Cita√ß√Ķes de Haruki Murakami

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Frases, pensamentos e outras cita√ß√Ķes de Haruki Murakami para ler e compartilhar. Os melhores escritores est√£o em Poetris.

Passa-se o mesmo com as ementas, os homens ou outra coisa qualquer: ¬ępensamos¬Ľ que estamos a fazer uma escolha, mas, de facto, podemos n√£o estar a escolher nada. Tudo pode j√° estar escolhido de antem√£o e n√≥s ¬ęfingimos¬Ľ que fazemos escolhas. O livre-arb√≠trio pode n√£o passar de uma ilus√£o.

Somos Iguais Hoje ao que Fomos Outrora

РEu também aprecio os livros de História. Ensinam-nos que, basicamente, somos iguais hoje ao que fomos outrora. Pode haver diferenças insignificantes em termos de vestuário e de estilo de vida, mas não há grande diferença no que pensamos e fazemos. No fundo, os seres humanos não passam de veículos, ou locais de passagem, para os genes. De geração em geração, correm dentro de nós até nos esgotarem, como cavalos de corrida. Os genes não pensam no bem e no mal. Não querem saber se somos felizes ou infelizes. Para eles, não passamos de um meio para atingir um fim. Só pensam no que é mais eficaz do seu ponto de vista.
РApesar de tudo, não conseguimos deixar de pensar no bem e no mal. Não é o que está a dizer?
A senhora anuiu.
– Precisamente. As pessoas ¬ęt√™m¬Ľ de pensar nessas coisas. Mas os genes s√£o o que controla a base da forma como vivemos. Como √© natural, as contradi√ß√Ķes surgem.

Não interessa o quanto o queiram, não interessa até onde conseguiram ir, as pessoas nunca poderão ser nada mais do que elas próprias. E é tudo.

A Envergadura da Verdade

Falar com franqueza e dizer a verdade s√£o duas coisas totalmente diferentes. A honestidade est√° para a verdade como a proa de um barco para a sua popa. A franqueza aparece em primeiro lugar, a verdade vem depois. O intervalo de tempo entre ambas est√° na propor√ß√£o directa da envergadura do barco. A verdade, quando aplicada √†s grandes quest√Ķes, tarda em aparecer. Acontece, por vezes, que s√≥ se manifesta depois da morte.

Se apenas leres os livros que toda a gente lê, apenas podes pensar o mesmo que os outros estão a pensar.

O Apogeu

Cada ser humano atinge o seu apogeu de maneira diferente, num dado momento. Uma vez alcançado esse ponto alto, é sempre a descer. Fatal como o destino. E o pior é que ninguém sabe onde é que se situa o seu próprio auge. A linha divisória pode desenhar-se de repente, quando uma pessoa pensa que ainda estava a pisar terreno seguro. Ninguém tem maneira de saber. Alguns atingem esse pico aos doze anos, e depois espera-os uma vida perfeitamente monótona e sem chama. Outros continuam sempre em ascensão até à morte; outros morrem no seu máximo esplendor. Muitos poetas e compositores vivem em estado de permanente arrebatamento e estão mortos quando chegam aos trinta anos. Depois há aqueles, como é o caso de Picasso, que aos oitenta e muitos anos ainda pintava quadros cheios de vigor e teve uma morte tranquila, sem saber o que era o declínio.

O que está em causa é a maneira como se vive. Acima de tudo, importa que uma pessoa tenha sempre presente a vontade de se proteger, um instinto fatal. Nunca chegaremos a lado nenhum se baixarmos os braços e deixarmos que nos ataquem. O sentimento crónico de impotência acaba por corroer o ser humano por dentro.

Se for possível amar alguém apaixonadamente, mesmo que só uma pessoa, então a vida tem salvação. Ainda que não seja possível reunirmo-nos com a tal pessoa.

Um certo tipo de perfeição só pode ser atingido através de uma acumulação limitada de imperfeição.

Destino, Acaso ou Coincidência

Podemos muito bem, se for esse o nosso desejo, vaguear sem destino pelo vasto mundo do acaso. Que é como quem diz, sem raízes, exactamente da mesma maneira que a semente alada de certas plantas esvoaça ao sabor da brisa primaveril.
E, contudo, n√£o faltar√° ao mesmo tempo quem negue a exist√™ncia daquilo a que se convencionou chamar o destino. O que est√° feito, feito est√°, o que tem se ser tem muita for√ßa e por a√≠ fora. Por outras palavras, quer queiramos quer n√£o, a nossa exist√™ncia resume-se a uma sucess√£o de instantes passageiros aprisionados entre o ¬ętudo¬Ľ que ficou para tr√°s e o ¬ęnada¬Ľ que temos pela frente. Decididamente, neste mundo n√£o h√° lugar para as coincid√™ncias nem para as probabilidades.
Na verdade, por√©m, n√£o se pode dizer que entre esses dois pontos de vista exista uma grande diferen√ßa. O que se passa – como, de resto, em qualquer confronto de opini√Ķes – √© o mesmo que sucede com certos pratos culin√°rios: s√£o conhecidos por nomes diferentes mas, na pr√°tica, o resultado n√£o varia.

Neste mundo não há ninguém insubstituível. Por muitos conhecimentos e faculdades que uma pessoa tenha, regra geral, existe sempre um sucessor à espera de ser encontrado. Se o mundo estivesse cheio de pessoas insubstituíveis, teríamos sérios problemas.

Por mais talentos com que tenhas sido dotado, nem sempre consegues encher a barriga, ao passo que, se tiveres um instinto apurado, isso garante-te que nunca passar√°s fome.

A Tempestade do Destino

Por vezes o destino √© como uma pequena tempestade de areia que n√£o p√°ra de mudar de direc√ß√£o. Tu mudas de rumo, mas a tempestade de areia vai atr√°s de ti. Voltas a mudar de direc√ß√£o, mas a tempestade persegue-te, seguindo no teu encal√ßo. Isto acontece uma vez e outra e outra, como uma esp√©cie de dan√ßa maldita com a morte ao amanhecer. Porqu√™? Porque esta tempestade n√£o √© uma coisa que tenha surgido do nada, sem nada que ver contigo. Esta tempestade √©s tu. Algo que est√° dentro de ti. Por isso, s√≥ te resta deixares-te levar, mergulhar na tempestade, fechando os olhos e tapando os ouvidos para n√£o deixar entrar a areia e, passo a passo, atravess√°-la de uma ponta a outra. Aqui n√£o h√° lugar para o sol nem para a lua; a orienta√ß√£o e a no√ß√£o de tempo s√£o coisas que n√£o fazem sentido. Existe apenas areia branca e fina, como ossos pulverizados, a rodopiar em direc√ß√£o ao c√©u. √Č uma tempestade de areia assim que deves imaginar.
(…) E n√£o h√° maneira de escapar √† viol√™ncia da tempestade, a essa tempestade metaf√≠sica, simb√≥lica. N√£o te iludas: por mais metaf√≠sica e simb√≥lica que seja, rasgar-te-√° a carne como mil navalhas de barba.

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