Poemas de SebastiĆ£o Alba

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Poemas de SebastiĆ£o Alba. ConheƧa este e outros autores famosos em Poetris.

No Meu PaĆ­s

No meu paĆ­s
dardejado de sol e da caca dos gaios
sĆ³ hĆ” estĆ¢ncias
(de veraneio) na poesia.
Nossos lƔbios
a um metro e sessenta e tal
do chĆ£o amarelecido
dos sĆ­mbolos
abrem para fora
por dois gomos de frio.
Nossos lƔbios outonais, digo,
outonais doze meses.
No entanto
Ć  flor da possĆ­vel
geografia
um frƩmito cinde
as estaƧƵes do ano.

Aqui Louvo os Animais

SĆŗbdito sĆ³ de quem nĆ£o reina,
aqui louvo os animais.
HĆ”, entre mim e eles, uma funda
relaĆ§Ć£o de videntes:
as paisagens que fendem
e a minha, sepulta,
perfazem um mesmo habitat.
Desde que os nĆ£o sondo,
fez-se luz em nosso convĆ­vio.
O ar inicial
que ensaiava, icƔrico,
nas bolas de sabĆ£o,
mas nĆ£o atina com o vĆ”cuo
da cidade, vem-me
dos seus pulmƵes arborescentes.
Alheios Ć  sua pele
na osmose dos textos,
ignoram que nas Ɣguas
por correr, desta pƔgina,
cruzam, saudando-se,
o Ā«BeagleĀ» e a Arca de NoĆ©.

NinguƩm Meu Amor

NinguƩm meu amor
ninguĆ©m como nĆ³s conhece o sol
Podem utilizĆ”-lo nos espelhos
apagar com ele
os barcos de papel dos nossos lagos
podem obrigĆ”-lo a parar
Ć  entrada das casas mais baixas
podem ainda fazer
com que a noite gravite
hoje do mesmo lado
Mas ninguƩm meu amor
ninguĆ©m como nĆ³s conhece o sol
AtƩ que o sol degole
o horizonte em que um a um
nos deitam
vendando-nos os olhos