Poemas sobre Horizonte

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Poemas de horizonte escritos por poetas consagrados, filósofos e outros autores famosos. Conheça estes e outros temas em Poetris.

Stella

J√° raro e mais escasso
A noite arrasta o manto,
E verte o √ļltimo pranto
Por todo o vasto espaço.

Tíbio clarão já cora
A tela do horizonte,
E j√° de sobre o monte
Vem debruçar-se a aurora.

À muda e torva irmã,
Dormida de cansaço,
Lá vem tomar o espaço
A virgem da manh√£.

Uma por uma, v√£o
As p√°lidas estrelas,
E v√£o, e v√£o com elas
Teus sonhos, coração.

Mas tu, que o devaneio
Inspiras do poeta,
Não vês que a vaga inquieta
Abre-te o √ļmido seio?

Vai. Radioso e ardente,
Em breve o astro do dia,
Rompendo a névoa fria,
Vir√° do roxo oriente.

Dos íntimos sonhares
Que a noite protegera,
De tanto que eu vertera
Em l√°grimas a pares,

Do amor silencioso,
Místico, doce, puro,
Dos sonhos de futuro,
Da paz, do etéreo gozo,

De tudo nos desperta
Luz de importuno dia;
Do amor que tanto a enchia
Minha alma est√° deserta.

A virgem da manh√£
J√° todo o c√©u domina…

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Manh√£ de Inverno

Coroada de névoas, surge a aurora
Por detr√°s das montanhas do oriente;
Vê-se um resto de sono e de preguiça,
Nos olhos da fant√°stica indolente.

Névoas enchem de um lado e de outro os morros
Tristes como sinceras sepulturas,
Essas que têm por simples ornamento
Puras capelas, l√°grimas mais puras.

A custo rompe o sol; a custo invade
O espaço todo branco; e a luz brilhante
Fulge através do espesso nevoeiro,
Como através de um véu fulge o diamante.

Vento frio, mas brando, agita as folhas
Das laranjeiras √ļmidas da chuva;
Erma de flores, curva a planta o colo,
E o ch√£o recebe o pranto da vi√ļva.

Gelo n√£o cobre o dorso das montanhas,
Nem enche as folhas trêmulas a neve;
Galhardo moço, o inverno deste clima
Na verde palma a sua história escreve.

Pouco a pouco, dissipam-se no espaço
As névoas da manhã; já pelos montes
V√£o subindo as que encheram todo o vale;
J√° se v√£o descobrindo os horizontes.

Sobe de todo o pano; eis aparece
Da natureza o esplêndido cenário;

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Os Poetas

Nunca os vistes
Sentados nos cafés que há na cidade,
Um livro aberto sobre a mesa e tristes,
Incógnitos, sem oiro e sem idade?

Com magros dedos, coroando a fronte,
Sugerem o nost√°lgico sentido
De quem rasgasse um pouco de horizonte
Proibido…

Fingem de reis da Terra e do Oceano
(E filhos são legítimos do vício!)
Tudo o que neles nos pareça humano
√Č fogo de artif√≠cio.

Por vezes, fecham-lhes as portas
‚ÄĒ √ďdio que a nada se resume ‚ÄĒ
Voltam, depois, a horas mortas,
Sem um queixume.

E mostram sempre novos laivos
De poesia em seu olhar…

Adolescentes! Afastai-vos
Quando algum deles vos fitar!

A Manh√£

A rosada manh√£ serena desce
Sobre as asas do Zéfiro orvalhadas;
Um cristalino alj√īfar resplandece
Pelas serras de flores marchetadas;
Fugindo as lentas sombras dissipadas
V√£o em sutil vapor, que se converte
Em transparentes nuvens prateadas.
Sa√ļdam com sonora melodia
As doces aves na frondosa selva
O astro que benéfico alumia
Dos altos montes a florida relva;

Uma a cantiga exprime modulada
Com suave gorjeio, outra responde
Cos brandos silvos da garganta inflada,
Como os raios, partindo do horizonte,
Ferem, brilhando com diversas cores,
As claras √°guas de serena fonte.

Salve, benigna luz, que os resplandores,
Qual perene corrente cristalina,
Que de viçoso prado anima as flores,
Difundes da celeste azul campina,
Vivificando a lassa natureza,
Que no seio da noite tenebrosa
O moribundo sonho tinha presa.

Como alegre desperta e radiosa!
De encantos mil ornada se levanta,
Qual do festivo leito a nova esposa!
A mesma anosa, carcomida planta
Co matutino orvalho reverdece.
A √ļmida cabe√ßa ergue vi√ßosa
A flor, que rociada resplandece,
E risonha,

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Memória Consentida

Neste lugar sem tempo nem memória,
nesta luz absoluta ou absurda,
ou só escuridão total, relances há
em que creio, ou se me afigura,
ter tido, alguma vez, passado

com biografia, onde se misturam
datas, nomes, caras, paisagens
que, de t√£o r√°pidas, me deixam
apenas a lembrança agoniada
de n√£o mais poder lembr√°-las.

Sobra, por vezes, um estilhaço
ou fragmento, como o latido
de um c√£o na tarde dolente
e comprida de uma remota inf√Ęncia.
Ou o indistinto murm√ļrio de vozes

junto de um rio que, como as vozes,
n√£o existe j√° quando para ele
volvo, surpreso, o olhar cansado.
Insidiosas, rangem t√°buas no soalho,
ou é o sussurro brando do vento

no zinco ondulado, na fronde umbrosa
dos eucaliptos de perfil no horizonte,
com o mar ao fundo. Que soalho,
de que casa, que vento em que paragens,
onde o mar ao longe que, entrevistos,

os n√£o vejo j√° ou, sequer, recordo
na brevidade do instante cruel?
De que sonho, ou vida, ou espaço de outrem
provêm tais sombras melancólicas,

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Testemunho Incontestado

1

Cam√Ķes, mas que Cam√Ķes?
Que mundo em transição se fixa nesta língua
Que margem se afirma
na língua que se inventa?
Que poeta transita
no mundo que se fixa?
Que poema se afixa
na mente que se alarga
à escala do Globo Universal
e amarga?
Que contr√°rios se afrontam
nos ossos que nos tentam?
Cam√Ķes, mas que Cam√Ķes √© este
que nos marca?

2

homem ou texto
olho vazado ou letra
miséria ou redondilha
bruxo velho ou brochura
sabedoria ou ilha
pesadelo ou vis√£o
aventureiro ou m√°quina
tensa gasta ou tens√£o
um cego amor ou mundo
novidade ou idade
horizonte ou imagem
Cam√Ķes ou re-Cam√Ķes
Fortuna ou coisa amada
mudança ou só desejo
?

3

o lírico nas lonas

o épico e o hípico
que só a pé andou

corre o mundo em degredo
liberta-se em pris√Ķes

só um olho lhe basta
para a vis√£o dos tempos
que novos se dispersam

e em não contradição se contradiz

4

dissipo a vida
se
dissipo a morte

aprendo a vida
se
aprendo a morte

sustento a vida
se
sustenho a morte

re contenho a vida

se retenho a morte

Aprendamos, Amor

Aprendamos, amor, com estes montes
Que, t√£o longe do mar, sabem o jeito
De banhar no azul dos horizontes.

Façamos o que é certo e de direito:
Dos desejos ocultos outras fontes
E desçamos ao mar do nosso leito.

Paix√£o

Sup√Ķe que de uma praia, rocha ou monte,
Com essa vista embaciada e turva
Que d√° aos olhos entranh√°vel dor,
Tinhas podido ver transpor a curva
Pouco a pouco do líquido horizonte
A barca saudosa que levasse
Aquele a quem primeiro uniste a face
E o teu primeiro amor!

Depois, que toda m√°goa e saudade,
Da mesma rocha ou alcantil deserto,
Olhando avidamente para o mar…
Vias na solit√°ria imensidade
Vagas fic√ß√Ķes de um pensamento incerto
Surgir das ondas, desfazer-se em espuma,
N√£o alvejando nunca vela alguma…
E sempre a suspirar!

Até que à luz de uma intuição sublime
De alma arrancavas o gemido extremo
De saudade, desespero e dor!…
Pois é assim que eu sofro, assim que eu gemo,
Que nuvem negra o coração me oprime,
Nuvem de m√°goa, nuvem de ci√ļme,
Em te n√£o vendo √† hora do costume…
Meu anjo e meu amor!

A √Ārvore da Sombra

A √°rvore da sombra
tem as folhas nuas
como a própria árvore ao meio-dia
quando se finca à terra
e espera
como um c√£o espera o regresso do dono.
Nós abrigamo-nos mais tarde ou mesmo agora num lugar
muito distante
onde o tempo recorta
um tapete que esvoaça no papel.
A casa da sombra
é branca e habitada.
Somos nós ainda
sentados ao fogo que o teu sorriso
acende e aconchega
no silêncio que ilumina
a √°rvore da sombra
para que a noite desenhe
o seu nome visível
e a sombra possa contemplar
Os ramos mais belos e o tronco mais esguio
do seu objecto.
Nesta sombra h√° um imenso amor
ao meio-dia.
A hora dos prodígios
é feita de segundos do tempo que há-de vir
e o horizonte
é a proximidade total da tua boca.

Palco

Dadas as m√£os,
Enlaçados os dedos,
Unidos os destinos,
Fic√°mo-nos ext√°ticos, frente ao altar do universo,
Como se fora no princ√≠pio do mundo!…

РNo começo da Vida!

Um canto de ave, ante a manhã, voou sobre as nossas cabeças
E perante o Sol que rompia no horizonte largo
Gozámos o poema inédito do Primeiro Dia,
Renascido das cinzas dum mundo velho e apodrecido
Como Eva redentora saída das costas inconscientes do novo Adão.

O Livro Fechado

Quebrada a vara, fechei o livro
e n√£o ser√° por inc√ļria ou descuido
que algumas p√°ginas se reabram
e os mesmos fantasmas me visitem.
Fechei o livro, Senhor, fechei-o,

mas os mortos e a sua memória,
os vivos e sua presença podem mais
que o √°lcool de todos os esquecimentos.
Abjurado, recusei-o e cumpro,
na gangrena do corpo que me coube,

em lugar que lhe n√£o compete,
o dia a dia de um destino tolerado.
Na raça de estranhos em que mudei,
é entre estranhos da mesma raça
que, dissimulado e obediente, o sofro.

Aventureiro, ou n√£o, servidor apenas
de qualquer miss√£o remota ao sol poente,
em amanuense me tornei do horizonte
severo e restrito que me n√£o pertence,
lavrador vergado sobre solo alheio

onde n√£o cai, nem vinga, desmobilizada,
a sombra elíptica do guerreiro.
Fechei o livro, calei todas as vozes,
contas de longe cobradas em nada.
Fale, somente, o silêncio que lhes sucede.

Alimentar-me de Ti

De alimentar-me de Ti como Jonas do ventre da baleia
De inserir-me em teus braços chicoteados de infinitos horizontes
De beijar-Te o rosto como a uma chaga de luz
De amar-Te de um amor qual nunca amado
Na humana carne em que temer√°rio confio
Por uma humanidade possível que o impossível não desmente
Aceito inscrever-me a fogo no teu Rosto
E ser vomitado ao fim do terceiro dia
Na cruz de sol de todos os milénios futuros

Aqui Mereço-te

O sabor do p√£o e da terra
e uma luva de orvalho na m√£o ligeira.
A flor fresca que respiro é branca.
E corto o ar como um p√£o enquanto caminho entre searas.
Pertenço em cada movimento a esta terra.
O meu suor tem o gosto das ervas e das pedras.
Sorvo o silêncio visivel entre as árvores.
√Č aqui e agora o dilatado abra√ßo das ra√≠zes claras do sono.
Sob as p√°lpebras transparentes deste dia
o ar é o suspiro dos próprios lábios.
Amar aqui é amar no mar,
mas com a resistência das paredes da terra.

A m√£o flui liberta t√£o livre como o olhar.
Aqui posso estar seguro e leve no silêncio
entre calmas formas, matérias densas, raízes lentas,
ao fogo esparso que alastra ao horizonte.
No meu corpo acende-se uma pequena l√Ęmpada.
Tudo o que eu disser s√£o os l√°bios da terra,
o leve martelar das línguas de água,
as feridas da seiva, o estalar das crostas,
o murm√ļrio do ar e do fogo sobre a terra,
o incessante alimento que percorre o meu corpo.

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O Sono de Percival

O justo é injusto, o injusto justo é.
Débil julguei ouvir tua voz a desoras.
Um lamento lento, por certo a voz
do vento. Secarei, talvez como o feno,
n√£o dormindo, nem noites, nem dias.

Soluço abafado, sussurro apenas
perceptível após a brancura
obliterante do rel√Ęmpago,
quando cessa o fragor que o excede
e a chuva cai e tudo se cala,

terei ouvido tua voz. Secarei,
talvez, como o feno. O justo
é injusto, o injusto justo é.
Procurei no horto e no deserto,
sob o cavo ruído das torrentes

subterr√Ęneas, na imemorial
pedra circular com que o humano
terror balizou os horizontes
do tempo. No espectro da rosa
dos ventos, no vento espectral

da rosa. Seria a voz do vento,
pintura da minha imaginação
doente, a vigília do sono,
a febre dos sentidos,
n√£o dormindo noites e dias

para ouvir tua voz. O justo
é injusto, o injusto justo é
para ouvir tua voz.
Secarei como o feno.
Para ouvir tua voz.

Mensagem РMar Português

MAR PORTUGUÊS

Possessio Maris

I. O Infante

Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, j√° n√£o separasse.
Sagrou-te, e foste desvendando a espuma,

E a orla branca foi de ilha em continente,
Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.

Quem te sagrou criou-te português.
Do mar e nós em ti nos deu sinal.
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!

II. Horizonte

√ď mar anterior a n√≥s, teus medos
Tinham coral e praias e arvoredos.
Desvendadas a noite e a cerração,
As tormentas passadas e o mistério,
Abria em flor o Longe, e o Sul sidério
’Splendia sobre as naus da iniciação.

Linha severa da long√≠nqua costa ‚ÄĒ
Quando a nau se aproxima ergue-se a encosta
Em √°rvores onde o Longe nada tinha;
Mais perto, abre-se a terra em sons e cores:
E, no desembarcar, h√° aves,

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√Č por Ti que Escrevo

√Č por ti que escrevo que n√£o √©s musa nem deusa
mas a mulher do meu horizonte
na imperfeição e na incoincidência do dia-a-dia
Por ti desejo o sossego oval
em que possas identificar-te na limpidez de um centro
em que a felicidade se revele como um jardim branco
onde reconheças a dália da tua identidade azul
√Č porque amo a c√°lida formosura do teu torso
a latitude pura da tua fronte
o teu olhar de √°gua iluminada
o teu sorriso solar
é porque sem ti não conheceria o girassol do horizonte
nem a t√ļmida integridade do trigo
que eu procuro as palavras fragrantes de um o√°sis
para a oferenda do meu sangue inquieto
onde pressinto a vermelha trajectória de um sol
que quer resplandecer em largas planícies
sulcado por um tranquilo rio sumptuoso

S√£o Leonardo da Galafura

À proa dum navio de penedos,
A navegar num doce mar de mosto,
Capit√£o no seu posto
De comando,
S. Leonardo vai sulcando
As ondas
Da eternidade,
Sem pressa de chegar ao seu destino.
Ancorado e feliz no cais humano,
√Č num antecipado desengano
Que ruma em direcção ao cais divino.

L√° n√£o ter√° socalcos
Nem vinhedos
Na menina dos olhos deslumbrados;
Doiros desaguados
Ser√£o charcos de luz
Envelhecida;
Rasos, todos os montes
Deixar√£o prolongar os horizontes
Até onde se extinga a cor da vida.

Por isso, é devagar que se aproxima
Da bem-aventurança.
√Č lentamente que o rabelo avan√ßa
Debaixo dos seus pés de marinheiro.
E cada hora a mais que gasta no caminho
√Č um sorvo a mais de cheiro
A terra e a rosmaninho!

Paisagem

Desejei-te pinheiro à beira-mar
para fixar o teu perfil exacto.

Desejei-te encerrada num retrato
para poder-te contemplar.

Desejei que tu fosses sombra e folhas
no limite sereno dessa praia.

E desejei: ¬ęQue nada me distraia
dos horizontes que tu olhas!¬Ľ

Mas fr√°gil e humano gr√£o de areia
não me detive à tua sombra esguia.

(Insatisfeito, um corpo rodopia
na solid√£o que te rodeia.)

o tempo n√£o sabe nada

o tempo n√£o sabe nada
o tempo n√£o tem raz√£o
o tempo nunca existiu
é da nossa invenção

se abandonarmos as horas para nos sentirmos sós
meu amor o tempo somos nós

o espaço tem o volume
da imaginação
além do nosso horizonte
existe outra dimens√£o

o espaço foi construído sem princípio nem fim
meu amor tu cabes dentro de mim

o meu tesouro és tu
eternamente tu
n√£o h√° passos divergentes para quem se quer encontrar

a nossa história começa
na total escurid√£o
onde o mistério ultrapassa
a nossa compreens√£o

a nossa história é o esforço para alcançar a luz
meu amor o impossível seduz

o meu tesouro és tu
eternamente tu
n√£o h√° passos divergentes para quem se quer encontrar

Fragmento Terceiro

I

Campos de ira, t√£o vasto sentimento
vos afasta. íris morta! Os actos radicais
constroem, em projeto, um fr√°gil
universo ‚Äď a tinta, o espa√ßo √≥ptico.
Descansam os sentidos sobre pródigas
defesas: os filtros turvos, as precau√ß√Ķes
na sua cura. Os nervos tersos
da análise da vida e da matéria.

II

Desviam-se dos livros. Hoje escreve
contra a morte dos olhos, a existência
passível de leitura. Ineptos, os sons
perdem-se na encosta. o vento fere
ainda? Inscrito
na área da cabeça, é esse rastro
ainda vivo. Domino a sua queda, os seus poderes
punitivos, a sua força hereditária.

III

Persistir no imóvel. Preencher
os anos que nos moldam
no vigor da fibra, no duro movimento
interior ‚ÄĒ a que destino, a que imaturo
ritmo, sem preço? Pois é o caro
prémio deste dorso
de o cumprir, pensar, até ao fim.
Ou de saber adestrá-lo até que,
exausto, só impulso
vigore ‚ÄĒ a morte lida
num próximo sentido, ainda vivo.

IV

Como contacto √ļnico,

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