Tudo quanto vive, vive porque muda; muda porque passa; e, porque passa, morre. Tudo quanto vive perpetuamente se torna outra coisa, constantemente se nega, se furta à vida.
Passagens de Fernando Pessoa
1382 resultadosE seja o nosso desprezo para os que trabalham e lutam e o nosso ódio para os que esperam e confiam.
O que é doença é desejar com igual intensidade o que é preciso e o que é desejável, e sofrer por não ser perfeito como se se sofresse por não ter pão. O mal romântico é este: é querer a lua como se houvesse maneira de a obter.
Um tédio que inclui a antecipação só de mais tédio; a pena, já, de amanhã ter pena de ter tido pena hoje.
Ter Opiniões Definidas e Certas
Ter opiniões definidas e certas, instintos, paixões e carácter fixo e conhecido – tudo isto monta ao horror de tornar a nossa alma um facto, de a materializar e tornar exterior. Viver num doce e fluido estado de desconhecimento das coisas e de si próprio é o único modo de vida que a um sábio convém e aquece.
A dignidade da inteligência está em reconhecer que é limitada e que o universo está fora dela.
Interpretar é não saber explicar. Explicar é não ter compreendido.
A recordação é uma traição à natureza, Porque a natureza de ontem não é natureza. O que foi não é nada, e lembrar é não ver.
Não importa se a estação do ano muda… Se o século vira, se o milênio é outro. Se a idade aumenta… Conserva a vontade de viver, Não se chega a parte alguma sem ela.
O provincianismo consiste em pertencer a uma civilização sem tomar parte do desenvolvimento superior dela – em segui-la pois mimeticamente com uma insubordinação inconsciente e feliz.
Meu coração é um balde despejado. Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco A mim mesmo e não encontro nada
Amo por que te amo e sei que por amor te amo
A Inutilidade da Crítica
Que a obra de boa qualidade sempre se destaca é uma afirmação sem valor, se aplicada a uma obra de qualidade realmente boa e se por “destaca” quer-se fazer referência à aceitação na sua própria época. Que a obra de boa qualidade sempre se destaca, no curso de sua futuridade, é verdadeiro; que a obra de boa qualidade, mas de segunda ordem sempre se destaca na sua própria época, é também verdadeiro.
Pois como há-de um crítico julgar? Quais as qualidades que formam, não o incidental, mas o crítico competente? Um conhecimento da arte e da literatura do passado, um gosto refinado por esse conhecimento, e um espírito judicioso e imparcial. Qualquer coisa menos do que isto é fatal ao verdadeiro jogo das faculdades críticas. Qualquer coisa mais do que isto é já espírito criativo e, portanto, individualidade; e individualidade significa egocentrismo e certa impermeabilidade ao trabalho alheio.
Quão competente é, porém, o crítico competente? Suponhamos que uma obra de arte profundamente original surja diante dos seus olhos. Como a julga ele? Comparando-a com as obras de arte do passado. Se for original, porém afastar-se-á em alguma coisa — e quanto mais original mais se afastará — das obras de arte do passado.
O zero é a maior metáfora. O infinito a maior analogia. A existência o maior símbolo.
Mas nem a dor humana é infinita, pois nada há humano de infinito, nem a nossa dor vale mais do que ser uma dor que nós temos.
Tenho prazer em ser vencido quando quem me vence é a razão, seja quem for o seu procurador. Fernando Pessoa
Nunca pretendi ser senão um sonhador.
Somos cartas mandadas de espírito para espírito na treva.
Sem verdade, sem dúvida, nem dono. Boa é a vida, mas melhor é o vinho. O amor é bom, mas é melhor o sono.
Como a Noite é Longa!
Como a noite é longa!
Toda a noite é assim…
Senta-te, ama, perto
Do leito onde esperto.
Vem p’r’ao pé de mim…Amei tanta coisa…
Hoje nada existe.
Aqui ao pé da cama
Canta-me, minha ama,
Uma canção triste.Era uma princesa
Que amou… Já não sei…
Como estou esquecido!
Canta-me ao ouvido
E adormecerei…Que é feito de tudo?
Que fiz eu de mim?
Deixa-me dormir,Dormir a sorrir
E seja isto o fim.