade.

Veio Ter Comigo Hoje a Poesia

Veio ter comigo hoje a poesia.
H√° quantos anos? Desde a juventude.
Veio num raio de sol, num murm√ļrio de vento.
E a ilus√£o que me trouxe de uma antiga alegria
reinventou-me a antiga plenitude
que j√° n√£o invento.

Fazia-lhe outrora poemas verdadeiros
em fornica√ß√Ķes r√°pidas de galo.
Hoje n√£o sou eu nunca por inteiro
e há sempre no que faço um intervalo.

Estamos ambos t√£o velhos ‚ÄĒ que vens fazer?
‚ÄĒ a cama entre n√≥s da nossa antiga fun√ß√£o.
Nublado o olhar só de a ver.
E tomo-lhe em silêncio a mão.

Segredo

A poesia é incomunicável.
Fique torto no seu canto.
N√£o ame.

Ouço dizer que há tiroteio
ao alcance do nosso corpo.
√Č a revolu√ß√£o? o amor?
N√£o diga nada.

Tudo é possível, só eu impossível.
O mar transborda de peixes.
H√° homens que andam no mar
como se andassem na rua.
N√£o conte.

Suponha que um anjo de fogo
varresse a face da terra
e os homens sacrificados
pedissem perd√£o.
Não peça.

O Casulo

No casulo:
uma mesa quatro cinco estantes
livros por centenas ou milhares
tijolos de papel onde as traças
acasalam e o caruncho espreita
sólidas muralhas de elvezires onde
a rua n√£o penetra
uma m√°quina de escrever olivetti
com a tinta acumulada nas letras mais redondas
cachimbos barros estanhos medalhas fotos
bonecos marafonas lembranças
retratos alguns gente ida ou vinda
gorros usbeques gorros bailundos leques
japoneses arp√Ķes a√ßorianos sinos de n√£o sei donde
ou sei esperem sinos da tróica em natais nocturnos
marfins africanos óleos desenhos calendários
feitiços da Baía a mão a fazer figas
tudo do melhor contra raios coriscos mau olhado
retratos dizia Jorge o de Salvador J√ļlio o da Morgadinha
Berglin o cientista Kostas o dramaturgo
e outros e outros
Afonso Duarte o das ossadas pórtico
destas lam√ļrias o sorriso sibilino e rugoso
que matou no Nemésio o bicho harmonioso
mais de agora o Umberto Eco barbudo
a filtrar-me com medievismo os gestos tontos
e outros e outros
suecos brasileiros romenos gregos
e ainda aqueles em que a Zita foi escrevendo
a minha sina de andarilho
Tolstoi patrono obcecante um pastor a tocar
pífaro algures nos Balcãs sinais da Bulgária da Polónia
da Finl√Ęndia sinais de tantas partes onde
fui um outro de biografia aberrante
sinais da minha terra também
a minha de verdade e n√£o as outras
a que chamam minhas por distraído palpite
o Lima de Freitas num candeeiro alumiando
a mulher verde-azul em casas assombrada
mestre Marques d’Oliveira num esquisso
de alto coturno a carta de Abel Salazar
que o sol foi comendo n√£o se lendo j√°
o que a censura omitiu
aqui a China também representada
um ícone de Sófia as plácidas cabras
do Calasans o tinteiro de quando
se usavam plumas roubaram-se o missal do Cicogna
um almofariz para esferogr√°ficas furta-cores
a caixa de madeira floreada veio da R√ļssia
deu-ma a Tatiana sob promessa (cumprida)
de a p√īr bem em frente das minhas divaga√ß√Ķes
anémonas nórdicas da Anne
mios√≥tis b√ļlgaros da Rumiana
o poster é alemão Friede den Kindern
nunca pedi a ninguém a decifração
dois horóscopos face a face
cangaceiros nordestinos
o menino ajoelhado do Tó Zé
num gesso já sem braços nem rosto
objectos objectos o pote tem as armas de n√£o lembro
[quem
embora o nome que venha por de cima
seja o meu e eu também no óleo carrancudo
do Zé Lima há um ror de anos
melhor n√£o saber quantos
o molde para o bronze é um perfil onde
desenganadamente me reconheço
tanta bugiganga tanto bazar tanto papel
branco ou impresso uma faca para
apunhalar alguém a cassete de poesias na voz
da Maria Vitorino as esculturas astecas
do Miguel medalhas medalhas outra vez lembranças
agendas sem préstimo canetas gastas mais papéis
letras mi√ļdas ou letras farfalhudas
depende da ocasi√£o
um livro de filigrana
as paredes mal se vêem estantes copiosas já disse
quadros em demasia e ainda
as rendas de minha m√£e em molduras destoadas
ela no retrato de cenho descontente
fitando-me até ao miolo dos desvairos
o bordão de régulo justiceiro
obliquando no trono de cactos
amuletos africanos o mata-borr√£o que foi
de um pide deu-mo o fuzileiro no pós-Abril
uma bela cabeça de mulher do João Fragoso
jarras de sacristia candeias de cobre
sem pavio um samovar de madeira um samurai de
[veludo
os painéis de São Vicente em miniatura
a áurea trombeta do troféu lusíada
de parceria com o Manuel Cargaleiro
áureos pesados troféus o marasmo branco
de Pavia na tela sem idade
livros livros os correios n√£o p√°ram
de mos trazer para maior sufocação
cartas a granel por responder relógio não há mas ouço-o
sem falhar um segundo h√° cordas cord√Ķes medalhas
[medalh√Ķes
armas laur√©is proibi√ß√Ķes
perfumes em minaretes levantinos.

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√öltimo Natal

Menino Jesus, que nasces
Quando eu morro,
E trazes a paz
Que n√£o levo,
O poema que te devo
Desde que te aninhei
No entendimento,
E nunca te paguei
A contento
Da devoção,
Mal entoado,
Aqui te fica mais uma vez
Aos pés,
Como um tição
Apagado,
Sem calor que os aqueça.
Como ele me desobrigo e desengano:
√Čs divino, e eu sou humano,
Não há poesia em mim que te mereça.

Ora Até que Enfim

Ora at√© que enfim…, perfeitamente…
C√° est√° ela!
Tenho a loucura exatamente na cabeça.
Meu coração estourou como uma bomba de pataco,
E a minha cabe√ßa teve o sobressalto pela espinha acima…

Graças a Deus que estou doido!
Que tudo quanto dei me voltou em lixo,
E, como cuspo atirado ao vento,
Me dispersou pela cara livre!
Que tudo quanto fui se me atou aos pés,
Como a sarapilheira para embrulhar coisa nenhuma!
Que tudo quanto pensei me faz cócegas na garganta
E me quer fazer vomitar sem eu ter comido nada!

Graças a Deus, porque, como na bebedeira,
Isto é uma solução.
Arre, encontrei uma solu√ß√£o, e foi preciso o est√īmago!
Encontrei uma verdade, senti-a com os intestinos!

Poesia transcendental, já a fiz também!
Grandes raptos líricos, também já por cá passaram!
A organiza√ß√£o de poemas relativos √† vastid√£o de cada assunto resolvido em v√°rios ‚ÄĒ
Também não é novidade.
Tenho vontade de vomitar, e de me vomitar a mim…
Tenho uma n√°usea que, se pudesse comer o universo para o despejar na pia,

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O Amor

I

Eu nunca naveguei, pieguíssimo argonauta
Dans les fleuves du tendre, onde h√° naufr√°gios bons,
Conduzindo Florian na tolda a tocar frauta,
E cupidinhos d’oiro a tasquinhar bombons.
Nunca ninguém me viu de capa à trovador,
Às horas em que está já Menelau deitado,
A tanger o arrabil sob os balc√Ķes em flor
Dos castelos feudais de papel√£o doirado.
N√£o canto de Anfitrite as vaporosas fraldas,
(Eu não quero com isto, ó Vénus, descompor-te)
Nem costumo almo√ßar c’roado de grinaldas,
Nem nunca pastoreei enfim, vestido à corte,
De bordão de cristal e punhos de Alençon,
Borreguinhos de neve a tosar esmeraldas
Num lameiro qualquer de qualquer Trianon.
Eu não bebo ambrósia em taças cristalinas,
Bebo um vinho qualquer do Douro ou de Bucelas,
Nem vou interrogar as folhas das boninas,
Para saber o amor, o tal amor das Elas.
N√£o visto da poesia a t√ļnica incons√ļtil,
Pela simples raz√£o, sob o pretexto f√ļtil
De ter visto passar na rua uns pés bonitos;
Nem do meu coração eu fiz um paliteiro,
Onde venha o amor cravar os seus palitos.

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A Poesia Vai Acabar

A poesia vai acabar, os poetas
v√£o ser colocados em lugares mais √ļteis.
Por exemplo, observadores de p√°ssaros
(enquanto os p√°ssaros n√£o
acabarem). Esta certeza tive-a hoje ao
entrar numa reparti√ß√£o p√ļblica.
Um senhor míope atendia devagar
ao balc√£o; eu perguntei: ¬ęQue fez algum
poeta por este senhor?¬Ľ¬†¬†¬† E a pergunta
afligiu-me tanto por dentro e por
fora da cabeça que tive que voltar a ler
toda a poesia desde o princípio do mundo.
Uma pergunta numa cabeça.
‚ÄĒ Como uma coroa de espinhos:
est√£o todos a ver onde o autor quer chegar? ‚ÄĒ

Segunda Nota Explicativa

Se uma palavra toca noutra ou mesmo sem tocar
lhe queda pr√≥xima, p√Ķem-se as duas
a dedilhar lembranças na ária
da carne azada.

Passa-se isto
na poesia dos poetas e na linguagem
da rua. Os ganhos
s√£o m√ļtuos e ficam mal lembrados

ou julgados inconvenientes se
pouco prosados ultrapassam
a discreta função de fundo
musical na paisagem ambiente.

Ganham em sentidos o que perdem
em concis√£o. Para que servem os muros
que nos cercam sen√£o para dar ganas
de os saldar?

Embirração

(A Machado de Assis)

A balda alexandrina é poço imenso e fundo,
Onde poetas mil, flagelo deste mundo,
Patinham sem parar, chamando l√° por mim.
N√£o morrer√£o, se um verso, estiradinho assim,
Da beira for do poço, extenso como ele é,
Levar-lhes grosso anzol; então eu tenho fé
Que volte um afogado, à luz da mocidade,
A ver no mundo seco a seca realidade.

Por eles, e por mim, receio, caro amigo;
Permite o desabafo aqui, a sós contigo,
Que à moda fazer guerra, eu sei quanto é fatal;
Nem vence o positivo o frívolo ideal;
Despótica em seu mando, é sempre fátua e vã,
E até da vã loucura a moda é prima-irmã:
Mas quando venha o senso erguer-lhe os densos véus,
Do verso alexandrino h√° de livrar-nos Deus.

Deus quando abre ao poeta as portas desta vida,

Não lhe depara o gozo e a glória apetecida;
E o triste, se morreu, deixando mal escritas
Em verso alexandrino histórias infinitas,
Vai ter lá noutra vida insípido desterro,
Se Deus, por compaix√£o, n√£o d√° perd√£o ao erro;

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Poema Explicativo

In√ļteis s√£o os voos. In√ļteis s√£o os p√°ssaros.
Silenciosas sombras tudo extinguem.
Como as vagas de um mar longínquo e frio,
s√£o de in√ļteis palavras estes versos,
pois o calado tempo esmaga tudo.

Moro num rio in√ļtil que caminha
entre margens de musgo e subalternas
pontes e √°guas que reflectem
estrelas, lumin√°rias, desencanto.

Os peixes n√£o obstante j√° n√£o dormem.
S√£o in√ļteis os sonhos e as amarras
que nos prendem ao cais.
E o sangue que nos leva
em artérias eléctricas de desejo.

J√° somos todos poetas ‚ÄĒ e a poesia √© in√ļtil ‚ÄĒ
antepassados simples de um futuro
remoto onde seremos sinais na rocha, apenas.

Germinar√° o trevo entre os alexandrinos
e nenhum p√°ssaro compreender√° o sentido
das p√°ginas dispersas sobre a areia.

Estas palavras nuas se transformar√£o
em pó, em lodo, em traças e raízes.

Notícias do Bloqueio

Aproveito a tua neutralidade,
o teu rosto oval, a tua beleza clara,
para enviar notícias do bloqueio
aos que no continente esperam ansiosos.

Tu lhes dirás do coração o que sofremos
nos dias que embranquecem os cabelos…
tu lhes dirás a comoção e as palavras
que prendemos – contrabando – aos teus cabelos.

Tu lhes dirás o nosso ódio construído,
sustentando a defesa à nossa volta
– √ļnico acolchoado para a noite
florescida de fome e de tristezas.

Tua neutralidade passar√°
por sobre a barreira alfandeg√°ria
e a tua mala levar√° fotografias,
um mapa, duas cartas, uma l√°grima…

Dirás como trabalhamos em silêncio,
como comemos silêncio, bebemos
silêncio, nadamos e morremos
feridos de silêncio duro e violento.

Vai pois e noticia com um archote
aos que encontrares de fora das muralhas
o mundo em que nos vemos, poesia
massacrada e medos à ilharga.

Vai pois e conta nos jornais di√°rios
ou escreve com √°cido nas paredes
o que viste, o que sabes, o que eu disse
entre dois bombardeamentos j√° esperados.

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Alheamento

Meu corpo estira√ßado, l√Ęnguido, ao logo do leito.

O cigarro vago azulando os meus dedos.

O r√°dio… a m√ļsica…

A tua presença que esvoaça
em torno do cigarro, do ar, da m√ļsica…

Ausência!, minha doce fuga!

Estranha coisa esta, a poesia,
que vai entornando m√°goa nas horas
como um orvalho de l√°grimas, escorrendo dos vidros
duma janela,

numa tarde vaga, vaga…

Quando a Morte Vier, Meu Amor

Quando a morte vier, meu amor,
fechemos os olhos para a olhar por dentro
e deixemos aos nossos l√°bios o murm√ļrio
da palavra branda jamais pronunciada
e às nossas mãos a carícia dispersa;
relembremos o dia impossível,
belo por isso e por isso desprezado,
e esqueçamos o que nos não deixaram ver
e o resto que sobrou do nada que possuímos;
deixemos à poesia que surge
o pranto de quem a trocou para comer
e os passos sem rumo pelas ruas hostis;
deixemos à carne o que não alcançámos,
e morramos ent√£o, naturalmente…

YANG

Minha m√ļsica se mostra, avan√ßa
serena feito vaca mansa.

Este som, rock’n roll
estandarte que tremula ao sol.

Este som, escarlate
pedra que brilha, quilate.

Mas é só uma canção
para aquecer seu coração.

Já conheço essa minha guitarra
arma, bomba, cimitarra.

Me conheço, sem eira nem beira.
Poesia, √ļltima trincheira.

Minha m√ļsica, cor quente
eu quero é pratear sua mente.

Novamente.

Eu quero é pratear sua mente.

Só eu Sinto Bater-lhe o Coração

Dorme a vida a meu lado, mas eu velo.
(Alguém há-de guardar este tesoiro!)
E, como dorme, afago-lhe o cabelo,
Que mesmo adormecido é fino e loiro.

Só eu sinto bater-lhe o coração,
Vejo que sonha, que sorri, que vive;
Só eu tenho por ela esta paixão
Como nunca hei-de ter e nunca tive.

E logo talvez já nem reconheça
Quem zelou esta flor do seu cansa√ßo…
Mas que o dia amanheça
E cubra de poesia o seu regaço!

Se Eu Nunca Disse

Se eu nunca disse que os teus dentes
São pérolas,
√Č porque s√£o dentes.
Se eu nunca disse que os teus l√°bios
S√£o corais,
√Č porque s√£o l√°bios.
Se eu nunca disse que os teus olhos
S√£o d’√≥nix, ou esmeralda, ou safira,
√Č porque s√£o olhos.
Pérolas e ónix e corais são coisas,
E coisas n√£o sublimam coisas.
Eu, se algum dia com lugares-comuns
Houvesse de louvar-te,
Decerto que buscava na poesia,
Na paisagem, na m√ļsica,
Imagens transcendentes
Dos olhos e dos l√°bios e dos dentes.
Mas crê, sinceramente crê,
Que todas as met√°foras s√£o pouco
Para dizer o que eu vejo.
E vejo l√°bios, olhos, dentes.