A Tempestade

Cobre-se ├│ c├ęu de grossas negras nuvens,
Os ventos mais e mais cada hora crescem,
J├í se escurece o c├ęu, j├í. com soberba
Inchadas grossas ondas se levantam.
A nau come├ža j├í passar trabalho,
J├í come├ža gemer, e em tal afronta
O apito soa, brada o mestre, acodem
Com presteza var├Áes no mar expertos.
P├Áe-se o fero Vulturno junto ao cabo,
Levanta l├í no c├ęu furiosas ondas;
Austro bramando corre ali com f├║ria,
Dando um balan├žo ├á nau que quase a rende,
Vem com grande furor B├│reas raivoso,
Comete por davante, o passo impide,
Encontra as grandes velas, e, por for├ža,
Ao mastro as pega e a nau atrás empuxa:
Rompe-se por mil partes o c├ęu, e arde
Em ligeiro, apressado, vivo fogo.
Um rugido espantoso vai correndo
Desde o Antárctico Pólo ao seu oposto.
Arremessam-se lan├žas pelos ares
De congelada pedra em água envolta;
Com espantoso ├şmpeto, e rasgadas
As densas negras nuvens raios cospem:
De um golpe as velas vêm todas abaixo.