Cita√ß√Ķes sobre Ouvidos

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Descri√ß√£o Da Cidade De Sergipe D’el-Rei

Tr√™s d√ļzias de casebres remendados,
Seis becos, de mentrastos entupidos,
Quinze soldados, rotos e despidos,
Doze porcos na praça bem criados.

Dois conventos, seis frades, três letrados,
Um juiz, com bigodes, sem ouvidos,
Três presos de piolhos carcomidos,
Por comer dois meirinhos esfaimados.

As damas com sapatos de baeta,
Palmilha de tamanca como frade,
Saia de chita, cinta de raqueta.

O feijão, que só faz ventosidade
Farinha de pipoca, p√£o que greta,
De Sergipe d’El-Rei esta √© a cidade.

Cam√Ķes III

Quando, torcendo a chave misteriosa
Que os cancelos fechava do Oriente,
O Gama abriu a nova terra ardente
Aos olhos da companha valorosa,

Talvez uma vis√£o resplandecente
Lhe amostrou no futuro a sonorosa
Tuba. que cantaria a ação famosa
Aos ouvidos da própria e estranha gente.

E disse: “Se j√° noutra, antiga idade,
Tróia bastou aos homens, ora quero
Mostrar que é mais humana a humanidade.

Pois não serás herói de um canto fero,
Mas vencer√°s o tempo e a imensidade
Na voz de outro moderno e brando Homero”.

Um Homem Possui Tr√™s Est√īmagos

– H√° muitos tipos dc comida ‚ÄĒ disse o coronel M√Ķller enquanto abanava o filho.- Um homem possui tr√™s est√īmagos: um na barriga, outro no peito e outro na cabe√ßa. O da barriga, toda a gente sabe para que serve; o do peito mastiga a respira√ß√£o, que √© a nossa comida mais urgente. Uma pessoa morre sem ar muito mais depressa do que sem √°gua e p√£o. E por fim h√° o est√īmago da cabe√ßa, que se alimenta de palavras e de letras. Os primeiros dois est√īmagos do homem alimentam-se atrav√©s da boca c do nariz, ao passo que o terceiro est√īmago se alimenta principalmente atrav√©s dos olhos e dos ouvidos, apesar de usar tudo o resto dc um modo mais subtil.
‚ÄĒ Para mim ‚ÄĒ disse o mordomo ‚ÄĒ, as palavras s√£o uma grande palermice.

Sempre os que dizem de antemão que lutam em nome de Deus são pessoas menos pacíficas do mundo: como crêem que recebem mensagens celestiais, têm os ouvidos surdos para qualquer palavra de humanidade.

O Deus P√£ n√£o Morreu

O Deus P√£ n√£o morreu,
Cada campo que mostra
Aos sorrisos de Apolo
Os peitos nus de Ceres ‚ÄĒ
Cedo ou tarde vereis
Por l√° aparecer
O deus P√£, o imortal.

N√£o matou outros deuses
O triste deus crist√£o.
Cristo é um deus a mais,
Talvez um que faltava.
P√£ continua a ciar
Os sons da sua flauta
Aos ouvidos de Ceres
Recumbente nos campos.

Os deuses s√£o os mesmos,
Sempre claros e calmos,
Cheios de eternidade
E desprezo por nós,
Trazendo o dia e a noite
E as colheitas douradas
Sem ser para nos dar o dia e a noite e o trigo
Mas por outro e divino
Propósito casual.

Fé

As ora√ß√Ķes dos homens
Subam eternamente aos teus ouvidos;
Eternamente aos teus ouvidos soem
Os c√Ęnticos da terra.

No turvo mar da vida,
Onde aos parcéis do crime a alma naufraga,
A derradeira b√ļssola nos seja,
Senhor, tua palavra.

A melhor segurança
Da nossa íntima paz, Senhor, é esta;
Esta a luz que h√° de abrir √† est√Ęncia eterna
O fulgido caminho.

Ah ! feliz o que pode,
No extremo adeus às cousas deste mundo,
Quando a alma, despida de vaidade,
Vê quanto vale a terra;

Quando das glórias frias
Que o tempo d√° e o mesmo tempo some,
Despida j√°, ‚ÄĒ os olhos moribundos
Volta às eternas glórias;

Feliz o que nos l√°bios,
No cora√ß√£o, na mente p√Ķe teu nome,
E só por ele cuida entrar cantando
No seio do infinito.

Encarar a Morte

√Č talvez sinal de pris√£o ao mundo dos fen√≥menos o terror e a dor ante a chegada da morte ou a serena mas entristecida resigna√ß√£o com que a fizeram os gregos uma doce irm√£ do sono; para o esp√≠rito liberto ela deve ser, como o som e a cor, falsa, exterior e passageira; n√£o morre, para si pr√≥prio nem para n√≥s, o que viveu para a ideia e pela ideia, n√£o √© mais existente, para o que se soube desprender da ilus√£o, o que lhe fere os ouvidos e os olhos do que o puro entender que apenas se lhe apresenta em pensamento; e tanto mais alto subiremos quando menos considerarmos a morte como um enigma ou um fantasma, quanto mais a olharmos como uma forma entre as formas.

Em caso de divergências, nunca se atreve a julgar até que você tenha ouvido o outro lado.

Soneto V

Eu cantarei de amor t√£o novamente,
Se me ouve aquela de quem sempre canto,
Que de mim dor e magoa, e dela espanto
Ter√° a mais fera, inculta e dura gente.

E ela que assi t√£o crua e indinamente
Dura aos meus choros é, surda ao meu canto,
Alg√ľa parte crer√° (se n√£o for tanto
Como eu desejo) do que esta alma sente.

Mas como esperarei achar piedade
De mim nem em mim mesmo, se ela nega
(Não peço brandos já) duros ouvidos?

Se nega um volver de olhos com que cega
A luz e dá só escuro claridade,
Como ser√£o meus danos nunca cridos?

Os Feitos Simples s√£o os Mais Elogiados e Lembrados

Duas pátrias produziram dois heróis: de Tebas saiu Hércules; de Roma saiu Catão. Foi Hércules aplauso da orbe, foi Catão enfado de Roma. A um admiraram todos, ao outro esquivaram-se os romanos. Não admite controvérsia a vantagem que levou Catão a Hércules, pois o excedeu em prudência; mas ganhou Hércules a Catão em fama. Mais de árduo e primoroso teve o assunto de Catão, pois se empenhou em sujeitar os monstros dos costumes, e Hércules os da natureza; mas teve mais de famoso o do tebano. A diferença consistiu em que Hércules empreendeu façanhas plausíveis e Catão odiosas. A plausibilidade do cargo levou a glória de Alcides (nome anterior de Hércules) aos confins do mundo, e passará ainda além deles caso se alarguem. O desaprezível do cargo circunscreveu Catão ao interior das muralhas de Roma.
Com tudo isto, preferem alguns, e não os menos judiciosos, o assunto primoroso ao mais plausível, e pode mais com eles a admiração de poucos que o aplauso de muitos, sendo vulgares. Os milagres de ignorantes apelam aos empenhos plausíveis. O árduo, o primoroso de um superior assunto poucos o percebem, embora eminentes, sendo assim raros os que nele acreditam. A facilidade do plausível permite-se a todos,

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Retrospecto

Vinte e seis anos, trinta amores: trinta
vezes a alma de sonhos fatigada.
e, ao fim de tudo, como ao fim de cada
amor, a alma de amor sempre faminta!

√ď mocidade que foges! brada
aos meus ouvidos teu futuro, e pinta
aos meus olhos mortais, com toda a tinta,
os remorsos da vida dissipada!

Derramo os olhos por mim mesmo… E, nesta
muda consulta ao coração cansado,
que é que vejo? que sinto? que me resta?

Nada: ao fim do caminho percorrido,
o ódio de trinta vezes ter jurado
e o horror de trinta vezes ter mentido!

Nos foram dadas duas pernas para andar, as duas mãos para segurar, dois ouvidos para ouvir, dois olhos para ver; mas por que só um coração? Porque o outro foi dado a alguém para nos encontrar.

Ilumina-se a Igreja por Dentro da Chuva

Ilumina-se a igreja por dentro da chuva deste dia,
E cada vela que se acende √© mais chuva a bater na vidra√ßa…

Alegra-me ouvir a chuva porque ela é o templo estar aceso,
E as vidra√ßas da igreja vistas de fora s√£o o som da chuva ouvido por dentro …

O esplendor do altar-mor é o eu não poder quase ver os montes
Atrav√©s da chuva que √© ouro t√£o solene na toalha do altar…

Soa o canto do coro, latino e vento a sacudir-me a vidraça
E sente-se chiar a √°gua no fato de haver coro…

A missa é um automóvel que passa
Atrav√©s dos fi√©is que se ajoelham em hoje ser um dia triste…
S√ļbito vento sacode em esplendor maior
A festa da catedral e o ruído da chuva absorve tudo
Até só se ouvir a voz do padre água perder-se ao longe
Com o som de rodas de autom√≥vel…

E apagam-se as luzes da igreja
Na chuva que cessa …

Que Vençais no Oriente tantos Reis

Que vençais no Oriente tantos Reis,
Que de novo nos deis da √ćndia o Estado,
Que escureçais a fama que hão ganhado
Aqueles que a ganharam de infiéis;

Que vencidas tenhais da morte as leis,
E que vencêsseis tudo, enfim, armado,
Mais é vencer na Pátria, desarmado,
Os monstros e as Quimeras que venceis.

Sobre vencerdes, pois, tanto inimigo,
E por armas fazer que sem segundo
No mundo o vosso nome ouvido seja;

O que vos d√° mais fama inda no mundo,
√Č vencerdes, Senhor, no Reino amigo,
Tantas ingratid√Ķes, t√£o grande inveja.

O homem acredita mais com os olhos do que com os ouvidos. Por isso longo é o caminho através de regras e normas, curto e eficaz através do exemplo.

Os meus amigos dizem-me que sou uma insuport√°vel orgulhosa, e √© √† viva for√ßa que me arrancam da gaveta, para os lan√ßar √†s feras, como eu costumo dizer, os meus versos que s√£o um pouco de mim mesma, e agora a minha prosa que, a dar-lhes ouvidos, seria a oitava maravilha do mundo! Resignei-me de vez e, presentemente, estou decidida a enveredar pelo caminho da “escrevinha√ß√£o”, j√° que para outra coisa n√£o me sinto apta neste mundo.

Mito

Vir√° o dia em que o jovem deus ser√° um homem,
sem sofrimento, com o morto sorriso do homem
que compreendeu. Também o sol se move longínquo
avermelhando as praias. Vir√° o dia em que o deus
j√° n√£o saber√° onde eram as praias de outrora.

Acorda-se uma manh√£ em que o Ver√£o morreu,
e nos olhos tumultuam ainda esplendores
como ontem e no ouvido os fragores do sol
feito sangue. A cor do mundo mudou.
A montanha já não toca o céu; as nuvens
j√° n√£o se amontoam como frutos; na √°gua
j√° n√£o transparece um seixo. O corpo dum homem
curva-se pensativo onde um deus respirava.

O grande sol acabou, e o cheiro da terra
e a rua livre, colorida de gente
que ignorava a morte. N√£o se morre de Ver√£o.
Se alguém desaparecia, havia o jovem deus
que vivia por todos e ignorava a morte.
Nele a tristeza era uma sombra de nuvens.
O seu passo pasmava a terra.

Agora pesa
o cansaço sobre todos os membros do homem,
sem sofrimento: o calmo cansaço da madrugada
que abre um dia de chuva.

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O Grito

Corria pela rua acima quando a s√ļbita explos√£o dum grito o fez parar instantaneamente. Todo o seu corpo estremeceu. O que ele desde sempre receara acabara de ocorrer: algures, nesse momento, uma caneta come√ßara a deslizar sobre uma folha de papel, dando assim corpo √†quele grito que de h√° muito, como as esculturas no interior da pedra, se mantinha na expectativa desse simples gesto dum escritor para atingir a realidade. Tapou os ouvidos com as m√£os. O grito mais n√£o era que um sinal, mas o que esse sinal lhe transmitia deixava-o aterrado. Acabara de ser posta a funcionar uma engrenagem que a partir de agora nada nem ningu√©m, e muito menos ele, iria alguma vez poder travar, um mecanismo de que ele pr√≥prio iria inapelavelmente ser a maior v√≠tima. Mais tarde ou mais cedo isso teria de se dar, mas agora que, sem qualquer aviso pr√©vio, se soubera propulsado para outra dimens√£o da sua vida, como se os fios que a governavam tivessem repentinamente mudado de m√£os, o facto de h√° longo tempo o pressentir n√£o o impediu de olhar √† sua volta com estranheza, uma estranheza que antes de mais nascia de tudo √† primeira vista ter ficado como estava,

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