Sonetos sobre Mito de Augusto dos Anjos

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Sonetos de mito de Augusto dos Anjos. Leia este e outros sonetos de Augusto dos Anjos em Poetris.

A Aeronave

Cindindo a vastidão do Azul profundo,
Sulcando o espa├žo, devassando a terra,
A aeronave que um mist├ęrio encerra
Vai pelo espa├žo acompanhando o mundo.

E na esteira sem fim da az├║lea esfera
Ei-la embalada n’amplid├úo dos ares,
Fitando o abismo sepulcral dos mares,
Vencendo o azul que ante si s’erguera.

Voa, se eleva em busca do infinito,
É como um despertar de estranho mito,
Auroreando a humana consciência.

Cheia da luz do cintilar de um astro,
Deixa ver na fulgência do seu rastro
A trajetória augusta da Ciência.

Vencido

No auge de atordoadora e ávida sanha
Leu tudo, desde o mais pr├şstino mito,
Por exemplo: o do boi Ápis do Egito
Ao velho Niebelungen da Alemanha.

Acometido de uma febre estranha
Sem o escândalo fônico de um grito,
Mergulhou a cabe├ža no Infinito,
Arrancou os cabelos na montanha!

Desceu depois à gleba mais bastarda,
Pondo a ├íurea ins├şgnia her├íldica da farda
A vontade do v├┤mito plebeu…

E ao vir-lhe o cuspo diário à boca fria
O vencido pensava que cuspia
Na c├ęlula infeliz de onde nasceu.